Porém, é inegável que a atualização mais comentada atende pelo nome de Open Banking (também conhecido como Sistema Financeiro Aberto), cujo uso mais consistente será visível a partir de 2021.
Como o nome já indica, o Open Banking permitirá que o consumidor tenha mobilidade sobre suas informações financeiras, podendo utilizá-las em outras instituições bancárias além da que ele é cliente e tem conta – e cada troca de dados entre bancos só acontece com o consentimento do usuário em questão.
Esse “transporte” de dados ocorrerá por meio da padronização das APIs (sigla para application programming interface) interfaces que conversam com outros sistemas para compartilhar dados. Com todas as instituições utilizando uma tecnologia similar o cliente poderá, por exemplo, contratar um produto de um banco e permitir que essa instituição acesse a base de dados que ele já tem em outra empresa.
Para Chen Wei Chi, sócio de consultoria em Serviços Financeiros para Transformação Digital e Inovação da EY, a implementação do Open Banking tem potencial para aprimorar bastante a relação do banco com seus clientes, já que não haverá necessidade imperativa de troca de instituição bancária para se obter um benefício em particular
“Com o open banking o banco consegue atender o cliente em tudo. Tanto no fornecimento de serviços para uma parte [do sistema] na qual ele é dono de toda de receita e mesmo naquela parte em que ele não é tão bom.”
Lançado no final de 2015 na Europa, o conceito de Open Banking já é aplicado em alguns países. O relatório Global Fintech Adoption Index, produzido pela EY, traz como o exemplo o caso do Yolt, serviço criando na Holanda e também usado por usuários do Reino Unido, Itália e França, que permite aos usuários conferir em um único app suas informações financeiras unificadas, como saldo em cada um dos bancos em que possui conta e faturas dos cartões de crédito.
O lugar dos bancos nesse novo momento
Assim como as fintechs, os bancos tradicionais também serão beneficiados pela implementação das novas tecnologias. Porém, precisarão investir em inovações para não perderem competitividade, especialmente após a liberação do open banking. “O que pode acontecer é dos bancos se tornarem um serviço de infraestrutura, da mesma forma que você compra infraestrutura de saneamento ou de telefonia”, explica Rafael Pereira, presidente da Associação Brasileira de Crédito Digital (ABCD).
De acordo o executivo, o desafio presente dentro dessas instituições está em fomentar uma cultura de incentivos que fomente a criação de novos produtos. Fusões e parcerias também não estão descartadas. “O mercado já viu, em outros casos, empresas se agrupando e isso vai acontecer de várias formas: de fintech para fintech, de banco para banco e entre fintechs e bancos.”
Chi, da EY, concorda que o momento é de reinvenção para as instituições, mas acredita que elas ainda têm um espaço importante dentro de determinados setores da população. “Ainda há um público, especialmente o que tem mais dinheiro e que gosta de manter sua presença em um banco mais tradicional.”
Ele ainda ressalta os esforços das instituições mais consolidadas para incorporar as melhoras práticas criadas dentro do ambiente te fintechs.
“Os bancos tradicionais estão adotando cada vez mais [o sistema de] squads para desenvolver novas funções e utilizando metodologias de design pra criar produtos. Diferente de um tempo atrás, em que os bancos crivam um produto e já lançavam, agora eles têm a preocupação de entender o consumidor antes de fazer essa apresentação.”
Recentemente, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s apresentou um estudo que analisou a possibilidade de os bancos brasileiros tradicionais perderem mercado para as fintechs. E, de acordo com a percepção da agência, ambos os lados têm forças consistentes o bastante para se manterem atraentes ao consumidor local.
“Novos concorrentes terão vantagem competitiva pelos próximos anos, em virtude de seus ssitemas leves e ágeis. Entretanto, os grandes bancos são mais experientes em lidar com risco de fraude e segurança cibernética que as startups e fintechs”, explica um trecho do relatório.
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Fonte: Computer Word
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