{"id":25180,"date":"2019-06-05T14:00:10","date_gmt":"2019-06-05T17:00:10","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/e-possivel-eliminar-residuos-de-agrotoxicos-da-agua-e-dos-alimentos\/"},"modified":"2019-06-05T14:00:10","modified_gmt":"2019-06-05T17:00:10","slug":"e-possivel-eliminar-residuos-de-agrotoxicos-da-agua-e-dos-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/e-possivel-eliminar-residuos-de-agrotoxicos-da-agua-e-dos-alimentos\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel eliminar res\u00edduos de agrot\u00f3xicos da \u00e1gua e dos alimentos?"},"content":{"rendered":"<p>O brasileiro nunca consumiu tanto agrot\u00f3xico quanto hoje. O n\u00famero de produtores que usam pesticidas na planta\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/21905-censo-agro-2017-resultados-preliminares-mostram-queda-de-2-0-no-numero-de-estabelecimentos-e-alta-de-5-na-area-total\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">cresceu 20% em 10 anos<\/a>, segundo o IBGE, enquanto a aprova\u00e7\u00e3o para comercializa\u00e7\u00e3o dos qu\u00edmicos subiu 135% em uma d\u00e9cada, conforme mostrado nos novos registros publicados pelo Minist\u00e9rio da Agricultura. Apenas este ano, a pasta aprovou 169 novos produtos agrot\u00f3xicos e publicou a libera\u00e7\u00e3o de outros 197 registros. <\/p>\n<p>Hoje s\u00e3o 2.263 produtos agrot\u00f3xicos no mercado, e um uso anual de mais de 500 mil toneladas, segundo o Ibama. Os venenos podem entrar no corpo por meio de contato com a pele, mucosa, pela respira\u00e7\u00e3o e pela ingest\u00e3o. O risco \u00e9 crescente devido \u00e0 dificuldade em retirar os pesticidas dos alimentos e at\u00e9 mesmo da \u00e1gua. <\/p>\n<p>Segundo pesquisadores consultados pela reportagem, ainda n\u00e3o h\u00e1 no mercado m\u00e9todos que retirem totalmente o agrot\u00f3xico da \u00e1gua \u2013 o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de as autoridades monitorarem a qualidade da \u00e1gua. <\/p>\n<p>J\u00e1 no caso dos alimentos, deixar os produtos de molho na \u00e1gua sanit\u00e1ria, bicarbonato de s\u00f3dio ou vinagre pode ajudar a retirar os t\u00f3xicos impregnados nas cascas \u2013 mas a medida n\u00e3o tem efeito nos casos em que o veneno chega \u00e0 parte interna do produto. &nbsp;<\/p>\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/04\/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu\/\" target=\"_blank\">Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a> dentro do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Vigil\u00e2ncia da Qualidade da \u00c1gua para Consumo Humano (Sisagua), mais de 1.300 cidades encontraram res\u00edduos de agrot\u00f3xicos na \u00e1gua que sai das torneiras em medi\u00e7\u00f5es feitas entre 2014 e 2017. Embora a maioria esteja abaixo do limite legal permitido no Brasil, n\u00e3o existem estudos sobre o potencial da mistura de diferentes agentes qu\u00edmicos. \u00a0<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/pedrofranca-agencia-senado-800x594.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40449\" \/><figcaption>De acordo com os pesquisadores ouvidos pela reportagem, ainda n\u00e3o h\u00e1 no mercado m\u00e9todos que retirem totalmente o agrot\u00f3xico da \u00e1gua (Foto: Pedro Franca\/Ag\u00eancia Senado)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O levantamento tamb\u00e9m descobriu que dentre os 5.570 munic\u00edpios brasileiros, 2.931 n\u00e3o realizaram testes na sua \u00e1gua entre 2014 e 2017. &nbsp;<\/p>\n<p>A maioria dos filtros encontrados no mercado, como o de barro, n\u00e3o t\u00eam capacidade de retirar os agrot\u00f3xicos. \u201cUma vez que o pesticida chega na \u00e1gua, ainda n\u00e3o se tem um processo bem substanciado e que garanta que o cidad\u00e3o possa us\u00e1-lo para fazer a purifica\u00e7\u00e3o\u201d, diz o professor Ant\u00f4nio da Hora, que ministra disciplina de Recursos H\u00eddricos no Departamento de Engenharia Agr\u00edcola e Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF). <\/p>\n<p>O motivo s\u00e3o as transforma\u00e7\u00f5es sofridas pelo pesticida. \u201cQuando o princ\u00edpio ativo cai na \u00e1gua de um rio, que pode servir de fonte de abastecimento, as mol\u00e9culas sofrem v\u00e1rios processos qu\u00edmicos e microbiol\u00f3gicos. A degrada\u00e7\u00e3o se d\u00e1 via luz do solar, al\u00e9m da oxida\u00e7\u00e3o, e a mol\u00e9cula produz outros compostos, chamados de subprodutos. Um agrot\u00f3xico pode ter um, dois, tr\u00eas ou at\u00e9 mais subprodutos\u201d, explica a&nbsp;professora e pesquisadora do Departamento de Qu\u00edmica da Universidade Estadual de Londrina Maria Josef\u00e1 Yabe.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, o professor de Recursos H\u00eddricos da UFF Ant\u00f4nio da Hora informa que a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa entrar em p\u00e2nico sobre a presen\u00e7a de pesticida na \u00e1gua. \u201cN\u00e3o vejo esse sintoma a n\u00edvel nacional. Talvez em uma regi\u00e3o pontual ou outra, pr\u00f3ximas \u00e0s \u00e1reas de produ\u00e7\u00e3o [agr\u00edcola]. Se voc\u00ea v\u00ea as resolu\u00e7\u00f5es do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) que d\u00e3o o limite m\u00e1ximo de agrot\u00f3xico na \u00e1gua, vemos que estamos bem abaixo\u201d, explica. <\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/apublica.org\/2019\/04\/coquetel-com-27-agrotoxicos-foi-achado-na-agua-de-1-em-cada-4-municipios-consulte-o-seu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">De acordo com dados do Sisagua<\/a>, 0,3% de todos os casos de pesticidas detectados na \u00e1gua entre 2014 a 2017 ultrapassaram o n\u00edvel considerado seguro para cada subst\u00e2ncia, de acordo com o limite legal brasileiro. Os limites brasileiros, por\u00e9m, s\u00e3o inferiores aos europeus. Do total de torneiras brasileiras contaminadas, 12% estavam acima do limite considerado seguro na Uni\u00e3o Europeia.<\/p>\n<h1>\u00c1gua engarrafada<\/h1>\n<p>Segundo especialistas, nem mesmo a \u00e1gua mineral seria totalmente segura, pois o recurso \u00e9 retirado de mananciais subterr\u00e2neos ou nascentes, que n\u00e3o deixam de ser suscet\u00edveis a contamina\u00e7\u00e3o. Entretanto, no caso de \u00e1gua mineral engarrafada, o produto precisa passar por uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa antes de chegar ao mercado. A cada tr\u00eas anos as empresas precisam apresentar \u00e0 Anvisa uma an\u00e1lise completa da mercadoria. <\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/documents\/33916\/394219\/RDC_274_2005.pdf\/19d98e61-fa3b-41df-9342-67e0167bf550\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 274 de 22 de setembro de 2005 da Anvisa<\/a>, que regulamenta a venda de \u00e1guas envasadas e gelo no Brasil, define limites m\u00e1ximos permitidos das subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que representam risco \u00e0 sa\u00fade, inclusive de agrot\u00f3xicos. O glifosato, por exemplo, tem como toler\u00e2ncia 500 micrograma por litro. <\/p>\n<p>Por\u00e9m, um novo fabricante que pretenda vender \u00e1gua mineral n\u00e3o precisa passar por um processo de registro para colocar o produto no mercado, basta comunicar o \u00f3rg\u00e3o de vigil\u00e2ncia local sobre o in\u00edcio da fabrica\u00e7\u00e3o. \u201cPara as \u00e1guas envasadas, o foco das a\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias est\u00e1 no controle p\u00f3s-mercado, quando j\u00e1 est\u00e3o em comercializa\u00e7\u00e3o. Ressalta-se que todo estabelecimento que exerce atividade na \u00e1rea de alimentos deve ser inspecionado e licenciado pela vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria local\u201d, informou a Anvisa \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o do produto pode ocorrer durante a realiza\u00e7\u00e3o de atividades programadas ou como resultado den\u00fancias, diz a ag\u00eancia fiscalizadora.<\/p>\n<h1>Cuidados que podem ser tomados com os alimentos em casa<\/h1>\n<p>Diferentemente da \u00e1gua, h\u00e1 modos simples de retirar os agrot\u00f3xicos impregnados em alimentos. A pr\u00f3pria Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) <a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/duvidas-sobre-agrotoxicos-em-alimentos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">tem um guia na p\u00e1gina oficial onde d\u00e1 recomenda\u00e7\u00f5es<\/a>, mas destaca que os m\u00e9todos n\u00e3o surtem efeito nos casos em que o pesticida s\u00e3o absorvidos para a parte interna do alimento. <\/p>\n<p>Na p\u00e1gina, a ag\u00eancia ligada ao Minist\u00e9rio da Sa\u00fade recomenda \u201cadquirir alimentos org\u00e2nicos ou provenientes de sistemas agroecol\u00f3gicos, assim como os chamados alimentos da \u2018\u00e9poca\u2019 (safra), que costumam receber, em m\u00e9dia, carga menor de agroqu\u00edmicos\u201d. O guia explica que os pesticidas podem ser classificados em dois modos de a\u00e7\u00e3o, os sist\u00eamicos e de contato. O primeiro grupo atua no interior das folhas e polpas, penetrando nelas. J\u00e1 os de contato agem, principalmente, nas partes externas do vegetal, embora uma quantidade possa ser absorvida pelas partes internas. Com isso, lavar e retirar as cascas e folhas contribuem para a retirada de parte dos pesticidas, por\u00e9m s\u00e3o incapazes de eliminar aqueles contidos no interior do alimento.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Arquivo-Equipe-de-Biologia-Sint\u00e9tica-da-Universidade-Federal-do-Rio-Grande-do-Sul-UFRGS-2-800x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40447\" \/><figcaption>O GlyFloat \u00e9 um projeto da equipe de Biologia Sint\u00e9tica da UFRGS (Foto: Arquivo UFRGS)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os produtos sist\u00eamicos s\u00e3o preferidos por muitos agricultores, e s\u00e3o usados principalmente quando a necessidade de atingir o alvo (erva daninha, fungo ou praga) \u00e9 maior. O produto tamb\u00e9m rende mais. Enquanto \u00e9 necess\u00e1rio mais de 70 gotas por cent\u00edmetro quadrado de um fungicidas de contato, a quantidade usada do sist\u00e9mico varia entre 30 e 50 gotas. <\/p>\n<p>A Anvisa indica a imers\u00e3o pr\u00e9via dos alimentos por 20 minutos em \u00e1gua com hipoclorito de s\u00f3dio (\u00e1gua sanit\u00e1ria), que pode diminuir tamb\u00e9m a contamina\u00e7\u00e3o por germes e micr\u00f3bios. <\/p>\n<p>\u201cO hipoclorito de s\u00f3dio \u00e9 um bom oxidante, auxilia na preserva\u00e7\u00e3o do alimento que vai ser consumido in natura e na retirada dos agrot\u00f3xicos que n\u00e3o penetram no fruto. Com isso, os pesticidas concentrados na casca s\u00e3o minimizados\u201d, explica a professora Maria Hosana Concei\u00e7\u00e3o da Faculdade de Farm\u00e1cia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). A professora destaca que o cloro \u00e9 prejudicial a sa\u00fade humana, por isso depois de deixar o alimento de molho \u00e9 necess\u00e1rio lav\u00e1-lo com \u00e1gua corrente para retirar totalmente os res\u00edduos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a especialista indica tamb\u00e9m a utiliza\u00e7\u00e3o do bicarbonato de s\u00f3dio. \u201c\u00c9 um produto que vai proteger o alimento e pode reagir com alguns agrot\u00f3xicos que n\u00e3o penetram o fruto, diminuindo a exposi\u00e7\u00e3o alimentar. E o bicarbonato tem uma base fraca. Usado at\u00e9 mesmo para minimizar a acidez do est\u00f4mago, ele n\u00e3o traz o risco \u00e0 sa\u00fade que consumir o cloro traz. N\u00e3o vai danificar o alimento e ainda minimiza o risco de exposi\u00e7\u00e3o aos pesticidas\u201d, pontua. &nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Arquivo-Equipe-de-Biologia-Sint\u00e9tica-da-Universidade-Federal-do-Rio-Grande-do-Sul-UFRGS-1-800x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40448\" \/><figcaption>Em outubro, o grupo vai participar do International Genetically Engineered Machine, uma das maiores competi\u00e7\u00f5es de biologia sint\u00e9tica mundial (Foto: Arquivo UFRGS)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h1>Projetos promissores<\/h1>\n<p>Com o avan\u00e7o da tecnologia, produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas est\u00e3o sendo desenvolvidas no Brasil e no mundo para tentar acabar totalmente com a contamina\u00e7\u00e3o causada por agrot\u00f3xicos nos alimentos e nos l\u00edquidos ingeridos. <\/p>\n<p>Um desses projetos \u00e9 o GlyFloat, uma esp\u00e9cie de filtro-boia com microrganismos programados biologicamente para degradar res\u00edduos de glifosato, o agrot\u00f3xico mais utilizado no Brasil, com mais de 173 mil toneladas vendidas apenas em 2017. <\/p>\n<p>O projeto \u00e9 da Equipe de Biologia Sint\u00e9tica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), um jovem time de 17 alunos dos cursos de Biotecnologia, Biologia, Engenharia F\u00edsica e Design de Produto com m\u00e9dia de idade entre 20 e 22 anos. <\/p>\n<p>A estudante de biotecnologia Deborah Schafhauser, 22 anos, explica que a ideia do projeto surgiu quando eles perceberam a dificuldade que as esta\u00e7\u00f5es de tratamento de \u00e1gua tinham para retirar o glifosato no Rio Grande do Sul. \u201cVimos a oportunidade de alinhar o nosso conhecimento com as ferramentas que t\u00ednhamos dentro da universidade para criar o produto\u201d, explica. <\/p>\n<p>O projeto consiste em utilizar uma bact\u00e9ria isolada da esp\u00e9cie Escherichia coli da linha K12 \u2013 que habita naturalmente no intestino de humanos e de alguns animais. Trata-se de uma das bact\u00e9rias mais utilizadas na bioengenharia e microbiologia industrial. <\/p>\n<p>\u201cIdentificamos que o metabolismo dessa bact\u00e9ria possui a capacidade de degradar o glifosato. Ent\u00e3o, o objetivo do projeto \u00e9 fazer com que a bact\u00e9ria sinta necessidade de degradar o herbicida e assim conseguimos remov\u00ea-lo da \u00e1gua\u201d, explica. A bact\u00e9ria \u00e9 colocada dentro de um filtro. \u201cElas ficaram fixas no filtro, que vai ficar um rio ou esta\u00e7\u00e3o de tratamento, como uma boia\u201d, completa.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Cria\u00e7\u00e3o-Equipe-de-Biologia-Sint\u00e9tica-da-Universidade-Federal-do-Rio-Grande-do-Sul-UFRGS-800x600.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40450\" \/><figcaption>O GlyFloat \u00e9 uma esp\u00e9cie de filtro-boia com microrganismos programados biologicamente para degradar res\u00edduos de glifosato, o agrot\u00f3xico mais utilizado no Brasil<br \/>\n(Foto: Arquivo UFRGS)<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O projeto ainda est\u00e1 em fase de desenvolvimento, mas em outubro deste ano ganhar\u00e1 o mundo em uma das maiores competi\u00e7\u00f5es de biologia sint\u00e9tica do planeta, o <em>International Genetically Engineered Machine<\/em>, a Competi\u00e7\u00e3o Internacional de Engenharia de Sistemas Biol\u00f3gicos, em Boston. Para bancar a viagem aos Estados Unidos e os custos do projeto, a equipe fez uma campanha de financiamento coletivo pela internet, onde conseguiram arrecadar cerca de R$ 32 mil. <\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s a competi\u00e7\u00e3o, continuaremos as discuss\u00f5es sobre o futuro do projeto. Gostar\u00edamos de aplicar no mercado, levar as companhias de saneamento e assim tentar fazer o projeto chegar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Mas antes disso estamos focados em identificar os pontos a serem conclu\u00eddos para entregar o melhor material\u201d, conclui Deborah.<\/p>\n<h1>Espuma que absorve agrot\u00f3xicos<\/h1>\n<p>Outro <a href=\"http:\/\/www.bibliotecadigital.ufmg.br\/dspace\/handle\/1843\/BUBD-AX9LYG\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">projeto inovador vem da Universidade Federal de Minas Gerais<\/a> e \u00e9 liderado pela p\u00f3s-doutoranda em Engenharia Metal\u00fargica e de Materiais Marys Braga Almeida. Consiste em utilizar poliuretano \u2013 conhecido pelo uso em espumas, como nas buchas para banho \u2013 para retirar agrot\u00f3xicos da \u00e1gua e de alimentos. \u201cA ideia come\u00e7ou a ser executada no meu doutorado. O objetivo era criar esse material que pudesse retirar contaminantes org\u00e2nicos da \u00e1gua, como o pesticida, e que tamb\u00e9m fosse sustent\u00e1vel, podendo ser utilizado mais de uma vez\u201d, explica.<\/p>\n<p>Sua equipe conseguiu desenvolver uma espuma com reagentes de poliuretano de origem vegetal. \u201cA metodologia consiste em imergir a espuma dentro do sistema, onde ele fica em contato com a \u00e1gua. Deixamos por um determinado prazo, e depois retiramos a espuma. No caso de alimentos, os colocamos dentro da \u00e1gua, junto da espuma\u201d, completa a pesquisadora Marys Braga. <\/p>\n<p>Ap\u00f3s isso, os exames comprovaram a remo\u00e7\u00e3o dos contaminantes da \u00e1gua. &nbsp;\u201cCom v\u00e1rios testes fomos aperfei\u00e7oando o projeto. Hoje, \u00e9 poss\u00edvel remover os herbicidas sem afetar os nutrientes dos alimentos. Conseguimos tamb\u00e9m utilizar a mesma esponja diversas vezes sem saturar o material, garantindo que ela continua a remover os res\u00edduos\u201d, afirma. A primeira etapa de testes foi feita com os herbicidas Atrazina e Trifluralin, utilizado em diversos planta\u00e7\u00f5es, como as de alho, berinjela, cebola, cenoura, couve-flor, feij\u00e3o e tomate.<\/p>\n<p>O projeto continua em desenvolvimento. \u201cA pesquisa precisa avan\u00e7ar mais para chegar at\u00e9 o consumidor. Temos contato com empresas privadas e companhias de saneamento para analisar a sua viabilidade em grande escala. \u00c9 um estudo que precisa avan\u00e7ar, mas estamos conseguindo \u00f3timos resultados\u201d, avalia a pesquisadora. <\/p>\n<\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<div class=\"wp-block-button aligncenter is-style-outline\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/portrasdoalimento.info\/\">Por tr\u00e1s do alimento<\/a><\/div>\n<p>Esta reportagem faz parte do projeto Por Tr\u00e1s do Alimento, uma parceria da Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil para investigar o uso de agrot\u00f3xicos. Clique para ler a cobertura completa no site do projeto. <\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/06\/e-possivel-eliminar-residuos-de-agrotoxicos-da-agua-e-dos-alimentos\/\">\u00c9 poss\u00edvel eliminar res\u00edduos de agrot\u00f3xicos da \u00e1gua e dos alimentos?<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brasileiro nunca consumiu tanto agrot\u00f3xico quanto hoje. O n\u00famero de produtores que usam pesticidas na planta\u00e7\u00e3o cresceu 20% em 10 anos, segundo o IBGE, enquanto a aprova\u00e7\u00e3o para comercializa\u00e7\u00e3o dos qu\u00edmicos subiu 135% em uma d\u00e9cada, conforme mostrado nos novos registros publicados pelo Minist\u00e9rio da Agricultura. 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