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<strong>Sem exame</strong></p>
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Depois da morte da filha, Graça aguardou o resultado do exame da covid-19. "Disseram que deveria ficar pronto em uma semana", relata. Porém, ela foi surpreendida dias após o falecimento de Carola.</p>
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"Eu perguntei novamente sobre o exame e não tinham mais como me esconder, disseram que não foi feito."</p>
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"Trataram a minha filha como suspeita de covid-19. Me deixaram distante dela e sequer fizeram o teste. Era esse exame que eu aguardava para comprovar que agiram errado no acompanhamento da minha filha, pois tinha certeza de que daria negativo", critica Graça.</p>
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Os exames no Brasil são considerados insuficientes para atender a todos os casos. O Ministério da Saúde adquiriu novos lotes, que estão sendo distribuídos gradativamente pelo país. Ainda assim, a quantidade é considerada baixa, diante do crescimento exponencial de casos. A principal orientação do ministério é que pacientes graves com suspeita, como era o de Carola, sejam testados.</p>
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A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Petrópolis. Por meio de assessoria de imprensa, os representantes do município não informaram se foi feito o teste de covid-19 em Carola. Eles justificam que não podem passar informações específicas sobre pacientes. "O sigilo médico é firme neste aspecto e não podemos burlar as determinações", justifica, em nota encaminhada à BBC News Brasil.</p>
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No atestado de óbito de Carola consta que ela morreu por uma sequência de problemas de saúde: insuficiência respiratória aguda, pneumonia, broncoaspiração, crise convulsiva e epilepsia. O documento não cita a suspeita de covid-19.</p>
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Graça cobra respostas. Nos próximos dias, ela deve receber um documento com os detalhes do acompanhamento médico que a filha teve enquanto esteve internada. "Não vou descansar enquanto tudo não estiver esclarecido", assevera. Nas próximas semanas, planeja tomar as medidas cabíveis.</p>
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"Sempre tratei a minha filha da melhor forma possível. No final da vida, ela foi tratada feito um animal. Isso é muito triste para a minha família e não podemos deixar isso passar assim", declara.</p>
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Enquanto aguarda esclarecimentos, Graça tem evitado pensar no futuro. "A minha vida era a minha filha. Agora não sei o que vai ser daqui pra frente. A Carola me ensinou a viver. Me transformou em outra pessoa. Conviver com ela foi uma escola. Passei a valorizar aquilo que realmente tem valor. Aprendi muito. Tenho sentido muita falta dela."</p>
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A única certeza que Graça tem sobre os próximos meses é de que continuará com a página criada para retratar a rotina da filha. "Não vou parar, porque sei que ajuda muitas pessoas que têm parentes com autismo severo. É um assunto que precisa ser cada vez mais falado e esclarecido, para que as pessoas compreendam e para diminuir o preconceito", pontua Graça.</p>
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Para lidar com a saudade frequente, a dona de casa procura pensar que a filha está bem. "Agora ela vai poder brincar no arco-íris, como sempre quis."</p>
Infoeconomico.com.br
Fonte: R7

 

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