{"id":223319,"date":"2025-11-03T20:12:58","date_gmt":"2025-11-03T23:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/justica-nega-censura-de-materia-da-reporter-brasil-sobre-trabalho-escravo\/"},"modified":"2025-11-03T20:12:58","modified_gmt":"2025-11-03T23:12:58","slug":"justica-nega-censura-de-materia-da-reporter-brasil-sobre-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/justica-nega-censura-de-materia-da-reporter-brasil-sobre-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Justi\u00e7a nega censura de mat\u00e9ria da Rep\u00f3rter Brasil sobre trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>ganhou a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a que garantiu a perman\u00eancia, no site, de duas reportagens publicadas em 2010 sobre a opera\u00e7\u00e3o de auditores fiscais do trabalho que acabou colocando o empregador na \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo. Na decis\u00e3o, a ju\u00edza Leonor Severo, do Tribunal de Justi\u00e7a do Paran\u00e1, afirma que \u201cas reportagens se limitaram a atestar os acontecimentos daquela \u00e9poca, cujo conte\u00fado, ali\u00e1s, tem ineg\u00e1vel car\u00e1ter p\u00fablico e, portanto, jornal\u00edstico\u201d.<\/p>\n<p>O autor da a\u00e7\u00e3o, Wilson Dissenha, \u00e9 diretor-presidente da Madepar Ind\u00fastria e Com\u00e9rcio, cujas fazendas no interior do Paran\u00e1 foram fiscalizadas em 2010 e onde foram encontrados 67 trabalhadores condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Entre as v\u00edtimas, cinco eram adolescentes com menos de 18 anos. Barrac\u00f5es de madeiras e at\u00e9 um cont\u00eainer improvisado abrigavam parte dos empregados. N\u00e3o havia camas ou colch\u00f5es suficientes para todos e alguns trabalhadores dividiam a mesma cama.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Justi\u00e7a-800x442.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44784\" \/><figcaption>&#8216;A senten\u00e7a foi muito importante que o passado n\u00e3o seja apagado e esquecido&#8217;, afirma o advogado Andr\u00e9 Ferreira, do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (Foto: Bill Oxford\/Unsplash)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No ano seguinte \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o, em 2011, o nome da empresa e do diretor-presidente foram inclu\u00eddos na \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo. Ambos recorreram \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho para sair do cadastro e foram retirados da lista em novembro de 2012 por determina\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a. <\/p>\n<p>Com a retirada de seu nome da \u2018lista suja\u2019, Dissenha recorreu mais uma vez ao Judici\u00e1rio, desta vez pedindo que a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> retirasse de seu site as duas reportagens. O autor afirmava que os textos continham \u201cmen\u00e7\u00f5es depreciativas e inver\u00eddicas\u201d, al\u00e9m de gerar \u201cincomensur\u00e1veis preju\u00edzos, pois ostentam a pecha de maus empregadores e praticantes de delitos, quando nenhuma m\u00e1cula pende\u201d. O empres\u00e1rio tamb\u00e9m afirma, na a\u00e7\u00e3o, que as reportagens ferem o direito \u00e0 privacidade, \u00e0 personalidade e ao \u201cesquecimento\u201d.&nbsp;<\/p>\n<p>A ju\u00edza, no entanto, ao proferir decis\u00e3o contr\u00e1ria ao empres\u00e1rio, argumentou que a retirada de men\u00e7\u00e3o a ele na \u2018lista suja\u2019 n\u00e3o quer dizer que o seu nome nunca tenha entrado no cadastro. \u201cA exclus\u00e3o da empresa autora da lista em quest\u00e3o n\u00e3o afasta o fato de que naquele per\u00edodo tinha sido inclu\u00edda.\u201d Al\u00e9m disso, a ju\u00edza acatou argumentos da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> de que a Constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o permite censura de \u201creportagens que, ao dispor de informa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e verdadeiras, incomodem\u201d e que retirar conte\u00fado on-line \u00e9 o equivalente a mandar destruir arquivos f\u00edsicos de ve\u00edculos de m\u00eddia impressa. <\/p>\n<p>&#8220;A senten\u00e7a foi muito importante para garantir a visibilidade do tema e para que o passado n\u00e3o seja apagado e esquecido&#8221;, afirma o advogado Andr\u00e9 Ferreira, do Coletivo de Advocacia em Direitos Humanos (CADhu). <\/p>\n<h1>Resgate de trabalhadores<\/h1>\n<p>A \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo \u00e9 uma base p\u00fablica de dados criada pelo governo federal em novembro de 2003 e atualizada a cada seis meses desde ent\u00e3o. O cadastro exp\u00f5e empregadores responsabilizados por condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o a partir de resgates de trabalhadores. Antes de entrar no cadastro, empregadores t\u00eam direito de se defenderem em duas inst\u00e2ncias administrativas no Minist\u00e9rio da Economia. Permanecem por, no m\u00ednimo, dois anos, a menos que se comprometam a cumprir uma s\u00e9rie de compromissos atrav\u00e9s de um acordo com o governo \u2013 nesse caso, ficam em uma lista de observa\u00e7\u00e3o por um ano.<\/p>\n<p>\u00c9 comum, entretanto, que empresas recorram \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho para pedirem a retirada do nome da \u2018lista suja\u2019. E tentem na Justi\u00e7a comum a censura da mat\u00e9rias jornal\u00edsticas.<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/04\/justica-nega-censura-de-materia-da-reporter-brasil-sobre-trabalho-escravo\/\">Justi\u00e7a nega censura de mat\u00e9ria da Rep\u00f3rter Brasil sobre trabalho escravo<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<br \/>\nInfoeconomico.com.br<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Rep\u00f3rter Brasil ganhou a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a que garantiu a perman\u00eancia, no site, de duas reportagens publicadas em 2010 sobre a opera\u00e7\u00e3o de auditores fiscais do trabalho que acabou colocando o empregador na \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo. 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