
SÃO PAULO – O Ibovespa fechou em alta pelo terceiro pregão seguido, fechando acima de 83 mil pontos e batendo sua máxima desde 11 de março, quando ficou em 85.171 pontos. O índice acompanhou o mercado externo com as bolsas americanas subindo mais de 2% em um dia de noticiário agitado.
Durante a tarde, o Federal Reserve decidiu manter os juros nos Estados Unidos entre 0% e 0,25%, indicando que as taxas ficarão nestes níveis até que haja confiança de superação da crise.
“A atual crise de saúde pública pesará pesadamente sobre a atividade econômica, emprego e inflação no curto prazo, e representa riscos consideráveis para as perspectivas econômicas no médio prazo”, diz o comunicado do BC americano.
“O Comitê espera manter essa faixa de metas até ter certeza de que a economia resistiu aos eventos recentes e está no caminho de alcançar suas metas máximas de emprego e estabilidade de preços”.
Mais cedo, o mercado brasileiro chegou a “tomar um susto”, com o dólar zerando as perdas por um momento, após a notícia de que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu a nomeação de Alexandre Ramagem como diretor-geral da Polícia Federal.
Apesar disso, a bolsa logo acelerou e a moeda voltou a cair forte acompanhando as bolsas dos EUA, que por sua vez foram impulsionadas pelas notícias de que a Gilead Sciences reportou dados positivos em seus testes com o antiviral remdesivir no tratamento contra o novo coronavírus.
O benchmark da bolsa fechou com ganhos de 2,29%, aos 83.170 pontos, com volume financeiro de R$ 25,148 bilhões.
Enquanto isso, o dólar comercial caiu 2,94%, cotado a R$ 5,3525 na compra e R$ 5,3552 na venda – seu menor valor desde 20 de abril. O dólar futuro para maio, por sua vez, cai 2,52%, a R$ 5,356.
Já no mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 caiu 5 pontos-base, em 3,68%, enquanto o DI para janeiro de 2023 teve queda de 22 pontos, para 4,78%. O contrato para janeiro de 2025 recuou 23 pontos-base a 6,45%.
Por aqui, em live nesta manhã, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que segue com a mesma energia e determinação e com apoio do presidente Jair Bolsonaro.
Sobre os impactos da pandemia do coronavírus, o ministro afirmou que as quedas nas exportações para EUA, Argentina e, em menor grau, para a Europa estão sendo compensadas pelo aumento das exportações do agronegócio para Ásia, em particular para a China.
Nomeação de Ramagem suspensa
Após sofrer uma derrota no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou atrás e editou um decreto anulando a nomeação de Alexandre Ramagem, diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), para a direção-geral da Polícia Federal.
O movimento ocorreu algumas horas depois de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, suspender a nomeação. A decisão liminar atendeu a pedido feito pelo PDT, que alegou “abuso de poder por desvio de finalidade” do presidente.
A posse de Ramagem estava prevista para as 15h (horário de Brasília) e em meio a acusações de interferência de Bolsonaro sobre a Polícia Federal – episódio que culminou no pedido de demissão do ex-juiz Sérgio Moro do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Na decisão liminar, o ministro Alexandre de Moraes, que também é relator do inquérito das Fake News no STF, argumenta que “não cabe ao Poder Judiciário moldar subjetivamente a Administração Pública, porém a constitucionalização das normas básicas do Direito Administrativo permite ao Judiciário impedir que o Executivo molde a Administração Pública em discordância a seus princípios e preceitos constitucionais básicos”.
Tratamento contra o coronavírus
No exterior, os índices dos EUA subiram forte após a Gilead Sciences afirmar ter “dados positivos” de um de seus estudos que analisam o antiviral remdesivir como um potencial tratamento para o coronavírus.
Esperava-se que a farmacêutica divulgasse nesta semana os resultados de ensaios clínicos envolvendo pacientes com casos graves de Covid-19. O estudo, porém, tem gerado bastante discussão entre especialistas porque é de “braço único”, ou seja, não avalia o medicamento contra um grupo de controle que não recebeu o remédio.
O estudo acompanhou dois grupos de pacientes que foram hospitalizados com Covid-19. Um recebeu um tratamento de 5 dias com remdesivir, enquanto o outro tomou o medicamento por 10 dias. Os pesquisadores disseram que mais da metade dos pacientes nos dois grupos de tratamento recebeu alta do hospital em 14 dias.