Declarações vêm após imprensa americana afirmar que militares estão treinando para uma ação contra cartéis mexicanos, em meio a ofensiva no Caribe

 


A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descartou nesta terça-feira a possibilidade de uma intervenção armada dos Estados Unidos contra os cartéis do tráfico em seu país, depois que a imprensa americana revelou planos para uma ação do tipo. O temor foi amplificado pela presença das Forças Armadas nos EUA no Caribe, também sob o argumento do combate ao tráfico, mas vista como uma maneira de pressionar a Venezuela.
— Isso não vai acontecer. Não temos nenhuma informação de que isso vá acontecer… E além disso, não concordamos com isso — afirmou Sheinbaum, durante entrevista coletiva na Cidade do México, ao ser perguntada sobre as supostas intenções da Casa Branca.
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Na véspera, a rede NBC News revelou que militares começaram as etapas iniciais do treinamento para operações terrestres dentro do México contra os cartéis do tráfico. Segundo o relato, seriam empregados militares do Comando Conjunto de Operações Especiais, um agrupamento de elite que reúne a Marinha, Exército, Força Aérea e dos Fuzileiros. Membros da CIA, a principal agência de inteligência dos EUA, também participariam, assim como drones para atingir instalações ligadas ao narcotráfico. As fontes ouvidas pela NBC dizem que uma decisão final não foi tomada.
Desde seu primeiro mandato, o presidente dos EUA, Donald Trump, fala da possibilidade de atacar os cartéis no México, citando a grande quantidade de drogas que entra pela fronteira, especialmente o fentanil, responsável por uma mortal epidemia em cidades americanas — uma das justificativas do tarifaço imposto à China no início de seu segundo mandato é a alegação de que Pequim não faz o suficiente para controlar a exportação de produtos usados na fabricação do fentanil.
— O México vai ter que resolver isso muito rápido, ou a resposta é definitivamente sim — disse Trump, em julho de 2024, ao ser perguntado se estava disposto a atacar os cartéis mexicanos, em entrevista à Fox News.
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Em fevereiro, de volta à Casa Branca, o Departamento de Estado designou seis cartéis mexicanos (além de grupos de El Salvador e Venezuela) como organizações terroristas, o que poderia lhe dar a justificativa legal para ataques além de suas fronteiras. Em abril, a NBC revelou que planos para bombardeios com drones já estavam sobre a mesa.
Na época, Sheinbaum disse rejeitar “qualquer forma de intervenção ou interferência”, e que “coordena e colabora, mas não se subordina”, se referindo à concordância de seu governo com a presença de voos de monitoramento em seu espaço aéreo, com o reforço das tropas na fronteira e com a extradição de dezenas de chefes do tráfico para os EUA.
Uma eventual decisão para ataques em solo mexicano seria encarada como uma quebra na relação de pragmatismo e cooperação mantida por Sheinbaum com os EUA, e também como uma escalada perigosa na ofensiva militar de Trump no Caribe, que hoje tem na Venezuela seu principal alvo.
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Com embarcações de combate e aeronaves posicionadas na região, os EUA atacaram 16 embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, deixando 64 mortos, Não foram apresentadas evidências de que os barcos transportavam drogas, e líderes da região, como o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, denunciaram publicamente as ações de Washington. Em resposta, Petro foi incluído na lista de sanções do Departamento de Estado.
Além do argumento do combate ao narcotráfico, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, também está na mira das forças americanas. Acusado de ser o chefe do chamado Cartel de los Soles, ele tem uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à sua captura — em entrevista à rede CBS, afirmou que o chavista está com seus dias contados no poder, mas não confirmou estar disposto para lançar uma guerra. Segundo as fontes ouvidas pela NBC, os planos da Casa Branca para o México não mencionam ações contra o governo, apenas contra os cartéis.
Em meio à tensão, Caracas anunciou milícias voluntárias, intensificou exercícios militares e disse ter prendido membros de um grupo mercenário acusado de planejar um ataque falso em Trinidad e Tobago, que seria atribuído à Venezuela e serviria de justificativa para uma ação armada. Segundo as autoridades venezuelanas, os homens agiam a serviço da CIA.

HERIKA MARTINEZ / AFP

Leia matéria completa  em O Globo https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/11/04/presidente-do-mexico-descarta-hipotese-de-intervencao-armada-dos-eua-no-pais-nao-vai-acontecer.ghtml

Tue, 04 Nov 2025 17:52:23 -0000

 

 


A presidente do México, Claudia Sheinbaum, descartou nesta terça-feira a possibilidade de uma intervenção armada dos Estados Unidos contra os cartéis do tráfico em seu país, depois que a imprensa americana revelou planos para uma ação do tipo. O temor foi amplificado pela presença das Forças Armadas nos EUA no Caribe, também sob o argumento do combate ao tráfico, mas vista como uma maneira de pressionar a Venezuela.
— Isso não vai acontecer. Não temos nenhuma informação de que isso vá acontecer… E além disso, não concordamos com isso — afirmou Sheinbaum, durante entrevista coletiva na Cidade do México, ao ser perguntada sobre as supostas intenções da Casa Branca.
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Em meio à tensão, Caracas anunciou milícias voluntárias, intensificou exercícios militares e disse ter prendido membros de um grupo mercenário acusado de planejar um ataque falso em Trinidad e Tobago, que seria atribuído à Venezuela e serviria de justificativa para uma ação armada. Segundo as autoridades venezuelanas, os homens agiam a serviço da CIA.