Renato Miranda, dono de uma dessas plantações, não vendeu uma única árvore até hoje.
A Suzano não está sozinha nas alegações de roubo de terras contra ela. Acusações semelhantes foram feitas também em relação à principal concorrente da Suzano, a Fibria. A empresa chegou ao estado do Espírito Santo na década de 1960, durante a ditadura militar, deslocando dezenas de quilombos em uma época em que não havia legislação para proteger os direitos à terra.
Uma vez deslocados, os membros da comunidade foram forçados a se dispersar; alguns se estabeleceram na periferia das cidades onde hoje quase todos vivem na pobreza, enquanto outros se juntaram ao movimento dos sem-terra, vagando entre os assentamentos informais e na luta por um pedaço de terra. Das 12 mil famílias quilombolas que viveram na região durante a década de 1960, apenas 1.200 permanecem residindo em pequenas ilhas cercadas por um deserto verde de árvores de eucalipto em desenvolvimento.

