O fim do protagonismo do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) como grande financiador de empresas abriu espaço para a retomada da captação via mercado, em uma tendência que deve se consolidar neste ano e dar mais opções a investidores que buscam retornos melhores na renda fixa.

Com o banco de fomento mudando o foco para priorizar pequenas e médias empresas, as grandes companhias, que têm necessidade de volumes financeiros maiores para arcar com suas operações, precisaram voltar as atenções aos investidores.

Isso fez com que, em 2017, as emissões de títulos de dívida e outros papéis de renda fixa crescessem 41,9% em relação ao ano anterior, para R$ 152,1 bilhões. O aumento teve como pano de fundo a recuperação da economia brasileira e o cenário de redução de juros no país.

A Selic foi de 14,25% em outubro de 2016 para 7% em dezembro do ano passado. A queda estimulou muitas companhias a usarem o mercado de capitais para se financiarem ou para trocarem dívidas caras ?emitidas quando a taxa estava mais elevada? por baratas.

Já os desembolsos do BNDES percorreram o caminho contrário e recuaram 19,8%, para R$ 70,8 bilhões, seguindo a mudança na política de concessões do banco. A instituição passou a priorizar micro, pequenas e médias empresas ?que exigem menos recursos.

?A retomada do mercado de capitais ocorre principalmente após a nova política operacional do BNDES. Antes, quem tinha condição de captar com o juro subsidiado do BNDES evidentemente ia tomar?, ressalta Carlos Antonio Rocca, diretor do Cemec-Fipe (Centro de Estudos do Mercado de Capitais).

O Cemec realizou um estudo sobre a retomada do crescimento do mercado de capitais no ano passado, em que discute como a queda de juros e a redução do papel do BNDES devem continuar levando empresas a se financiarem via mercado. 

Para Rocca, o BNDES ainda será importante, principalmente no financiamento à infraestrutura, que exige um prazo maior, de 25 anos, e que dificilmente é encontrado no mercado de capitais.
Leia mais (03/05/2018 – 02h00)


Fonte: Folha Mercado