
A covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus, tem balançado as estruturas de países no mundo todo. Como forma de desacelerar sua disseminação, governos adotam medidas restritivas para a circulação de pessoas, acarretando no fechamento temporário do comércio e outras atividades no setor de serviços. Mas, o sucesso em conter o coronavírus tem cobrado um preço alto na economia global. Avaliação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada pelo grupo dos países ricos, indica que o mundo vai levar anos para se recuperar do impacto da pandemia da covid-19. Segundo previsão da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), dada no início de março, a pandemia poderia custar até US$ 2 trilhões à economia global neste ano.
Em entrevista à BBC, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría afirmou que o choque econômico provocado pelo novo coronavírus já é maior do que a crise financeira de 2008. Para ele, um crescimento global previsto para este ano de 1,5% já seria otimista demais. O secretário prevê que quase todas as grandes economias do mundo entrarão, nos próximos meses, em recessão. O Fundo Monetário Internacional (FMI) seguiu no mesmo tom, afirmando que a produção econômica mundial deve se recuperar somente em 2021.
No setor de tecnologia, a consultoria IDC cortou ao meio sua previsão de gastos com TI para 2020. Com base nos indicadores de dados do primeiro trimestre, a IDC espera ver um declínio substancial nos gastos com serviços de hardware e software, à medida que as empresas se ajustam a uma nova realidade econômica.
“Nossos dados e pesquisas mensais estão claramente apontando em uma direção, mas ainda é cedo para entender o impacto total da crise do coronavírus em todos os setores da economia”, disse Stephen Minton, vice-presidente para Customer Insights & Analysis da IDC em comunicado. “Estamos usando modelos de cenário para ilustrar que as previsões têm um alcance mais amplo do que o habitual, e os riscos negativos nesses modelos parecem aumentar todos os dias. Mas a duração da crise continua sendo uma grande incógnita e ajudará bastante a determinar crescimento geral do mercado para o ano como um todo… As coisas podem piorar, mas espero que não”, acrescentou.
No Brasil, o Banco Central (BC) revisou suas últimas projeções. Na última edição do relatório, a projeção para o país era de 2,2% para este ano. Com a revisão, o BC passou a zerar a estimativa de crescimento do PIB para 2020.
O que esperar?
Na última quinta-feira (25), os países que integram o G20, grupo das 20 maiores economias do mundo, anunciaram que injetarão US$ 5 trilhões globalmente para combater a pandemia provocada pelo novo coronavírus.
Entre outras ações, os países do G20 vão acompanhar os riscos de dívida em países de baixa renda devido à pandemia e pedir que seus ministros de Finanças e os bancos centrais trabalhem com as organizações internacionais para fornecer a assistência financeira internacional apropriada. “Apoiamos as medidas extraordinárias adotadas pelos bancos centrais. Os bancos centrais agiram para apoiar o fluxo de crédito para as famílias e empresas, promover a estabilidade financeira e aumentar a liquidez nos mercados globais”, diz o comunicado.
O grupo também anunciou uma série de ações que endereçam a pandemia, incluindo a adoção de todas as medidas de saúde necessárias, troca de informações, garantia do financiamento de combate à pandemia e proteção das pessoas. “A pandemia sem precedentes de covid-19 é um lembrete poderoso de interconectividade e vulnerabilidades dos países. O combate à pandemia exige uma abordagem transparente, robusta, coordenada, em larga escala e baseada na ciência e no espírito global de solidariedade”, disse o grupo em comunicado.
Especialistas mundo afora chamam atenção para uma ação rápida das autoridades no que diz respeito ao combate da covid-19. Mais de 40 renomados economistas, incluindo aí a presidente do FMI, Gita Gopinath, e o conselheiro econômico do ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, Jason Furman, contribuíram com um eBook do Centre for Economic Policy Researcher (CEPR) onde pendem para que governos ajam rapidamente e façam o que preciso para manter “as luzes acesas”.
“O futuro da economia global pode ser alterado para sempre pelos efeitos da covid-19 e pelas mudanças políticas e comportamentais necessárias para lidar com a crise. Algumas delas podem ser benéficas – incluindo uma atitude alterada em relação aos gastos públicos em investimentos, inovação em trabalho flexível e um declínio na desigualdade -, mas também pode haver menos mobilidade”, escrevem Richard Baldwin e Beatrice Weder di Mauro, editores do eBook, que pode ser acessado neste link.
Source: Computer Word
Infoeconomico.com.br – Seu Portal de Notícias