Na última semana, o fechamento dos resultados financeiros do ano fiscal de 2018 trouxeram uma notícia que a Unisys vinha esperando nos últimos anos. A receita global da companhia cresceu 3% em relação ao ano anterior, chegando a US$ 2,83 bilhões, marcando o primeiro ano completo de crescimento desde 2003. No quarto trimestre, as receitas alcançaram US$ 760,9 milhões (moeda constante), com crescimento de 2,2% em relação ao mesmo período no ano anterior.

Segundo a companhia, a região da América Latina cresceu 19% em moeda constante (10% na comparação ano a ano) e, agora, representa 11% do faturamento mundial. O Brasil, que é a segunda maior operação da companhia fora dos EUA, tem tido resultados satisfatórios e, inclusive, uma meta ambiciosa: dobrar o faturamento local até 2021.

Segundo Eric Hutto (foto), vice-presidente sênior da Unisys e líder global de Enterprise Solutions – executivo que entregou essa desafiadora missão para a operação brasileira -, os negócios no país tiveram crescimento de dois dígitos, mesmo em meio a um ano desafiador, sobretudo do ponto de vista de negócios com o setor público – um dos focos da companhia no Brasil.

Hutto destaca que os bons resultados são fruto de uma transformação vivida pela Unisys nos últimos anos, deixando de ser uma empresa de tecnologias para virar de fato uma companhia capaz de fazer o papel de consultoria. “Éramos conhecidos como uma empresa de tecnologia. Ainda somos bons nisso, tanto que rodamos o core de diversos bancos. Mas isso (tecnologias) é apenas 12% da nossa receita atualmente. Os outros 88% são serviços”, destacou, em entrevista à Computerworld Brasil.

Aliado ao foco em serviços, a companhia vive a missão de fortalecer seu lado consultivo. “É uma abordagem holística e de fato levarmos programas educacionais aos clientes”, apontou.

Foco em governo

No ano passado, em meio ao conturbado momento político no país, a Unisys sabia que o momento era de pisar no freio e aguardar as definições das eleições. Agora, com a nova administração, o foco volta a ser o fortalecimento das relações com governos.

Hutto conta que se reuniu com líderes do BTG Pactual para saber as novas perspectivas do país e como a agenda impacta a Unisys nos próximos anos. “O que eles acham está correto”, disse, citando as reformas tributária e da previdência, bem como a tendência de aumento das privatizações. “Se tiverem essa agenda, teremos mutas oportunidades.”

Para Hutto, o momento é de entender o que os órgãos governamentais precisam para saber onde se posicionar. “O que me preocupa é em estarmos no lugar certo. A agenda esta aí e é o momento de colocar nosso plano em ação.”

Eduardo Almeida, general manager da empresa no Brasil, cita importantes clientes no setor público, como Dataprev, Serpro, Caixa e Prodesp. Segundo o executivo, a Unisys ganhou 10 clientes no ano passado, chegando a uma carteira de 80 contas no País. “É um número muito significante”, apontou almeida.

Negócios compactos

Mesmo com o crescimento do número de clientes e, consequentemente, do faturamento local, Hutto não se mostra preocupado com a manutenção desses números. Isso porque, segundo ele, a empresa pode ser mais “seletiva”, podendo atender apenas de forma muito qualificada.

“Compactamos nossos negócios nos últimos anos. Não precisamos crescer 20% todo ano para cobrir custos. Podemos crescer de forma constante – 2% ou 3% trabalha para nós”, disse o executivo, que citou empresas como Accenture e IBM, que, por conta de grandes operações, precisam de crescimentos expressivos para cobrir custos.

“Não somos perfeitos para todo mundo. Qualificamos as propostas. Se não formos perfeitos para aquilo, saímos. É por isso que crescemos e fizemos US$ 3 bilhões em valor de contratos, ganhando 40% das propostas que tentamos. É preciso saber no que somos bons. Se não formos, (recorremos a) parceiros”, comentou. “Queremos ser ágeis.”

Força na segurança

Em comunicado global, Peter A. Altabef, presidente e CEO da Unisys, creditou os resultados de 2018 à estratégia de go-to-market focada na indústria, usando a segurança como diferencial.

Hutto segue a mesma linha e cita segurança como grande força da Unisys para ganhar relevância e espaço no concorrido mercado de tecnologia. “Acredito muito na nossa segurança. Tivemos um hackathon e ninguém conseguiu nos bater. É uma força da Unisys”, apontou.

O executivo citou também ferramentas de gestão multicloud. “Temos a habilidade de gerenciar as plataformas dos clientes para que eles possam fazer o que quiserem com seus workloads, seja de qualquer cloud”, completou.

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Fonte: Computer Word