{"id":221712,"date":"2025-11-03T20:11:36","date_gmt":"2025-11-03T23:11:36","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/coronavirus-pode-levar-500-milhoes-de-pessoas-para-a-pobreza\/"},"modified":"2025-11-03T20:11:36","modified_gmt":"2025-11-03T23:11:36","slug":"coronavirus-pode-levar-500-milhoes-de-pessoas-para-a-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/coronavirus-pode-levar-500-milhoes-de-pessoas-para-a-pobreza\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus pode levar 500 milh\u00f5es de pessoas para a pobreza"},"content":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f4mica provocada pela pandemia de coronav\u00edrus pode levar mais de 500 milh\u00f5es de pessoas para a pobreza, a menos que a\u00e7\u00f5es urgentes sejam tomadas para ajudar pa\u00edses em desenvolvimento. O alerta \u00e9 da Oxfam, entidade da sociedade civil que atua em cerca de 90 pa\u00edses com campanhas, programas e ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o pede que os l\u00edderes mundiais aprovem um plano emergencial de resgate econ\u00f4mico para impedir que pa\u00edses e comunidades pobres afundem. Para a Oxfam, isso pode acontecer j\u00e1 na pr\u00f3xima semana, quando est\u00e1 prevista reuni\u00e3o entre ministros de Economia dos pa\u00edses do G20 (o grupo\u00a0dos 20 pa\u00edses mais desenvolvidos), o Banco Mundial e o Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI).<\/p>\n<p>De acordo com a entidade, os US$ 2,5 trilh\u00f5es que as Na\u00e7\u00f5es Unidas estimam ser\u00a0necess\u00e1rios para apoiar os pa\u00edses em desenvolvimento durante a crise do coronav\u00edrus vai requerer um adicional de US$ 500 bilh\u00f5es em ajuda externa, incluindo o financiamento dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade dos pa\u00edses pobres. \u201cImpostos emergenciais de solidariedade, como taxas sobre lucros excessivos e pessoas muito ricas, poderiam mobilizar recursos adicionais\u201d, avalia a Oxfam, em nota.<\/p>\n<p>Para a entidade, apesar de urgentes e necess\u00e1rias, as medidas de distanciamento social e de restri\u00e7\u00e3o do funcionamento das cidades agravam a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, com demiss\u00f5es, suspens\u00e3o de pagamento de sal\u00e1rios ou inviabilidade do trabalho informal.<\/p>\n<p>O novo relat\u00f3rio da Oxfam, &#8220;Dignidade, n\u00e3o Indig\u00eancia&#8221;, mostra\u00a0que entre 6% e 8% da popula\u00e7\u00e3o global, cerca de 500 milh\u00f5es de pessoas, poder\u00e3o\u00a0entrar na pobreza conforme os governos fecham suas economias para impedir que o coronav\u00edrus se espalhe em seus pa\u00edses. \u201cIsso pode representar um retrocesso de uma d\u00e9cada na luta contra a pobreza. Em algumas regi\u00f5es, como a \u00c1frica subsaariana, o norte da \u00c1frica e Oriente M\u00e9dio, essa luta pode retroceder em at\u00e9 30 anos. Mais da metade da popula\u00e7\u00e3o global poder\u00e3o\u00a0estar na pobreza depois da pandemia\u201d, destacou a entidade.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio, publicado\u00a0ontem\u00a0(9), utiliza <a href=\"https:\/\/www.wider.unu.edu\/publication\/estimates-impact-covid-19-global-poverty\u00a0\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estimativas <\/a>elaboradas pelo Instituto Mundial para a Pesquisa de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas, liderada\u00a0por pesquisadores do King&#8217;s College de Londres e da Universidade Nacional da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Para a Oxfam, as desigualdades j\u00e1 existentes evidenciam o impacto econ\u00f4mico da crise do coronav\u00edrus. \u201cComo os trabalhadores mais pobres, tanto nas na\u00e7\u00f5es ricas quanto\u00a0nas pobres, atuam mais no mercado informal, eles est\u00e3o descobertos de diversas formas. Eles, por exemplo, n\u00e3o t\u00eam prote\u00e7\u00f5es trabalhistas e nem conseguem trabalhar de casa\u201d, diz a entidade.<\/p>\n<p>Globalmente, apenas um em cada cinco desempregados tem acesso a benef\u00edcios como seguro-desemprego. Dois bilh\u00f5es de pessoas trabalham no setor informal pelo mundo &#8211; 90% nos pa\u00edses pobres e apenas 18% nos pa\u00edses ricos.<\/p>\n<h2>Situa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/h2>\n<p>No Brasil, para a Oxfam, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda mais preocupante devido \u00e0s moradias prec\u00e1rias, \u00e0\u00a0falta de saneamento b\u00e1sico e de \u00e1gua e aos desafios no acesso a servi\u00e7os essenciais para os mais pobres. O Brasil tem cerca de 40 milh\u00f5es de trabalhadores sem carteira assinada e cerca de 12 milh\u00f5es de desempregados. A estimativa \u00e9 que a crise econ\u00f4mica provocada pelo coronav\u00edrus adicione, ao menos, mais 2 milh\u00f5es de pessoas entre os desempregados.<\/p>\n<p>\u201cO coronav\u00edrus coloca o Brasil diante de uma dura e cruel realidade, ao combinar os piores indicadores sociais\u00a0em um mesmo local e na mesma hora. E \u00e9 neste momento que o Estado tem\u00a0papel fundamental para reduzir esse impacto e cumprir sua responsabilidade constitucional tanto na redu\u00e7\u00e3o da pobreza e das desigualdades quanto na garantia \u00e0 vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, em comunicado.<\/p>\n<p>Para a entidade, a renda b\u00e1sica emergencial de R$ 600, por tr\u00eas meses, para trabalhadores informais n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para amenizar o impacto, e o governo dever\u00e1, entre outras medidas, ampliar o n\u00famero de pessoas atendidas e estender o per\u00edodo de concess\u00e3o.<\/p>\n<h2>Mulheres<\/h2>\n<p>De acordo com a Oxfam, as mulheres precisam de aten\u00e7\u00e3o especial, pois est\u00e3o na linha de frente do combate ao coronav\u00edrus e sofrer\u00e3o o impacto mais pesado da crise econ\u00f4mica. \u201cAs mulheres representam 70% da for\u00e7a de trabalho em sa\u00fade pelo mundo e fazem 75% do trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado, atendendo a\u00a0crian\u00e7as, doentes e idosos. As mulheres tamb\u00e9m s\u00e3o maioria nos empregos mais prec\u00e1rios\u201d, diz a entidade.<\/p>\n<p>\u201cOs governos precisam aprender as li\u00e7\u00f5es da crise financeira de 2008, quando a ajuda a bancos e corpora\u00e7\u00f5es foi\u00a0paga\u00a0pelas pessoas comuns. Elas perderam seus empregos, tiveram seus sal\u00e1rios achatados e servi\u00e7os essenciais, como os de sa\u00fade, sofreram profundos cortes de financiamento\u201d, destaca Katia Maia. \u201cOs pacotes econ\u00f4micos de est\u00edmulo t\u00eam que apoiar trabalhadores e pequenos neg\u00f3cios. A\u00a0ajuda\u00a0a grandes corpora\u00e7\u00f5es tem que estar condicionadas a a\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o de economias mais justas e sustent\u00e1veis\u201d, completou.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio completo, em ingl\u00eas, est\u00e1 dispon\u00edvel no <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org\/en\/research\/dignity-not-destitution\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>site<\/em> da Oxfam<\/a>.<\/p>\n<p>Source: EBC ECONOMIA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise econ\u00f4mica provocada pela pandemia de coronav\u00edrus pode levar mais de 500 milh\u00f5es de pessoas para a pobreza, a menos que a\u00e7\u00f5es urgentes sejam tomadas para ajudar pa\u00edses em desenvolvimento. O alerta \u00e9 da Oxfam, entidade da sociedade civil que atua em cerca de 90 pa\u00edses com campanhas, programas e ajuda humanit\u00e1ria. 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