Na indústria, houve perda de participação dos gastos em máquinas e equipamentos (de 40,2% para 31,1% entre 2014 e 2017), acompanhada pelo aumento da participação dos gastos nas atividades internas de P&D (de 31,5% para 37,4%).
Nos serviços selecionados, a participação das máquinas e equipamentos entre 2014 e 2017 caiu de 44,8% para 31,0%, e os dispêndios nas atividades de P&D interno subiram de 27,2% em 2014 para 41,6% em 2017.
Já nas empresas de eletricidade e gás, o movimento foi oposto, com perda da participação dos dispêndios em aquisição externa de P&D de 46,0% em 2014 para 24,5% em 2017. E aumento na aquisição de máquinas e equipamentos, de 15,5% em 2014 para 48,6% em 2017. Os dispêndios nas atividades internas de P&D caíram de 30,0% em 2014 para 21,1% em 2017.
Cresce a proporção de empresas que inovam só em produto
A queda expressiva nos dispêndios em máquinas e equipamentos pode guardar relação com a queda nas taxas de inovação em processo. A aquisição de máquinas e equipamentos, seja para modernização tecnológica ou para produção de novos produtos, configura-se na modalidade mais comum de inovação de processo no Brasil.
Na Pintec 2017, a participação das empresas que inovaram apenas em processo diminuiu de 17,5% em 2014 para 14,8%. O percentual de empresas que inovaram conjuntamente em produto e processo também reduziu, mas em menor intensidade (-0,9 p.p.), de 14,6% para 13,7%. Por outro lado, cresceu a proporção de empresas que inovaram apenas em produto: de 3,9% em 2014 para 5,1% em 2017.
Caem gastos do governo, mas cresce percentual de empresas que recorrem à Lei do Bem
Apesar do aumento das empresas que se beneficiaram da Lei do Bem (de 3,5% em 2014 para 4,7% em 2017), a diminuição do apoio total do governo tem sua tendência influenciada pela diminuição do apoio para aquisição de máquinas e equipamentos.
No triênio 2015-2017, 26,2% de empresas inovadoras foram beneficiadas com algum tipo de apoio à inovação, queda em relação aos triênios 2009-2011 e 2012-2014, quando as proporções foram de 34,2% e 39,9%, respectivamente.
O financiamento para a compra de máquinas e equipamentos ainda é o principal mecanismo de incentivo à inovação, mas foi a modalidade que mais perdeu relevância nas empresas beneficiadas, recuando de 29,9% para 12,9% no período.
Na indústria, o percentual de empresas inovadoras que utilizaram financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos caiu de 31,4%, entre 2012 e 2014 para 14,1% entre 2015 e 2017. Apesar disso, essa modalidade continua sendo a principal do setor. Por outro lado, o percentual de empresas inovadoras que se beneficiaram da Lei do Bem aumentou de 3,2% para 4,3%.
Nos serviços selecionados, o incentivo à aquisição de máquinas e equipamentos caiu para 3,8%, ante 16,1% no triênio anterior. No caso da Lei do Bem, houve um aumento de 6,1% para 6,7%, tornando essa modalidade a principal fonte de apoio à inovação nessas atividades no triênio 2015-2017.
Nas empresas de eletricidade e gás, 3,2% tiveram apoio para aquisição de máquinas e equipamentos, ante 11,1% em 2014. O aceso à Lei do Bem subiu de 28,8% em 2014 para 34,9% em 2017.
Serviços selecionados e indústria concentram os impactos positivos da inovação
Os impactos relacionados à melhoria da qualidade e à manutenção da participação de mercado ainda foram os mais destacados pela indústria e por empresas de serviços selecionados. Os investimentos em atividades inovativas melhoraram a qualidade dos bens e serviços para 92,8% das empresas de serviços selecionados, 82,6% das indústrias e 48,8% das empresas de eletricidade e gás.
Também permitiram manter a participação de mercado para 80,7% das empresas de serviços selecionados e 83,1% das indústrias. E assegurou a ampliação de participação de mercado para 73,7% das indústrias e 71,0% das empresas de serviços selecionados.
Outro impacto destacado é o aumento da produção e da prestação de serviços, apontado por 75,5% das indústrias, 75,2% das empresas de serviços e 54,8% das empresas de eletricidade e gás. Também aumentou a flexibilidade de produção para 74,1% das indústrias, 68,9% das empresas de serviços selecionados e 50,6% das empresas de eletricidade e gás.
Serviços selecionados tem maior proporção de profissionais com dedicação exclusiva em P&D
Em 2017, entre os profissionais ocupados nas atividades de pesquisa e desenvolvimento, 61,3% estão em regime de dedicação exclusiva; e 38,7% parcial; ante 61,4% e 38,6% em 2014, respectivamente. O setor de serviços selecionados concentra o maior percentual de dedicação exclusiva: 72,1% ante 57% na indústria e 14,4% em eletricidade e gás.