{"id":221206,"date":"2025-11-03T20:11:06","date_gmt":"2025-11-03T23:11:06","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cafeicultor-com-selo-de-qualidade-nucoffee-da-syngenta-e-um-dos-41-novos-nomes-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/"},"modified":"2025-11-03T20:11:06","modified_gmt":"2025-11-03T23:11:06","slug":"cafeicultor-com-selo-de-qualidade-nucoffee-da-syngenta-e-um-dos-41-novos-nomes-da-lista-suja-do-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cafeicultor-com-selo-de-qualidade-nucoffee-da-syngenta-e-um-dos-41-novos-nomes-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"Cafeicultor com selo de qualidade Nucoffee, da Syngenta, \u00e9 um dos 41 novos nomes da \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo"},"content":{"rendered":"<p>Os trabalhadores que colhiam caf\u00e9 na fazenda de Joair Aparecido de Oliveira, em Concei\u00e7\u00e3o de Ipanema, no Vale do Rio Doce em Minas Gerais, bebiam e cozinhavam com \u00e1gua retirada de um brejo, pois n\u00e3o tinham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e dormiam em colch\u00f5es no ch\u00e3o de uma casa velha com janelas e portas prec\u00e1rias. \u201cProp\u00edcias \u00e0 entrada de animais pe\u00e7onhentos\u201d, conforme destacaram os auditores-fiscais do trabalho, que autuaram Oliveira em 2018 por submeter tr\u00eas trabalhadores a condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. <\/p>\n<p>Oliveira \u00e9 um dos produtores de caf\u00e9 com o selo de qualidade da <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/www.nucoffee.com\/pt-br\" target=\"_blank\">Nucoffee<\/a>, programa da Syngenta &#8212; uma das maiores fabricantes de agrot\u00f3xicos do mundo &#8211;, que conecta fazendeiros brasileiros com compradores estrangeiros, al\u00e9m de oferecer apoio para os produtores, segundo o site do programa que mostra as fazendas participantes. Oliveira tamb\u00e9m \u00e9 um dos 41 novos integrantes da <a href=\"http:\/\/trabalho.gov.br\/images\/Documentos\/SIT\/CADASTRO_DE_EMPREGADORES.pdf\">\u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo<\/a> divulgada hoje (3) pelo Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>Os novos integrantes da \u2018lista suja\u2019 submeteram 1.074 trabalhadores \u00e0 escravid\u00e3o moderna e se somam aos outros 141 que j\u00e1 integravam o cadastro criado pelo governo em 2003. Na \u2018lista suja\u2019 divulgada hoje entraram <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/08\/resgate-trabalho-escravo-garimpo-ouro-para\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">donos de garimpos<\/a> ilegais, carvoarias, barcos de pesca, empresas de constru\u00e7\u00e3o civil (incluindo uma construtora que atuou nas obras do parque ol\u00edmpico do Rio de Janeiro), empresa de \u00f4nibus e a c\u00fapula da seita religiosa Comunidade Crist\u00e3 Traduzindo o Verbo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto-de-Arquivo-Rep\u00f3rter-Brasil-800x491.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44482\" \/><figcaption> Oito dos 41 empregadores que entraram na \u2018lista suja\u2019 s\u00e3o produtores de caf\u00e9, sendo que sete est\u00e3o em Minas Gerais (Foto: Arquivo\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>F<\/strong>Os dirigentes da seita submeteram <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/theintercept.com\/2018\/03\/21\/investigado-pela-3a-vez-por-trabalho-escravo-pastor-mantem-565-fieis-explorados-por-igreja\/\" target=\"_blank\">565 fi\u00e9is a situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o<\/a> em diversos estabelecimentos comerciais de 17 cidades de S\u00e3o Paulo, Bahia e Minas Gerais. A opera\u00e7\u00e3o realizada em fevereiro de 2018 representou o maior resgate de trabalhadores desde que <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2007\/07\/libertados-da-pagrisa-relatam-vida-na-prisao\/\" target=\"_blank\">1.064 trabalhadores foram resgatados<\/a> de uma fazenda de cana-de-a\u00e7\u00facar no interior do Par\u00e1, em 2007. A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com o advogado que representa os dirigentes da igreja nas a\u00e7\u00f5es trabalhistas.<\/p>\n<p>Outro empregador que entrou no cadastro do governo foi Raimunda Oliveira Nunes, propriet\u00e1ria de um garimpo ilegal na Floresta Nacional do Amana, no munic\u00edpio de Itaituba, oeste do Par\u00e1. Ela manteve <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/08\/resgate-trabalho-escravo-garimpo-ouro-para\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">38 pessoas submetidas a trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o<\/a>, que se endividavam e terminavam por gastar tudo o que ganhavam na extra\u00e7\u00e3o de ouro dentro do pr\u00f3prio garimpo. A autua\u00e7\u00e3o, feita pelos auditores-fiscais em 2018, foi acompanhada pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. \u00c0 \u00e9poca, Raimunda reconheceu que retinha o pagamento dos garimpeiros, mas disse que foi injusti\u00e7ada, j\u00e1 \u201cque mata um boi por semana para eles\u201d. \u201cO bandido que t\u00e1 na rua ningu\u00e9m pega. A gente, que t\u00e1 aqui trabalhando, merecia mais considera\u00e7\u00e3o\u201d, argumentou. \u201cEst\u00e3o me tratando que nem bandido.\u201d<\/p>\n<p>A maior parte dos integrantes da \u2018lista suja\u2019, contudo, \u00e9 de fazendeiros, que criam bois, cultivam milho, cacau ou caf\u00e9. Oito dos 41 empregadores que entraram na \u2018lista suja\u2019 s\u00e3o produtores de caf\u00e9, sendo que sete est\u00e3o em Minas Gerais. A liga\u00e7\u00e3o de produtores de caf\u00e9 escravagistas com gigantes multinacionais n\u00e3o \u00e9 novidade. Al\u00e9m de Oliveira, que tem o selo de qualidade Nucoffee da Syngenta, a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> j\u00e1 revelou que <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/04\/nespresso-e-starbucks-compraram-cafe-de-fazenda-flagrada-com-trabalho-escravo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Nespresso e Starbucks certificaram e compraram caf\u00e9 de um produtor que entrou em uma vers\u00e3o anterior da lista<\/a>.<\/p>\n<p>Os auditores-fiscais relataram que os trabalhadores da fazenda C\u00f3rrego Alto Cobrador, de Oliveira, recebiam R$ 14 por balaio de caf\u00e9 colhido e que, al\u00e9m de n\u00e3o terem \u00e1gua pot\u00e1vel e dormirem em uma casa sem prote\u00e7\u00e3o, eles n\u00e3o tinham registro na carteira de trabalho e nem equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual para a colheita do caf\u00e9.&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Foto-de-Lilo-Clareto-Rep\u00f3rter-Brasil-2-800x546.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44483\" \/><figcaption>Em 2018, 38 pessoas foram resgatadas de um garimpo ilegal no oeste do Par\u00e1 (Foto: Lilo Clareto\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mesmo com essas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, a fazenda de Oliveira est\u00e1 entre as escolhidas pela Nucoffee e integra o circuito chamado de Matas de Minas da multinacional. Al\u00e9m de comprar caf\u00e9, outra a\u00e7\u00e3o do Nucoffee \u00e9 promover roteiros de viagens de torrefadores dos Estados Unidos para as fazendas em um projeto chamado de <a href=\"https:\/\/www.nucoffee.com\/pt-br\/news\/news\/trips-origin-uma-jornada-pelos-bercos-e-coracoes-do-cafe-0\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Trip to origens<\/a> (Viagem \u00e0s origens). \u201cS\u00e3o uma grande oportunidade para que os torrefadores estrangeiros possam descobrir toda a qualidade da produ\u00e7\u00e3o nacional e conhecer hist\u00f3rias, jamais imaginadas, por tr\u00e1s de cada gr\u00e3o\u201d, descreve o site da Nucoffee. A reportagem teve acesso ao hist\u00f3rico de vendas de caf\u00e9 pelo programa e, de acordo com os registros, Oliveira comercializou pelo menos 25 sacas da safra 2016\/2017 pelo Nucoffee.&nbsp;<br \/><!--nextpage--><\/p>\n<p>Procurado pela reportagem, Oliveira reconheceu os casos, mas diz que pagou a indeniza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores. \u201cN\u00e3o tem nada pendente\u201d, afirmou. Ele n\u00e3o quis comentar sobre a participa\u00e7\u00e3o no programa Nucoffee da Syngenta.&nbsp;<\/p>\n<p>Procurada, a Nucoffee, via assessoria de imprensa da Syngenta, informou que Oliveira \u201cn\u00e3o tem negocia\u00e7\u00f5es ativas\u201d por meio do programa desde 2017 e que n\u00e3o possui lotes de caf\u00e9 desse produtor. A empresa esclarece que a fazenda de Oliveira aparece na p\u00e1gina Mundo Nucoffee, \u201cpois l\u00e1 est\u00e3o todas as fazendas que j\u00e1 foram ativas na plataforma\u201d, mas que, ap\u00f3s sua inclus\u00e3o na \u2018lista suja\u2019, seu nome ser\u00e1 apagado do site. A empresa destaca ainda que a \u201cperman\u00eancia ao programa est\u00e1 condicionada ao atendimento de boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e trabalhistas\u201d. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/mapa-nucoffee-800x450.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44502\" \/><figcaption>Reprodu\u00e7\u00e3o do mapa Mundo Nucoffee, com a fazenda C\u00f3rrego Alto Cobrador, de Joair Aparecido Oliveira entre as integrantes do circuito Matas de Minas<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Outro produtor de caf\u00e9 que entrou na lista \u00e9 Elias Rodrigo de Almeida, da Fazenda C\u00f3rrego da Prata, em Muzambinho (MG). A <strong>Rep\u00f3rter Brasi<\/strong>l<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/08\/fazenda-de-cafe-certificada-pela-starbucks-e-flagrada-com-trabalho-escravo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\"> mostrou que a propriedade onde 15 trabalhadores foram resgatados de situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o<\/a> pertence a Maria J\u00falia Pereira, cunhada do deputado federal Emidinho Madeira (PSB-MG). O pai do deputado, Em\u00eddio Madeira, j\u00e1 teve duas fazendas inclu\u00eddas na \u2018lista suja\u2019. Apesar de ser de propriedade de Maria J\u00falia, a fazenda C\u00f3rrego da Prata era arrendada por Almeida.<\/p>\n<p>Entre os trabalhadores resgatados, havia um adolescente de 17 anos. Eles relataram que eram obrigados a comprar o pr\u00f3prio maquin\u00e1rio utilizado, contraindo d\u00edvidas de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil antes mesmo de come\u00e7arem a colheita. O grupo ainda relatou \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> que durante os 90 dias de trabalho n\u00e3o tiveram uma \u00fanica folga. S\u00f3 deixavam de colher caf\u00e9 nos dias de chuva, trabalhando \u201cdas 6h \u00e0s 20h\u201d, conforme contou um deles. \u201cE se parasse, o patr\u00e3o ainda ficava bravo\u201d, complementou outro resgatado.&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca da publica\u00e7\u00e3o da reportagem, em agosto de 2018, Maria J\u00falia Pereira enviou nota por meio de seu advogado Thiago de Lima Dini, informando que ela adquiriu a fazenda no final de 2016 e que em dezembro do mesmo ano a arrendou a Almeida, \u201cdesconhecendo quaisquer procedimentos e ocorr\u00eancias naquela propriedade\u201d. O advogado, que tamb\u00e9m representa Almeida, afirmou ainda que ele \u201cterceirizou a contrata\u00e7\u00e3o dos trabalhadores\u201d e que \u00e9 \u201cuma v\u00edtima, assim como os demais trabalhadores\u201d.&nbsp;<\/p>\n<h1>Flexibiliza\u00e7\u00e3o trabalhista<br \/><\/h1>\n<p>\u201cDesde que come\u00e7ou o governo Bolsonaro as condi\u00e7\u00f5es de trabalho na lavoura pioraram\u201d, afirma o coordenador da Articula\u00e7\u00e3o dos Empregados Rurais do Estado de Minas Gerais (Adere-MG), Jorge Ferreira dos Santos. \u201cO empregador acha que pelo fato de ter eleito um presidente que defende s\u00f3 o empres\u00e1rio est\u00e1 liberado o vale tudo\u201d.<\/p>\n<p>Santos percebe que a informalidade aumentou e que fazendas que em safras anteriores contratavam trabalhadores para colheita com carteira assinada&nbsp; passaram a n\u00e3o registrar os \u201csafristas\u201d, como s\u00e3o conhecidos os trabalhadores tempor\u00e1rios da colheita do caf\u00e9. A maior parte dos safristas, segundo Santos, migram do Nordeste, principalmente da Bahia, e de cidades do Vale do Jequitinhonha para o Sul de Minas Gerais.&nbsp;<\/p>\n<p>Em agosto do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro defendeu altera\u00e7\u00e3o das regras para tipifica\u00e7\u00e3o do trabalho escravo e, ao criticar a fiscaliza\u00e7\u00e3o, usou como exemplo uma inspe\u00e7\u00e3o no Cear\u00e1 em \u00e1rea de extra\u00e7\u00e3o de carna\u00faba, que teria aplicado uma \u201ctremenda de uma multa\u201d ao produtor por aus\u00eancia de banheiro qu\u00edmico.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A fala do presidente ocorreu exatamente uma semana depois de iniciada uma fiscaliza\u00e7\u00e3o de policiais federais com auditores-fiscais do trabalho em um local onde \u00e9 extra\u00eddo o p\u00f3 de carna\u00faba em Caxias, no Maranh\u00e3o, do empregador Raimundo de Oliveira Nogueira. Na a\u00e7\u00e3o, foram resgatados 20 trabalhadores que estavam em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o e Raimundo entrou na \u2018lista suja\u2019.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/08\/grupo_especial_de_fiscalizacao_movel-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-40836\" \/><figcaption> A carna\u00faba \u00e9 um dos setores campe\u00f5es de trabalho escravo no Cear\u00e1 (Foto: Grupo Especial de Fiscaliza\u00e7\u00e3o M\u00f3vel) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Nenhum dos trabalhadores tinha registro na carteira de trabalho, alguns dormiam em casebres de palha e outros debaixo de \u00e1rvores. Eles&nbsp; cumpriam jornadas que come\u00e7avam \u00e0s 5h at\u00e9 17h e n\u00e3o tinham banheiro. \u201cTomavam banho em um riacho que passa pr\u00f3ximo a comunidade, sem garantia de privacidade e em \u00e1guas visivelmente inadequadas ao asseio do corpo humano\u201d, relataram os auditores. A reportagem tentou contato com Nogueira, mas ele n\u00e3o atendeu o celular.&nbsp;<br \/><!--nextpage--><\/p>\n<p>A falta de banheiro foi um dos pontos ironizados por Bolsonaro na semana seguinte \u00e0 fiscaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Um calor\u00e3o enorme, o cara sobe l\u00e1 no coqueiro, corta as folhas de carna\u00faba, da\u00ed vai procurar o lugar para fazer pipi e da\u00ed tem que ter banheiro qu\u00edmico? N\u00e3o pode fazer pipi no p\u00e9 da \u00e1rvore? [Foi aplicada] uma tremenda de uma multa em cima dele&#8221;, ironizou.<\/p>\n<h1>A \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo<br \/><\/h1>\n<p>A \u2018<a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/tags\/lista-suja\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">lista suja<\/a>\u2019 do trabalho escravo \u00e9 uma base de dados criada pelo governo em novembro de 2003. O cadastro exp\u00f5e casos em que houve resgate de pessoas em condi\u00e7\u00f5es consideradas an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o. Antes de entrar no cadastro, empregadores t\u00eam direito de se defenderem em duas inst\u00e2ncias administrativas do extinto Minist\u00e9rio do Trabalho, agora incorporado ao Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>Os empregadores envolvidos nesse crime permanecem por dois anos na lista. Caso fa\u00e7am um acordo com o governo, o nome fica em uma \u201clista de observa\u00e7\u00e3o\u201d e pode sair depois de um ano, se os compromissos forem cumpridos.<\/p>\n<p>O cadastro tem sido utilizado para an\u00e1lise de risco por investidores e bancos p\u00fablicos e privados. Al\u00e9m disso, h\u00e1 empresas brasileiras e internacionais que evitam fechar neg\u00f3cios com esses empregadores.<\/p>\n<p>Quatro elementos podem definir escravid\u00e3o contempor\u00e2nea, de acordo com o artigo 149 do C\u00f3digo Penal: trabalho for\u00e7ado (que envolve cerceamento da liberdade de se desligar do empregador), servid\u00e3o por d\u00edvida (um cativeiro atrelado a d\u00edvidas, muitas vezes fraudulentas), condi\u00e7\u00f5es degradantes (trabalho que nega a dignidade humana, colocando em risco a sa\u00fade, a seguran\u00e7a e a vida) ou jornada exaustiva (levar ao trabalhador ao completo esgotamento dado \u00e0 intensidade da explora\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m colocando em risco sua sa\u00fade, seguran\u00e7a e vida).<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/04\/cafeicultor-com-selo-de-qualidade-nucoffee-da-syngenta-e-um-dos-41-novos-nomes-da-lista-suja-do-trabalho-escravo\/\">Cafeicultor com selo de qualidade Nucoffee, da Syngenta, \u00e9 um dos 41 novos nomes da \u2018lista suja\u2019 do trabalho escravo<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<br \/>\nSource: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os trabalhadores que colhiam caf\u00e9 na fazenda de Joair Aparecido de Oliveira, em Concei\u00e7\u00e3o de Ipanema, no Vale do Rio Doce em Minas Gerais, bebiam e cozinhavam com \u00e1gua retirada de um brejo, pois n\u00e3o tinham acesso \u00e0 \u00e1gua pot\u00e1vel e dormiam em colch\u00f5es no ch\u00e3o de uma casa velha com janelas e portas prec\u00e1rias. 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