{"id":223370,"date":"2025-11-03T20:13:00","date_gmt":"2025-11-03T23:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/governadores-renovam-isencao-de-r-6-bi-para-agrotoxicos-em-meio-a-crise\/"},"modified":"2025-11-03T20:13:00","modified_gmt":"2025-11-03T23:13:00","slug":"governadores-renovam-isencao-de-r-6-bi-para-agrotoxicos-em-meio-a-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/governadores-renovam-isencao-de-r-6-bi-para-agrotoxicos-em-meio-a-crise\/","title":{"rendered":"Governadores renovam isen\u00e7\u00e3o de R$ 6 bi para agrot\u00f3xicos em meio \u00e0 crise"},"content":{"rendered":"<p>Em meio a uma pandemia que gera demandas econ\u00f4micas urgentes para os cofres p\u00fablicos, governadores de todo o pa\u00eds decidiram prorrogar uma isen\u00e7\u00e3o fiscal que beneficia a venda de agrot\u00f3xicos. O acordo permite a desonera\u00e7\u00e3o de 30% a 60% do ICMS nas comercializa\u00e7\u00f5es interestaduais de pesticidas e outros insumos agropecu\u00e1rios, o que significa que os governos estaduais deixam de arrecadar &#8211; e as empresas deixaram de pagar &#8211; mais de R$ 6,2 bilh\u00f5es por ano, <a href=\"https:\/\/apublica.org\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/relatorio-abrasco-desoneracao-fiscal-agrotoxicos-12022020.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">de acordo com estudo da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco)<\/a>.<\/p>\n<p>Com esse valor, os estados poderiam comprar mais de 90 mil respiradores mec\u00e2nicos, no valor de US$ 13 mil cada, como <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.saude.gov.br\/noticias\/agencia-saude\/46657-ministerio-da-saude-adquire-15-mil-respiradores\" target=\"_blank\">os que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade comprou no come\u00e7o do m\u00eas<\/a>. Ou, caso decidissem&nbsp; investir em testes r\u00e1pidos, poderiam adquirir mais de 82 milh\u00f5es de testes, no valor de R$ 75 cada.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>O Mato Grosso foi o que mais deixou de arrecadar, mais de R$ 1,3 bilh\u00e3o em 2017. Seguidos por S\u00e3o Paulo, com R$ 953 milh\u00f5es, e Rio Grande do Sul, com R$ 945 milh\u00f5es<\/p><\/blockquote>\n<p>A decis\u00e3o de prorrogar o benef\u00edcio at\u00e9 o final de 2020 foi <a href=\"http:\/\/www.in.gov.br\/web\/dou\/-\/ato-declaratorio-n-6-de-20-de-abril-de-2020-253340925\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">publicada na edi\u00e7\u00e3o de ontem (23 de abril) do Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o<\/a>. Para ser renovada, a medida precisava ser aprovada por unanimidade entre todos os secret\u00e1rios de Fazenda dos 26 Estados e do Distrito Federal, o que ocorreu. A isen\u00e7\u00e3o \u00e9 regulada por um conv\u00eanio constru\u00eddo dentro do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Fazend\u00e1ria (Confaz).<\/p>\n<p>O desconto do ICMS \u00e9 o principal item da \u201cbolsa agrot\u00f3xico\u201d, um pacote de benef\u00edcios que o agroneg\u00f3cio recebe do governo e que conta ainda com desonera\u00e7\u00f5es no PisPasep\/Cofins, IPI e Imposto de Importa\u00e7\u00e3o. Somadas, as <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/02\/bolsa-agrotoxico-inclui-isencoes-de-impostos-que-somam-r-10-bilhoes-ao-ano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">isen\u00e7\u00f5es aos pesticidas superaram R$ 10 bilh\u00f5es apenas em 2017<\/a>, de acordo com o estudo da Abrasco feito com base nos dados do censo agropecu\u00e1rio, da Secretaria de Com\u00e9rcio Exterior (Secex)<strong>,<\/strong> Receita Federal e da legisla\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria federal e estadual.&nbsp;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi tomada, ainda, sem o embasamento t\u00e9cnico necess\u00e1rio. Toda vez que os estados se re\u00fanem para votar essa quest\u00e3o, um grupo t\u00e9cnico apresenta um estudo para avaliar se o conv\u00eanio est\u00e1 realmente produzindo o efeito esperado. Esse trabalho \u00e9 apresentado para os secret\u00e1rios de Fazenda antes da decis\u00e3o ser tomada, coisa que n\u00e3o ocorreu esse ano. \u201cProrrogamos o conv\u00eanio apenas por oito meses, por uma quest\u00e3o emergencial. A reuni\u00e3o que faria o estudo t\u00e9cnico foi suspensa devido ao momento que estamos vivendo\u201d, diz Bruno Negris, diretor do Confaz.<\/p>\n<h1>Vig\u00e9sima prorroga\u00e7\u00e3o em 23 anos&nbsp;<br \/><\/h1>\n<p>Essa foi a vig\u00e9sima vez que a isen\u00e7\u00e3o foi prorrogada. H\u00e1 23 anos em vigor, entra e sai governo e o benef\u00edcio bilion\u00e1rio aos produtos agrot\u00f3xicos nunca foi derrubado.&nbsp; Segundo Negris, isso ocorre porque os governadores est\u00e3o preocupados com o aspecto econ\u00f4mico, j\u00e1 que a maior justificativa da isen\u00e7\u00e3o \u00e9 incentivar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. \u201cO setor agr\u00edcola est\u00e1 presente em todos os estados. A vis\u00e3o foi sempre mais econ\u00f4mica, na busca por gera\u00e7\u00e3o de emprego e segurar o homem no campo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o h\u00e1 outra explica\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser a grande press\u00e3o e lobby do agroneg\u00f3cio&#8221;, discorda a advogada Naiara Bittencourt, da ONG Terra de Direitos, que vem acompanhando os debates sobre as isen\u00e7\u00f5es de impostos para agrot\u00f3xicos. &#8220;As federa\u00e7\u00f5es estaduais e federais e grandes organiza\u00e7\u00f5es do agroneg\u00f3cio acompanham esses debates, est\u00e3o monitorando&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA), que prop\u00f4s a renova\u00e7\u00e3o ao Confaz juntamente com as federa\u00e7\u00f5es estaduais de agricultura, associa\u00e7\u00f5es e organiza\u00e7\u00f5es do setor. \u201cA CNA solicitou a proposta para garantir que os insumos agropecu\u00e1rios cheguem aos produtores rurais com pre\u00e7os competitivos. Assim, os produtores rurais podem garantir a continuidade da produ\u00e7\u00e3o de alimentos e abastecimento da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz a <a href=\"https:\/\/www.cnabrasil.org.br\/noticias\/confaz-atende-cna-e-prorroga-convenio-icms-100-para-dezembro\">nota publicada no site da confedera\u00e7\u00e3o<\/a>.<\/p>\n<h1>Santa Catarina amea\u00e7ou cortar benef\u00edcio, mas recuou<\/h1>\n<p>Pela primeira vez no ano passado, um secret\u00e1rio de Fazenda declarou que iria votar contra a renova\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio: Paulo Eli, secret\u00e1rio de Fazenda de Santa Catarina. \u201cAno que vem ser\u00e1 o ano da retirada nacional da isen\u00e7\u00e3o do agrot\u00f3xico, pois Santa Catarina vai votar contra no Confaz na prorroga\u00e7\u00e3o desses benef\u00edcios. J\u00e1 \u00e9 uma decis\u00e3o tomada, ent\u00e3o, a partir de 1\u00ba de maio do ano que vem, agrot\u00f3xico no pa\u00eds vai pagar imposto e isso vale para todos\u201d, discursou o Secret\u00e1rio em audi\u00eancia na assembleia legislativa estadual em junho do ano passado.<!--nextpage--><\/p>\n<p>A fala foi amparada por a\u00e7\u00e3o do governador do estado, Carlos Mois\u00e9s (PSL), que tentou emplacar medida provis\u00f3ria para regular a cobran\u00e7a do ICMS estadual a partir do grau de toxicidade de cada pesticida. <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/02\/enquanto-brasil-debate-isencao-agrotoxicos-europa-tem-imposto-maior-para-os-mais-toxicos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Os produtos mais t\u00f3xicos pagariam mais<\/a><strong>.<\/strong>&nbsp; Em novembro, a Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a do legislativo catarinense derrubou a parte da MP que tratava da taxa\u00e7\u00e3o progressiva por toxicidade.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Kit-de-diagn\u00f3stico-molecular-para-coronav\u00edrus-de-Bio-ManguinhosFiocruz-Bernardo-PortellaFiocruz-800x531.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44796\" \/><figcaption>Com o valor da isen\u00e7\u00e3o seria poss\u00edvel adquirir mais de 82 milh\u00f5es de testes r\u00e1pidos de covid-19, que custam R$ 75 cada (Foto: Bernardo Portella\/Fiocruz)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mas o discurso mudou conforme aumentaram as cr\u00edticas dos setores agropecu\u00e1rio e de aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Em carta aberta, o presidente da Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Estado de Santa Catarina (Faesc), Jos\u00e9 Zeferino Pedrozo, afirmou que a posi\u00e7\u00e3o do governador n\u00e3o tinha sustenta\u00e7\u00e3o na realidade e nem na ci\u00eancia. Em <a href=\"http:\/\/www.alesc.sc.gov.br\/deputados\/Milton%20Hobus\/pronunciamento\/3a3cb8c7878f6b99c41a17d1551f33a4552fd94e\">carta<\/a>, ele diz que \u201ca desinforma\u00e7\u00e3o do Governador o faz acreditar que a agricultura catarinense emprega &#8216;muito veneno&#8217;. Esse discurso \u00e9 pr\u00f3prio de quem nunca colocou o p\u00e9 na zona rural, n\u00e3o tem a m\u00ednima no\u00e7\u00e3o do que vem a ser a atividade agr\u00edcola\u201d.<\/p>\n<p>\u201cIdeologias de esquerda sendo implantadas no Estado mais liberal do Brasil. Os catarinenses votaram no verde-amarelo e est\u00e3o vendo nascer o vermelho em Santa Catarina?&#8221; atacou <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/LucianoHangOficial\/photos\/a.1975373969368785\/2410412272531617\/?type=1&amp;theater\">em publica\u00e7\u00e3o no Facebook<\/a> o empres\u00e1rio catarinense, Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, apoiador e colaborador do presidente. &#8220;Quem vai pagar esta conta mais uma vez \u00e9 a popula\u00e7\u00e3o com a perda da competitividade no agroneg\u00f3cio e aumento nos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas\u201d.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, um m\u00eas antes da vota\u00e7\u00e3o, o governo catarinense oficialmente voltou atr\u00e1s. Durante audi\u00eancia p\u00fablica na Assembleia Legislativa, o secret\u00e1rio Paulo Eli, descartou a possibilidade em discurso p\u00fablico. A Ag\u00eancia P\u00fablica e a Rep\u00f3rter Brasil solicitaram uma entrevista para esclarecer os motivos da mudan\u00e7a radical de posi\u00e7\u00e3o. Por meio da assessoria de imprensa, ele afirmou que o \u201cEstado de Santa Catarina tem trabalhado incansavelmente em estudos e protocolos para a retomada das atividades econ\u00f4micas ap\u00f3s os avan\u00e7os do novo coronav\u00edrus e n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel atend\u00ea-lo\u201d.<\/p>\n<h1>Un\u00e2nimes em arrecadar menos<\/h1>\n<p>Todas as unidades da Federa\u00e7\u00e3o perderam recursos devido \u00e0 isen\u00e7\u00e3o do ICMS (Confira o mapa). O Mato Grosso foi o que mais deixou de arrecadar, mais de R$ 1,3 bilh\u00e3o em 2017. Seguidos por S\u00e3o Paulo, com R$ 953 milh\u00f5es, e Rio Grande do Sul, com R$ 945 milh\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"282a0f2a-5899-460d-9159-49ae31fb345b\" data-type=\"interactive\" data-title=\"ICMS por estado \"><\/div>\n<p>!function(e,i,n,s){var t=&#8221;InfogramEmbeds&#8221;,d=e.getElementsByTagName(&#8220;script&#8221;)[0];if(window[t]&amp;&amp;window[t].initialized)window[t].process&amp;&amp;window[t].process();else if(!e.getElementById(n)){var o=e.createElement(&#8220;script&#8221;);o.async=1,o.id=n,o.src=&#8221;https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js&#8221;,d.parentNode.insertBefore(o,d)}}(document,0,&#8221;infogram-async&#8221;);<\/p>\n<div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/282a0f2a-5899-460d-9159-49ae31fb345b\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ICMS por estado <\/a><br \/><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow noopener noreferrer\">Infogram<\/a><\/div>\n<p>O motivo de ter um sistema de decis\u00e3o unificado como o previsto no Confaz \u00e9 impedir uma guerra fiscal. \u201cOs conv\u00eanios impedem, por exemplo, que um estado n\u00e3o incentive uma subst\u00e2ncia enquanto o outro oferece 60% de benef\u00edcio. Em um cen\u00e1rio onde isso ocorre, teria a migra\u00e7\u00e3o de um setor econ\u00f4mico para o estado que der mais benef\u00edcio e que geraria uma guerra fiscal\u201d, explica Naiara da Terra de Direitos.<\/p>\n<p>A reportagem perguntou a cada um dos secret\u00e1rios de Fazenda dos 26 estados e Distrito Federal o que os levou a renovar a isen\u00e7\u00e3o em meio \u00e0 crise .&nbsp;<\/p>\n<p>Para a secretaria de S\u00e3o Paulo, uma revis\u00e3o do benef\u00edcio seria do interesse do Estado, que \u201ch\u00e1 tempos vem discutindo amplamente com os outros entes do Confaz altera\u00e7\u00f5es nos benef\u00edcios para agrot\u00f3xicos e fertilizantes&#8221;. Mas argumenta que s\u00f3 votaria contra caso todos os outros estados fizessem o mesmo.<\/p>\n<p>Para Rond\u00f4nia, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel \u201cuma decis\u00e3o isolada sobre tema de tamanha complexidade e com profundos impactos na agricultura do Estado, posto que poderia isolar e inviabilizar completamente as atividades em nossa unidade federada\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Sefaz do Par\u00e1 acredita que a altera\u00e7\u00e3o legal durante um momento da pandemia do coronav\u00edrus, com o fim do benef\u00edcio, poderia ter um impacto negativo no setor. As secretarias do Acre, Bahia, Distrito Federal, Esp\u00edrito Santo e Rio Grande do Sul afirmam terem decidido votar pela renova\u00e7\u00e3o devido aos efeitos tribut\u00e1rios em toda a cadeia agr\u00edcola. <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=1iQV9wZqDW4JkOo-hcvaYNdxW3t3i1E6F\">Confira na \u00edntegra a resposta de todas as Secretarias de Fazenda<\/a>.<\/p>\n<p>As secretarias de Fazenda de Alagoas, Amap\u00e1, Amazonas, Cear\u00e1, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais,&nbsp; Para\u00edba, Paran\u00e1, Pernambuco, Piau\u00ed, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins n\u00e3o responderam o questionamento da reportagem.<!--nextpage--><\/p>\n<h1>A\u00e7\u00e3o no STF busca derrubar o benef\u00edcio<\/h1>\n<p>Uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade que ser\u00e1 julgada no Supremo Tribunal Federal (STF) questiona os benef\u00edcios fiscais recebidos pelos agrot\u00f3xicos, incluindo o do conv\u00eanio renovado essa semana. A ADI 5.553 foi protocolada pelo Psol em 2016 e chegou a ser colocada em pauta para vota\u00e7\u00e3o em 19 de fevereiro deste ano, mas a vota\u00e7\u00e3o foi adiada.<\/p>\n<p>&nbsp;\u201cEntendemos que, se voc\u00ea isenta os venenos agr\u00edcolas para baratear o seu custo, a pr\u00f3pria sociedade acaba pagando por isso, devido \u00e0s interna\u00e7\u00f5es no SUS e mortes ligadas ao uso de agrot\u00f3xicos\u201d, afirma o ex-deputado federal e presidente da Organiza\u00e7\u00e3o dos Advogados do Brasil (OAB) do Cear\u00e1 Jo\u00e3o Alfredo, que levou o projeto ao Psol.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/Pulveriza\u00e7\u00e3o-agrot\u00f3xico-shutterstokc-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-36115\" \/><figcaption>H\u00e1 23 anos em vigor, entra e sai governo e o benef\u00edcio bilion\u00e1rio aos produtos agrot\u00f3xicos nunca foi derrubado (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O relator da a\u00e7\u00e3o, ministro Edson Fachin, questionou as raz\u00f5es que justificam a ren\u00fancia fiscal \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos. Na resposta, o secret\u00e1rio substituto, Ivandr\u00e9 Montiel da Silva, diz que na ata da reuni\u00e3o em que o conv\u00eanio foi aprovado, em 4 de janeiro de 1997, n\u00e3o consta a justificativa para a inclus\u00e3o de agrot\u00f3xicos, \u201chavendo apenas refer\u00eancia \u00e0 preocupa\u00e7\u00e3o do ent\u00e3o Presidente do Conselho quanto aos poss\u00edveis efeitos negativos da aus\u00eancia de incentivos fiscais aos insumos agr\u00edcolas, por meio da eleva\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os de insumos que comp\u00f5em a cesta b\u00e1sica\u201d, <a href=\"https:\/\/drive.google.com\/open?id=19SchY0VYQx-cGkH-u7T66oXxX_9hdFbU\">escreve o secret\u00e1rio no documento<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p>Na C\u00e2mara federal, um&nbsp; Projeto de Decreto Legislativo (PDL) foi protocolado pelo<strong> <\/strong>deputado C\u00e9lio Studart (PV\/CE) para anular o Conv\u00eanio em quest\u00e3o. \u201cAs ren\u00fancias fiscais s\u00e3o compreendidas como formas de estimular setores da economia&#8221;, explica o deputado. &#8220;Mas a concess\u00e3o de benef\u00edcios fiscais como estes, direcionados aos impostos que incidem sobre os agrot\u00f3xicos, s\u00e3o uma forma de est\u00edmulo ao uso destas subst\u00e2ncias, o que vai na contram\u00e3o das discuss\u00f5es mundiais sobre sa\u00fade p\u00fablica e preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no Cear\u00e1, o deputado estadual Renato Roseno (Psol) argumenta que o benef\u00edcio n\u00e3o \u00e9 dirigido aos alimentos da cesta b\u00e1sica, que tem redu\u00e7\u00e3o de apenas 58% do ICMS. &#8220;Esse dado desfaz o discurso de que o incentivo visa beneficiar o consumidor por meio de uma maior oferta de alimentos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ele lembra que at\u00e9 mesmo a secret\u00e1ria de fazenda do estado, que tamb\u00e9m votou a favor da isen\u00e7\u00e3o aos pesticidas, tem artigos publicados em que critica o benef\u00edcio. No texto, Fernanda Pacobahyba argumenta contra o est\u00edmulo a \u201cum com\u00e9rcio nitidamente danoso ao meio ambiente\u201d e afirma que &#8220;n\u00e3o existe comiss\u00e3o ou grupo de trabalho, dentro da estrutura do Confaz, que trate de quest\u00f5es ambientais e que venham a avaliar o impacto da ado\u00e7\u00e3o de uma medida dessa largueza\u201d.<\/p>\n<p>Procurada, a secret\u00e1ria n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista.<\/p>\n<h1>Ind\u00fastria fala em preju\u00edzo de R$ 40 bi<\/h1>\n<p>A CropLife Brasil, associa\u00e7\u00e3o que representa empresas produtoras de agrot\u00f3xicos como Basf, Bayer, Corteva, FMC e Syngenta, estima que o impacto do fim da isen\u00e7\u00e3o aos agrot\u00f3xicos seria em R$ 16 bilh\u00f5es, onerando a produ\u00e7\u00e3o das principais culturas do pa\u00eds: soja, milho, cana, caf\u00e9, laranja, ma\u00e7\u00e3, trigo, arroz e algod\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo a associa\u00e7\u00e3o, cobrar o tributo afetaria a rentabilidade das culturas de modo consider\u00e1vel e poderia at\u00e9 invi\u00e1biliz\u00e1-las em alguns casos. O impacto do fim do benef\u00edcio na carga tribut\u00e1ria em toda a cadeia produtiva \u00e9 estimado em R$ 40 bilh\u00f5es pela CropLife.<\/p>\n<p>O setor do agroneg\u00f3cio comemorou a renova\u00e7\u00e3o do conv\u00eanio. Para o Sindicato Nacional da Ind\u00fastria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) a redu\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria \u00e9 &#8220;essencial para evitar o aumento de custo na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, mas tamb\u00e9m para garantir mais disponibilidade e mais acesso econ\u00f4mico aos alimentos pela popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Para a CNA, a medida \u00e9 importante em um momento de crise. \u201cEssa medida \u00e9 importante, pois vai reduzir o custo de produ\u00e7\u00e3o para os produtores rurais mantendo a competitividade dos custos de produ\u00e7\u00e3o, principalmente nesse momento de turbul\u00eancia econ\u00f4mica\u201d, afirma o coordenador do N\u00facleo Econ\u00f4mico da CNA, Renato Conchon.<\/p>\n<h1>Agroneg\u00f3cio n\u00e3o deve ser afetado pela crise<\/h1>\n<p>A pandemia do Covid-19 e o isolamento social trar\u00e1 preju\u00edzo financeiro de US$ 1 trilh\u00e3o \u00e0 economia global apenas em 2020 segundo estimativa da Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Com\u00e9rcio e Desenvolvimento (Unctad). Mas o agroneg\u00f3cio n\u00e3o \u00e9 um dos setores mais afetados.<!--nextpage--><\/p>\n<p>&nbsp;\u201cO setor agropecu\u00e1rio n\u00e3o sofrer\u00e1 um impacto significativo durante o per\u00edodo de quarentena, \u00e9 um setor que depende mais do clima do que de outro fator. E como o clima foi bom na maioria dos estados, com exce\u00e7\u00e3o do Rio Grande do Sul, tivemos estados batendo recorde de produ\u00e7\u00e3o\u201d, conta Jos\u00e9 Luiz Pagnussat, ex-presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Federal da Economia (Cofecon).<\/p>\n<p>A safra agr\u00edcola de 2020 dever\u00e1 ser recorde, com estimativa de atingir 245 milh\u00f5es de toneladas, 3 milh\u00f5es a mais que no ano anterior &#8211; um crescimento de 1,5% -, de acordo com o Levantamento Sistem\u00e1tico da Produ\u00e7\u00e3o Agr\u00edcola de janeiro, divulgado no come\u00e7o de abril pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Como as commodities agr\u00edcolas s\u00e3o exportadas com valor base em d\u00f3lar, a alta da moeda americana tamb\u00e9m \u00e9 positiva para o setor. \u201cOcorreu uma pequena redu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os internacionais de muitos produtos, mas no caso brasileiro isso \u00e9 mais do que compensado com o aumento do c\u00e2mbio\u201d, explica o economista Jos\u00e9 Luiz Pagnussat<strong>. <\/strong>O que far\u00e1 despesas do setor aumentar \u00e9 o pre\u00e7o dos fertilizantes e agrot\u00f3xicos. \u201cS\u00e3o produtos que est\u00e3o muito caros hoje porque tem por base o valor do d\u00f3lar\u201d, completa.<\/p>\n<p>Mas a CropLife Brasil afirma que, por enquanto, as produtoras de agrot\u00f3xicos n\u00e3o est\u00e3o sofrendo com a crise. \u201cAt\u00e9 o momento, o impacto para as empresas de defensivos qu\u00edmicos, biol\u00f3gicos, sementes e biotecnologia n\u00e3o \u00e9 significativo&#8221;.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de precisar de ajuda, o setor do agroneg\u00f3cio poderia justamente ser aquele a ajudar a economia do pa\u00eds no momento de crise, conforme confirma a nota da associa\u00e7\u00e3o: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 registro no pa\u00eds de f\u00e1bricas parando, falta de insumos b\u00e1sicos nem interrup\u00e7\u00e3o no fluxo de transporte. Acreditamos que o agroneg\u00f3cio tem potencial para ajudar a economia brasileira a se recuperar mais rapidamente desta crise sem precedentes na hist\u00f3ria recente\u201d, conclui a nota.<\/p>\n<p><!--StartFragment--><\/p>\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n<div class=\"wp-block-button aligncenter is-style-outline\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/portrasdoalimento.info\/\">Por tr\u00e1s do alimento<\/a><\/div>\n<p>Esta reportagem faz parte do projeto Por Tr\u00e1s do Alimento, uma parceria da Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil para investigar o uso de agrot\u00f3xicos. Clique para ler a cobertura completa no site do projeto.<\/p>\n<p><!--EndFragment--><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/04\/governadores-renovam-isencao-de-r-6-bi-para-agrotoxicos-em-meio-a-crise\/\">Governadores renovam isen\u00e7\u00e3o de R$ 6 bi para agrot\u00f3xicos em meio \u00e0 crise<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<br \/>\nInfoeconomico.com.br<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio a uma pandemia que gera demandas econ\u00f4micas urgentes para os cofres p\u00fablicos, governadores de todo o pa\u00eds decidiram prorrogar uma isen\u00e7\u00e3o fiscal que beneficia a venda de agrot\u00f3xicos. O acordo permite a desonera\u00e7\u00e3o de 30% a 60% do ICMS nas comercializa\u00e7\u00f5es interestaduais de pesticidas e outros insumos agropecu\u00e1rios, o que significa que os [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[288,43],"class_list":["post-223370","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-central-noticias","tag-economiabrasil","tag-infoeconomico-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223370","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223370"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223370\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223370"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223370"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223370"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}