As estimativas iniciais indicam uma redução de 4,0% na produtividade das lavouras em 2020, em função da possibilidade da falta de chuvas em alguns períodos, ressaltando que, em 2019, as lavouras contaram com uma situação climática excelente para o seu desenvolvimento. No mercado internacional, a demanda continua aquecida e grande parte da safra já foi comercializada antecipadamente.

CASTANHA-DE-CAJU – A estimativa da produção cresceu 9,4% em relação ao mês anterior, totalizando 125,3 mil toneladas, mas espera-se declínio de 10,1% em relação a 2019. Os maiores produtores brasileiros são Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte. A produção do Ceará, de 70,3 mil toneladas, representa 56,1% do total nacional; a do Piauí, de 23,8 mil toneladas, 19,0% e a do Rio Grande do Norte, de 17,2 mil toneladas, 13,7%.

Em 2020, estima-se crescimentos de 10,2% para o Piauí e de 2,1% para o Rio Grande do Norte e, declínio de 19,8% para o Ceará, haja visto que no cálculo da produção foi utilizada as médias de rendimentos dos últimos 11 anos, que contempla vários anos de seca. Nesse último, a maior área plantada é ocupada por plantios antigos e envelhecidos, que, ano a ano, vem sendo cortados e aproveitados como lenha. Contudo, a área ocupada por castanha-de-caju anão vem crescendo, incentivada pelos órgãos ligados à pesquisa e extensão do Ceará, havendo, inclusive, alguns programas substituição de copa e distribuição de mudas.

FEIJÃO (em grão) – A produção estimada foi de 3,1 milhões de toneladas. Comparada ao 3º prognóstico, a estimativa para a área plantada aumentou 0,7%, enquanto a estimativa de produção cresceu 4,6%, em decorrência do aumento de 3,9% no rendimento médio. Neste levantamento, os maiores produtores, somadas as três safras, são Paraná com 24,3%, Minas Gerais com 16,0% e Goiás com 10,8% de participação na produção nacional. Em relação à safra de 2019, a produção total de feijão deverá ser 1,7% maior, devido, principalmente, ao aumento de 2,5% na estimativa do rendimento médio, já que, para a área plantada, estimou-se uma redução de 2,5%.

A 1ª safra de feijão foi estimada em 1,3 milhão de toneladas, um aumento de 0,5% na produção frente à estimativa do 3º prognóstico, o que representa 6 460 toneladas. Destaques positivos para o Paraná, que teve a estimativa de produção aumentada em 0,3% (1 035 toneladas), e para Goiás, com aumento de 3,2% (3.258 toneladas).

A estimativa de área plantada também sofreu aumento de 0,5% no Paraná e de 2,6% em Goiás. A comparação anual para essa safra mostra um aumento de 3,8% na estimativa de produção, refletindo variação positiva de 3,2% na estimativa da área a ser colhida. Destaque para o Paraná, que previu um aumento de 23,7% na estimativa de produção em relação ao ano anterior. Em 2019, as lavouras paranaenses sofreram com a estiagem e as elevadas temperaturas no final do ciclo.

A 2ª safra de feijão foi estimada com alta de 10,8% (125.625 toneladas) frente ao 3º prognóstico, acompanhando a previsão de aumento no rendimento médio que foi de 10,6%. A estimativa da área plantada recuou 0,2%. O Paraná foi o maior responsável, elevando em 32,3% sua estimativa de produção, o que representou 108.113 toneladas. Goiás estimou um aumento de 12,2% na sua produção (8.736 toneladas), calcado nos aumentos de 3,9% no rendimento médio e de 8,0% na área plantada.

A estimativa de produção de janeiro para a 2ª safra foi superior à de 2019 em 10,1%. A Região Nordeste teve influência nesse resultado em decorrência dos aumentos nas estimativas de produção de Paraíba (202,1%), Alagoas (85,7%), e Bahia (56,6%). O Paraná também foi importante prevendo um aumento de 21,6% na produção, calcado em um aumento de 32,1% no rendimento médio.

Para a 3ª safra de feijão, a previsão é de aumento de 0,9% na produção em relação à estimativa do 3º prognóstico, o que representa 4.306 toneladas a mais. Mato Grosso foi o estado com maior influência nesse resultado, pois as estimativas indicam aumento de 2,7% na área plantada e de 2,9% na estimativa da produção, o que representa 2.886 toneladas. A estimativa é 19,7% inferior à de 2019. Os Estados da Federação responsáveis por essa diminuição são: Minas Gerais (8,6%), São Paulo (57,8%) e Mato Grosso (28,9%).

MANDIOCA (raiz) – A estimativa da produção de mandioca foi de 19,4 milhões de toneladas, crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior. Os principais crescimentos foram estimados para o Pará (4,4%), Amapá (14,9%), Tocantins (4,4%), Piauí (16,8%), Alagoas (6,7%), Paraná (10,4%) e Mato Grosso do Sul (19,0%). Houve decréscimos nas estimativas do Amazônia (-6,9%), Rio Grande do Sul (-1,4%), Rondônia (-7,2%) e Ceará (-30,1%). Preços pouco compensadores têm desestimulado o plantio bem como a colheita das raízes, permanecendo as mesmas mais tempo no campo. Os produtores reduzem a área de plantio, a tecnologia utilizada e limitam a colheita das lavouras, deixando as plantas por mais tempo no campo, acumulando reservas e aguardando melhores condições de mercado.