O evento do fim de semana mudou completamente as perspectivas para os mercados de petróleo e gás, disse o Goldman, que reduziu as previsões para o segundo e terceiro trimestres para US$ 30 o barril, mas não descarta que a commodity possa cair para a casa dos US$ 20 no curto prazo.

“Acreditamos que a guerra dos preços do petróleo da Opep e da Rússia começou inequivocamente neste fim de semana”, apontaram os analistas. “O prognóstico para o mercado de petróleo é ainda mais sombrio do que em novembro de 2014”, quando houve a última guerra de preços, já que coincide com o colapso significativo na demanda por petróleo devido ao coronavírus.

Na mesma linha, Ali Khedery, ex-conselheiro sênior da Exxon para o Oriente Médio e agora CEO da empresa americana de estratégia Dragoman Ventures, destacou: “Está chegando em 2020 o petróleo a US$ 20. As implicações geopolíticas são enormes”, avaliou em post no Twitter.

O BofA, que também não descarta que o brent caia na faixa de US$ 20 por algumas semanas, traça alguns cenários para o mercado de commodities. Eles avaliam que é importante questionar se essa nova ação saudita está sendo travada contra a Rússia ou contra o xisto dos EUA.

Os analistas do banco americano reduziram as previsões do brent de US$ 54 para US$ 45 o barril em 2020 e os valores do WTI de US$ 49 para US$ 41. “Não assumimos mais que a Arábia Saudita tentará equilibrar o mercado de petróleo, e nossas projeções mostram agora uma grande oferta no mercado de petróleo neste ano”, apontam os analistas do BofA.

Já para 2021, o banco americano revisou os preços de US$ 60 para US$ 55, sem descartar um cenário de barril a US$ 50 se a demanda permanecer fraca e a guerra de preços continuar. “No entanto, mesmo que os riscos negativos estejam crescendo, a longo prazo ainda acreditamos que o brent é uma commodity de US$ 50 a US$ 70 devido à dinâmica global dos custos de produção de petróleo”, completam.

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Para eles, se os sauditas ofereceram descontos ao mercado com a intenção de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações, os preços poderão se recuperar um pouco mais rápido.

Contudo, avaliam, se a guerra de participação de mercado estiver sendo travada contra o gás de xisto dos EUA, é provável que haja uma queda mais duradoura no preço do petróleo. Para o BofA, neste cenário, a projeção do barril mudaria de US$ 45 para US$ 40 porque a recuperação no segundo semestre seria menos provável.

“Olhando para trás, vemos que o fornecimento de xisto nos EUA proporcionou cerca de 10 milhões de barris por dia de crescimento da oferta de petróleo e gás liquefeito na última década. No entanto, a produção nos EUA é muito sensível ao preço e provavelmente sofrerá bastante à medida que o petróleo caia”, destaca o BofA.

O Bradesco BBI, por sua vez, revisou para baixo as suas expectativas para os preços do brent de US$ 65 para US$ 35 o barril este ano, com a cotação avançando gradualmente para US$ 55 o barril no longo prazo. Para a equipe de análise do banco, o movimento surpreendente dos sauditas pode ser uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações. Contudo, eles não avaliam que essa “queda de braço” será vencida rapidamente. Assim, é difícil saber quanto esse imbróglio terminará, devendo trazer resultados negativos por um longo período.

Os impactos no Brasil

Assim como nos mercados do mundo todo, o primeiro reflexo da derrocada do petróleo foi na bolsa, com o Ibovespa caindo mais de 12%. O pior desempenho ficou para a Petrobras, que viu suas ações desabarem 30% em meio às incertezas sobre os impactos deste novo cenário.

Mais cedo, a estatal afirmou que está monitorando o petróleo e que ainda é prematuro projetar os efeitos da queda dos preços do barril em suas operações. Apesar disso, a petroleira não deu indicações se fará alguma revisão no preço dos combustíveis por conta da queda do petróleo.

Analistas lembram que uma das alternativas que o governo tem para ajudar a Petrobras neste momento é aumentar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), um dos impostos que incide sobre os combustíveis.