
ÃO PAULO – Após três dias de ganhos, o Ibovespa registrou expressiva queda, em meio ao mau humor externo com dados piores do que o esperado de pedidos de seguro-desemprego nos EUA e dados de atividade da zona do euro mostrando o impacto do coronavírus na economia.
O noticiário corporativo por aqui também foi movimentado, com destaque para a forte queda das ações do Bradesco (BBDC3, R$ 17,66, -5,91%;BBDC4, R$ 19,15, -7,22%), de cerca de 7%, após o banco registrar queda do lucro de quase 40% em meio à provisão bilionário por conta do coronavírus (veja mais clicando aqui). Outros bancos, como Itaú (ITUB4, R$ 22,77, -3,76%), Santander Brasil (SANB11, R$ 27,00, -4,59%) e o Banco do Brasil (BBAS3, R$ 28,50, -3,59%) registraram queda expressiva, entre 3% e 5%, após o balanço. Multiplan (MULT3, R$ 20,89, -6,62%), que também divulgou seus números, viu seus papéis caírem fortemente e mais companhias reagiram aos resultados (veja mais abaixo).
As ações da Petrobras (PETR3, R$ 18,65, -1,84%; PETR4, R$ 18,05, -0,82%), por sua vez, abriram em queda de cerca de 2%, chegaram a zerar as perdas em uma sessão de forte alta do petróleo, mas logo voltaram a cair. Tanto o brent quanto o WTI registraram ganhos de mais de 10%, com alta de mais de 20% para o WTI, em meio a cortes de produção e sinais preliminares de retomada da demanda.
No radar de recomendações, o Bradesco BBI reduziu a recomendação para a BRF (BRFS3, R$ 19,39, -4,86%) para neutra e as ações BRFS3 caíram mais de 4%.
Por outro lado, em um cenário de alta do dólar, que subiu mais de 1% e superou os R$ 5,40, quem voltou a subir são ações de empresas exportadoras, caso de Suzano (SUZB3, R$ 39,41, +1,78%) e Klabin (KLBN11, R$ 17,81, +1,48%), que avançaram mais de 1%. O grande destaque do Ibovespa ficou com as ações da Marfrig (MRFG3, R$ 12,84, +2,64%). Confira os destaques:
Bradesco (BBDC3, R$ 17,66, -5,91%;BBDC4, R$ 19,15, -7,22%)
O Bradesco registrou um lucro líquido recorrente de R$ 3,753 bilhões no primeiro trimestre de 2020, uma baixa de 39,8% na comparação com igual período do ano passado, em meio à provisão de R$ 2,7 bilhões para absorver perdas com o aumento da inadimplência esperado com a crise do coronavírus. O lucro contábil foi de R$ 3,382 bilhões, recuo de 41,9%.
Com essa queda do lucro, o retorno sobre o patrimônio caiu de 20,5% no primeiro trimestre de 2019 para 11,7% nos primeiros três meses deste ano.
O Bradesco diz que reconheceu, adicionalmente, R$ 2,7 bilhões no trimestre, que se soma à parcela pré-existente de R$ 2,4 bilhões, reservada para possíveis perdas em cenário econômico adverso,
totalizando provisão de R$ 5,1 bilhões.
Segundo a instituição, as provisões foram reforçadas como consequência do cenário econômico adverso que poderá resultar no aumento do nível de inadimplência em meio à da falência de empresas, elevação do desemprego e degradação do valor das garantias.
O Bradesco registrou R$ 6,708 bilhões em despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD), no critério expandido, incluindo baixas contábeis de títulos financeiros, para se proteger do impacto do coronavírus sobre clientes, alta de 86,1% frente igual período de 2019 e 68,5% acima frente ao quarto trimestre daquele ano.
A margem financeira do banco, por sua vez, subiu 2,9% frente o primeiro trimestre do ano passado e somou R$ 14,5 bilhões. Já os ativos totais somaram R$ 1,49 trilhão, alta de 7,1% na base de comparação anual.
A carteira de crédito expandida foi de R$ 655,09 bilhões, alta de 17% na base anual. A alta foi liderada pelas operações com pessoas jurídicas com o aumento da demanda de grandes empresas no início da pandemia, de R$ 415,880 bilhões, crescimento de 6,6% em três meses e de 15,6% em 12 meses. A carteira de pessoas físicas somou R$ 239,214 bilhões, alta de 2,6% em relação a dezembro de 2019 e de 19,5% na comparação anual.
As receitas de prestação de serviços somaram R$ 8,283 bilhões no período, alta de 2,6% ante igual período do ano anterior. Já as despesas operacionais caíram 0,4%, a R$ 11,757 bilhões.