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Homem que fugiu de ditadura argentina localiza irmão 40 anos depois


Por   /  20 de agosto de 2018  /  Sem comentários

Menino de 7 anos e irmão de quatro meses foram sequestrados da casa onde moravam em Tucumán há mais de 40 anos (Foto: Divulgação/Via BBC Brasil)

 

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Assinatura BBC topo (Foto: BBC)


 

Quando tinha sete anos, o argentino Ismael Suleiman, hoje de 49 anos, aproveitou um momento de distração de seus sequestradores, pulou o muro e caminhou até a rodoviária da cidade de San Miguel de Tucumán, no noroeste da Argentina.

Ele sabia que seu tio trabalhava ali, em um dos guichês de venda de passagens.

Ismael e o irmão mais novo, de quatro meses, tinham sido levados por três homens da casa onde moravam, no interior da província de Tucumán.

“Lembro como se fosse hoje daquele momento horroroso, quando aqueles três homens nos tiraram de casa à força e nos colocaram num carro. Um deles usava uma boina militar. Foi tudo rápido”, contou Ismael à BBC News Brasil.

O sequestro ocorreu dias depois de a mãe deles, uma empregada doméstica e ativista política, ter “desaparecido”.

Segundo entidades de direitos humanos, Rosario del Carmen Ramos, que hoje teria 69 anos, continua desaparecida.

“Ainda sonho com ela”, disse Ismael, emocionado. “Ainda tenho a esperança de encontrá-la. E sempre tive certeza de que encontraria meu irmão.”

Depois de se reencontrarem após 40 anos, irmãos agora buscam mãe deles e militante política que teria sido raptada (Foto: Divulgação/Via BBC Brasil)

 

Há poucos dias, os dois irmãos se reencontraram. Uma denúncia anônima feita à entidade de direitos humanos Avós da Praça de Maio, criada em 1977 por mulheres que se juntaram para tentar recuperar os filhos dos seus filhos, disse que um vendedor ambulante em San Miguel de Tucumán, capital da província de Tucumán, teria sido criado por pessoas ligadas à ditadura argentina que comandou o país de 1976 e 1983. E que ele poderia ser filho de desaparecidos políticos.

Na Argentina, as campanhas para a localização das pessoas sequestradas durante o regime militar são permanentes. A Avós da Praça de Maio pede, através de anúncios, que o público denuncie quando souber ou desconfiar de casos do tipo. Mesmo pessoas com dúvidas em relação à própria identidade são incentivadas a procurar a entidade.

A campanha mais recente, lançada em julho passado, chamada de “Abraço postergado’, foi veiculada em rádios, TVs e cartazes nas ruas do país. O objetivo, como em outras campanhas anteriores, é ajudar pessoas subtraídas de suas famílias na ditadura, e com o nome trocado, a recuperar suas identidades, famílias e histórias biológicas.

Ismael e sua família tinham deixado há anos amostras de sangue no Banco Nacional de Dados Genéticos, que é a base para a identificação das pessoas definidas como “desaparecidas” durante a ditadura militar.

Quando surgiu a denúncia anônima, os dados do vendedor ambulante, que aceitou fazer o exame de DNA, foram comparados com os dados de mais de 300 grupos familiares armazenados na instituição, criada por iniciativa das Avós da Praça de Maio.

Os resultados deram positivo com os da família de Ismael.

O bebê de quase cinco meses tinha sido recebido, da mãe biológica, o nome de Marcos Eduardo Ramos. Hoje, ele tem 42 anos.

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