{"id":223996,"date":"2025-11-03T20:13:30","date_gmt":"2025-11-03T23:13:30","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/embraer-acusa-boeing-de-quebra-de-contrato\/"},"modified":"2025-11-03T20:13:30","modified_gmt":"2025-11-03T23:13:30","slug":"embraer-acusa-boeing-de-quebra-de-contrato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/embraer-acusa-boeing-de-quebra-de-contrato\/","title":{"rendered":"Embraer acusa Boeing de quebra de contrato"},"content":{"rendered":"<p>&lt;p&gt;At\u00e9 ent\u00e3o parceiras, as fabricantes de avi\u00f5es Embraer e Boeing entraram em guerra neste s\u00e1bado, 25, ap\u00f3s a americana ter anunciado que encerrou as negocia\u00e7\u00f5es para comprar a divis\u00e3o de avia\u00e7\u00e3o comercial da brasileira. As empresas haviam anunciado, em julho de 2018, o acordo de US$ 4,2 bilh\u00f5es, que recebeu aval do governo de Jair Bols fonaro sete meses depois. &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;O an\u00fancio da Boeing se deu em meio a maior crise de sua hist\u00f3ria, que envolve dois acidentes com seu principal avi\u00e3o, o 737 MAX, e a paralisa\u00e7\u00e3o do setor a\u00e9reo em decorr\u00eancia da pandemia da covid-19. A companhia responsabilizou a Embraer pela n\u00e3o conclus\u00e3o do neg\u00f3cio. Em nota, afirmou que &quot;exerceu seu direito de rescindir (o contrato) ap\u00f3s a Embraer n\u00e3o ter atendido as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias&quot;, mas n\u00e3o especificou quais eram as condi\u00e7\u00f5es. &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;A Embraer respondeu \u00e0s afirma\u00e7\u00f5es, tr\u00eas horas depois, tamb\u00e9m em nota, na qual acusou a americana de ter rescindido o contrato de forma indevida. &quot;(A Boeing) fabricou falsas alega\u00e7\u00f5es como pretexto para tentar evitar seus compromissos de fechar a transa\u00e7\u00e3o e pagar \u00e0 Embraer o pre\u00e7o de compra de U$ 4,2 bilh\u00f5es.&quot; &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;A nota afirma ainda que a empresa acredita que a Boeing vinha adotando &quot;um padr\u00e3o sistem\u00e1tico de atraso e viola\u00e7\u00f5es repetidas ao MTA ( acordo), pela falta de vontade em concluir a transa\u00e7\u00e3o, pela sua condi\u00e7\u00e3o financeira, por conta dos problemas com o 737 MAX e por outros problemas comerciais e de reputa\u00e7\u00e3o&quot;.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a brasileira pretende tentar retomar as negocia\u00e7\u00f5es e, caso n\u00e3o consiga chegar a um acordo, dever\u00e1 entrar na Justi\u00e7a para ser ressarcida. No documento emitido ontem, a Embraer afirma que &quot;buscar\u00e1 todas as medidas cab\u00edveis contra a Boeing pelos danos sofridos como resultado do cancelamento indevido&quot;. &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;O rompimento do acordo foi visto dentro do governo brasileiro como um desfecho j\u00e1 esperado, diante da crise enfrentada pela empresa americana e pelo baque que a pandemia do novo coronav\u00edrus provocou no setor a\u00e9reo. Na ala militar, o neg\u00f3cio n\u00e3o era unanimidade e, por esse motivo, o desmanche do acerto n\u00e3o foi lamentado, pelo contr\u00e1rio, foi at\u00e9 comemorado. &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;A \u00e1rea econ\u00f4mica, que tem apostado em privatiza\u00e7\u00f5es e concess\u00f5es para alavancar o crescimento da economia ap\u00f3s a crise, avalia que a desist\u00eancia n\u00e3o teve rela\u00e7\u00e3o com uma percep\u00e7\u00e3o de risco em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil. Segundo um integrante da equipe, se fosse um neg\u00f3cio envolvendo a\u00e9reas dos EUA e da Europa, o desfecho seria o mesmo. Os defensores do Plano Pr\u00f3-Brasil de investimentos p\u00fablicos em infraestrutura, por sua vez, j\u00e1 usam o rompimento do acordo como muni\u00e7\u00e3o para a estrat\u00e9gia do defesa do programa.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Mercado&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Nas \u00faltimas semanas, o mercado vinha aventando a possibilidade de a transa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser conclu\u00edda. No \u00faltimo domingo, o Estado mostrou que, entre os entraves, estava a capacidade de a Boeing pagar o valor devido \u00e0 Embraer. Al\u00e9m dos dois acidentes com os avi\u00f5es 737 MAX, que mataram 346 pessoas e levaram o modelo a parar de operar, a crise do coronav\u00edrus vem prejudicando a situa\u00e7\u00e3o de caixa da companhia.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;A Boeing inclusive indicou que a ind\u00fastria aeroespacial americana necessitar\u00e1 de US$ 60 bilh\u00f5es do governo para sobreviver. A empresa seria a principal beneficiada se esse montante for liberado. Nos EUA, por\u00e9m, a possibilidade de parte desse dinheiro ser usada para comprar uma empresa brasileira \u00e9 alvo de cr\u00edticas.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Outro problema que apareceu recentemente nas negocia\u00e7\u00f5es foi o valor do contrato. Em 4 de julho de 2018, um dia antes do neg\u00f3cio ser anunciado, a Embraer valia R$ 19,8 bilh\u00f5es no mercado. Hoje, esse n\u00famero \u00e9 de R$ 6,1 bilh\u00f5es, um recuo de 69%, o que tornaria elevado o valor a ser pago agora pela Boeing.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Apesar de sempre ter sido dado como certo, o acordo entre as empresas vinha sofrendo dificuldade, desde o ano passado, para conseguir aval das autoridades reguladoras da Uni\u00e3o Europeia, o que atrasou a conclus\u00e3o do neg\u00f3cio. A previs\u00e3o inicial era que a americana assumisse os 80% da divis\u00e3o de jatos comerciais da brasileira no fim do ano passado.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Al\u00e9m da venda do bra\u00e7o de avia\u00e7\u00e3o comercial da Embraer, o acordo previa a cria\u00e7\u00e3o de uma joint venture para a comercializa\u00e7\u00e3o do cargueiro militar C-390 Millenium, o maior avi\u00e3o j\u00e1 desenvolvido no Brasil e cujo projeto foi rec\u00e9m-conclu\u00eddo. Havia possibilidade de essa nova empresa, da qual a Embraer seria s\u00f3cia majorit\u00e1ria, instalar uma linha de produ\u00e7\u00e3o do modelo nos EUA, para pode ampliar seu potencial de vendas para o governo americano e outros pa\u00edses parceiros de Washington.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Com a rescis\u00e3o do contrato, a cria\u00e7\u00e3o da joint venture tamb\u00e9m foi cancelada. As duas companhias, por\u00e9m, manter\u00e3o um acordo para que a Boeing venda e fa\u00e7a manuten\u00e7\u00e3o do C-390 em parceria com a Embraer.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Mau momento&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;O fim das negocia\u00e7\u00f5es entre Boeing e Embraer vem no pior momento para a brasileira, que j\u00e1 n\u00e3o estava em seu auge. Ap\u00f3s investir R$ 485,5 milh\u00f5es em 2019 no processo de separa\u00e7\u00e3o do bra\u00e7o de avia\u00e7\u00e3o comercial &#8211; que iria para a Boeing -, a Embraer enfrenta um cen\u00e1rio de demanda fraca pela sua nova fam\u00edlia de avi\u00f5es, o E2, e ainda ter\u00e1 de encarar a crise causada pela pandemia da covid-19, que afundou o setor a\u00e9reo.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Fontes do mercado dizem que possivelmente a brasileira precisar\u00e1 de um socorro do governo (seguindo o exemplo da Boeing, que pediu ajuda de Washington) ou ter\u00e1 de buscar um outro acordo de venda. A maior oportunidade seria com a China, que quer crescer na avia\u00e7\u00e3o com a estatal China Commercial Aircraft (Comac). Em v\u00eddeo enviado ontem a funcion\u00e1rios, por\u00e9m, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, afirma que a empresa tem liquidez &quot;suficiente e acesso a fontes de financiamento para alavancar seus neg\u00f3cios&quot;.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;A joint venture na avia\u00e7\u00e3o comercial com a Boeing, na qual a brasileira teria 20%, era praticamente uma aposta de sobreviv\u00eancia da Embraer. Isso porque o mercado se tornou mais acirrado quando, em outubro 2017, a europeia Airbus comprou o programa dos jatos C-Series da canadense Bombardier. O C-Series era uma fam\u00edlia de avi\u00f5es que competia diretamente com a Embraer.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Com a rescis\u00e3o do contrato com a Boeing, a Embraer agora brigar\u00e1 sozinha contra gigantes. Tudo se torna mais grave porque a brasileira acaba de investir US$ 1,75 bilh\u00e3o para desenvolver tr\u00eas novos modelos de avi\u00f5es, os E2, que, apesar de serem considerados os melhores da categoria, est\u00e3o sendo pouco demandados. &quot;As vendas est\u00e3o fracas porque o setor j\u00e1 n\u00e3o ia muito bem&quot;, afirmou uma fonte.&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;O processo de separa\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o comercial da Embraer tamb\u00e9m estava praticamente conclu\u00eddo e havia exigido milh\u00f5es de d\u00f3lares. Apenas na nova sede da companhia haviam sido aportados US$ 30 milh\u00f5es (quase R$ 170 milh\u00f5es na cota\u00e7\u00e3o atual). &lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;&lt;\/p&gt;<br \/>\n&lt;p&gt;Ao cen\u00e1rio j\u00e1 complexo, soma-se a crise da covid-19. Com o afastamento social e o fechamento das fronteiras, a maior parte da frota a\u00e9rea global est\u00e1 no solo. As companhias a\u00e9reas enfrentam uma crise profunda e dever\u00e3o cortar suas encomendas de avi\u00f5es. Segundo estudo da consultoria Bain &amp;amp; Company, a demanda por aeronaves menores, como as produzidas pela Embraer, deve voltar ao patamar pr\u00e9-crise apenas no \u00faltimo trimestre de 2021. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.&lt;\/p&gt;<br \/>\nInfoeconomico.com.br<br \/>\nFonte: R7<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&lt;p&gt;At\u00e9 ent\u00e3o parceiras, as fabricantes de avi\u00f5es Embraer e Boeing entraram em guerra neste s\u00e1bado, 25, ap\u00f3s a americana ter anunciado que encerrou as negocia\u00e7\u00f5es para comprar a divis\u00e3o de avia\u00e7\u00e3o comercial da brasileira. 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