{"id":225477,"date":"2025-11-04T15:41:52","date_gmt":"2025-11-04T18:41:52","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/principe-william-no-rio-quem-sao-os-guardioes-do-mangue-que-acompanharam-passeio-na-baia-de-guanabara\/"},"modified":"2025-11-04T15:44:52","modified_gmt":"2025-11-04T18:44:52","slug":"principe-william-no-rio-quem-sao-os-guardioes-do-mangue-que-acompanharam-passeio-na-baia-de-guanabara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/principe-william-no-rio-quem-sao-os-guardioes-do-mangue-que-acompanharam-passeio-na-baia-de-guanabara\/","title":{"rendered":"Pr\u00edncipe William no Rio: Quem s\u00e3o os guardi\u00f5es do mangue que acompanharam passeio na Ba\u00eda de Guanabara"},"content":{"rendered":"<p>Durante visita \u00e0 APA de Guapimirim, herdeiro brit\u00e2nico conheceu o trabalho de tr\u00eas homens que dedicam a vida \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do maior manguezal do estado do RJ<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-oglobo.glbimg.com\/7lavf5-IVZuYkwX5-M7RZaFPGpg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2025\/P\/r\/4WxPDwQ8WXy6Mo9OxShQ\/112918427-ri-rio-04-11-2025-visita-do-principe-william-ao-rio-principe-william-visita-a-ilha.jpg\" \/><br \/>     No segundo dia de agenda no Rio de Janeiro, o pr\u00edncipe William, do Pa\u00eds de Gales, trocou o cen\u00e1rio urbano da capital fluminense pelo verde e o sil\u00eancio da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapimirim, onde o tempo parece correr no ritmo das mar\u00e9s. O herdeiro da coroa brit\u00e2nica atravessou de barco alguns dos canais e rios do maior manguezal do estado do Rio de Janeiro, participou de uma a\u00e7\u00e3o de replantio e foi presenteado com o livro &#8220;Guanabara, espelho do Rio&#8221;.<br \/>\n&#8216;Deixei ele fazer o gol&#8217;: irm\u00e3os de comunidade na Pra\u00e7a Seca contam como foi jogar bola com pr\u00edncipe William no Maracan\u00e3<br \/>\nVisita real: William joga v\u00f4lei, tira t\u00eanis e faz selfies em Copacabana; menina o presenteia com pulseira para Kate<br \/>\nAo lado do pr\u00edncipe, tr\u00eas homens que conhecem cada curva, a vida e os segredos desse importante ecossistema: Adilson Fernandes, o Russo; Breno Herrera, o Curupira do Mangue; e Maur\u00edcio Muniz. Eles s\u00e3o personagens fundamentais na hist\u00f3ria recente da preserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e da Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nFiscal do mangue, de poucas palavras e olhar atento, Adilson Fernandes, de 66 anos, \u00e9 o condutor das embarca\u00e7\u00f5es que d\u00e3o suporte \u00e0s equipes e visitantes da APA. Sua rotina \u00e9 percorrer, diariamente, o espelho d\u2019\u00e1gua da unidade, fiscalizando irregularidades e notificando infratores. Nenhum curral de pesca ilegal, rede proibida ou madeira cortada \u00e0 margem da lei passa despercebido.<br \/>\nNascido em S\u00e3o Fid\u00e9lis, no Noroeste Fluminense, Russo chegou a Mag\u00e9\u00a0ainda crian\u00e7a, com seis anos. Foi acompanhado dos pais e 12 irm\u00e3os. Antes de conhecer o valor do mangue, passou tr\u00eas d\u00e9cadas nas olarias\u00a0da regi\u00e3o \u2014 locais de fabrica\u00e7\u00e3o artesanal de tijolos e telhas \u2014 onde trabalhou como carregador, motorista e gerente. Durante seis anos, transportou lenha retirada justamente do manguezal que hoje protege.<br \/>\nNo balan\u00e7o do barco: Pr\u00edncipe William faz passeio de barco de Paquet\u00e1 a Guapimirim e planta muda de mangue-branco<br \/>\nEncontro com Cafu no Maracan\u00e3, v\u00f4lei na praia e passeio de bondinho: como foi o primeiro dia do pr\u00edncipe William no Rio<br \/>\nA transforma\u00e7\u00e3o foi acontecendo pouco a pouco. Entre uma conversa ali e outra aqui, recebeu um convite para integrar a equipe da APA de Guapimirim, onde trabalha h\u00e1 mais de 10 anos.<br \/>\n\u2014 Eu n\u00e3o via a natureza. Era muito nervoso, de dif\u00edcil relacionamento. A APA mudou meu modo de pensar, de ser e de agir. O mangue pune quem trata ele mal. Hoje, meu trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de reden\u00e7\u00e3o\u00a0\u2014 conta Russo, que costuma levar a neta Maria Em\u00edlia, de 6 anos, para passear pelos canais da ba\u00eda quando est\u00e1 de folga.<br \/>\nPr\u00edncipe William visita a Ilha de Paquet\u00e1 em embarca\u00e7\u00e3o acompanhado por Breno Herrera (de chap\u00e9u) e Adilson Fernandes (piloto da embarca\u00e7\u00e3o)<br \/>\nGuito Moreto \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nCurupira do mangue<br \/>\nChamado carinhosamente pelos colegas de \u201cCurupira do mangue\u201d, o bi\u00f3logo Breno Herrera\u00a0tem 47 anos e uma longa rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Criado entre as trilhas da Floresta da Tijuca, ele decidiu seguir carreira na biologia e se formou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, hoje, atua como gerente da regi\u00e3o sudeste do Instituto Chico Mendes (ICMBio).<br \/>\nSegundo dia de visita: Pr\u00edncipe William recebe presentes, tira selfies e segura beb\u00ea em visita \u00e0 Ilha de Paquet\u00e1<br \/>\nEm 2002, ficou em segundo lugar no concurso do Ibama e, um ano depois, assumiu a chefia da APA de Guapimirim.<br \/>\nDurante os nove anos em que esteve \u00e0 frente da unidade, criou o Comit\u00ea Gestor da APA, que re\u00fane moradores, pescadores, autoridades e ambientalistas. Foi nesse per\u00edodo que nasceu a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral dentro da pr\u00f3pria APA. A iniciativa garantiu a inviolabilidade da regi\u00e3o, mesmo diante da instala\u00e7\u00e3o do Complexo Petroqu\u00edmico de Itabora\u00ed (Comperj), empreendimento que amea\u00e7ava alterar profundamente o equil\u00edbrio do local.<br \/>\nO o bi\u00f3logo Breno Herrera, o &#8216;Curupira do mangue&#8217;<br \/>\nCustodio Coimbra \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nHoje, Curupira \u00e9 gerente da regi\u00e3o sudeste do ICMBio\u00a0e segue guiado pela f\u00e9 franciscana \u2014 um modo de vida inspirado em S\u00e3o Francisco de Assis, que valoriza a simplicidade e o respeito \u00e0 vida.<br \/>\nQuando n\u00e3o est\u00e1 atuando nos trabalhos de prote\u00e7\u00e3o no mangue, est\u00e1 em trilhas e travessias de alguma \u00e1rea verde dentro ou fora do territ\u00f3rio fluminense.<br \/>\n\u2014 As caminhadas e travessias que fa\u00e7o s\u00e3o momentos de concentra\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. O contato direto com a natureza me ajuda a amadurecer e a manter o foco\u00a0\u2014 contou.<br \/>\nGalerias Relacionadas<br \/>\nO cientista da ba\u00eda<br \/>\nTamb\u00e9m bi\u00f3logo, Maur\u00edcio Muniz\u00a0\u00e9 um dos principais especialistas na din\u00e2mica ambiental da Ba\u00eda de Guanabara e coordenador da regi\u00e3o sudeste do ICMBio. Foi ele quem explicou ao pr\u00edncipe William a import\u00e2ncia dos manguezais para o equil\u00edbrio da regi\u00e3o.<br \/>\n\u2014 Os manguezais funcionam como verdadeiras esta\u00e7\u00f5es de tratamento naturais. Eles asseguram a qualidade da \u00e1gua e mant\u00eam viva uma parte essencial da Ba\u00eda\u00a0de Guanabara \u2014 explicou.<br \/>\nMaur\u00edcio Muniz durante visita\u00e7\u00e3o na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Guapimirim<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nEssa qualidade da \u00e1gua tamb\u00e9m pode ser vista atrav\u00e9s da biodiversidade e da presen\u00e7a das dezenas de botos encontrados na regi\u00e3o do mangue. Isto porque estes animais vivem, se alimentam e procriam em \u00e1guas limpas. Por isso, enquanto s\u00e3o vistos, s\u00e3o sinais de boa balneabilidade.<br \/>\nNo entanto, embora sua presen\u00e7a comprove a preserva\u00e7\u00e3o, os cerca de 30 botos que vivem atualmente na regi\u00e3o s\u00e3o um n\u00famero bem menor que os 400 registrados na d\u00e9cada de 1980. Um lembrete para continuar os trabalhos.<br \/>\nEsquema especial: Com visita do pr\u00edncipe William e eventos que antecedem a COP 30, veja como fica o tr\u00e2nsito no Rio<br \/>\nMuniz ainda lembra que a equipe da APA foi decisiva para conter a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira\u00a0usada para alimentar fornos de olarias em Itabora\u00ed. Segundo ele, o mangue atua como \u201cesponja\u201d\u00a0contra tempestades e eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, al\u00e9m de capturar cinco vezes mais carbono\u00a0que uma floresta tropical, ent\u00e3o, seu desmatamento \u00e9 prejudicial de muitos modos.<br \/>\n\u2014 Quem visita APA de Guapimirim descobre uma Ba\u00eda de Guanabara muito diferente da imagem de polui\u00e7\u00e3o. Nela, ainda \u00e9 poss\u00edvel ver peixe, mangue, comunidade tradicional, pescador. \u00c9 o que restou de uma ba\u00eda ancestral\u00a0\u2014 resumiu.<br \/>\nNa visita desta ter\u00e7a-feira, o pr\u00edncipe William viu de perto essa preciosidade fluminense que resiste entre as \u00e1guas e as \u00e1rvores. E, de quebra, conheceu quem longe dos holofotes, dedica a vida a garantir que o mangue continue respirando \u2014 e refletindo, como um espelho, a hist\u00f3ria da Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nGalerias Relacionadas<br \/>\nAPA de Guapimirim<br \/>\nCriada em 1984, a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapimirim foi a primeira do pa\u00eds destinada a proteger os manguezais, essenciais para o equil\u00edbrio da biodiversidade na Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nSeu objetivo principal \u00e9 proteger remanescentes de manguezais situados no rec\u00f4ncavo leste da Ba\u00eda de Guanabara e assegurar a perman\u00eancia e a sobreviv\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es que mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o ambiente, vivendo dos recursos naturais e perpetuando caracter\u00edsticas tradicionais no conv\u00edvio com o meio ambiente.<br \/>\nAntes do Pr\u00edncipe William: do samba com Pinah a obras da Ponte Rio-Niter\u00f3i, relembre outras visitas da fam\u00edlia real brit\u00e2nica ao Brasil<br \/>\nLocalizada na regi\u00e3o metropolitana do Rio, tem aproximadamente 14 mil hectares. Abrange parte dos munic\u00edpios de Mag\u00e9, Guapimirim, Itabora\u00ed e S\u00e3o Gon\u00e7alo. Al\u00e9m de estar inserida na Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nAdilson Fernandes, mais conhecido como Russo, \u00e9 o condutor das embarca\u00e7\u00f5es que d\u00e3o suporte \u00e0s equipes e visitantes da APA<br \/>\nCustodio Coimbra \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nAo norte da \u00e1rea existe divisa com a rodovia BR-493, que liga Itabora\u00ed a Mag\u00e9, enquanto que ao sul faz fronteira a Serra de Ita\u00fana e a Ilha de Itaoca, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo.<br \/>\nDentro da APA tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara. Ela est\u00e1 presente em parte do territ\u00f3rio de Guapimirim e Itabora\u00ed. Criada em 2006, ela abrange 2 mil hectares, mas tamb\u00e9m \u00e9 considerada a \u00e1rea mais conservada de toda Ba\u00eda de Guanabara e apresenta caracter\u00edsticas c\u00eanicas semelhantes \u00e0s encontradas antes da col\u00f4nia europeia.<br \/>\nNela, est\u00e3o presentes o clima tropical e vegeta\u00e7\u00e3o rica com esp\u00e9cies como mangue vermelho, preto e branco, al\u00e9m de peixes, crust\u00e1ceos, r\u00e9pteis, mam\u00edferos e diversas aves migrat\u00f3rias.<br \/>\nTamb\u00e9m est\u00e3o presentes jacar\u00e9s-de-papo-amarelo, botos e colhereiros \u2014 aves de grande porte com bico em formato de colher.<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nInitial plugin text<\/p>\n<p>Guito Moreto \/ Ag\u00eancia O Globo<\/p>\n<p>Leia mat\u00e9ria completa\u00a0 em O Globo https:\/\/oglobo.globo.com\/rio\/noticia\/2025\/11\/04\/principe-william-no-rio-quem-sao-os-guardioes-do-mangue-que-acompanharam-passeio-na-baia-de-guanabara.ghtml<\/p>\n<p>Tue, 04 Nov 2025 17:55:31 -0000<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-oglobo.glbimg.com\/7lavf5-IVZuYkwX5-M7RZaFPGpg=\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8\/internal_photos\/bs\/2025\/P\/r\/4WxPDwQ8WXy6Mo9OxShQ\/112918427-ri-rio-04-11-2025-visita-do-principe-william-ao-rio-principe-william-visita-a-ilha.jpg\" \/><br \/>     No segundo dia de agenda no Rio de Janeiro, o pr\u00edncipe William, do Pa\u00eds de Gales, trocou o cen\u00e1rio urbano da capital fluminense pelo verde e o sil\u00eancio da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapimirim, onde o tempo parece correr no ritmo das mar\u00e9s. O herdeiro da coroa brit\u00e2nica atravessou de barco alguns dos canais e rios do maior manguezal do estado do Rio de Janeiro, participou de uma a\u00e7\u00e3o de replantio e foi presenteado com o livro &#8220;Guanabara, espelho do Rio&#8221;.<br \/>\n&#8216;Deixei ele fazer o gol&#8217;: irm\u00e3os de comunidade na Pra\u00e7a Seca contam como foi jogar bola com pr\u00edncipe William no Maracan\u00e3<br \/>\nVisita real: William joga v\u00f4lei, tira t\u00eanis e faz selfies em Copacabana; menina o presenteia com pulseira para Kate<br \/>\nAo lado do pr\u00edncipe, tr\u00eas homens que conhecem cada curva, a vida e os segredos desse importante ecossistema: Adilson Fernandes, o Russo; Breno Herrera, o Curupira do Mangue; e Maur\u00edcio Muniz. Eles s\u00e3o personagens fundamentais na hist\u00f3ria recente da preserva\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o e da Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nFiscal do mangue, de poucas palavras e olhar atento, Adilson Fernandes, de 66 anos, \u00e9 o condutor das embarca\u00e7\u00f5es que d\u00e3o suporte \u00e0s equipes e visitantes da APA. Sua rotina \u00e9 percorrer, diariamente, o espelho d\u2019\u00e1gua da unidade, fiscalizando irregularidades e notificando infratores. Nenhum curral de pesca ilegal, rede proibida ou madeira cortada \u00e0 margem da lei passa despercebido.<br \/>\nNascido em S\u00e3o Fid\u00e9lis, no Noroeste Fluminense, Russo chegou a Mag\u00e9\u00a0ainda crian\u00e7a, com seis anos. Foi acompanhado dos pais e 12 irm\u00e3os. Antes de conhecer o valor do mangue, passou tr\u00eas d\u00e9cadas nas olarias\u00a0da regi\u00e3o \u2014 locais de fabrica\u00e7\u00e3o artesanal de tijolos e telhas \u2014 onde trabalhou como carregador, motorista e gerente. Durante seis anos, transportou lenha retirada justamente do manguezal que hoje protege.<br \/>\nNo balan\u00e7o do barco: Pr\u00edncipe William faz passeio de barco de Paquet\u00e1 a Guapimirim e planta muda de mangue-branco<br \/>\nEncontro com Cafu no Maracan\u00e3, v\u00f4lei na praia e passeio de bondinho: como foi o primeiro dia do pr\u00edncipe William no Rio<br \/>\nA transforma\u00e7\u00e3o foi acontecendo pouco a pouco. Entre uma conversa ali e outra aqui, recebeu um convite para integrar a equipe da APA de Guapimirim, onde trabalha h\u00e1 mais de 10 anos.<br \/>\n\u2014 Eu n\u00e3o via a natureza. Era muito nervoso, de dif\u00edcil relacionamento. A APA mudou meu modo de pensar, de ser e de agir. O mangue pune quem trata ele mal. Hoje, meu trabalho tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de reden\u00e7\u00e3o\u00a0\u2014 conta Russo, que costuma levar a neta Maria Em\u00edlia, de 6 anos, para passear pelos canais da ba\u00eda quando est\u00e1 de folga.<br \/>\nPr\u00edncipe William visita a Ilha de Paquet\u00e1 em embarca\u00e7\u00e3o acompanhado por Breno Herrera (de chap\u00e9u) e Adilson Fernandes (piloto da embarca\u00e7\u00e3o)<br \/>\nGuito Moreto \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nCurupira do mangue<br \/>\nChamado carinhosamente pelos colegas de \u201cCurupira do mangue\u201d, o bi\u00f3logo Breno Herrera\u00a0tem 47 anos e uma longa rela\u00e7\u00e3o com a natureza. Criado entre as trilhas da Floresta da Tijuca, ele decidiu seguir carreira na biologia e se formou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, hoje, atua como gerente da regi\u00e3o sudeste do Instituto Chico Mendes (ICMBio).<br \/>\nSegundo dia de visita: Pr\u00edncipe William recebe presentes, tira selfies e segura beb\u00ea em visita \u00e0 Ilha de Paquet\u00e1<br \/>\nEm 2002, ficou em segundo lugar no concurso do Ibama e, um ano depois, assumiu a chefia da APA de Guapimirim.<br \/>\nDurante os nove anos em que esteve \u00e0 frente da unidade, criou o Comit\u00ea Gestor da APA, que re\u00fane moradores, pescadores, autoridades e ambientalistas. Foi nesse per\u00edodo que nasceu a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara, \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o integral dentro da pr\u00f3pria APA. A iniciativa garantiu a inviolabilidade da regi\u00e3o, mesmo diante da instala\u00e7\u00e3o do Complexo Petroqu\u00edmico de Itabora\u00ed (Comperj), empreendimento que amea\u00e7ava alterar profundamente o equil\u00edbrio do local.<br \/>\nO o bi\u00f3logo Breno Herrera, o &#8216;Curupira do mangue&#8217;<br \/>\nCustodio Coimbra \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nHoje, Curupira \u00e9 gerente da regi\u00e3o sudeste do ICMBio\u00a0e segue guiado pela f\u00e9 franciscana \u2014 um modo de vida inspirado em S\u00e3o Francisco de Assis, que valoriza a simplicidade e o respeito \u00e0 vida.<br \/>\nQuando n\u00e3o est\u00e1 atuando nos trabalhos de prote\u00e7\u00e3o no mangue, est\u00e1 em trilhas e travessias de alguma \u00e1rea verde dentro ou fora do territ\u00f3rio fluminense.<br \/>\n\u2014 As caminhadas e travessias que fa\u00e7o s\u00e3o momentos de concentra\u00e7\u00e3o e ora\u00e7\u00e3o. O contato direto com a natureza me ajuda a amadurecer e a manter o foco\u00a0\u2014 contou.<br \/>\nGalerias Relacionadas<br \/>\nO cientista da ba\u00eda<br \/>\nTamb\u00e9m bi\u00f3logo, Maur\u00edcio Muniz\u00a0\u00e9 um dos principais especialistas na din\u00e2mica ambiental da Ba\u00eda de Guanabara e coordenador da regi\u00e3o sudeste do ICMBio. Foi ele quem explicou ao pr\u00edncipe William a import\u00e2ncia dos manguezais para o equil\u00edbrio da regi\u00e3o.<br \/>\n\u2014 Os manguezais funcionam como verdadeiras esta\u00e7\u00f5es de tratamento naturais. Eles asseguram a qualidade da \u00e1gua e mant\u00eam viva uma parte essencial da Ba\u00eda\u00a0de Guanabara \u2014 explicou.<br \/>\nMaur\u00edcio Muniz durante visita\u00e7\u00e3o na \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental de Guapimirim<br \/>\nDivulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nEssa qualidade da \u00e1gua tamb\u00e9m pode ser vista atrav\u00e9s da biodiversidade e da presen\u00e7a das dezenas de botos encontrados na regi\u00e3o do mangue. Isto porque estes animais vivem, se alimentam e procriam em \u00e1guas limpas. Por isso, enquanto s\u00e3o vistos, s\u00e3o sinais de boa balneabilidade.<br \/>\nNo entanto, embora sua presen\u00e7a comprove a preserva\u00e7\u00e3o, os cerca de 30 botos que vivem atualmente na regi\u00e3o s\u00e3o um n\u00famero bem menor que os 400 registrados na d\u00e9cada de 1980. Um lembrete para continuar os trabalhos.<br \/>\nEsquema especial: Com visita do pr\u00edncipe William e eventos que antecedem a COP 30, veja como fica o tr\u00e2nsito no Rio<br \/>\nMuniz ainda lembra que a equipe da APA foi decisiva para conter a extra\u00e7\u00e3o ilegal de madeira\u00a0usada para alimentar fornos de olarias em Itabora\u00ed. Segundo ele, o mangue atua como \u201cesponja\u201d\u00a0contra tempestades e eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar, al\u00e9m de capturar cinco vezes mais carbono\u00a0que uma floresta tropical, ent\u00e3o, seu desmatamento \u00e9 prejudicial de muitos modos.<br \/>\n\u2014 Quem visita APA de Guapimirim descobre uma Ba\u00eda de Guanabara muito diferente da imagem de polui\u00e7\u00e3o. Nela, ainda \u00e9 poss\u00edvel ver peixe, mangue, comunidade tradicional, pescador. \u00c9 o que restou de uma ba\u00eda ancestral\u00a0\u2014 resumiu.<br \/>\nNa visita desta ter\u00e7a-feira, o pr\u00edncipe William viu de perto essa preciosidade fluminense que resiste entre as \u00e1guas e as \u00e1rvores. E, de quebra, conheceu quem longe dos holofotes, dedica a vida a garantir que o mangue continue respirando \u2014 e refletindo, como um espelho, a hist\u00f3ria da Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nGalerias Relacionadas<br \/>\nAPA de Guapimirim<br \/>\nCriada em 1984, a \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (APA) de Guapimirim foi a primeira do pa\u00eds destinada a proteger os manguezais, essenciais para o equil\u00edbrio da biodiversidade na Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nSeu objetivo principal \u00e9 proteger remanescentes de manguezais situados no rec\u00f4ncavo leste da Ba\u00eda de Guanabara e assegurar a perman\u00eancia e a sobreviv\u00eancia de popula\u00e7\u00f5es que mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima com o ambiente, vivendo dos recursos naturais e perpetuando caracter\u00edsticas tradicionais no conv\u00edvio com o meio ambiente.<br \/>\nAntes do Pr\u00edncipe William: do samba com Pinah a obras da Ponte Rio-Niter\u00f3i, relembre outras visitas da fam\u00edlia real brit\u00e2nica ao Brasil<br \/>\nLocalizada na regi\u00e3o metropolitana do Rio, tem aproximadamente 14 mil hectares. Abrange parte dos munic\u00edpios de Mag\u00e9, Guapimirim, Itabora\u00ed e S\u00e3o Gon\u00e7alo. Al\u00e9m de estar inserida na Ba\u00eda de Guanabara.<br \/>\nAdilson Fernandes, mais conhecido como Russo, \u00e9 o condutor das embarca\u00e7\u00f5es que d\u00e3o suporte \u00e0s equipes e visitantes da APA<br \/>\nCustodio Coimbra \/ Ag\u00eancia O Globo<br \/>\nAo norte da \u00e1rea existe divisa com a rodovia BR-493, que liga Itabora\u00ed a Mag\u00e9, enquanto que ao sul faz fronteira a Serra de Ita\u00fana e a Ilha de Itaoca, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gon\u00e7alo.<br \/>\nDentro da APA tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel encontrar a Esta\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica da Guanabara. Ela est\u00e1 presente em parte do territ\u00f3rio de Guapimirim e Itabora\u00ed. Criada em 2006, ela abrange 2 mil hectares, mas tamb\u00e9m \u00e9 considerada a \u00e1rea mais conservada de toda Ba\u00eda de Guanabara e apresenta caracter\u00edsticas c\u00eanicas semelhantes \u00e0s encontradas antes da col\u00f4nia europeia.<br \/>\nNela, est\u00e3o presentes o clima tropical e vegeta\u00e7\u00e3o rica com esp\u00e9cies como mangue vermelho, preto e branco, al\u00e9m de peixes, crust\u00e1ceos, r\u00e9pteis, mam\u00edferos e diversas aves migrat\u00f3rias.<br \/>\nTamb\u00e9m est\u00e3o presentes jacar\u00e9s-de-papo-amarelo, botos e colhereiros \u2014 aves de grande porte com bico em formato de colher.<br \/>\nInitial plugin text<br \/>\nInitial plugin text<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante visita \u00e0 APA de Guapimirim, herdeiro brit\u00e2nico conheceu o trabalho de tr\u00eas homens que dedicam a vida \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o do maior manguezal do estado do RJ &nbsp; No segundo dia de agenda no Rio de Janeiro, o pr\u00edncipe William, do Pa\u00eds de Gales, trocou o cen\u00e1rio urbano da capital fluminense pelo verde e o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[5],"class_list":["post-225477","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias","tag-infoeconomico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225477","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=225477"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225477\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":225661,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/225477\/revisions\/225661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=225477"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=225477"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=225477"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}