
SÃO PAULO – O destaque do noticiário corporativo desta quarta-feira (19) fica para a temporada de balanços, com destaque para o IRB (IRBR3), com ganhos de até 7,5%, e para a WEG (WEGE3), que sobe cerca de 4%, enquanto a Gerdau (GGBR4) tem queda de quase 2%. Fora do índice, o Minerva (BEEF3) vê seus papéis registrarem ganhos. Confira mais destaques:
IRB RE (IRBR3)
A resseguradora IRB Brasil RE obteve um lucro líquido de R$ 1,76 bilhão em 2019, um crescimento de 44,7% sobre 2018, quando lucrou R$ 1,21 bilhão.
A empresa informou ter fechado 2019 com caixa de R$ 35,9 milhões – queda de 16,8% sobre o fim de 2018. As aplicações financeiras caíram 52,5% entre o final de 2018 para o final de 2019, totalizando R$ 1,23 bilhão. A IRB afirma ter fechado 2019 com ativos consolidados de R$ 17,1 bilhões – crescimento de 7,7% sobre o final de 2018. Entre os aspectos negativos que impactaram no índice de sinistralidade, a resseguradora destaca o efeito climático El Niño, que provocou uma perda de R$ 697 milhões no setor agrícola – importante na carteira da empresa.
Como aspecto positivo, houve um ganho de R$ 146 milhões decorrente de um crédito tributário. A resseguradora informou que o total de prêmios emitidos foi no valor de R$ 8,5 bilhões em 2019 – um crescimento de 22,3% sobre 2018, quando os prêmios emitidos foram de R$ 6,96 bilhões. Dos prêmios emitidos em 2019, R$ 4,82 bilhões o foram no Brasil e R$ 3,68 bilhões no exterior. Os prêmios retidos cresceram 23,8% em 2019, sobre 2018, para R$ 6,3 bilhões.
O índice de sinistralidade total da resseguradora foi de 51,1% no ano passado, uma queda de 4,8 pontos porcentuais sobre 2018, quando o índice foi de 55,9%.
Os dados da IRB Brasil RE referem-se todos a 2019, um período anterior à polêmica com a corretora Squadra, do Rio de Janeiro, que contestou dados contábeis da companhia – em cartas enviadas em 2 e 9 de fevereiro. A empresa decidiu dar mais detalhes no balanço sobre os números que foram contestados e apresentou o próprio número de itens que considera não recorrentes.
O IRB apontou que o lucro de 2019 na verdade sofreu impacto negativo de R$ 697 milhões em razão de perdas no segmento rural e fiscais. Essas perdas foram parcialmente compensadas por ganhos com a venda de shopping centers – mas num valor menor do que apontado pela Squadra – e créditos tributários.
O IRB ainda comunicou ter contratado a consultoria EY, antiga Ernst & Young, para atuar como auditor atuarial independente após carta divulgada pela Squadra. O valor do contrato foi de R$ 220 mil.
Telefônica Brasil (VIVT4)
A Telefônica Brasil viu seu lucro líquido cair no quarto trimestre em relação ao mesmo período do anterior, conforme mais gastos com impostos e depreciação compensaram aumento de receita e esforços para controle de custos.
A dona da Vivo e maior operadora de telefonia móvel do Brasil teve lucro líquido contábil de R$ 1,274 bilhão entre outubro e dezembro, 14,3% menor na comparação anual. Em termos recorrentes e sem considerar a adoção de normas contábeis conhecidas como IFRS 16, a queda foi de 4,2%, para R$ 1,486 bilhão.
O Bradesco BBI avaliou os resultados do quarto trimestre da operadora Vivo como “sólidos” com uma expansão de 2% na receita dos serviços móveis, ano a ano, acima da projeção de crescimento de 1% do banco. O BBI observou que a queda na receita da telefonia fixa – tendência em todas as operadoras – foi de 2,2%, menor que a estimativa de 4,3%. “Os dados corporativos e de serviços de TI foram fortes, com crescimento de 18% e um impacto positivo dos serviços de armazenagem em nuvem”, avaliou o BBI. O banco, contudo, alerta que boa parte dos resultados já estavam precificados pelo mercado. Uma melhor avaliação, afirma o BBI, dependerá de uma expansão maior da receita nos serviços de telefonia móvel. O BBI manteve a recomendação Neutra para o papel VIVT4, com preço-alvo de R$ 62,00 para a ação em 2020 – alta de 7% sobre o fechamento de terça-feira, de R$ 57,78.