{"id":223057,"date":"2025-11-03T20:12:46","date_gmt":"2025-11-03T23:12:46","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/brasilia-faz-60-anos-encontra-novas-vocacoes-mas-mantem-desigualdade\/"},"modified":"2025-11-03T20:12:46","modified_gmt":"2025-11-03T23:12:46","slug":"brasilia-faz-60-anos-encontra-novas-vocacoes-mas-mantem-desigualdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/brasilia-faz-60-anos-encontra-novas-vocacoes-mas-mantem-desigualdade\/","title":{"rendered":"Bras\u00edlia faz 60 anos, encontra novas voca\u00e7\u00f5es, mas mant\u00e9m desigualdade"},"content":{"rendered":"<p>A claridade de Bras\u00edlia fechou a retina dos olhos verdes do garoto Will, com 14 anos incompletos. Era 13 de janeiro\u00a0de 1959, ele fazia sua primeira viagem de avi\u00e3o, vindo de S\u00e3o Paulo para morar na nova capital federal. O voo era da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea de S\u00e3o Paulo (Vasp), uma das seis companhias que mantinham rotas regulares para Bras\u00edlia, como a Loide A\u00e9reo Nacional, Real Aerovias, Paraense, Sadia, Cruzeiro do Sul, todas extintas.<\/p>\n<p>De dentro do avi\u00e3o teve a primeira miragem da amplid\u00e3o do cerrado, no qual Juscelino Kubistchek decidiu criar a cidade. Mesmo lugar onde, 60 anos mais tarde, Wilson Pereira Rodrigues, agora com 74 anos, ainda vive com sua fam\u00edlia e trabalha. Ele tem tr\u00eas filhos (um homem e duas mulheres) e duas netas. Todos brasilienses.<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=162229:cheio_8colunas --><a href=\"\/atom\/162229\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/20191224_221808.jpg\" \/><\/a><!-- END scald=162229 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=162229-->Willson (ao centro) veio para Bras\u00edlia aos 14 anos e formou fam\u00edlia na cidade. &#8211; <strong>fam\u00edlia Dunguel Pereira.<\/strong><!--END copyright=162229--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Will ou Wilson tem mem\u00f3rias de Bras\u00edlia do ar, da terra e da \u00e1gua. Quando menino, tomava banho no C\u00f3rrego Guar\u00e1 e no Riacho Fundo. Andava de bicicleta, comia fruta do cerrado no p\u00e9 e ca\u00e7ava passarinho em uma \u00e1rea de mata que ia da antiga Cidade Livre (hoje N\u00facleo Bandeirante) at\u00e9 pr\u00f3ximo ao antigo aeroporto (hoje Base A\u00e9rea).<\/p>\n<p>\u201cA sensa\u00e7\u00e3o era de estar de f\u00e9rias no meio do mato. Era o oposto de morar em S\u00e3o Paulo\u201d, onde ficaram av\u00f3s, tios e primos. Wilson se divertia, mas estudava &#8211; no Gin\u00e1sio Bras\u00edlia (GB) da rede La Salle (fundado em 1957) &#8211; e trabalhava, no Hotel e Churrascaria Presidente, na mesma Cidade Livre, de propriedade do seu pai \u2013 um pequeno empres\u00e1rio que depois teve outros neg\u00f3cios como uma distribuidora de g\u00e1s (na Asa Norte), uma padaria e uma madeireira (em Sobradinho).<\/p>\n<p>Wilson ajudou o pai nos neg\u00f3cios e depois serviu o Ex\u00e9rcito em 1964, no batalh\u00e3o da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Mais tarde, concluiu estudos no col\u00e9gio Elefante Branco, primeiro centro de ensino cient\u00edfico e para normalistas na cidade. L\u00e1 tamb\u00e9m estudava a sua futura esposa, Walkiria Dunguel Pereira, por quem ele\u00a0se encantou numa festa do clube da Sociedade Desportiva Sobradinhense (Sodeso). Ele trabalhou na Companhia de Erradica\u00e7\u00e3o de Favelas (CEI)\u00a0e fez curso de geologia na Universidade de Bras\u00edlia (UnB).<\/p>\n<p>\u201cTudo aqui foi mais f\u00e1cil. N\u00e3o teria feito o curso que fiz se tivesse ficado em S\u00e3o Paulo. Tamb\u00e9m foi mais f\u00e1cil criar meus filhos\u201d, avalia ap\u00f3s rever a vida. Trabalhou por quase 20 anos na estatal Sider\u00fargica (Siderbr\u00e1s), onde se tornou um dos maiores especialistas em carv\u00e3o do pa\u00eds.\u00a0Hoje, anistiado entre os empregados p\u00fablicos demitidos no governo Collor, trabalha no Minist\u00e9rio de Minas e Energia.<\/p>\n<h2>Outras voca\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>A trajet\u00f3ria de Wilson, na Bras\u00edlia que se inaugurava, foi bastante diferente dos rumos que os filhos tomaram quando Bras\u00edlia se amadurecia, perdia a vegeta\u00e7\u00e3o original e criava mais jeito de cidade. O filho mais velho, Alexandre Dunguel Pereira (49 anos), por exemplo, \u00e9 formado em Publicidade. Chegou a trabalhar em reparti\u00e7\u00e3o p\u00fablica, mas h\u00e1 20 anos \u00e9 empres\u00e1rio, apesar das recomenda\u00e7\u00f5es da m\u00e3e &#8211; que sempre o informa de concursos p\u00fablicos que est\u00e3o com inscri\u00e7\u00f5es abertas.<\/p>\n<p>Junto com outros dois s\u00f3cios na mesma faixa et\u00e1ria, tamb\u00e9m criados em Bras\u00edlia, Dunguel abriu uma firma para solu\u00e7\u00f5es em comunica\u00e7\u00e3o e tecnologia. Com o tempo, se especializaram em monitoramento de m\u00eddia.\u00a0Hoje\u00a0a empresa mant\u00e9m a sede em Bras\u00edlia, disp\u00f5e de filiais no Rio e em S\u00e3o Paulo, tem cerca de 100 clientes &#8211; a maioria empresas privadas e 80% fora da capital federal &#8211; e emprega 90 pessoas nas tr\u00eas pra\u00e7as. \u201cAcabou que esse percurso pela iniciativa privada foi se abrindo e se tornou um bom caminho\u201d, diz o empres\u00e1rio.<\/p>\n<p>As diferen\u00e7as das jornadas do pai e do filho ilustram como Bras\u00edlia, apesar de ser a sede da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica federal, com o tempo encontrou outras voca\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas. De acordo com <a href=\"http:\/\/www.codeplan.df.gov.br\/wp-content\/uploads\/2018\/03\/Mapeamento-da-Atividade-Econ%C3%B4mica-no-DF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan)<\/a>, no Distrito Federal, predomina o setor de servi\u00e7os, e menos de um\u00a0ter\u00e7o (27%) dos empregos est\u00e3o nas reparti\u00e7\u00f5es da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, na defesa ou seguridade social.<\/p>\n<p>O setor de servi\u00e7os atende a empresas e fam\u00edlias com alto poder aquisitivo. Segundo a Pesquisa Nacional de Amostra Domiciliar (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o rendimento m\u00e9dio real no 4\u00ba trimestre de 2019 em Bras\u00edlia foi o maior do pa\u00eds: R$ 3.980, 43% acima da m\u00e9dia nacional (R$ 2.261) e 28% acima de S\u00e3o Paulo (R$ 2.866), que concentra 31% da massa de rendimento do Brasil.<\/p>\n<h2>Fincando ra\u00edzes<\/h2>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=162499:cheio_8colunas --><a href=\"\/atom\/162499\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/brasilia_60_anos_tesourinha_0420202403_2.jpg\" \/><\/a><!-- END scald=162499 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=162499-->Bras\u00edlia 60 Anos &#8211; Tesourinhas &#8211; <strong>Marcello Casal JrAg\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=162499--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Dunguel, como o pai, acha Bras\u00edlia \u201c\u00f3tima para viver\u201d. E apesar de\u00a0ter\u00a0um trabalho que pode ser feito remotamente de qualquer lugar, ainda mora, trabalha e cria a sua filha na cidade. \u201cA gente vai fincando ra\u00edzes. Eu sou filho de Bras\u00edlia.\u201d Segundo ele, o Plano Piloto de L\u00facio Costa ficou preservado \u201cem alguns aspectos\u201d conforme pensou o urbanista. \u201cAqui tem muito verde e espa\u00e7o aberto.\u201d Nesses lugares, \u00e9 <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-04\/carcaras-se-adaptaram-ao-plano-piloto-de-lucio-costa\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">comum ver animais silvestres<\/a>.<\/p>\n<p>Apesar do entusiasmo, Alexandre Dunguel, tem suas cr\u00edticas. Acha que sua filha, Gabriela (12 anos), n\u00e3o desfruta da mesma autonomia e independ\u00eancia que ele tinha na mesma idade. \u201cAs gera\u00e7\u00f5es atuais n\u00e3o t\u00eam a mesma iniciativa que a gente tinha de pegar um \u00f4nibus. A gente sente um pouco sequestrado dessa liberdade, por conta da viol\u00eancia urbana, mas isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>O professor de Sociologia da UnB Arthur Trindade, especializado em pol\u00edticas de combate \u00e0 criminalidade e ex-secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica no Distrito Federal, avalia que, apesar da preocupa\u00e7\u00e3o da sociedade local, Bras\u00edlia tem uma situa\u00e7\u00e3o de crimes letais \u201csemelhante a grandes cidades norte-americanas.\u201d<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre as unidades da Federa\u00e7\u00e3o, o Distrito Federal est\u00e1 entre as cinco unidades com menor taxa de homic\u00eddio por 100 mil habitantes: 20,1 \u2013 quase a metade do Rio de Janeiro\u00a0(38,4) e menos de um\u00a0ter\u00e7o do Rio Grande do Norte (62,8), a pior situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds como aponta o <a href=\"http:\/\/www.ipea.gov.br\/atlasviolencia\/download\/19\/atlas-da-violencia-2019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Atlas da Viol\u00eancia 2019<\/a>, editado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica e pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea).<\/p>\n<p>Segundo Arthur Trindade, o maior problema de seguran\u00e7a em Bras\u00edlia est\u00e1 nos crimes contra o patrim\u00f4nio, como furtos e roubos de carro. O especialista alerta, no entanto, que a situa\u00e7\u00e3o varia dentro do DF. O Plano Piloto, onde moram Alexandre e Wilson, tem situa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a melhor que outros lugares, como as antigamente chamadas cidades-sat\u00e9lites ou os novos assentamentos urbanos distritais. \u201cS\u00e3o coisas bem diferentes. Cada regi\u00e3o administrativa tem uma situa\u00e7\u00e3o distinta.\u201d<\/p>\n<p>O problema da viol\u00eancia cresce nas proximidades do Distrito Federal, na regi\u00e3o metropolitana de influ\u00eancia chamada de Entorno, formada por munic\u00edpios de Goi\u00e1s. Essas localidades funcionam como cidades dormit\u00f3rios de Bras\u00edlia, as pessoas moram l\u00e1 e trabalham no centro da capital. O professor aponta que \u201co impacto da viol\u00eancia no Entorno \u00e9 bem menor que o imagin\u00e1rio sup\u00f5e. [No caso das estat\u00edsticas de homic\u00eddio,] as pessoas matam e morrem nos seus bairros.\u201d<\/p>\n<h2>Desigualdade<\/h2>\n<p>As diferen\u00e7as apontadas pelo soci\u00f3logo quanto \u00e0 viol\u00eancia entre as regi\u00f5es administrativas do Distrito Federal e entre o DF e o Entorno tamb\u00e9m podem ser medidas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 desigualdade.<\/p>\n<p>Dados da Codeplan contabilizam que no Lago Sul, onde vive 1% da popula\u00e7\u00e3o do DF, a renda per capita \u00e9 de R$ 8.317,19. Na Ceil\u00e2ndia, onde moram 15% da popula\u00e7\u00e3o local, a renda per capita \u00e9 de R$ 1.120,02 \u2013 7,42 vezes menor que a do Lago Sul.<\/p>\n<p>No Setor Complementar de Ind\u00fastria e Abastecimento (SCIA), a renda per capita \u00e9 de R$ 569,97 &#8211; 14,59\u00a0vezes menor que a do Lago Sul. Na\u00a0\u00e1rea,\u00a0vive 1,2% da popula\u00e7\u00e3o do DF, inclusive os moradores que residiam pr\u00f3ximos ao Lix\u00e3o da Estrutural, o maior aterro sanit\u00e1rio da Am\u00e9rica Latina em funcionamento at\u00e9 dois anos atr\u00e1s.<\/p>\n<table class=\"dcf-table dcf-table-responsive dcf-table-bordered dcf-table-striped dcf-w-100%\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>Regi\u00e3o administrativa<\/td>\n<td>Estimativa populacional (quantidade %)<\/td>\n<td>Rendimento per capita<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Lago Sul<\/td>\n<td>29.754 (1%)<\/td>\n<td>R$ 8.317,19<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sudoeste\/Octogonal<\/td>\n<td>53.770 (1,9%)<\/td>\n<td>R$ 7.093,21<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Plano Piloto<\/td>\n<td>221.326 (7.7%)<\/td>\n<td>R$ 6.770,21<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Lago Norte<\/td>\n<td>33.103 (1,1%)<\/td>\n<td>R$ 6.394,04<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Park Way<\/td>\n<td>20.511 (0.7%)<\/td>\n<td>R$ 5.959,65<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Jardim Bot\u00e2nico<\/td>\n<td>26.449 (0.9%)<\/td>\n<td>R$ 5.872,08<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>\u00c1guas Claras<\/td>\n<td>161.184 (5,6%)<\/td>\n<td>R$ 4.409,06<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>SIA<\/td>\n<td>1.549 (0,1%)<\/td>\n<td>R$ 3.809,40<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Cruzeiro<\/td>\n<td>31.079 (1,1%)<\/td>\n<td>R$ 3.754,74<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Guar\u00e1<\/td>\n<td>134.002 (4,6%)<\/td>\n<td>R$ 3.642,72<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Vicente Pires<\/td>\n<td>66.491 (2,3%)<\/td>\n<td>R$ 2.698,48<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>N\u00facleo Bandeirante<\/td>\n<td>23.619 (0,8%)<\/td>\n<td>R$ 2.380,94<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sobradinho II<\/td>\n<td>85.574 (3,0%)<\/td>\n<td>R$ 2.358,03<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Taguatinga<\/td>\n<td>205.670 (7,1%)<\/td>\n<td>R$ 2.208,21<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Sobradinho<\/td>\n<td>60.077 (2,1%)<\/td>\n<td>R$ 2.127,06<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Gama<\/td>\n<td>132.466 (4,6%)<\/td>\n<td>R$ 1.597,05<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Candangol\u00e2ndia<\/td>\n<td>16.489 (0,6%)<\/td>\n<td>R$ 1.415,65<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>S\u00e3o Sebasti\u00e3o<\/td>\n<td>115.256 (4,0%)<\/td>\n<td>R$ 1.359,60<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Riacho Fundo<\/td>\n<td>41.410 (1,4%)<\/td>\n<td>R$ 1.310,51<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Planaltina<\/td>\n<td>177.492 (6,2%)<\/td>\n<td>R$ 1.139,82<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Brazl\u00e2ndia<\/td>\n<td>53.534 (1,9%)<\/td>\n<td>R$ 1.120,02<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Ceil\u00e2ndia<\/td>\n<td>432.927 (15%)<\/td>\n<td>R$ 1.120,02<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Samambaia<\/td>\n<td>232.893 (8,1%)<\/td>\n<td>R$ 992,41<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Santa Maria<\/td>\n<td>128.882 (4,5%)<\/td>\n<td>R$ 979,18<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Itapo\u00e3<\/td>\n<td>62.208 (2,2%)<\/td>\n<td>R$ 930,66<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Recanto das Emas<\/td>\n<td>130.043 (4,5%)<\/td>\n<td>R$ 857,74<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Varj\u00e3o<\/td>\n<td>8.802 (0,3%)<\/td>\n<td>R$ 834,23<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Parano\u00e1<\/td>\n<td>65.533 (2,3%)<\/td>\n<td>R$ 826,39<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Fercal<\/td>\n<td>8.583 (0,3%)<\/td>\n<td>R$ 815,93<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Riacho Fundo II<\/td>\n<td>85.658 (3,0%)<\/td>\n<td>R$ 795,03<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>SCIA<\/td>\n<td>35.520 (1,2%)<\/td>\n<td>R$ 569,97<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Distrito Federal<\/td>\n<td>2.881.854 (100%)<\/td>\n<td>R$ 2.461,47<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o do DF com doze munic\u00edpios do Entorno, a discrep\u00e2ncia permanece. Segundo pesquisa da Codeplan, a renda domiciliar m\u00e9dia do conjunto das cidades ao redor de Bras\u00edlia \u00e9 de R$ 2.441,67, duas vezes e meia menor do que a renda domiciliar m\u00e9dia do DF.<\/p>\n<p>Dada essas disparidades, o urbanista Jos\u00e9 Carlos Coutinho, professor em\u00e9rito da UnB, teme que no futuro Bras\u00edlia acabe <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2019-04\/aos-59-anos-brasilia-vira-metropole-e-teme-violencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201csendo um centro hist\u00f3rico cercado de pobreza por todos os lados\u201d<\/a>.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=162231:cheio_8colunas --><a href=\"\/atom\/162231\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/info_gilberto_bsb60anos.png\" \/><\/a><!-- END scald=162231 --><\/div>\n<div class=\"dnd-caption-wrapper\">\n<div class=\"meta\"><!--copyright=162231-->Renda per capita estimada &#8211; <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=162231--><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O professor e especialista em geografia urbana Telmo Amand Ribeiro, que mant\u00e9m um <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC-rHlOtYtB72PL6GJflaP3Q\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">canal no YouTube sobre Bras\u00edlia<\/a>, discorda dessa avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele ressalta que \u201cas antigas cidades-sat\u00e9lites j\u00e1 est\u00e3o virando novos redutos para a classe m\u00e9dia\u201d. O youtuber, no entanto, se preocupa com a exclus\u00e3o das pessoas mais pobres do DF e sua retirada para o Entorno. \u201cO Distrito Federal inteiro est\u00e1 gentrificando e expulsando gente para a regi\u00e3o do Entorno\u201d.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica de Bras\u00edlia faz com que seus cr\u00edticos a chamem de &#8220;ilha da fantasia\u201d. Para Telmo Amand, o termo pode caber para o Plano Piloto, \u00e1rea central e mais rica da cidade, que \u201cest\u00e1 fisicamente separada das demais regi\u00f5es administrativas do Distrito Federal\u201d.<\/p>\n<p>A mesma avalia\u00e7\u00e3o faz o diretor do Instituto de Ci\u00eancia Pol\u00edtica da UnB, Lucio Renn\u00f3, que, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/economia\/noticia\/2020-04\/brasilia-nao-foi-desenhada-para-todos-diz-ex-presidente-da-codeplan\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong><\/a>, destacou que \u201co conjunto do Distrito Federal e as adjac\u00eancias n\u00e3o t\u00eam nada de ilha da fantasia\u201d.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Em termos nacionais e at\u00e9 internacionais, a desigualdade de Bras\u00edlia n\u00e3o a diferencia de outras partes do mundo. O soci\u00f3logo e economista Marcelo Medeiros, ex-morador da cidade, considera que \u201ca desigualdade \u00e9 alta em v\u00e1rios pa\u00edses e o que vemos em Bras\u00edlia se repete na Argentina, na \u00c1frica do Sul, nos Estados Unidos e na China. A desigualdade \u00e9 um problema global e se torna evidente nas metr\u00f3poles.\u201d<\/p>\n<p>As discrep\u00e2ncias da capital federal n\u00e3o correspondem aos sonhos do <a href=\"http:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/geral\/noticia\/2020-04\/agencia-brasil-explica-transferencia-da-capital-para-brasilia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">primeiro brasileiro que quis trazer para o interior do Brasil a sede do poder: Tiradentes<\/a>, cujo dia tamb\u00e9m \u00e9 lembrado em 21 de abril. Duzentos e trinta anos depois dos inconfidentes, o pa\u00eds ainda n\u00e3o \u00e9 a p\u00e1tria imaginada.<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br<br \/>\nFonte: EBC ECONOMIA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A claridade de Bras\u00edlia fechou a retina dos olhos verdes do garoto Will, com 14 anos incompletos. Era 13 de janeiro\u00a0de 1959, ele fazia sua primeira viagem de avi\u00e3o, vindo de S\u00e3o Paulo para morar na nova capital federal. O voo era da Via\u00e7\u00e3o A\u00e9rea de S\u00e3o Paulo (Vasp), uma das seis companhias que mantinham [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[7,288],"class_list":["post-223057","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-central-noticias","tag-economia","tag-economiabrasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223057","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223057"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223057\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223057"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223057"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223057"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}