
SÃO PAULO – A sessão foi novamente de alta para o Ibovespa, de 2,29%, com os investidores seguindo o desempenho do exterior em meio às novas esperanças com o remédio contra o coronavírus que está sendo testado pela Gilead, o que animou os mercados apesar do resultado do PIB dos EUA pior do que o esperado, ao apresentar queda de 4,8% no primeiro trimestre de 2020 em termos anualizados.
A temporada de balanços também está no foco dos agentes, com destaque para a Vale (VALE3, R$ 46,73, +4,75%), que anunciou lucro de R$ 948,3 milhões no primeiro trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 6,4 bilhões de igual período do ano anterior, quando foi impactada pelo efeito Brumadinho. Os resultados não foram tão bem recebidos pelo mercado, mas a expectativa de que esse seja o pior trimestre do ano, sinalizando que haverá melhora nos próximos. As ações registraram fortes ganhos, também em meio às expectativas de que a companhia pode voltar a pagar dividendos em breve.
Os papéis da Weg (WEGE3, R$ 41,40, -0,43%) abriram subindo cerca de 4%, mas amenizaram, enquanto RD (RADL3, R$ 108,58, -1,78%) zerou e, posteriormente, passou a registrar perdas após avançar mais de 1% após os balanços. Fora do Ibovespa, a Minerva (BEEF3, R$ 12,30, +3,36%), que estará na carteira a partir de 4 de maio, viu seus papéis subirem mais de 7% após o resultado.
A Cielo (CIEL3, R$ 4,23, +1,20%), por sua vez, abriu em queda com um balanço considerado negativo, mas virou na reta final após a elevação da recomendação de suas ações pelo Credit Suisse, em que os analistas destacaram a forte queda das ações como motivo para recomendar neutralidade para os papéis, apesar do resultado. Confira a análise dos resultados que agitaram o mercado na sessão desta quarta-feira.
Já a Petrobras (PETR3, R$ 19,00, +5,44%;PETR4, R$ 18,20, +5,51%) subiu forte; os contratos futuros de petróleo fecharam em forte alta nesta quarta-feira, com o otimismo por avanços nas pesquisas para o tratamento do coronavírus ofuscando dados sobre o aumento dos estoques da commodity.
Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para junho avançou 22,04%, a US$ 15,06. Já o Brent para julho ganhou 6,55%, a US$ 24,23, na Intercontinental Exchange (ICE).
Ontem, o Instituto de Petróleo Americano (API, na sigla em inglês) informou que os estoques avançaram 10 milhões de barris na semana passada, menos que a expectativa de analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal, que esperavam alta de 11 milhões. Já o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) divulgou hoje que os estoques subiram 8,991 milhões, também abaixo do consenso no mercado.
Além disso, a Petrobras informou ontem à noite que mudará a sua métrica para medir o endividamento da empresa, por causa da forte volatilidade que ocorre nos mercados do petróleo. A estatal não usará mais a relação dívida líquida sobre o Ebitda e calculará apenas a dívida bruta total. Segundo a Petrobras, a sua dívida bruta deve ficar ao redor de US$ 87 bilhões em 2020 – o mesmo patamar do ano passado.
O grande destaque de alta, contudo, fica para a CSN (CSNA3, R$ 9,03, +15,62%), que disparou. Vale destacar que, na véspera, o UBS elevou a recomendação das ações para neutra, cortando o preço-alvo de R$ 12,50 para R$ 7,50. Os analistas apontam que, apesar dos desafios, o cenário aparenta estar mais balanceado. “Vemos o preço do aço sob pressão, mas parcialmente compensado pela fraqueza do real, pois a demanda reprimida pode decepcionar e o excesso de capacidade global pesar. No entanto, o preço do minério de ferro continua em níveis acima do esperado”, disseram os analistas do UBS.
Houve também um corte na estimativa de Ebitda para o período 2020-2022 em 10%, com os analistas destacando os maiores custos de matéria-prima e despesas administrativas mais altas, além de uma menor diluição do custo fixo por conta da menor produção de aço.
Em seguida, entre as maiores altas, estiveram os papéis do IRB (IRBR3, R$ 10,25, +13,89%). A gestora Lazard informou à companhia que atingiu participação de 5,28% do total de ações emitidas pela empresa e passou a obter um total de 49.453.154 ativos.