{"id":24818,"date":"2019-06-02T03:45:55","date_gmt":"2019-06-02T06:45:55","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/em-meio-a-apagao-medico-indigena-3-criancas-morrem-em-11-dias-no-xingu\/"},"modified":"2019-06-02T03:45:55","modified_gmt":"2019-06-02T06:45:55","slug":"em-meio-a-apagao-medico-indigena-3-criancas-morrem-em-11-dias-no-xingu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/em-meio-a-apagao-medico-indigena-3-criancas-morrem-em-11-dias-no-xingu\/","title":{"rendered":"Em meio a \u2018apag\u00e3o m\u00e9dico\u2019 ind\u00edgena, 3 crian\u00e7as morrem em 11 dias no Xingu"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o havia m\u00e9dicos na manh\u00e3 de 2 de abril para atender Milena Kaiabi, que nascera na aldeia Parana\u00edta, no Parque Ind\u00edgena do Xingu, norte de Mato Grosso. Com 4 dias de vida, a rec\u00e9m-nascida estava chorosa, febril e sem vontade de mamar, mas a enfermeira deslocada at\u00e9 a comunidade disse ser nada grave. A beb\u00ea morreria menos de um m\u00eas depois na cidade de Sinop, a 200 km de dist\u00e2ncia, por suspeita de meningite e v\u00edtima da \u201cconfus\u00e3o dos brancos\u201d.<\/p>\n<p>A express\u00e3o \u00e9 usada por Mairaw\u00ea Kaiabi, principal lideran\u00e7a de seu povo no Xingu, para retratar as pol\u00edticas p\u00fablicas para sa\u00fade ind\u00edgena no Brasil. O assunto nunca foi prioridade em Bras\u00edlia, \u201cmas nesse novo governo piorou muito, piorou de vez\u201d, ele diz. A sa\u00edda dos cubanos do programa Mais M\u00e9dicos, em novembro do ano passado, e o corte de verbas da Secretaria Especial de Sa\u00fade Ind\u00edgena (Sesai), ambas decis\u00f5es da gest\u00e3o do presidente Jair Bolsonaro, agravaram a j\u00e1 prec\u00e1ria assist\u00eancia nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09710-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40338\" \/><figcaption>Makatu, 23, e Severina Kaiabi, 16, pais da rec\u00e9m-nascida Milena Kaiabi, que morreu em Sinop ap\u00f3s esperar 15 dias por uma vaga em UTI neonatal (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m de m\u00e9dicos, faltam rem\u00e9dios como antibi\u00f3ticos e anestesias, o que compromete atendimentos b\u00e1sicos e demanda custosos resgates a\u00e9reos, fluviais e terrestres at\u00e9 as cidades. O combust\u00edvel tamb\u00e9m \u00e9 insuficiente para as emerg\u00eancias. Por conta dos cortes, funcion\u00e1rios da sa\u00fade com sal\u00e1rios atrasados abandonaram seus postos \u2013 ou trabalham voluntariamente. O caos parece instalado nos territ\u00f3rios ind\u00edgenas, mas quando eles recorrem \u00e0 cidade, o SUS pode ser ainda mais cruel. <\/p>\n<p>As mortes de tr\u00eas beb\u00eas kaiabis no intervalo de 11 dias em abril revelam como o Brasil cuida da sa\u00fade de suas crian\u00e7as ind\u00edgenas. Jaqueline Kaiabi, de 2 meses, morreu de pneumonia no Hospital Geral de Cuiab\u00e1, mais de um m\u00eas ap\u00f3s entrar na infinita espera por uma cirurgia card\u00edaca. Nare Pedro, de 2 anos, morreu ap\u00f3s sua luta contra a desnutri\u00e7\u00e3o esbarrar em uma pneumonia maltratada. J\u00e1 Milena viveu por apenas 28 dias. Se no parque ind\u00edgena n\u00e3o havia m\u00e9dicos para ela, nas ricas cidades mato-grossenses n\u00e3o tinham vagas nos hospitais. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09002-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40339\" \/><figcaption>Um gerador garante quatro horas de energia el\u00e9trica por dia na Aldeia Sobradinho, quando s\u00e3o realizados servi\u00e7os como a inala\u00e7\u00e3o (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Sentado sobre um saco de castanhas na aldeia onde Milena nasceu e est\u00e1 agora enterrada, Makatu Kaiabi, 23 anos, diz em voz baixa que n\u00e3o entende como perdeu a filha. Seu relato, no idioma kaiabi, \u00e9 traduzido por um ind\u00edgena que mora na regi\u00e3o. Ao lado da mulher, Severina, 16, e do primog\u00eanito Tairu, 2, Makatu conta que a filha continuou \u201cirritada\u201d nos dias seguintes \u00e0 consulta com a enfermeira. <\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\">\n<p>A prefeitura de Sinop est\u00e1 recusando atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena  na rede municipal da sa\u00fade p\u00fablica<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A fam\u00edlia decidiu ent\u00e3o levar a rec\u00e9m-nascida at\u00e9 o polo Diauarum, refer\u00eancia de sa\u00fade no m\u00e9dio Xingu. Milena ficou internada por cinco dias, segundo o pai, sem passar por m\u00e9dicos nem por exames mais complexos. Sem diagn\u00f3stico. <\/p>\n<p>Uma segunda enfermeira, rec\u00e9m-chegada ao Diauarum com a equipe de vacina\u00e7\u00e3o, reavaliou a beb\u00ea e pediu sua transfer\u00eancia imediata. Milena chegou a Sinop aos 11 dias de vida em estado grave, com infec\u00e7\u00e3o generalizada, segundo boletim m\u00e9dico. <\/p>\n<h1>Cortes na sa\u00fade<\/h1>\n<p>Os 7.500 \u00edndios das 16 etnias que vivem no Xingu ficaram sem m\u00e9dicos no in\u00edcio de novembro, quando Jair Bolsonaro, ent\u00e3o presidente eleito, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2018\/11\/com-eleicao-de-bolsonaro-cuba-anuncia-fim-da-parceria-com-brasil-no-mais-medicos.shtml\">anunciou o fim da parceria<\/a> que permitia a atua\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos cubanos no Brasil pelo programa Mais M\u00e9dicos. A decis\u00e3o do novo governo afetou diretamente o atendimento nas aldeias, pois dos 372 m\u00e9dicos que trabalhavam em terras ind\u00edgenas, <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2018\/11\/saude-indigena-perdera-301-de-seus-372-medicos-com-a-saida-de-cubanos.shtml\">301 eram cubanos<\/a>, incluindo os seis do Xingu.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09567-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40344\" \/><figcaption>Por falta de anestesia, Tymaekat Kaiabi, de 3 anos, n\u00e3o foi suturado na aldeia e precisou ir at\u00e9 a cidade para fechar os pontos (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade levou mais de cinco meses para contratar os seis novos m\u00e9dicos para o parque ind\u00edgena, a maioria brasileiros formados no exterior. A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> apurou que um deles j\u00e1 desistiu da vaga e outro est\u00e1 afastado por licen\u00e7a m\u00e9dica, o que impactou o atendimento em Diauarum no in\u00edcio de abril, quando Milena esteve ali. Questionado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o confirma se h\u00e1 atualmente um m\u00e9dico no local. A pasta diz que, das 372 vagas, 354 est\u00e3o ocupadas e 18 foram oferecidas no edital de maio do Mais M\u00e9dicos.<\/p>\n<p>Para piorar, a Sesai congelou parte dos recursos repassados aos 34 Distritos Sanit\u00e1rios Ind\u00edgenas do pa\u00eds, respons\u00e1veis pela aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria aos 900 mil ind\u00edgenas brasileiros. A justificativa para os cortes s\u00e3o <a aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/materias\/2019\/03\/27\/mandetta-afirma-que-vai-reunir-liderancas-de-etnias-para-discutir-saude-indigena\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">suspeitas de corrup\u00e7\u00e3o<\/a> em contratos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o, como superfaturamento em aluguel de carros e avi\u00f5es. <\/p>\n<p>As tarefas e os contratos s\u00e3o geridos por oito organiza\u00e7\u00f5es sociais conveniadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. A pasta n\u00e3o revela o montante bloqueado desde janeiro de 2019, que afetou principalmente o pagamento de trabalhadores da sa\u00fade que atendem as comunidades ind\u00edgenas. Em 2018, o governo brasileiro gastou R$ 1,6 bilh\u00e3o com o programa de sa\u00fade ind\u00edgena \u2013 sendo <a aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.correiodoestado.com.br\/cidades\/de-r14-bilhao-destinado-a-saude-indigena-r-650-milhoes-sao-para\/346639\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">45% repassados para as conveniadas<\/a>. At\u00e9 23 de maio deste ano, os gastos somavam R$ 490 milh\u00f5es \u2013 valor 25% abaixo da m\u00e9dia mensal do ano passado. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09614-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40345\" \/><figcaption>Medicamentos armazenados ao lado de cartuchos de espingarda em aldeia \u00e0s margens do rio Arraias (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cO atendimento prestado pelos profissionais dentro do territ\u00f3rio ind\u00edgena foi o mais prejudicado. Foram 3 meses de sal\u00e1rios atrasados, ent\u00e3o alguns ficaram sem saber se trabalhavam ou n\u00e3o\u201d, disse Loike Kalapalo, presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena do Xingu, que atua na fiscaliza\u00e7\u00e3o do conv\u00eanio. &nbsp;Os atrasos nos pagamentos voltaram a se repetir em maio.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas e suas lideran\u00e7as dizem que h\u00e1 muitos anos denunciam as fraudes nos contratos com as conveniadas. \u201cIsso acontece em raz\u00e3o das indica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para cargos de gest\u00e3o na sa\u00fade ind\u00edgena. O ministro Luiz Henrique Mandetta tem todos os meios para investigar esses casos. O que ele n\u00e3o pode \u00e9 prejudicar as comunidades ind\u00edgenas e sustar contratos e repasses\u201d, diz Eloy Terena, assessor jur\u00eddico da Articula\u00e7\u00e3o dos Povos Ind\u00edgenas do Brasil (Apib).<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cA municipaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o fim do nosso povo\u201d, diz Matari Kaiabi, coordenador do posto de sa\u00fade da aldeia Sobradinho, no Xingu<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que passou por \u201cdificuldades jur\u00eddicas\u201d para realizar os pagamentos \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es sociais. \u201cOs recursos destinados \u00e0s entidades conveniadas j\u00e1 foram autorizados. No entanto, o cronograma de execu\u00e7\u00e3o financeira dos recursos para as entidades Miss\u00e3o Evang\u00e9lica Caiu\u00e1, SPDM e IMIP est\u00e1 sendo ajustado junto ao Fundo Nacional de Sa\u00fade. O pagamento das parcelas deve ser realizado at\u00e9 o fim de maio. \u00c9 importante ressaltar que n\u00e3o houve interrup\u00e7\u00e3o de atividades nos 34 DSEIs\u201d, diz a pasta, em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> (<a aria-label=\"veja o posicionamento completo (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/06\/apagao-medico-no-xingu-leia-o-posicionamento-completo-do-ministerio-da-saude\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">veja o posicionamento completo<\/a>).  <\/p>\n<h1>Beb\u00eas sob amea\u00e7a<\/h1>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09429-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40346\" \/><figcaption>No Xingu, a taxa de mortalidade infantil \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia nacional. Infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias em crian\u00e7as desnutridas \u00e9 a principal causa das mortes  (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<br \/><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Na falta de m\u00e9dicos, enfermeiros e t\u00e9cnicos de enfermagem assumem a linha de frente dos atendimentos, auxiliados por agentes ind\u00edgenas de sa\u00fade. Os AIS, como esses profissionais s\u00e3o chamados, atuam nas comunidades e mant\u00eam comunica\u00e7\u00e3o permanente com o polo de sa\u00fade, via r\u00e1dio. S\u00e3o a refer\u00eancia m\u00e9dica no territ\u00f3rio ind\u00edgena. <\/p>\n<p>Um deles \u00e9 Wyrasingi Kaiabi, 34 anos, que enfrentou um surto de pneumonia nas comunidades localizadas nos rios Arraias e Manito, a oeste do rio Xingu. Trazida por ind\u00edgenas que retornavam de atendimento m\u00e9dico na cidade, a doen\u00e7a se espalhou rapidamente durante o m\u00eas abril, atingindo ao menos 35 crian\u00e7as ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias graves s\u00e3o comuns em terras ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, principalmente no in\u00edcio do ano, com a temporada de chuvas. Mas em 2019 a infec\u00e7\u00e3o que atingiu essa regi\u00e3o parecia mais forte, evoluindo para uma pneumonia grave em um ou dois dias, segundo relatos de ind\u00edgenas que trabalham na sa\u00fade. Apesar disso, as mortes por pneumonia s\u00e3o consideradas \u201cevit\u00e1veis\u201d, segundo o m\u00e9dico Clayton Coelho, do Projeto Xingu, programa de sa\u00fade da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) que trabalha no parque h\u00e1 mais de 50 anos. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09250-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40347\" \/><figcaption>Kalebe My&#8217;au Kaiabi nasceu com uma malforma\u00e7\u00e3o na perna direita e aguarda para fazer cirurgia em S\u00e3o Paulo (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Formado pelo projeto, Wyrasingi \u00e9 capacitado para reconhecer a pneumonia e iniciar o tratamento ainda na aldeia. Em meados de abril, por\u00e9m, n\u00e3o havia o antibi\u00f3tico mais adequado para combater a doen\u00e7a em crian\u00e7as, a amoxicilina. \u201cTinha muita gente doente e o rem\u00e9dio acabou\u201d, diz ele, que atua na aldeia Sobradinho, a maior da regi\u00e3o, com 150 moradores. Ali h\u00e1 um improvisado posto de sa\u00fade, que serve como ponto de apoio por sua localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica: est\u00e1 a quatro horas de carro do munic\u00edpio de Marcel\u00e2ndia. <\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o de medicamentos nas aldeias \u00e9 responsabilidade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, por meio dos distritos sanit\u00e1rios ind\u00edgenas. Com os cortes de verbas neste ano, diminuiu tamb\u00e9m a remessa de rem\u00e9dios. Os lotes que chegam ao Diauarum n\u00e3o s\u00e3o suficientes para abastecer as comunidades, desfalcando o Sobradinho de anestesias e antibi\u00f3ticos. <\/p>\n<p>Sem o tratamento adequado, o pequeno Nare Pedro Kaiabi, de 2 anos, piorou na aldeia. Com hist\u00f3rico de baixo peso e fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, ele foi transferido para Marcel\u00e2ndia e depois para Col\u00edder, mas n\u00e3o resistiu \u00e0 pneumonia. Morreu em 18 de abril, v\u00e9spera do Dia do \u00cdndio.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09283-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40348\" \/><figcaption>A popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena vive da ca\u00e7a de animais, como macacos, pacas e queixadas, al\u00e9m da pesca e da agricultura  (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Dos 461 beb\u00eas que nasceram no Xingu nos \u00faltimos quatro anos, 20 morreram antes de completarem um ano. A taxa de mortalidade infantil no per\u00edodo, de 43 \u00f3bitos por mil habitantes, \u00e9 tr\u00eas vezes maior do que a m\u00e9dia brasileira, de 13. A taxa geral das terras ind\u00edgenas no Brasil \u00e9 de 30, segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. <\/p>\n<p>As causas mais frequentes para as mortes s\u00e3o infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, desnutri\u00e7\u00e3o, diarreia, m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o, falta de saneamento e a prec\u00e1ria assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, explica Coelho.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que \u201ctem  intensificado a vigil\u00e2ncia do \u00f3bito em todos os DSEIs, com o objetivo de promover a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materno-infantil\u201d, e que \u201crealiza uma s\u00e9rie de a\u00e7\u00f5es voltadas ao combate da mortalidade infantil ind\u00edgena, como a vigil\u00e2ncia alimentar e nutricional, al\u00e9m da imuniza\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as\u201d. A pasta afirma ainda que enviou o antibi\u00f3tico amoxicilina at\u00e9 o polo Diauarum. Os funcion\u00e1rios da sa\u00fade na aldeia Sobradinho, no entanto, alegam que o medicamento n\u00e3o havia chegado at\u00e9 a aldeia, no in\u00edcio de abril, quando Nare Pedro pegou a pneumonia.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cO ministro Luiz Henrique Mandetta tem todos os meios para investigar as suspeitas de fraude. O que ele n\u00e3o pode \u00e9 prejudicar as comunidades ind\u00edgenas e sustar contratos e repasses\u201d, diz Eloy Terena, da Apib<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outro grupo sens\u00edvel nas aldeias s\u00e3o as gestantes. Numa tarde quente de domingo, Naiara Kaiabi, de 33 anos, come\u00e7ou a sentir fortes dores no baixo ventre e dificuldades para caminhar. Com 32 semanas de gesta\u00e7\u00e3o do quarto filho e risco de parto prematuro, ela encarou tr\u00eas horas de barco \u00e0 noite at\u00e9 Sobradinho, em viagem guiada por um ind\u00edgena volunt\u00e1rio, j\u00e1 que o barqueiro oficial abandonou o posto ap\u00f3s tr\u00eas meses de sal\u00e1rios atrasados.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP00039-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40349\" \/><figcaption>A gestante Naiara, de 32 semanas, deixa o Parque Ind\u00edgena do Xingu de madrugada, acompanhada da m\u00e3e, do marido e dos tr\u00eas filhos, para uma viagem de 4 horas at\u00e9 o hospital mais pr\u00f3ximo (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Depois foram mais 130 km de terra at\u00e9 Marcel\u00e2ndia. Numa caminhonete do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o motorista volunt\u00e1rio levou quatro horas para superar a estrada encharcada e esburacada. O resgate, acompanhado pela reportagem, terminou \u00e0s 4h da madrugada na emerg\u00eancia do Hospital Municipal Maria Z\u00e9lia. \u201cEu fiquei enjoada na viagem de carro, mas agora estou me sentindo bem\u201d, disse Naiara no dia seguinte, j\u00e1 sem dores e com um sorriso no rosto. <\/p>\n<h1>Na cidade, o caos<\/h1>\n<p>O apag\u00e3o m\u00e9dico nas aldeias obriga os ind\u00edgenas do Xingu a procurar assist\u00eancia nas \u00e1reas urbanas, onde prefeituras e o governo de Mato Grosso tamb\u00e9m enfrentam uma situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica. Em algumas cidades, as prefeituras pro\u00edbem o atendimento de sa\u00fade a ind\u00edgenas. \u201cAntigamente t\u00ednhamos um mini-hospital dentro do Xingu e a popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o sa\u00eda tanto. Agora sai muito para a cidade, mas n\u00e3o est\u00e1 adiantando. As pessoas est\u00e3o morrendo\u201d, diz o cacique Siraw\u00ea Kaiabi, 69 anos. <\/p>\n<p>Nascido em uma aldeia que n\u00e3o existe mais, nos arredores da cidade de Sinop, Siraw\u00ea e sua fam\u00edlia foram levados de suas terras h\u00e1 mais de 50 anos para viver no oeste do Xingu, em raz\u00e3o de conflitos com os seringalistas que ocupavam a fronteira mato-grossense da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09914-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40352\" \/><figcaption>Yrupi Kaiabi e a mulher, Rykato Kaiabi, acompanhada de quatro filhos e duas sobrinhas. Eles s\u00e3o pais de Jaqueline, que morreu em Cuiab\u00e1, enquanto esperava por uma vaga no SUS para operar o cora\u00e7\u00e3o (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Conhecida como \u201ca capital do Nort\u00e3o\u201d, Sinop \u00e9 uma das cidades agr\u00edcolas mais ricas do pa\u00eds. Criada nos anos 1970 no rastro da BR-163 (Cuiab\u00e1-Santar\u00e9m), a cidade de voca\u00e7\u00e3o madeireira viu a Amaz\u00f4nia do entorno ser transformada em enormes fazendas de gado e planta\u00e7\u00f5es de soja e milho.<\/p>\n<p>A riqueza, por\u00e9m, n\u00e3o alcan\u00e7a os servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade. Desde janeiro, a prefeitura local pro\u00edbe os pacientes ind\u00edgenas de serem atendidos na UBS e no centro m\u00e9dico da cidade, onde at\u00e9 o ano passado cerca de 40 \u00edndios faziam exames e passavam por m\u00e9dicos especialistas todos os meses. \u201cIsso vai explodir em \u00f3bitos l\u00e1 na frente\u201d, diz uma funcion\u00e1ria da sa\u00fade ind\u00edgena, que prefere n\u00e3o ser identificada por temer repres\u00e1lias.<\/p>\n<p>O secret\u00e1rio de sa\u00fade de Sinop, Gerson Danzer, admite o fim dos atendimentos na rede municipal e diz que um dos motivos \u00e9 o fato de a cidade n\u00e3o contar com terras ind\u00edgenas em seu per\u00edmetro. \u201cHoje, Sinop n\u00e3o recebe recursos do Estado nem da esfera federal para atender os ind\u00edgenas, nem dos munic\u00edpios ao qual os ind\u00edgenas pertencem.\u201d, diz. O l\u00edder Mairaw\u00ea Kaiabi reconhece a falta de financiamento ao munic\u00edpio, mas lembra que os limites de Sinop t\u00eam presen\u00e7a ind\u00edgena desde muito antes do surgimento da cidade. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP08816-1-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40354\" \/><figcaption>Alojamento na Casai Sinop (Casa de Apoio \u00e0 Sa\u00fade Ind\u00edgena), que integra a estrutura de atendimento do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, recebendo paciente e familiares durante os atendimentos na cidade (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O atendimento m\u00e9dico se agrava no momento em que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade est\u00e1 rediscutindo o modelo da sa\u00fade ind\u00edgena. <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/decreto-n%C2%BA-9.795-de-17-de-maio-de-2019-108888708\">Decreto assinado por Bolsonaro no \u00faltimo dia 17 de maio<\/a> extinguiu cargos da Sesai e aboliu o departamento de gest\u00e3o da secretaria. A decis\u00e3o abre caminho para a pol\u00eamica \u201cmunicipaliza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade ind\u00edgena\u201d, que prev\u00ea transferir a gest\u00e3o do servi\u00e7o da Uni\u00e3o para os munic\u00edpios. O movimento ind\u00edgena <a href=\"https:\/\/www.socioambiental.org\/pt-br\/noticias-socioambientais\/povos-indigenas-realizam-grande-mobilizacao-nacional-contra-municipalizacao-da-saude\">tem sa\u00eddo \u00e0s ruas<\/a> desde fevereiro para criticar a proposta. \u201cA municipaliza\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o fim do nosso povo\u201d, diz Matari Kaiabi, coordenador do posto de sa\u00fade da aldeia Sobradinho.<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o se manifestou sobre os cortes de verbas, a municipaliza\u00e7\u00e3o, as mortes das crian\u00e7as no Xingu e o apag\u00e3o m\u00e9dico na sa\u00fade ind\u00edgena. <\/p>\n<p>No meio da \u201cconfus\u00e3o dos brancos\u201d, restou a Unidade de Pronto Atendimento de Sinop para receber a rec\u00e9m-nascida Milena, de 11 dias. Ela passou por m\u00e9dico, realizou exames e come\u00e7ou o tratamento contra a meningite. Com infec\u00e7\u00e3o generalizada, a beb\u00ea precisava de avalia\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica e um leito em UTI neonatal. <\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09901-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40355\" \/><figcaption>Yrupi Kaiabi mostra a imagem da filha, Jaqueline, no colo da mulher, Rykato Kaiabi. Jaqueline morreu enquanto estava internada no Hospital Geral de Cuiab\u00e1 (Foto: Avener Prado\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O pedido feito pela UPA, no entanto, foi negado pela Secretaria Estadual de Sa\u00fade por falta de vagas. \u201cA dificuldade por leitos de UTI \u00e9 uma quest\u00e3o latente em Mato Grosso, estado que, nos \u00faltimos meses, passa por uma situa\u00e7\u00e3o at\u00edpica envolvendo o fechamento de um hospital filantr\u00f3pico, que contava com 30 leitos de UTI\u201d, diz a secretaria em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que o \u00f3bito ainda est\u00e1 em investiga\u00e7\u00e3o e que a meningite n\u00e3o p\u00f4de ser confirmada porque n\u00e3o foi colhido o l\u00edquor da beb\u00ea em Sinop, procedimento padr\u00e3o em casos de suspeita da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Milena passou seus \u00faltimos 15 dias de vida internada na UPA. Exames revelaram aumento na press\u00e3o dentro do cr\u00e2nio. A crian\u00e7a apresentava reflexos diminu\u00eddos e sofria fortes espasmos. Uma liminar da Justi\u00e7a obrigava o governo estadual a internar a beb\u00ea. Mas de nada adiantou. Nem os hospitais particulares do Mato Grosso abriram as portas para a pequena \u00edndia brasileira. Quando Goi\u00e2nia acenou para o pedido, era tarde demais. Milena morreu em 23 de abril, cinco dias antes de completar um m\u00eas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09810-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40356\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP09634-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40357\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP00165-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40358\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/ANP08766-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40359\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/06\/em-meio-a-apagao-medico-indigena-3-criancas-morrem-em-11-dias-no-xingu\/\">Em meio a \u2018apag\u00e3o m\u00e9dico\u2019 ind\u00edgena, 3 crian\u00e7as morrem em 11 dias no Xingu<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o havia m\u00e9dicos na manh\u00e3 de 2 de abril para atender Milena Kaiabi, que nascera na aldeia Parana\u00edta, no Parque Ind\u00edgena do Xingu, norte de Mato Grosso. Com 4 dias de vida, a rec\u00e9m-nascida estava chorosa, febril e sem vontade de mamar, mas a enfermeira deslocada at\u00e9 a comunidade disse ser nada grave. A beb\u00ea [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24819,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[43],"class_list":["post-24818","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-central-noticias","tag-infoeconomico-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24818","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24818"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24818\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24818"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24818"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24818"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}