{"id":25341,"date":"2019-06-06T19:10:46","date_gmt":"2019-06-06T22:10:46","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/ci-deve-votar-prorrogacao-antecipada-da-concessao-da-malha-ferroviaria-paulista\/"},"modified":"2019-06-06T19:10:46","modified_gmt":"2019-06-06T22:10:46","slug":"ci-deve-votar-prorrogacao-antecipada-da-concessao-da-malha-ferroviaria-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/ci-deve-votar-prorrogacao-antecipada-da-concessao-da-malha-ferroviaria-paulista\/","title":{"rendered":"CI deve votar prorroga\u00e7\u00e3o antecipada da concess\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria paulista"},"content":{"rendered":"<p>A senadora K\u00e1tia Abreu (PDT-TO) e o senador Jean Paul Prates (PT-RN) articulam para que a Comiss\u00e3o de Servi\u00e7os de Infraestrutura (CI), junto com outros atores pol\u00edticos relevantes, encaminhem um documento oficial ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) propondo a suspens\u00e3o do processo de renova\u00e7\u00e3o antecipada da malha ferrovi\u00e1ria paulista. Este processo de renova\u00e7\u00e3o antecipada prorroga por mais 30 anos a concess\u00e3o da malha paulista para a empresa Rumo, faltando dez anos para a atual concess\u00e3o vencer.<\/p>\n<p>A ideia partiu de Katia Abreu, e junto com a carta oficial, ser\u00e1 encaminhado um question\u00e1rio buscando esclarecimentos sobre o processo e sobre a recente licita\u00e7\u00e3o de trecho da ferrovia Norte-Sul, tamb\u00e9m vencida pela Rumo. K\u00e1tia Abreu e Jean Paul temem que estes recentes processos estabele\u00e7am na pr\u00e1tica um novo marco regulat\u00f3rio, que poder\u00e1 levar \u00e0 inviabiliza\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio brasileiro por d\u00e9cadas, beneficiando apenas algumas poucas megaempresas concession\u00e1rias de trechos lucrativos.<\/p>\n<p>\u2014 Na pr\u00e1tica, uma regula\u00e7\u00e3o foi estabelecida pelo governo de forma ditatorial, inaplic\u00e1vel para o restante da malha ferrovi\u00e1ria. Temos um monte de malhas abandonadas e as em uso s\u00f3 existem para seus pr\u00f3prios donos. Eles t\u00eam cargas e ferrovias pr\u00f3prias, e n\u00e3o se interessam pelas demais cargas \u2014 criticou K\u00e1tia Abreu.<\/p>\n<h3><b>TCU e Bolsonaro<\/b><\/h3>\n<p>O documento vai propor ao TCU, paralisar o processo, at\u00e9 que o Congresso Nacional estabele\u00e7a um novo marco regulat\u00f3rio ao setor ferrovi\u00e1rio, e at\u00e9 que um questionamento judicial seja resolvido.<\/p>\n<p>A articula\u00e7\u00e3o nasceu durante esta quinta-feira (6) na CI, que debateu em audi\u00eancia p\u00fablica o <a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/133432\">PLS 261\/2018<\/a>, que trata da formula\u00e7\u00e3o do novo marco. K\u00e1tia Abreu quer que a carta p\u00fablica ao TCU seja assinada pela CI, pelos l\u00edderes partid\u00e1rios e pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ela tamb\u00e9m quer a ades\u00e3o da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Agricultura (CNA), da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC) e da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Transportes (CNT) a este movimento, pois h\u00e1 o consenso no setor produtivo de que as restri\u00e7\u00f5es na malha ferrovi\u00e1ria aumentam o Custo Brasil.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do TCU, o objetivo dos senadores \u00e9 que a carta p\u00fablica tamb\u00e9m seja enviada ao presidente Jair Bolsonaro, aos ministros Paulo Guedes e Tarc\u00edsio Gomes de Freitas (Infra-Estrutura), aos 11 ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).<\/p>\n<h3><b>A\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a<\/b><\/h3>\n<p>K\u00e1tia Abreu acrescenta que a procuradora-geral da Rep\u00fablica, Raquel Dodge, entrou com uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade (Adin) contra a <a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2015-2018\/2016\/lei\/l13334.htm\">lei 13.334<\/a>, fruto de aprova\u00e7\u00e3o de medida provis\u00f3ria editada durante o governo de Michel Temer, que permitiu a prorroga\u00e7\u00e3o antecipada dos contratos de concess\u00e3o. Para K\u00e1tia Abreu e a Procuradoria Geral da Rep\u00fablica (PGR), a lei 13.334 fere a Constitui\u00e7\u00e3o ao dispensar o processo licitat\u00f3rio. A senadora tamb\u00e9m admitiu sua &#8220;grande decep\u00e7\u00e3o&#8221; pelo fato do TCU ter dado aval a esta lei, dispensando ainda os concession\u00e1rios de cumprirem o chamado &#8220;direito de passagem&#8221;, mecanismo que estabelece que os gestores das ferrovias abram o transporte de cargas para outras empresas, mediante pagamento.<\/p>\n<p>\u2014 Todas estas ferrovias custaram dezenas de bilh\u00f5es de reais aos cofres p\u00fablicos, e depois foram concedidas \u00e0 iniciativa privada por valores muito inferiores. N\u00e3o sou contra o investimento p\u00fablico visando uma atua\u00e7\u00e3o posterior da iniciativa privada, porque, de fato, existem trechos invi\u00e1veis \u00e0 atra\u00e7\u00e3o de investimento privado para a constru\u00e7\u00e3o. Mas se tem dinheiro p\u00fablico, o m\u00ednimo que se tem que permitir \u00e9 o direito de passagem. Que mais brasileiros possam se beneficiar pela concorr\u00eancia e o pre\u00e7o mais baixo. Esta retirada do direito de passagem ainda deu um grande preju\u00edzo na outorga aos cofres p\u00fablicos, porque tirou a concorr\u00eancia \u2014 lamentou K\u00e1tia.<\/p>\n<h3><b>Preju\u00edzo aos cofres p\u00fablicos<\/b><\/h3>\n<p>A senadora avalia que a retirada do direito de passagem na licita\u00e7\u00e3o da Norte-Sul deu um preju\u00edzo de pelo menos R$ 2 bilh\u00f5es aos cofres p\u00fablicos. Foi entregue em mar\u00e7o o trecho entre Palmas e Estrela d&#8217;Oeste (SP) pelo pre\u00e7o total de R$ 2,7 bilh\u00f5es. K\u00e1tia ainda disse &#8220;estranhar&#8221; o fato da Rumo litigar contra a Uni\u00e3o questionando quase 1.000 multas que j\u00e1 recebeu de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, e por descumprir contratos ao abandonar trechos de malhas sob sua gest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A Rumo tem penalidade dupla, como ela p\u00f4de participar da licita\u00e7\u00e3o da Norte-Sul? Como o TCU permite uma coisa dessas? Tamb\u00e9m n\u00e3o consigo entender a ina\u00e7\u00e3o da ANTT. Precisamos chamar a ANTT aqui pra tentar entender o que que ela faz. Ela n\u00e3o regula pre\u00e7os, permite irregularidades nas licita\u00e7\u00f5es e a retirada do direito de passagem \u2014 frisou.<\/p>\n<p>K\u00e1tia Abreu ainda alertou que a retirada do direito de passagem, ao final, prejudica toda a sociedade, por encarecer o frete aos produtores. O consultor Bernardo Figueiredo, ex-presidente da Empresa de Planejamento e Log\u00edstica (EPL), avalia que o pre\u00e7o do frete rodovi\u00e1rio deve dobrar caso a economia brasileira volte a crescer de forma consistente. Isto ocorrer\u00e1 justamente devido \u00e0s restri\u00e7\u00f5es ao frete ferrovi\u00e1rio, proveniente de uma gest\u00e3o regulat\u00f3ria ruim.<\/p>\n<p>\u2014 O fato de n\u00e3o haver um marco regulat\u00f3rio claro est\u00e1 permitindo \u00e0 ANTT caminhar na contram\u00e3o e atrasar ainda mais o setor. Se o processo de renova\u00e7\u00e3o n\u00e3o for barrado, o pa\u00eds s\u00f3 voltar\u00e1 a discutir o tema ao final do s\u00e9culo 21 [ao t\u00e9rmino dos contratos], com um padr\u00e3o de servi\u00e7os do s\u00e9culo 19, que \u00e9 o atual \u2014criticou o consultor.<\/p>\n<h3><b>Monop\u00f3lio natural<\/b><\/h3>\n<p>O senador Jean Paul Prates \u00e9 o relator do PLS 261\/2018, e adianta que seu trabalho buscar\u00e1 uma regula\u00e7\u00e3o condizente a um setor marcado pelo monop\u00f3lio natural. Figueredo ainda lembrou que o setor ferrovi\u00e1rio \u00e9 bastante regulado em todo o mundo, sendo que nos EUA at\u00e9 mesmo o pre\u00e7o do frete sofre regula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Prates tamb\u00e9m teme que se nada for feito, os atuais trechos geridos pela Rumo que n\u00e3o v\u00eam sendo usados, continuar\u00e3o assim por mais 40 anos. Ele entende que nesses casos, o trecho deve ser devolvido ao poder p\u00fablico com uma indeniza\u00e7\u00e3o condizente aos danos causados. Por fim, o senador garante que seu texto tamb\u00e9m focar\u00e1 em induzir a expans\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<h3><b>Mais cr\u00edticas<\/b><\/h3>\n<p>O consultor Luiz Antonio Fayet, que representou a CNA, defendeu as diretrizes apontadas por K\u00e1tia Abreu e Jean Paul Prates. Ele tamb\u00e9m avalia que o setor ferrovi\u00e1rio est\u00e1 andando pra tr\u00e1s, num modelo em que apenas algumas poucas megaempresas exportadoras ganham, aumentando o custo log\u00edstico para todas as outras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m participou da audi\u00eancia um auditor do TCU, Maur\u00edcio Ferreira Wanderley. Ele concorda que a Norte-Sul deve garantir o direito de passagem para outros operadores, al\u00e9m da concession\u00e1ria gestora.<\/p>\n<p>Fonte: Senado Noticias Gerais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A senadora K\u00e1tia Abreu (PDT-TO) e o senador Jean Paul Prates (PT-RN) articulam para que a Comiss\u00e3o de Servi\u00e7os de Infraestrutura (CI), junto com outros atores pol\u00edticos relevantes, encaminhem um documento oficial ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) propondo a suspens\u00e3o do processo de renova\u00e7\u00e3o antecipada da malha ferrovi\u00e1ria paulista. 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