Confira os destaques:
Vale (VALE3, R$ 46,73, +4,75%)
A Vale lucrou US$ 239 milhões no primeiro trimestre deste ano, revertendo um prejuízo de US$ 1,642 bilhão visto um ano antes. No trimestre anterior, a mineradora havia registrado perda de US$ 1,562 bilhão.
“O aumento de US$ 1,801 bilhão no resultado deveu-se, principalmente, ao reconhecimento de despesas one-off no quarto trimestre de 2019, tais como os impairments em ativos de níquel e carvão (US$ 4,202 bilhões) e provisões relacionadas a Brumadinho (US$ 898 milhões)”, explicou a empresa em nota.
Segundo a companhia, estes efeitos foram parcialmente compensados pelo menor Ebitda (geração operacional de caixa) ajustado pró-forma (US$ 1,636 bilhão), por maiores despesas financeiras (US$ 1,445 bilhão) e por menor receita de imposto (US$ 764 milhões).
Apesar da melhora no lucro, a receita operacional líquida da companhia caiu de US$ 8,203 bilhões no primeiro trimestre de 2019 para US$ 6,969 nos três primeiros meses deste ano. No trimestre anterior, a cifra havia sido de US$ 9,964 bilhões.
Já o Ebitda ajustado ficou em US$ 2,882 bilhões entre janeiro e março de 2020, ante US$ 3,536 bilhões no trimestre anterior e um resultado negativo de US$ 652 milhões registrado um ano antes.
A margem Ebitda, que é a relação percentual entre a receita líquida e a geração operacional de caixa, passou de 35% no último quarto do ano passado para 41% ao final de março de 2020.
A dívida líquida da mineradora, de US$ 4,808 bilhões, permaneceu praticamente estável em relação ao último trimestre de 2019 (US$ 4,880 bilhões). Um ano antes, o valor era de US$ 12,031 bilhões.
“Apesar da geração de fluxo de caixa livre de US$ 380 milhões e da redução de US$ 549 milhões no valor em dólar americano da dívida denominada em reais devido à desvalorização da moeda, a dívida líquida permaneceu relativamente estável em US$ 4,808 bilhões, devido ao efeito compensatório de US$ 914 milhões da desvalorização cambial sobre o saldo de caixa onshore mantido em reais”, explicou a mineradora.
O balanço da Vale foi beneficiado pelas menores despesas relacionadas à tragédia em Brumadinho (MG), que somaram US$ 159 milhões nos três primeiros meses deste ano, frente aos US$ 4,504 bilhões registrados entre janeiro e março de 2019. No quarto trimestre do ano passado, esse custo foi de US$ 1,141 bilhão.
Em reais, o lucro líquido da Vale no primeiro trimestre deste ano foi de R$ 984 milhões, bem abaixo das estimativas de analistas compiladas pela Bloomberg, de R$ 5,184 bilhões. Já a receita líquida da companhia ficou em R$ 31,3 bilhões, também abaixo do esperado (R$ 37,354 bilhões). Veja mais sobre o balanço clicando aqui.
A posição de caixa da mineradora subiu para US$ 12,267 bilhões em março, número US$ 4,091 bilhões superior ao registrado em 31 de dezembro do ano passado. O Banco Safra vê o balanço impactado por
menores volumes, como o previsto a partir dos números operacionais.
O Credit Suisse também aponta que, no geral, os números foram pressionados principalmente por um menor volume de embarques e queda no preço dos metais básicos. Além disso, destaca, a geração de caixa foi fraca mas, ainda assim, a relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 0,5 vez para 0,3 vez.
“Apesar dos resultados bem abaixo do potencial, este trimestre muito provavelmente deve ser o pior para a Vale no ano, já que o minério de ferro deve recuperar por agora em diante e o custo de caixa deve cair de acordo com a empresa”, avalia.
Os bancos Itaú BBA, Bradesco BBI e Morgan Stanley também comentaram o balanço. Todos ressaltaram que não houve nenhuma surpresa, embora os números tenham vindo ligeiramente acima das estimativas. A Vale saiu do prejuízo para o lucro no período e segundo os bancos a gigante mineradora está “no caminho da recuperação”.
“A Vale reportou um Ebtida de US$ 3 bilhões, em linha com nossas estimativas, mas em queda de 21% sobre o primeiro trimestre de 2019. A empresa sofreu com uma queda nos volumes de venda do minério de ferro, mas isso já era esperado”, comentou o Bradesco BBI. O banco ressaltou que as provisões para o caso Brumadinho tiveram uma queda expressiva. O BBI ressaltou que como as provisões para Brumadinho tendem a diminuir, por conta dos acordos já feitos, a Vale deve retomar sua política de pagar dividendos aos acionistas, em algum momento mais para a frente em 2020. O BBI ressalta que a epidemia do coronavírus trouxe maior incenteza mas a mineradora deve superar essa etapa. O BBI mantém a nota outperform – acima da média, para o ADR da Vale negociado na NYSE, com preço-alvo de US$ 12 – alta de 52% sobre os US$ 7,88 de ontem.