<div class="media_box full-dimensions660x360"> <div class="edges"> <img class="croppable" src="https://img.r7.com/images/carola-e-os-pais-sergio-e-graca-maduro-24042020064522753?dimensions=660×360" title="Carola junto com os pais: rotina da família era totalmente adaptada aos cuidados da filha mais velha" alt="Carola junto com os pais: rotina da família era totalmente adaptada aos cuidados da filha mais velha" /> <div class="gallery_link"> </div> </div> <div class="content_image"> <span class="legend_box ">Carola junto com os pais: rotina da família era totalmente adaptada aos cuidados da filha mais velha</span> <span class="credit_box ">BBC NEWS BRASIL</span> </div> </div>
<p> O arco-íris era uma das grandes paixões de Caroline Maduro desde pequena. Ela costumava desenhá-lo em papéis e nas paredes. "Ela dizia que queria caminhar pelo arco-íris", diz a dona de casa Graça Maduro, de 64 anos, ao se recordar da filha mais velha.</p> <p> São lembranças como a paixão pelo arco-íris que Graça procura guardar de Carola, como era chamada. A dona de casa luta para esquecer a imagem do caixão lacrado da filha, enterrada na tarde de 12 de abril em um cemitério de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, cidade em que a família mora.</p> <p> Carola morreu aos 30 anos. Ela foi considerada uma paciente com suspeita de covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. Em razão disso, a cerimônia de despedida dela teve de ser curta e reuniu poucas pessoas — seguindo as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para casos suspeitos ou confirmados do vírus.</p> <p> O que mais entristece a dona de casa, que se dedicou intensamente aos cuidados com Carola nas últimas décadas, é a solidão da filha antes de morrer.</p> <p> "Eu sempre cuidei dela com muito carinho e amor. Saber que ela morreu longe de mim e depois foi colocada em um caixão lacrado é uma sensação horrível", diz à BBC News Brasil.</p> <p> Graça considera que o acompanhamento médico dado à filha foi inadequado. A dona de casa afirma que não houve uma apuração profunda do caso de Carola antes de passarem a considerá-la uma paciente como suspeita do novo coronavírus. "A minha filha estava em isolamento havia semanas, pois não saía de casa. Quem teve contato com ela também estava isolado", declara.</p> <p> "Entendo que os profissionais de saúde estão sobrecarregados e, por isso, podem ter medo. Mas considerar uma paciente como suspeita de coronavírus, sem estudar a fundo o caso, e afastá-la da família em seus últimos momentos de vida é algo imensamente triste", afirma a mãe.</p> <p> Dias depois da morte, Graça soube que não fizeram o teste para apurar se a filha realmente tinha o novo coronavírus. "Como consideram suspeita e não testam?", questiona.</p> <p> </p> <div class="media_box full-dimensions660x360"> <div class="edges"> <img class="croppable" src="https://img.r7.com/images/carola-e-a-mae-graca-24042020064522929?dimensions=660×360" title=" Graça dedicava intensamente a vida aos cuidados com a filha mais velha, que tinha autismo severo" alt=" Graça dedicava intensamente a vida aos cuidados com a filha mais velha, que tinha autismo severo" /> <div class="gallery_link"> </div> </div> <div class="content_image"> <span class="legend_box "> Graça dedicava intensamente a vida aos cuidados com a filha mais velha, que tinha autismo severo</span> <span class="credit_box ">Arquivo pessoal/ BBC NEWS BRASIL</span> </div> </div>
<p> <strong>A vida de Carola</strong></p> <p> A história de Carola com os pais nasceu quando ela tinha um ano e quatro meses. Graça e o marido, o microempresário Sérgio Maduro, adotaram a garota. Eles contam que a mãe biológica da menina decidiu doá-la, pois não tinha condições de cuidar da criança.</p> <p> Nos primeiros anos de vida, Carola apresentou dificuldades para caminhar, falar e socializar. Aos oito anos, foi diagnosticada com autismo severo.</p> <p> O Transtorno do Espectro Autista (TEA), conhecido popularmente como autismo, é uma desordem complexa do desenvolvimento cerebral caracterizada por dificuldades na socialização e comunicação, além de padrões de comportamentos repetitivos.</p> <p> Ele se manifesta em diferentes níveis. No mais severo, são necessários cuidados por toda a vida — e os pacientes costumam ter outras condições, como deficiência intelectual, transtornos de linguagem, epilepsia ou síndromes genéticas.</p> <p> Segundo um estudo de cientistas americanos, estima-se que, aproximadamente, uma a cada 59 crianças tenha alguma característica do TEA. Não há dados específicos sobre pessoas com o grau mais severo.</p> <p> Como costuma acontecer nos casos severos, Carola também tinha outras condições, como Transtorno Opositivo-Desafiador — caracterizado por um comportamento desobediente—, Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e epilepsia.</p> <p> </p> <div class="media_box full-dimensions660x360"> <div class="edges"> <img class="croppable" src="https://img.r7.com/images/graca-segurando-carola-ainda-crianca-no-colo-24042020064523151?dimensions=660×360" title="Graça abandonou a carreira como professora e assistente social quando percebeu as dificuldades que a filha tinha" alt="Graça abandonou a carreira como professora e assistente social quando percebeu as dificuldades que a filha tinha" /> <div class="gallery_link"> </div> </div> <div class="content_image"> <span class="legend_box ">Graça abandonou a carreira como professora e assistente social quando percebeu as dificuldades que a filha tinha</span> <span class="credit_box ">BBC NEWS BRASIL</span> </div> </div>