{"id":43591,"date":"2018-07-24T13:51:26","date_gmt":"2018-07-24T16:51:26","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/"},"modified":"2018-07-24T13:51:26","modified_gmt":"2018-07-24T16:51:26","slug":"o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/","title":{"rendered":"O futuro do elevador \u2014 e o caso do homem que ficou  41 horas preso em um"},"content":{"rendered":"<p>Sexta-feira, 11 da noite. A maioria das pessoas j\u00e1 foi embora para casa h\u00e1 muito tempo, mas o jornalista americano Nicholas White, 34 anos, continua no trabalho. Ele ainda tem bastante coisa para fazer, uma edi\u00e7\u00e3o inteira da revista <em>BusinessWeek<\/em> para editar. Resolve descer para fumar um cigarro e criar coragem.<\/p>\n<p>Pega ma\u00e7o e isqueiro, nem veste o casaco \u2013 estava frio, mas ele iria voltar r\u00e1pido. Desce, fuma e chama o elevador para voltar ao escrit\u00f3rio, no 43<sup>o<\/sup> andar do edif\u00edcio McGraw-Hill, em Nova York. A porta fecha e a cabine come\u00e7a a subir, mas a\u00ed algo estranho acontece. A luz pisca, o elevador para. Nicholas ainda n\u00e3o sabe, mas a pior experi\u00eancia da vida dele est\u00e1 prestes a come\u00e7ar.<\/p>\n<p>Provavelmente voc\u00ea j\u00e1 ficou preso num elevador \u2013 ou conhece algu\u00e9m que ficou. Tamb\u00e9m pudera: se voc\u00ea mora e trabalha em pr\u00e9dios, passa em m\u00e9dia cinco minutos por dia dentro de elevadores, o que d\u00e1 duas horas e meia por m\u00eas (mais cinco horas esperando eles chegarem). Pode n\u00e3o parecer, mas o elevador \u00e9 o principal meio de transporte nas cidades. Em S\u00e3o Paulo, h\u00e1 81 mil elevadores, que fazem 16 milh\u00f5es de viagens por dia. \u00c9 mais do que os \u00f4nibus (8 milh\u00f5es de viagens di\u00e1rias), o metr\u00f4 (4,5 milh\u00f5es), carros e motos (que, somados, fazem 13,6 milh\u00f5es de viagens por dia).<\/p>\n<div class=\"quote-box \">\n<p><p>S\u00f3 em S\u00e3o Paulo, os elevadores fazem 16 milh\u00f5es de viagens por dia \u2014 mais que metr\u00f4, carros e \u00f4nibus somados<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"item-share-list\">\n        <a href=\"\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/ via Superinteressante\" data-action=\"share\/whatsapp\/share\" class=\"item-share-list-link item-whatsapp hidden-md hidden-lg\"><i class=\"icon-whatsapp\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-facebook\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/&amp;text=S%C3%B3%20em%20S%C3%A3o%20Paulo%2C%20os%20elevadores%20fazem%2016%20milh%C3%B5es%20de%20viagens%20por%20dia%20%E2%80%94%20mais%20que%20metr%C3%B4%2C%20carros%20e%20%C3%B4nibus%20somados&amp;via=revistasuper\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-twitter\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-twitter\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"mailto:?subject=S%C3%B3%20em%20S%C3%A3o%20Paulo%2C%20os%20elevadores%20fazem%2016%20milh%C3%B5es%20de%20viagens%20por%20dia%20%E2%80%94%20mais%20que%20metr%C3%B4%2C%20carros%20e%20%C3%B4nibus%20somados&amp;body=S%25C3%25B3%2520em%2520S%25C3%25A3o%2520Paulo%252C%2520os%2520elevadores%2520fazem%252016%2520milh%25C3%25B5es%2520de%2520viagens%2520por%2520dia%2520%25E2%2580%2594%2520mais%2520que%2520metr%25C3%25B4%252C%2520carros%2520e%2520%25C3%25B4nibus%2520somados%20https%3A%2F%2Fsuper.abril.com.br%2Ftecnologia%2Fo-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um%2F%20via%20Superinteressante\" class=\"item-share-list-link item-email hidden-xs hidden-sm\"><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/a>\n      <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>O elevador \u00e9 onipresente, e por isso \u00e9 inevit\u00e1vel que, cedo ou tarde, acabe dando algum probleminha. Na esmagadora maioria dos casos, n\u00e3o acontece nada grave: um levantamento dos acidentes de elevador ocorridos nos EUA durante 17 anos constatou que o risco de morrer num deles \u00e9 de apenas 1 em 3,6 bilh\u00f5es, ou seja, 360 vezes menor que num avi\u00e3o (o segundo meio de transporte mais seguro que existe).<\/p>\n<p>Mas, durante muito tempo, elevador foi uma coisa perigosa. Isso fica claro pela insanidade de um de seus primeiros nomes: <i>cadeira voadora<\/i>.<\/p>\n<h3><b>Sala ascendente<\/b><\/h3>\n<p>Acredita-se que os sum\u00e9rios, por volta do ano 2.700 a.C., tenham constru\u00eddo um elevador primitivo para transportar material de constru\u00e7\u00e3o. No s\u00e9culo 3 a.C., o grego Arquimedes inventou um sistema mais sofisticado, com polias e roldanas. Os romanos aperfei\u00e7oaram essa ideia e criaram uma vers\u00e3o movida a manivela para transportar carga \u2013 e, pela primeira vez, seres vivos tamb\u00e9m: no Coliseu, animais e gladiadores subiam at\u00e9 a arena de elevador. S\u00e9culos depois, o rei franc\u00eas Lu\u00eds 15 (1710-1774) decidiu construir um elevador no Castelo de Versalhes. Ele queria conectar seus aposentos, no t\u00e9rreo, at\u00e9 o quarto de sua amante, no segundo andar. Vossa Majestade batizou a engenhoca de <i>chaise volante <\/i>(cadeira voadora). Em 1845, o arquiteto Gaetano Genovese instalou um elevador similar no Pal\u00e1cio Real de Caserta, na It\u00e1lia.<\/p>\n<p>Com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, surgiram os elevadores a vapor, que transportavam madeira e carv\u00e3o das minas inglesas e, em alguns casos, passageiros. Em 1823, os arquitetos brit\u00e2nicos Burton e Hormer constru\u00edram uma <i>ascending room<\/i> (sala ascendente) que levava turistas at\u00e9 uma plataforma no pr\u00e9dio Colosseum, com vista panor\u00e2mica do Regent\u2019s Park, em Londres.<\/p>\n<p>Mas andar de elevador era se expor a um enorme risco. Se os cabos se rompessem, o que muitas vezes acontecia, a cabine simplesmente despencava. Quem resolveu a quest\u00e3o foi o americano Elisha Otis (1811-1861), o inventor do elevador moderno. Em 1853, Otis criou o molinete de seguran\u00e7a, um sistema que impede a queda do elevador. \u00c9 um conjunto de garras conectadas a molas, que s\u00e3o puxadas pelo cabo do elevador. Se por algum motivo o cabo se romper, as molas disparam e as garras se projetam para os lados, prendendo o elevador no po\u00e7o e impedindo que ele caia. Otis demonstrou sua inven\u00e7\u00e3o da forma mais dram\u00e1tica poss\u00edvel. Na Feira Mundial de Nova York, em 1854, ele subiu sozinho num elevador de madeira e pediu que cortassem as cordas que o sustentavam. O mecanismo funcionou, Otis sobreviveu \u2013 e o elevador entrou de vez na vida das cidades. Em 1857, o primeiro modelo de passageiros foi instalado em Nova York.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/07\/infos_futuroelevador.png\" \/><figcaption>&lt;span class=&quot;hidden&quot;&gt;&#8211;&lt;\/span&gt;<span class=\"copyright\">Mauro Gir\u00e3o\/Superinteressante<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><b>1. Propuls\u00e3o magn\u00e9tica<\/b><br \/>\nOs trilhos do elevador s\u00e3o cobertos por eletro\u00edm\u00e3s, que ligam e desligam de forma sincronizada. Isso gera um campo magn\u00e9tico que repele outros \u00edm\u00e3s, instalados na parte de fora do elevador \u2013 e faz a cabine subir ou descer.<\/p>\n<p><b>2. Rota\u00e7\u00e3o\u00a0do eixo<\/b><br \/>\nO elevador n\u00e3o tem cabos, e por isso tamb\u00e9m pode andar de lado. Para tanto, ele gira uma parte do trilho, o que leva alguns segundos. O elevador continua preso ao trilho por garras de a\u00e7o \u2013 que giram junto com o trilho. A cabine em si n\u00e3o gira, ou seja, os passageiros n\u00e3o sentem nada.<\/p>\n<p><b>3. Movimento horizontal<\/b><br \/>\nA partir da\u00ed, o elevador passa a navegar pela rede de trilhos horizontais constru\u00edda no pr\u00e9dio. Ele alterna automaticamente entre os modos vertical e horizontal, seguindo um itiner\u00e1rio determinado pela demanda de passageiros, para transportar as pessoas do modo mais eficiente poss\u00edvel.<\/p>\n<p><b>4. Densidade\u00a0e rapidez<\/b><br \/>\nA tecnologia permite que dois ou mais elevadores compartilhem o mesmo trilho, reduzindo a espera dos passageiros. E tamb\u00e9m viabiliza a constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios bem diferentes dos atuais, com grandes blocos horizontais \u2013 caso do East Side Tower, em Berlim, que ficar\u00e1 pronto em 2020, inaugurando o sistema.<\/p>\n<\/div>\n<p>Os elevadores da \u00e9poca eram movidos a vapor, o que n\u00e3o era nada pr\u00e1tico. Uma caldeira fervia \u00e1gua, cuja evapora\u00e7\u00e3o movimentava um mecanismo que puxava os cabos. Isso s\u00f3 mudou em 1881, quando o alem\u00e3o Werner von Siemens inventou o elevador el\u00e9trico. Mais simples e confi\u00e1vel, ele deu origem \u00e0 era dos arranha-c\u00e9us \u2013 cujo maior s\u00edmbolo foi o Empire State Building, com seus 102 andares (e 67 elevadores) inaugurados em 1931 em Nova York.<\/p>\n<p>At\u00e9 a 2<sup>a<\/sup> Guerra Mundial, a maioria dos elevadores tinha um ascensorista. Mas avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos como o bot\u00e3o de emerg\u00eancia e o interfone foram acabando com ele.\u00a0Quando Nicholas White fica preso no elevador, seu primeiro impulso \u00e9 justamente acionar o interfone. Ningu\u00e9m responde, e ele aperta o bot\u00e3o de alarme.<\/p>\n<p>O alarme toca, mas o resgate n\u00e3o vem. Nicholas tenta mais algumas vezes at\u00e9 que arranca o bot\u00e3o, para que o alarme toque de forma cont\u00ednua. Ele est\u00e1 sem celular, n\u00e3o tem como pedir socorro. Tamb\u00e9m est\u00e1 sem rel\u00f3gio, n\u00e3o tem como saber h\u00e1 quanto tempo est\u00e1 preso. Apesar disso, procura ficar calmo.<\/p>\n<p>Nicholas deita no ch\u00e3o e resolve fumar. Logo consome os tr\u00eas cigarros que levava no bolso. Como n\u00e3o tem \u00e1gua, come\u00e7a a ficar com muita sede \u2013 que se transforma em p\u00e2nico. Depois de seis horas preso, ele decide abrir a porta \u00e0 for\u00e7a. Consegue, mas n\u00e3o adianta nada.<\/p>\n<p>O elevador est\u00e1 parado entre o 13<sup>0<\/sup> e o 14<sup>0<\/sup> andares, bem no meio, com a sa\u00edda bloqueada pela laje. Nicholas solta a porta, que volta a se fechar, e come\u00e7a a gritar por socorro. S\u00e3o 5h da manh\u00e3 de s\u00e1bado, o pr\u00e9dio est\u00e1 deserto, n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m para ouvi-lo. O elevador tem uma c\u00e2mera de seguran\u00e7a, que transmite imagens para o porteiro do pr\u00e9dio \u2013 mas ele, num suprassumo de desleixo, n\u00e3o se d\u00e1 ao trabalho de olhar. O pesadelo de Nicholas ainda est\u00e1 longe do fim.<\/p>\n<h3><b>Metr\u00f4 no pr\u00e9dio<\/b><\/h3>\n<p>Na ess\u00eancia, o elevador moderno ainda parece os modelos do s\u00e9culo 19: ele nada mais \u00e9 do que uma caixa puxada por cabos. Mas duas tecnologias prometem mudar isso. A primeira se chama ReGen e foi criada pela empresa Otis (que Elisha fundou h\u00e1 165 anos para comercializar sua inven\u00e7\u00e3o). Ela tem um mecanismo que aproveita a descida do elevador para recuperar energia \u2013 e, com isso, reduz em at\u00e9 75% o gasto de eletricidade <i>[veja no infogr\u00e1fico abaixo]<\/i>. A empresa j\u00e1 vendeu 500 mil elevadores com essa tecnologia.<\/p>\n<p>Mais ousado, o sistema Multi repensa o pr\u00f3prio conceito de elevador: que deixa de ser puxado por cabos, e passa a andar tamb\u00e9m na horizontal. \u201cEle funciona como um metr\u00f4 dentro do edif\u00edcio\u201d, diz F\u00e1bio Speggiorin, vice-presidente de desenvolvimento da ThyssenKrupp, inventora do sistema. O Multi \u00e9 movimentado por um sistema de propuls\u00e3o eletromagn\u00e9tica, e n\u00e3o tem nenhum cabo. Sua estreia est\u00e1 prevista para 2020, com a inaugura\u00e7\u00e3o do East Side Tower, em Berlim, primeiro pr\u00e9dio a usar o elevador. Ele \u00e9 tr\u00eas a cinco vezes mais caro que um modelo convencional, mas aumenta em at\u00e9 25% a \u00e1rea \u00fatil do edif\u00edcio \u2013 como anda na horizontal e na vertical, consegue atender uma \u00e1rea maior, exigindo menos po\u00e7os. Segundo o fabricante, o Multi \u00e9 ainda mais seguro que um elevador comum \u2013 pois a cabine \u00e9 presa fisicamente aos trilhos e tem tr\u00eas sistemas de seguran\u00e7a, acionados automaticamente em caso de falta de energia.<\/p>\n<div class=\"quote-box \">\n<p><p>Para provar que seu elevador era 100% seguro, o inventor Elisha Ortis entrou nele \u2014 e mandou cortarem os cabos<\/p>\n<\/p>\n<div class=\"item-share-list\">\n        <a href=\"\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/ via Superinteressante\" data-action=\"share\/whatsapp\/share\" class=\"item-share-list-link item-whatsapp hidden-md hidden-lg\"><i class=\"icon-whatsapp\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/facebook.com\/sharer\/sharer.php?u=https:\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-facebook\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-facebook\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"https:\/\/twitter.com\/intent\/tweet?url=https:\/\/super.abril.com.br\/tecnologia\/o-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um\/&amp;text=Para%20provar%20que%20seu%20elevador%20era%20100%25%20seguro%2C%20o%20inventor%20Elisha%20Ortis%20entrou%20nele%20%E2%80%94%20e%20mandou%20cortarem%20os%20cabos&amp;via=revistasuper\" target=\"_blank\" class=\"item-share-list-link item-twitter\" rel=\"noopener noreferrer\"><i class=\"icon-twitter\"><\/i><\/a><br \/>\n        <a href=\"mailto:?subject=Para%20provar%20que%20seu%20elevador%20era%20100%25%20seguro%2C%20o%20inventor%20Elisha%20Ortis%20entrou%20nele%20%E2%80%94%20e%20mandou%20cortarem%20os%20cabos&amp;body=Para%2520provar%2520que%2520seu%2520elevador%2520era%2520100%2525%2520seguro%252C%2520o%2520inventor%2520Elisha%2520Ortis%2520entrou%2520nele%2520%25E2%2580%2594%2520e%2520mandou%2520cortarem%2520os%2520cabos%20https%3A%2F%2Fsuper.abril.com.br%2Ftecnologia%2Fo-futuro-do-elevador-e-o-caso-do-homem-que-ficou-41-horas-preso-em-um%2F%20via%20Superinteressante\" class=\"item-share-list-link item-email hidden-xs hidden-sm\"><i class=\"icon-envelope-o\"><\/i><\/a>\n      <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p>Os principais avan\u00e7os dos elevadores est\u00e3o, justamente, na seguran\u00e7a. Em caso de pane, os modelos mais modernos chamam imediatamente uma equipe de manuten\u00e7\u00e3o \u2013 que tamb\u00e9m \u00e9 avisada sobre a necessidade de reparos preventivos. \u201c\u00c9 como na F\u00f3rmula 1: o carro est\u00e1 correndo e o pessoal do box est\u00e1 monitorando\u201d, diz Jos\u00e9 Luis Soares, gerente de marketing da Atlas Schindler.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no caso de Nicholas, n\u00e3o foi assim.<\/p>\n<h3><b>Sa\u00edda frustrada<\/b><\/h3>\n<p>Tarde de s\u00e1bado. Nicholas est\u00e1 h\u00e1 16 horas preso, e come\u00e7a a ter alucina\u00e7\u00f5es auditivas: acha que o alarme do elevador forma padr\u00f5es estranhos, como uma m\u00fasica. Para passar o tempo, tira e l\u00ea todos os pap\u00e9is e notas da sua carteira. Deita no ch\u00e3o, dorme e acorda v\u00e1rias vezes. Faz xixi pela fresta da porta, e sente cada vez mais sede. Ele n\u00e3o sabe h\u00e1 quanto tempo est\u00e1 preso. Come\u00e7a a achar que vai morrer de desidrata\u00e7\u00e3o, e tenta sua \u00faltima cartada. Recoloca o bot\u00e3o no painel, desligando o alarme, e decide tentar escapar \u2013 pela escotilha no teto do elevador. Sobe no corrim\u00e3o do fundo da cabine, se equilibra e pula para cima com toda a for\u00e7a. A escotilha n\u00e3o abre; estava trancada. Nicholas cai no ch\u00e3o com tudo.<\/p>\n<p>Desolado, ele deita<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0 <\/span>e se revira no carpete imundo. Alterna momentos de apatia e de desespero, at\u00e9 que tem um \u00faltimo lampejo de energia \u2013 grita e bate furiosamente nas paredes do elevador. Nada acontece, e ent\u00e3o Nicholas entra em estado de choque. Deita com o rosto para baixo e n\u00e3o se mexe mais. \u00c9 madrugada de s\u00e1bado para domingo.<\/p>\n<p>At\u00e9 que \u00e0s tr\u00eas da tarde, depois de 40 horas preso, ele ouve uma voz. \u201cTem algu\u00e9m a\u00ed dentro?\u201d, pergunta um seguran\u00e7a do pr\u00e9dio. Nicholas consegue responder, pede socorro, e o funcion\u00e1rio finalmente chama a equipe de manuten\u00e7\u00e3o. Uma hora depois, o elevador volta a se mover \u2013 o que Nicholas, completamente atordoado, s\u00f3 percebe pela entrada de um ventinho. Depois de algum tempo, o movimento para. Nicholas abre a porta com as m\u00e3os, e v\u00ea o lobby do pr\u00e9dio. Ele est\u00e1 livre. Acabou.<\/p>\n<div class=\"box\">\n<figure><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/abrilsuperinteressante.files.wordpress.com\/2018\/07\/infos_futuroelevador22.png\" \/><figcaption>&lt;span class=&quot;hidden&quot;&gt;&#8211;&lt;\/span&gt;<span class=\"copyright\">Mauro Gir\u00e3o\/Superinteressante<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Como \u00e9 hoje<\/b><br \/>\nOs elevadores possuem tr\u00eas elementos principais: a cabine, o motor e o contrapeso, que s\u00e3o interligados por cabos de a\u00e7o. O contrapeso tem a mesma massa que o elevador tem quanto est\u00e1 com 50% da capacidade ocupada (neste exemplo, com cinco pessoas dentro).<\/p>\n<p><b>1. A descida<\/b><br \/>\nQuando o elevador est\u00e1 com mais de cinco pessoas, ele fica mais pesado que o contrapeso \u2013 e desce. O contrapeso ajuda a frear e controlar essa descida, evitando que o motor tenha\u00a0de fazer isso.<\/p>\n<p><b>2. A subida<\/b><br \/>\nQuando o elevador est\u00e1 com menos de cinco pessoas, ele fica mais leve que o contrapeso \u2013 que ent\u00e3o come\u00e7a a descer, puxando o elevador para cima. A lei da gravidade faz parte do trabalho, economizando energia do motor.<\/p>\n<p><b>3. A nova tecnologia<\/b><br \/>\nO segredo do sistema ReGen est\u00e1 num d\u00ednamo, que fica ao lado do motor e \u00e9 acionado pelo movimento dos cabos. Ele converte esse movimento em energia, que alimenta o motor \u2013 reduzindo em at\u00e9 75% o consumo de eletricidade.<\/p>\n<\/div>\n<p>Na verdade, n\u00e3o acabou. O caso, que aconteceu em outubro de 1999, foi destaque em todos os jornais e canais de TV de Nova York, e Nicholas passou a ser assediado pela imprensa, que acampou em frente \u00e0 casa dele. Os chefes disseram que Nicholas podia tirar quantos dias de folga precisasse. Ele passou duas semanas de f\u00e9rias numa praia do Caribe. Ao voltar, processou o pr\u00e9dio e o fabricante do elevador, pedindo US$ 25 milh\u00f5es. N\u00e3o foi mais trabalhar \u2013 e perdeu o emprego, onde estava h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>O caso se arrastou na Justi\u00e7a at\u00e9 que, quatro anos depois, terminou em acordo: Nicholas recebeu pouco mais de US$ 100 mil. Ele acabou quebrado, perdeu seu apartamento e teve de aceitar o primeiro trabalho que apareceu, como vendedor numa loja de t\u00eanis.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima vez em que for pegar um elevador, voc\u00ea vai se lembrar da hist\u00f3ria de Nicholas White \u2013 e talvez sinta um certo medo. Calma. Elevador \u00e9 seguro, e acima de tudo necess\u00e1rio (sem ele, as cidades como as conhecemos n\u00e3o existiriam). Mas, antes de embarcar, n\u00e3o se esque\u00e7a de uma coisa: \u201cVerifique se o mesmo encontra-se parado neste andar\u201d.<\/p>\n<p>Source: G1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sexta-feira, 11 da noite. A maioria das pessoas j\u00e1 foi embora para casa h\u00e1 muito tempo, mas o jornalista americano Nicholas White, 34 anos, continua no trabalho. Ele ainda tem bastante coisa para fazer, uma edi\u00e7\u00e3o inteira da revista BusinessWeek para editar. Resolve descer para fumar um cigarro e criar coragem. Pega ma\u00e7o e isqueiro, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":43592,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[78],"class_list":["post-43591","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-tecnologia","tag-auditoria-sistemas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43591","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43591"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43591\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43591"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43591"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43591"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}