{"id":24069,"date":"2019-05-23T11:45:03","date_gmt":"2019-05-23T14:45:03","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/presidente-da-fundacao-renova-e-denunciado-pelo-ministerio-publico-por-comercio-ilegal-de-madeira-na-amazonia\/"},"modified":"2019-05-23T11:45:03","modified_gmt":"2019-05-23T14:45:03","slug":"presidente-da-fundacao-renova-e-denunciado-pelo-ministerio-publico-por-comercio-ilegal-de-madeira-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/presidente-da-fundacao-renova-e-denunciado-pelo-ministerio-publico-por-comercio-ilegal-de-madeira-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova \u00e9 denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico por com\u00e9rcio ilegal de madeira na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>Roberto Waack, diretor-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova, criada em 2016 para reparar os danos ambientais e sociais provocados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG), \u00e9 um dos denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Amazonas por participa\u00e7\u00e3o em um esquema fraudulento de com\u00e9rcio ilegal de madeira na Amaz\u00f4nia. <\/p>\n<p>Al\u00e9m de comandar a Funda\u00e7\u00e3o Renova, Waack foi um dos fundadores da empresa Amata \u2013 acusada ap\u00f3s ser flagrada pela Opera\u00e7\u00e3o Arquimedes, da Pol\u00edcia Federal e do Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, falsificando documentos para burlar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e exportar madeira extra\u00edda de \u00e1rea irregular. Waack foi s\u00f3cio da Amata at\u00e9 setembro de 2013, quando o esquema ilegal j\u00e1 ocorria, segundo den\u00fancia do procurador Leonardo de Faria Galiano. Waack seguiu no conselho administrativo at\u00e9 junho de 2016.<\/p>\n<p>A Amata foi um dos alvos da Opera\u00e7\u00e3o Arquimedes, que fez a maior apreens\u00e3o de madeira ilegal na hist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia quando, na primeira fase da opera\u00e7\u00e3o, em 2017, fiscais do Ibama apreenderam 458 cont\u00eaineres pertencentes a 63 empresas. Se as toras apreendidas fossem alinhadas, cobririam a dist\u00e2ncia de 1,5 mil quil\u00f4metros, equivalente ao percurso entre Goi\u00e2nia e Florian\u00f3polis.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/5_foto-policia-federal-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40258\" \/><figcaption>Primeira fase da Opera\u00e7\u00e3o Arquimedes fez a maior apreens\u00e3o de madeira ilegal da hist\u00f3ria da Amaz\u00f4nia (Foto: Pol\u00edcia Federal\/Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Desse total, 140 cont\u00eaineres estavam destinados \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o para Europa, \u00c1sia e Am\u00e9rica do Norte. Parte da madeira, o equivalente a cinco cont\u00eaineres, seria exportada pela Amata e vendida como se houvesse sido retirada de \u00e1reas de manejo florestal sustent\u00e1vel. Era, por\u00e9m, uma fraude, segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico, pois a Amata falsificava documentos sobre a origem das toras, o que foi poss\u00edvel constatar ap\u00f3s a apreens\u00e3o de documentos na segunda fase da opera\u00e7\u00e3o, realizada em abril deste ano. <\/p>\n<p>A Amata tinha autoriza\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o Florestal Brasileiro para comercializar madeira extra\u00edda da Floresta Nacional do Jamari, em Rond\u00f4nia, mas extrapolou a \u00e1rea em 3 mil hectares, segundo a den\u00fancia do Minist\u00e9rio P\u00fablico. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/www.mpf.mp.br\/am\/sala-de-imprensa\/docs\/acp-operacao-arquimedes-amata-s-a\" target=\"_blank\">a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica<\/a>tramita na 7\u00aa Vara Federal do Amazonas e aguarda decis\u00e3o sobre liminar que pede \u00e0 Amata o ressarcimento dos danos materiais ao meio ambiente, estimados em R$ 47,3 milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, pede o pagamento de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais coletivos no valor de R$ 10 milh\u00f5es. Para o procurador Galiano, Waack e os outros quatro denunciados ligados \u00e0 Amata s\u00e3o respons\u00e1veis solid\u00e1rios pelo dano e devem pagar caso a empresa n\u00e3o pague. <\/p>\n<p>\u201cTodos, pelas posi\u00e7\u00f5es ocupadas no quadro social empresarial, estariam no comando da Amata durante as fraudes, ditando seus rumos\u201d, afirma o procurador na a\u00e7\u00e3o. O MPF, segundo o procurador, aguarda o t\u00e9rmino das investiga\u00e7\u00f5es da Pol\u00edcia Federal para avaliar se ajuizar\u00e1 a\u00e7\u00f5es c\u00edveis, criminais e administrativas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/foto-agencia-camara-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40259\" \/><figcaption>Antes de comandar a Renova, Roberto Waack fez carreira em organiza\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 sustentabilidade (Foto: Will Shutter \/ C\u00e2mara dos Deputados \/ Divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O advogado Lucas Moraes, um dos respons\u00e1veis pela defesa de Roberto Waack, diz em nota que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o especifica quais foram os atos praticados por ele e nem justifica a identifica\u00e7\u00e3o dele como um dos administradores da Amata. Destaca ainda que Waack deixou a presid\u00eancia da entidade em agosto de 2013 e que renunciou ao cargo de conselheiro em junho de 2016, antes do in\u00edcio da investiga\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 plena convic\u00e7\u00e3o de que todas as suas atividades foram regulares e ser\u00e3o assim julgadas\u201d, afirma o advogado, em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. <\/p>\n<p>Em nota, a Amata afirma que \u00e9 um \u201cequ\u00edvoco\u201d a empresa estar entrar as companhias investigadas. \u201cSeguimos na certeza de que esse equ\u00edvoco ser\u00e1 esclarecido ao longo da apura\u00e7\u00e3o dos fatos\u201d. A nota diz ainda que a empresa: \u201cSegue os mais rigorosos padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e governan\u00e7a certificados por organiza\u00e7\u00f5es internacionais independentes. Nascemos para demonstrar que \u00e9 poss\u00edvel conciliar desenvolvimento econ\u00f4mico e manter a floresta em p\u00e9\u201d.<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/05\/integra-da-nota-da-amata\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" Leia aqui a nota na \u00edntegra (abre numa nova aba)\"> Leia aqui a nota na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n<h1>Esquentando a madeira<\/h1>\n<p>A ess\u00eancia da fraude estava em burlar o Documento de Origem Florestal (DOF). O documento deve acompanhar a madeira desde origem at\u00e9 o destino. Por\u00e9m, o Ibama analisou as guias do documento e constatou que a Amata emitiu DOF\u2019s de madeira nativa proveniente de duas \u00e1reas distintas e que as regi\u00f5es indicadas como exploradas eram pastagens, ou seja, sem \u00e1rvores para serem cortadas. <\/p>\n<p>A Opera\u00e7\u00e3o Arquimedes foi iniciada ap\u00f3s alerta da Receita Federal e do Ibama, em 2017, que verificou aumento incomum do tr\u00e2nsito de madeira pelo Porto Chibat\u00e3o, em Manaus. A segunda fase foi realizada em abril deste ano e cumpriu 29 mandados de pris\u00e3o e 109 mandados de busca e apreens\u00e3o. <\/p>\n<p>Al\u00e9m das empresas que burlavam os documentos para \u201cesquentar\u201d a madeira, a opera\u00e7\u00e3o apura se houve corrup\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos respons\u00e1veis pelo controle e fiscaliza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o do MPF tamb\u00e9m pede \u00e0 Justi\u00e7a autoriza\u00e7\u00e3o para compartilhar as informa\u00e7\u00f5es com o Departamento de Justi\u00e7a dos Estados Unidos, com o objetivo de evitar a compra de madeira de \u00e1reas protegidas. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/antonio-cruz-agencia-brasil-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40284\" \/><figcaption>Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), atingido pelo rompimento da barragem de rejeitos da mineradora Samarco (Foto: Antonio Cruz\/Ag\u00eancia Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Renova foi criada em mar\u00e7o de 2016 ap\u00f3s acordo entre a Samarco, respons\u00e1vel pela barragem que rompeu, suas propriet\u00e1rias (Vale e BHP Billiton) e os minist\u00e9rios p\u00fablicos e defensorias de \u00e2mbito federal e dos estados de Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo. A lama de rejeitos da barragem matou 19 pessoas, destruiu comunidades, devastou o meio ambiente ao longo de 670 quil\u00f4metros na bacia do rio Doce e atingiu o Oceano Atl\u00e2ntico. Procurada, a Renova n\u00e3o quis se manifestar. <\/p>\n<p>Antes de comandar a Funda\u00e7\u00e3o Renova, o bi\u00f3logo Waack fez carreira em organiza\u00e7\u00f5es ligadas \u00e0 sustentabilidade chegando a presidir o conselho diretor da WWF Brasil e integrar conselhos de entidades como Global Reporting Initiative (GRI), Instituto Ethos, Fundo Brasileiro para Biodiversidade e da Forest Stewardship Council (FSC). J\u00e1 a Amata foi fundada por Waack e mais dois s\u00f3cios, em 2005, sendo a primeira empresa a conseguir uma concess\u00e3o florestal p\u00fablica no Brasil, modalidade em que o governo concede a empresas e comunidades o direito de manejar florestas p\u00fablicas para extrair madeira e, em contrapartida, os concession\u00e1rios pagam ao governo o valor acordado na licita\u00e7\u00e3o das \u00e1reas.<\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/05\/presidente-da-fundacao-renova-e-denunciado-pelo-ministerio-publico-por-comercio-ilegal-de-madeira-na-amazonia\/\">Presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova \u00e9 denunciado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico por com\u00e9rcio ilegal de madeira na Amaz\u00f4nia<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roberto Waack, diretor-presidente da Funda\u00e7\u00e3o Renova, criada em 2016 para reparar os danos ambientais e sociais provocados pelo rompimento da barragem de Mariana (MG), \u00e9 um dos denunciados pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal do Amazonas por participa\u00e7\u00e3o em um esquema fraudulento de com\u00e9rcio ilegal de madeira na Amaz\u00f4nia. 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