O otimismo é ainda maior em relação à Turquia (64% dos entrevistados esperam aumento do PIB). Quanto à China, as perspectivas são menos animadoras: somente 13% esperam bons resultados em 2020.
A cautela em relação à China é compreensível. A guerra comercial com os Estados Unidos ainda está longe de ser resolvida, e as tensões em Hong Kong seguem dominando o noticiário. O PIB chinês cresceu 6% no terceiro trimestre, na faixa inferior da meta definida pelo governo, um dos ritmos mais lentos das últimas três décadas.
As autoridades chinesas foram forçadas a tomar medidas de estímulo ao consumo. “No ano que vem, o desenvolvimento econômico da China provavelmente vai enfrentar mais pressão para baixo e um ambiente internacional mais complicado”, disse Li Keqiang, primeiro-ministro e responsável pela economia chinesa.
A Índia, o outro gigante emergente, até o ano passado detinha a economia que mais crescia no mundo. Não mais. Este ano, a expectativa é que o PIB cresça 5%, um número considerado baixo demais em um país que conta seus pobres na casa das centenas de milhões.
O recém-reeleito presidente Narendra Modi parece ter desviado o foco das reformas econômicas para a política – o que vem gerando enormes tensões entre a maioria hindu e os 200 milhões de muçulmanos do país.
Os contratempos dos dois gigantes emergentes – que são estruturais e levarão tempo para ser solucionados – podem representar uma boa notícia para o Brasil.
“Há pouco espaço para surpresas no Brasil. Há muita capacidade ociosa [na indústria], a moeda está desvalorizada e não há grandes desequilíbrios nas contas externas”, escreve Martin Castellano, responsável pelas pesquisas de América Latina do Institute of International Finance, uma organização que reúne bancos e instituições financeiras de todo o mundo.
Tensões políticas podem atrapalhar
É claro que, como aconteceu na década que está terminando, a promessa dos mercados emergentes pode não se concretizar. Com exceção da Rússia, comandada com mão de ferro por Vladimir Putin, os outros três Brics vivem tensões políticas internas que podem se alastrar para a economia.
“Embora o PIB tenha crescido na maioria dos mercados emergentes, a riqueza segue concentrada nas mãos de poucos, e a desigualdade pode causar tensões”, escreveu num relatório recente Scott Helfstein, estrategista do Morgan Stanley.
Helfstein também aponta que as críticas ao capitalismo estão se intensificando mundo afora, de mãos dadas com a ideia de que as empresas pensam demais em seus acionistas e de menos em todos os outros stakeholders.
Por fim, apesar dos sinais de que o banco central americano não vá aumentar as taxas de juros tão cedo, em caso de incerteza os investidores sempre podem se abrigar nos títulos do Tesouro americano – um eterno concorrente dos países em desenvolvimento.
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Fonte: Infomoney Mercados rss
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