{"id":222982,"date":"2025-11-03T20:12:42","date_gmt":"2025-11-03T23:12:42","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/coronavirus-expoe-fragilidade-das-farmaceuticas-que-receberam-menor-investimento-da-decada-sob-bolsonaro\/"},"modified":"2025-11-03T20:12:42","modified_gmt":"2025-11-03T23:12:42","slug":"coronavirus-expoe-fragilidade-das-farmaceuticas-que-receberam-menor-investimento-da-decada-sob-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/coronavirus-expoe-fragilidade-das-farmaceuticas-que-receberam-menor-investimento-da-decada-sob-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus exp\u00f5e fragilidade das farmac\u00eauticas, que receberam menor investimento da d\u00e9cada sob Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p>O entusiasmo do presidente Jair Bolsonaro em torno da cloroquina \u2013 rem\u00e9dio antimal\u00e1rico em teste contra a covid-19 \u2013 contrasta com a redu\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo \u00e0 ind\u00fastria farmac\u00eautica durante seu primeiro ano de mandato.<\/p>\n<p>Os investimentos federais em produ\u00e7\u00e3o e pesquisa farmac\u00eautica no setor privado ca\u00edram 63% em 2019, segundo levantamento da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> junto aos dois principais financiadores p\u00fablicos, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia.&nbsp;<\/p>\n<p>No ano passado, o investimento total dos dois \u00f3rg\u00e3os no setor foi de R$ 306 milh\u00f5es, ante R$ 840 milh\u00f5es em 2018. \u00c9 o \u00edndice mais baixo de investimentos desde 2009. Desde 2004, quando o governo federal definiu a sa\u00fade como \u00e1rea priorit\u00e1ria de investimento industrial e ampliou as linhas de financiamento, os recursos aplicados nas farmac\u00eauticas chegaram a R$ 8,66 bilh\u00f5es \u2013 m\u00e9dia de R$ 541 milh\u00f5es por ano. Os dados consideram somente os valores liberados e n\u00e3o incluem recursos empregados pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em laborat\u00f3rios p\u00fablicos.&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto caem os investimentos p\u00fablicos no setor, crescem os gastos com a importa\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios, vacinas e insumos farmac\u00eauticos [mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios]. A balan\u00e7a comercial atingiu em 2018 e 2019 recorde negativo hist\u00f3rico de US$ 6,9 bilh\u00f5es, segundo o Minist\u00e9rio da Economia. Foram US$ 8,1 bilh\u00f5es em importa\u00e7\u00f5es e US$ 1,2 bilh\u00e3o em exporta\u00e7\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros revelam o alto grau de depend\u00eancia externa tanto de medicamentos prontos como de mat\u00e9ria-prima farmac\u00eautica, afirma Paulo Henrique de Almeida Rodrigues, professor do Instituto de Medicinal Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). O Brasil hoje importa 90% dos ingredientes b\u00e1sicos usados na fabrica\u00e7\u00e3o, principalmente da China e da \u00cdndia.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 a d\u00e9cada de 1990, o Brasil tinha produ\u00e7\u00e3o local, mas as empresas foram extintas e n\u00e3o houve substitui\u00e7\u00e3o. O pa\u00eds ficou extremamente vulner\u00e1vel \u00e0 importa\u00e7\u00e3o de insumos\u201d, afirma Rodrigues.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fabrica-libbs-divulgacao-2-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44639\" \/><figcaption> F\u00e1brica de medicamentos biol\u00f3gicos da Libbs, erguida com recursos pr\u00f3prios e financiamento do BNDES (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Libbs)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A crise do novo coronav\u00edrus deixa evidente a fragilidade da ind\u00fastria nacional. Com o isolamento social na China (em fevereiro) e na \u00cdndia (em vigor), houve queda nos dois pa\u00edses na produ\u00e7\u00e3o de insumos farmac\u00eauticos, que s\u00e3o disputados tamb\u00e9m por empresas da Europa e dos Estados Unidos. H\u00e1 ainda dificuldades log\u00edsticas, j\u00e1 que o transporte \u00e9 feito principalmente por voos de passageiros, que enfrentam redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica.<\/p>\n<p>Os dois principais produtos em falta hoje s\u00e3o a cloroquina e a hidroxicloroquina. A \u00cdndia, uma das maiores fabricantes do mundo, proibiu em mar\u00e7o a venda desses e outros insumos utilizados no combate \u00e0 covid-19. Outras classes de rem\u00e9dios tamb\u00e9m est\u00e3o amea\u00e7adas. A ag\u00eancia europeia de medicamentos <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.ema.europa.eu\/en\/news\/eu-authorities-agree-new-measures-support-availability-medicines-used-covid-19-pandemic\" target=\"_blank\">afirmou<\/a> que o continente tem baixo estoque e risco de desabastecimento de anestesias e antibi\u00f3ticos usados para tratar o novo coronav\u00edrus. A<strong> Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/04\/coronavirus-remedios-devem-ficar-mais-caros-mesmo-apos-bolsonaro-adiar-reajuste\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">mostrou<\/a> no \u00faltimo dia 3 que a produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios j\u00e1 est\u00e1 mais cara no Brasil, e que os pre\u00e7os tendem a subir.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUma crise como a do coronav\u00edrus, em que h\u00e1 dificuldade para importar produtos farmac\u00eauticos, mostra as nossas car\u00eancias em sa\u00fade&#8221;, diz a economista Julia Paranhos, pesquisadora da UFRJ. Al\u00e9m da redu\u00e7\u00e3o de investimento nas empresas, ela aponta queda no incentivo \u00e0 pesquisa em tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. \u201cIsso tudo vai contra as pol\u00edticas que vinham sendo implementadas no Brasil, que tinham objetivo de fortalecer essa ind\u00fastria e diminuir a depend\u00eancia externa\u201d.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o momento, n\u00e3o vimos medidas de est\u00edmulo do governo para o Complexo industrial da Sa\u00fade. Dever\u00edamos estar neste momento incentivando a produ\u00e7\u00e3o local desses medicamentos para reduzir nossa depend\u00eancia\u201d, afirma D\u00e9bora Melecchi, coordenadora da Comiss\u00e3o Intersetorial de Ci\u00eancia, Tecnologia e Assist\u00eancia Farmac\u00eautica do Conselho Nacional de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Questionado, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade n\u00e3o se manifestou at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<h1>Pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o<br \/><\/h1>\n<p><a href=\"http:\/\/finep.gov.br\/noticias\/todas-noticias\/5985-pesquisa-sem-preconceito\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Alvo de cr\u00edticas do presidente Jair Bolsonaro<\/a> na campanha eleitoral, o BNDES foi quem mais cortou verbas. Foram aplicados R$ 87,5 milh\u00f5es em 2019, ante R$ 370 milh\u00f5es em 2018. \u00c9 o menor valor investido pelo banco no setor farmac\u00eautico desde 2001 (R$ 52 milh\u00f5es). O BNDES Profarma, programa criado pelo banco em 2004 para estimular a ind\u00fastria, foi extinto em 2016. O departamento respons\u00e1vel pelo setor tamb\u00e9m foi desfeito e incorporado a outras \u00e1reas do banco.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O BNDES diz que o investimento caiu em 2019 pois o ano passado representou \u201co fim de um ciclo de investimento para o in\u00edcio de um novo\u201d. \u201cEsses ciclos costumam ter dura\u00e7\u00e3o de tr\u00eas a quatro anos e s\u00e3o renovados \u00e0 medida que a capacidade produtiva atinge seu \u00e1pice\u201d, diz o banco, em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. O BNDES diz que as opera\u00e7\u00f5es aprovadas em 2019 aumentaram quatro vezes em rela\u00e7\u00e3o a 2018 e que o desembolso voltou a crescer em 2020 (leia a nota completa).<\/p>\n<p>Na Finep, os valores liberados em 2019 somaram R$ 219 milh\u00f5es, queda de 53% ante os R$ 470 milh\u00f5es investidos no ano anterior. A maior parte do investimento foi para o programa de inova\u00e7\u00e3o da Hypera Pharma (R$ 111 milh\u00f5es). A fabricante de gen\u00e9ricos (ex-Hypermarcas) \u00e9 a que mais recebeu recursos p\u00fablicos nos \u00faltimos 16 anos: R$ 1,6 bilh\u00e3o. Procurada, a Finep diz que segue apoiando o setor farmac\u00eautico e disponibilizando as linhas de cr\u00e9dito previstas. \u201cEventuais aumentos e redu\u00e7\u00f5es de valores apoiados refletem a demanda por recursos pela pr\u00f3pria ind\u00fastria\u201d, diz a financiadora, em nota.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/CD-hypera-800x495.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44636\" \/><figcaption>Com R$ 1,6 bilh\u00e3o em 16 anos, Hypera Pharma \u00e9 a empresa do setor mais recebeu investimentos p\u00fablicos (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Hypera) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Al\u00e9m de investir menos, o governo federal reduziu a compra de medicamentos por meio do programa de Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), a principal pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o do setor. Criada em 2008 pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, ela busca estimular a alta tecnologia em laborat\u00f3rios p\u00fablicos e privados e incentivar a produ\u00e7\u00e3o nacional de mat\u00e9ria-prima farmac\u00eautica.&nbsp;<\/p>\n<p>Em 2019, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade comprou R$ 1,6 bilh\u00e3o de medicamentos via PDP \u2013 queda de 52% ante o gasto de R$ 3,4 bilh\u00f5es em 2018. A m\u00e9dia anual de 2011 a 2018 foi de <a href=\"https:\/\/public.tableau.com\/profile\/deciis.sctie.ms#!\/vizhome\/EconomiaPDP2011-2018\/Painel2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">R$ 2,6 bilh\u00f5es<\/a>.<\/p>\n<p>O minist\u00e9rio tamb\u00e9m suspendeu no ano passado 19 das 85 PDPs vigentes \u2013 alegando atraso nos projetos, falha na entrega dos produtos e determina\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n<p>Um das parcerias atingidas foi a da farmac\u00eautica Libbs com o Instituto Butantan para desenvolvimento do trastuzumabe, medica\u00e7\u00e3o de alto custo para c\u00e2ncer de mama que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2019\/08\/investigacao-do-tcu-aponta-sobrepreco-em-remedio-para-cancer-e-leva-a-desabastecimento.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">esteve em falta no SUS em 2018 e 2019<\/a>. A diretora de rela\u00e7\u00f5es institucionais da Libbs, M\u00e1rcia Bueno, diz que a decis\u00e3o obrigou a empresa a reduzir investimentos no desenvolvimento da ampola, que \u00e9 atualmente <a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/documents\/374947\/3413536\/Anu%C3%A1rio+Estat%C3%ADstico+do+Mercado+Farmac%C3%AAutico+-+2018\/c24aacbf-4d0c-46a7-bb86-b92c170c83e1\">o rem\u00e9dio de maior gasto no pa\u00eds<\/a>.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSempre h\u00e1 risco de perda [dos investimentos p\u00fablicos] quando h\u00e1 descontinuidade\u201d, afirma Luiz Marinho, coordenador da Alfob (associa\u00e7\u00e3o brasileira de laborat\u00f3rios p\u00fablicos).&nbsp;<\/p>\n<p>Para Ogari Pacheco, do laborat\u00f3rio Crist\u00e1lia, o programa de PDPs passou por um \u201cfreio de arruma\u00e7\u00e3o\u201d na atual gest\u00e3o. Ele aposta na libera\u00e7\u00e3o das parcerias suspensas at\u00e9 o final do ano. O Crist\u00e1lia det\u00e9m o maior n\u00famero de projetos (21), sendo 4 deles atualmente suspensos pelo minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o saberia dizer se \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o da demanda das empresas ou do repasse do governo, mas a Finep e o BNDES continuam solicitando projetos porque h\u00e1 capital para investimento\u201d, afirma S\u00e9rgio Frangioni, presidente da Blanver e presidente da associa\u00e7\u00e3o nacional das ind\u00fastrias de qu\u00edmica fina (Abifina). \u201cDesde 2009 j\u00e1 foram v\u00e1rios ministros e v\u00e1rios questionamentos, mas a PDP \u00e9 um modelo de neg\u00f3cio de sucesso na maioria dos casos\u201d, diz ele. Sua empresa tamb\u00e9m foi afetada com a suspens\u00e3o da PDP envolvendo o sofosbuvir, medicamento para hepatite C envolvido em <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/11\/por-que-o-brasil-paga-ate-r-1-400-por-remedio-que-custa-r-34\/\">disputa judicial<\/a>. \u201cEsper\u00e1vamos algumas demandas do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que n\u00e3o vieram. Tivemos que demitir 25% dos funcion\u00e1rios\u201d, afirma.<\/p>\n<h1>Dos gen\u00e9ricos \u00e0s PDPs<br \/><\/h1>\n<p>A Lei dos Gen\u00e9ricos e a cria\u00e7\u00e3o da Anvisa, em 1999, foram os primeiros impulsos para remontar a ind\u00fastria farmac\u00eautica nacional, j\u00e1 que exigiu das empresas novas certifica\u00e7\u00f5es e padr\u00f5es de qualidade na fabrica\u00e7\u00e3o de medicamentos.<\/p>\n<p>O resultado foi um salto no mercado de gen\u00e9ricos, que passou de 9% para <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/documents\/374947\/3413536\/Anu%C3%A1rio+Estat%C3%ADstico+do+Mercado+Farmac%C3%AAutico+-+2017\/3179a522-1af4-4b4c-8014-cc25a90fb5a7\" target=\"_blank\">35% das unidades comercializadas<\/a> no pa\u00eds, entre 2004 e 2017. A participa\u00e7\u00e3o de mercado das empresas nacionais tamb\u00e9m cresceu no per\u00edodo, <a href=\"https:\/\/www.bndes.gov.br\/wps\/portal\/site\/home\/conhecimento\/noticias\/noticia\/genericos-indfarmaceutica\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">de 33% para 55%<\/a>.<\/p>\n<p>Em faturamento, contudo, os gen\u00e9ricos correspondem hoje a apenas 14% das vendas. E a\u00ed est\u00e1 outro gargalo da ind\u00fastria brasileira, j\u00e1 que as empresas estrangeiras <a href=\"https:\/\/www.interfarma.org.br\/public\/files\/biblioteca\/guia-interfarma-2019-interfarma2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">lideram com folga<\/a> o mercado de produtos novos (protegidos por patentes) e biol\u00f3gicos (de alta tecnologia).&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/fabrica-libbs-divulgacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44643\" \/><figcaption> Brasil tem o 6\u00ba maior mercado farmac\u00eautico do mundo e alta depend\u00eancia de produtos importados (Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Libbs) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Em 2008, o governo federal inaugurou uma nova fase de investimentos no setor com a cria\u00e7\u00e3o das PDPs. \u201cA pol\u00edtica de gen\u00e9ricos deu musculatura para a ind\u00fastria brasileira, mas n\u00e3o era direcionada \u00e0 inova\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o pesquisador da Fiocruz Carlos Gadelha, ex-secret\u00e1rio de Ci\u00eancia e Tecnologia do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (2011-2015) e criador das PDPs.&nbsp;<\/p>\n<p>A ideia foi unir a pol\u00edtica industrial \u00e0s necessidades de sa\u00fade, direcionando os investimentos do BNDES e da Finep para a fabrica\u00e7\u00e3o de insumos farmac\u00eauticos e medicamentos importantes para o SUS.<\/p>\n<p>Nas PDPs, empresas estrangeiras transferem a tecnologia de fabrica\u00e7\u00e3o de um rem\u00e9dio para empresas privadas brasileiras e laborat\u00f3rios p\u00fablicos. Algumas parcerias envolvem apenas companhias nacionais. A contrapartida do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade \u00e9 comprar o rem\u00e9dio da empresa privada durante o per\u00edodo de transfer\u00eancia de tecnologia.<\/p>\n<p>Entre 2011 e 2018, o minist\u00e9rio adquiriu R$ 20,7 bilh\u00f5es de medicamentos por meio das PDPs \u2013 as compras ocorrem sem necessidade de licita\u00e7\u00e3o. A economia estimada aos cofres p\u00fablicos \u00e9 de <a href=\"https:\/\/public.tableau.com\/profile\/deciis.sctie.ms#!\/vizhome\/EconomiaPDP2011-2018\/Painel2\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">R$ 7,1 bilh\u00f5es<\/a>, segundo a pasta.&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os produtos que ficaram mais baratos com as PDPs est\u00e3o rem\u00e9dios para tratamento de c\u00e2ncer (imatinibe e everolimo), HIV (tenofovir), transtornos mentais (olanzapina, clozapina e quetiapina) e para pacientes transplantados (tacrolimo).&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos resultados, a pol\u00edtica de PDPs vive um cen\u00e1rio de \u201cinseguran\u00e7a\u201d desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. O principal receio \u00e9 a n\u00e3o continuidade da pol\u00edtica e a d\u00favida de que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade seguir\u00e1 comprando os produtos. Marco Dacal, diretor da f\u00e1brica de biotecnol\u00f3gicos da Libbs, afirma que desde 2016 tem visitado seus parceiros internacionais ao menos tr\u00eas vezes por ano para tratar do programa das PDPs.&nbsp;<\/p>\n<p>Dos oito projetos da Libbs, dois foram suspensos pelo minist\u00e9rio, mesmo ap\u00f3s o grupo empresarial ter investido R$ 250 milh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de uma f\u00e1brica de alta tecnologia na grande S\u00e3o Paulo \u2013 que tamb\u00e9m contou com empr\u00e9stimos p\u00fablicos (R$ 532 milh\u00f5es do BNDES e R$ 169 milh\u00f5es da Finep). \u201cIsso aqui \u00e9 fruto das PDPs\u201d, diz a diretora M\u00e1rcia Bueno a respeito da nova f\u00e1brica em Embu das Artes (SP), a primeira do Brasil a produzir os avan\u00e7ados anticorpos monoclonais, usados contra c\u00e2ncer, doen\u00e7as autoimunes e outras enfermidades.&nbsp;<\/p>\n<p>Bueno tamb\u00e9m mostra preocupa\u00e7\u00e3o com a queda na compra de medicamentos por meio do programa. A Libbs come\u00e7ou a produzir em 2019 o rituximabe, rem\u00e9dio para c\u00e2ncer no sistema linf\u00e1tico usado no tratamento da ex-presidente Dilma e dos atores Edson Celulari e Reynaldo Gianecchini. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, no entanto, ainda n\u00e3o garantiu sua contrapartida. \u201cEstamos esperando o governo anunciar a compra\u201d, diz ela.&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Gadelha, da Fiocruz, \u201cinvestir em inova\u00e7\u00e3o tem risco\u201d, j\u00e1 que nem sempre os resultados s\u00e3o alcan\u00e7ados no tempo que se espera. Ele avalia, por\u00e9m, que as PDPs est\u00e3o alcan\u00e7ando seus objetivos, embora o ambiente de incerteza \u201cparalise o investimento\u201d. \u201cDar continuidade e estabilidade ao programa s\u00e3o fundamentais para que o Brasil n\u00e3o perca todo o investimento que j\u00e1 foi realizado\u201d.<\/p>\n<div style=\"height:100px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n<p><em>Esta mat\u00e9ria tamb\u00e9m foi publicada no portal UOL.<\/em><\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/04\/coronavirus-expoe-fragilidade-das-farmaceuticas-que-receberam-menor-investimento-da-decada-sob-bolsonaro\/\">Coronav\u00edrus exp\u00f5e fragilidade das farmac\u00eauticas, que receberam menor investimento da d\u00e9cada sob Bolsonaro<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O entusiasmo do presidente Jair Bolsonaro em torno da cloroquina \u2013 rem\u00e9dio antimal\u00e1rico em teste contra a covid-19 \u2013 contrasta com a redu\u00e7\u00e3o do est\u00edmulo \u00e0 ind\u00fastria farmac\u00eautica durante seu primeiro ano de mandato. 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