A inadimplência da carteira de crédito: o índice de operações com atraso superior a 90 dias foi de 3,3% em dezembro de 2019 para 3,7% em março de 2020. Na base anual, houve alta de 0,4 ponto percentual.

O banco Morgan Stanley avaliou que o Bradesco teve um 1º trimestre “duro” em 2020. Contudo, ele não foi tão negativo como pareceria à primeira vista.

O banco americano cita que o Bradesco teve os resultados impactados pela queda na taxa básica de juros Selic, pela menor quantidade de dias úteis no período e, finalmente, pelo forte aumento nas provisões para clientes inadimplentes, que foi de R$ 7,3 bilhões no 1º trimestre, “46% maiores que nossa projeção de R$ 5,03 bilhões” , comentou o Morgan Stanley.

Conforme aponta o banco americano, o Bradesco se antecipou e reservou mais R$ 2,7 bilhões em provisões, prevendo dias difíceis pela frente com a epidemia do coronavírus. O Bradesco suspendeu na manhã de hoje o guidance (projeção) para 2020. “Excluindo as provisões, os resultados não parecem muito ruins, com queda de apenas 4% em comparação ao quarto trimestre do ano passado, um efeito bastante normal na passagem do último trimestre de um ano para o primeiro de um novo ano”, comenta o Morgan Stanley.

O banco Itaú BBA avaliou como negativo o balanço publicado na manhã de hoje pelo Bradesco. Além das provisões, o BBA destacou também que houve queda nas vendas de seguros e no trading em geral. Como fator positivo, o BBA ressaltou que o Bradesco conseguiu reduzir custos no período.

O banco Credit Suisse também avaliou como negativo o resultado do Bradesco. “Nós vemos o resultado como negativo devido à deterioração mais rápida que a esperada nos indicadores da qualidade dos ativos. Os resultados dos seguros também decepcionaram. O lucro gerencial chegou 38% abaixo das expectativas do mercado. No lado positivo, houve crescimento nos empréstimos para as empresas”, avalia o Credit Suisse. O CS mantém a nota outperform – acima da média – para as ações do Bradesco, com um preço-alvo de R$ 41,82 para 2020.

Cesp (CESP6, R$ 28,16, -0,49%)

A Companhia Energética de São Paulo informou na noite de ontem que obteve lucro líquido de R$ 53,8 milhões no 1º trimestre de 2020, revertendo prejuízo de R$ 158,2 milhões de igual período de 2019. A Cesp atribuiu a volta à lucratividade a uma queda de 63% nos custos da energia comprada, equivalente a R$ 141 milhões. Segundo a empresa, essa economia foi possível através da “melhor gestão e análise do balanço energético”.

Os resultados da Cesp realmente mostraram uma melhora. O lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de R$ 336 milhões, ante R$ 41,5 milhões no primeiro trimestre do ano passado. A margem do Ebitda ajustado deu um salto de 12% no primeiro trimestre de 2019 para 73% no primeiro trimestre de 2020.

A receita líquida da Cesp avançou 30% sobre o primeiro trimestre do ano passado, para R$ 460,5 milhões em igual período deste ano. A empresa gerou 1.105 MW médios de energia, 3% acima dos 1.077 MW gerados no primeiro trimestre de 2019.

Vale notar que a Cesp praticamente não realizou investimentos no primeiro trimestre e sua capacidade geradora está quase toda concentrada na usina de Porto Primavera (SP). Assim, o destaque no primeiro trimestre foi a entrada em operação de uma unidade de compra e venda de energia, chamada Cesp Comercializadora.

“A Cesp entrou no mercado de trading de energia, a fim de auferir resultados por meio da variação dos preços de energia, dentro de limites de risco pré-estabelecidos”, explica a empresa. A Cesp informou que terminou o 1º trimestre com R$ 950 milhões em posição de caixa, situação melhor que no fim de março de 2019, quando o caixa era de R$ 741 milhões. A empresa informou que sua dívida líquida era de R$ 1 bilhão no final de março deste ano, menor que os R$ 1,4 bilhão do 1º trimestre do ano passado. Já a relação dívida líquida sobre o Ebitda teve uma redução drástica, de 4,0 vezes (4x) para 1,0 vez (1x) no 1º trimestre de 2020.

Multiplan (MULT3, R$ 20,89, -6,62%)

A Multiplan, uma das maiores empresas administradoras de shopping centers do Brasil, publicou ontem seu balanço do 1º trimestre de 2020.