{"id":221045,"date":"2025-11-03T20:10:55","date_gmt":"2025-11-03T23:10:55","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/nao-posso-permitir-que-meu-negocio-nao-de-certo-o-drama-dos-microempresarios-no-limbo-dos-pacotes-do-governo\/"},"modified":"2025-11-03T20:10:55","modified_gmt":"2025-11-03T23:10:55","slug":"nao-posso-permitir-que-meu-negocio-nao-de-certo-o-drama-dos-microempresarios-no-limbo-dos-pacotes-do-governo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/nao-posso-permitir-que-meu-negocio-nao-de-certo-o-drama-dos-microempresarios-no-limbo-dos-pacotes-do-governo\/","title":{"rendered":"\u2018N\u00e3o posso permitir que meu neg\u00f3cio n\u00e3o d\u00ea certo\u2019: o drama dos microempres\u00e1rios no limbo dos pacotes do governo"},"content":{"rendered":"<p>A pedagoga Ana Claudia Silva, de 35 anos, est\u00e1 confinada em casa, em Aruj\u00e1, no interior de S\u00e3o Paulo, com os tr\u00eas filhos. Teme o impacto do novo coronav\u00edrus na sa\u00fade e tamb\u00e9m no or\u00e7amento da fam\u00edlia, que vinha principalmente de sua loja virtual de itens de educa\u00e7\u00e3o. De uma semana para outra, o neg\u00f3cio estacionou e, ao lado do marido, deparou-se com um dilema: com a queda nas vendas, a \u00fanica maneira de conseguir dinheiro seria o companheiro romper o isolamento e voltar a dirigir carros de aplicativos. \u201cMesmo correndo risco, ele vai para a rua. E ainda tem passageiro que d\u00e1 nota baixa porque ele usa luvas e m\u00e1scara\u201d, queixa-se.<\/p>\n<p>Assim como a fam\u00edlia de Ana Claudia, pelo menos outros 10 milh\u00f5es de microempres\u00e1rios e microempreendedores (MEI) do pa\u00eds encontram-se nesta encruzilhada, segundo a economista brasileira Monica de Bolle, da universidade norte-americana John Hopkins. Est\u00e3o em um &#8220;limbo&#8221;, j\u00e1 que n\u00e3o se encaixam nas medidas econ\u00f4micas anunciadas pelo governo, que contemplam fam\u00edlias que ganham at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos (R$ 3.135) ou pequenas empresas que faturam mais que R$ 360 mil ao ano.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um esc\u00e2ndalo. O governo n\u00e3o fez nada at\u00e9 agora para nenhuma dessas pessoas e muito pouco para os que est\u00e3o ainda mais vulner\u00e1veis\u201d, diz a economista. Isso porque existem cerca de 4 milh\u00f5es de MEIs que recebem mais de tr\u00eas sal\u00e1rios m\u00ednimos e cerca 6 milh\u00f5es de pequenos empres\u00e1rios com faturamento tamb\u00e9m maior do que isso.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Foto-de-Alexandre-Kuma-800x557.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44355\" \/><figcaption>Microempreendedores individuais que ganham mais de R$ 3.135 por m\u00eas e pequenos empres\u00e1rios n\u00e3o est\u00e3o contemplados nos pacotes econ\u00f4micos do governo.  (Foto: Alexandre Kuma)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Fortemente impactados com a crise provocada pelo coronav\u00edrus, esses microempres\u00e1rios esquecidos tamb\u00e9m ter\u00e3o mais dificuldades para se recuperar ap\u00f3s a tormenta. \u201cEles n\u00e3o t\u00eam como fazer reserva. As emerg\u00eancias econ\u00f4micas sempre estiveram ali, mas agora a escala \u00e9 outra\u201d, afirma Adriana Barbosa, empreendedora social da plataforma Preta Hub.&nbsp;<\/p>\n<p>Esses microempres\u00e1rios, que v\u00e3o deixar de vender, tamb\u00e9m v\u00e3o deixar de comprar. O impacto, escalonado, ser\u00e1 em todas as camadas &#8212; atingindo primeiro o micro e o pequeno, mas tamb\u00e9m empresas maiores. \u201cPor isso o governo precisa, obrigatoriamente, fazer um aporte gigantesco para manter a economia estimulada. Sem esquecer, claro, dos recursos para sa\u00fade e tecnologia. Porque n\u00e3o adianta trabalhar em uma frente e deixar a outra descoberta\u201d, afirma a economista Ester Dweck, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, citando o governo americano que anunciou um pacote de mais de U$ 1 trilh\u00e3o.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma crise sanit\u00e1ria e econ\u00f4mica, n\u00e3o tem como dissociar uma da outra. E o governo responde com total incompet\u00eancia tanto no entendimento da gravidade quanto no atraso de uma resposta\u201d, afirma Bolle. Ela e outros economistas est\u00e3o trabalhando nos bastidores para ajudar a concretizar medidas emergenciais. \u201cNossa atua\u00e7\u00e3o tem sido com o Congresso porque o Executivo morreu.\u201d&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>A gente n\u00e3o est\u00e1 falando, apenas, de inviabilidade do neg\u00f3cio e n\u00e3o ter cr\u00e9dito frente ao coronav\u00edrus, mas que essa popula\u00e7\u00e3o vai ser jogada para uma car\u00eancia total se n\u00e3o agirmos\u201d, diz Marco Antonio Rocha, professor de economia da Unicamp<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O Congresso aprovou nesta segunda-feira a <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/03\/30\/senado-aprova-auxilio-de-r-600-a-trabalhadores-informais-por-tres-meses.htm\">proposta de renda b\u00e1sica emergencial<\/a>, que prev\u00ea pagamento, por tr\u00eas meses, de R$ 600 por trabalhador informal, limitado a dois da mesma fam\u00edlia, para aqueles com renda familiar mensal per capita de at\u00e9 meio sal\u00e1rio m\u00ednimo ou renda mensal familiar de at\u00e9 tr\u00eas sal\u00e1rios. M\u00e3es que s\u00e3o chefes de fam\u00edlia t\u00eam direito a R$ 1.200. O texto deve ser sancionado nesta ter\u00e7a (31) por&nbsp; Bolsonaro.<\/p>\n<p>Se esse voucher n\u00e3o contempla o microempres\u00e1rio, o rec\u00e9m anunciado<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/03\/27\/governo-cria-linha-de-credito-para-bancar-folha-de-pequena-e-media-empresas.htm\"> pacote de R$ 40 bilh\u00f5es para pequenas e m\u00e9dias empresas<\/a> tamb\u00e9m n\u00e3o o tira desse limbo. &#8220;Os R$ 600 socorrem o empres\u00e1rio, mas n\u00e3o a empresa. No caso dos que trabalham por conta pr\u00f3pria, eles continuam sem assist\u00eancia direta por parte do governo&#8221;, diz Marco Antonio Rocha, professor de economia da Unicamp.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<h1>Inviabilidade e car\u00eancia total<\/h1>\n<p>No momento, o governo estuda uma proposta de oferecer empr\u00e9stimos para empresas pagarem sal\u00e1rios de trabalhadores por at\u00e9 dois meses. Se aprovado como est\u00e1, o pacote, no entanto, atenderia apenas pequenas e m\u00e9dias empresas, com faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 10 milh\u00f5es, deixando de fora microempres\u00e1rios e aut\u00f4nomos que s\u00e3o MEI. O <a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/03\/29\/guedes-micro-meis-emprestimo-salario-trabalhador-empresa.htm\">ministro da Economia, Paulo Guedes, defendeu a inclus\u00e3o<\/a> dessas categorias de trabalhadores, mas nenhuma decis\u00e3o foi tomada ainda.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Divulgac\u0327a\u0303o-GIG-A-Uberizac\u0327a\u0303o-do-Trabalho-Repo\u0301rter-Brasil-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44382\" \/><figcaption>Como o marido de Ana Claudia, muitos trabalhadores s\u00e3o obrigados a romper o isolamento e a dirigir aplicativos (Foto: divulga\u00e7\u00e3o &#8216;GIG&#8217;\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Assim, sem ajuda concreta do governo at\u00e9 o momento, aceleradoras de impacto, ONGs e empresas sociais focadas nas periferias est\u00e3o unindo esfor\u00e7os para fortalecer esse empreendedor e mitigar o impacto socioecon\u00f4mico e sanit\u00e1rio que recai sobre ele. Um desses projeto \u00e9 o \u00c9ditodos, um fundo que re\u00fane 12 entidades do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Salvador e capta recursos com grandes empresas.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUma parcela grande desses empreendedores, quase 70%, saiu da \u00faltima crise econ\u00f4mica, em 2015, com car\u00eancia de capital de giro. Muitos, com d\u00edvidas. Ent\u00e3o a gente n\u00e3o est\u00e1 falando, apenas, de inviabilidade do neg\u00f3cio e n\u00e3o ter cr\u00e9dito frente ao coronav\u00edrus, mas que essa popula\u00e7\u00e3o vai ser jogada para uma car\u00eancia total se n\u00e3o agirmos\u201d, afirma Rocha, da Unicamp.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> pediu, com insist\u00eancia, posicionamento do Minist\u00e9rio da Economia, mas as quest\u00f5es enviadas n\u00e3o foram respondidas.<\/p>\n<h1>O dia a dia de quem o governo n\u00e3o v\u00ea<\/h1>\n<p>Em meio \u00e0 pior crise econ\u00f4mica que j\u00e1 viveu, a poesia sobrevive em Luci Soares, de 46 anos. \u201cO grande e o pequeno tiveram que romper a vida, as hist\u00f3rias.\u201d Luci, que por d\u00e9cadas foi faxineira e fazia um extra vendendo doces, entrou para o circuito da Fa.vela, onde teve aulas de empreendedorismo. Um ano depois, alugou uma lanchonete no asfalto &#8212; na parte de baixo da comunidade Aglomerado Serra, na zona sul de Belo Horizonte. L\u00e1, fazendo juz \u00e0 mineirice, atendia das 6h \u00e0s 19h os dois p\u00fablicos \u2013 da favela e os de fora \u2013 com p\u00e3o de queijo \u201csempre quente\u201d e caf\u00e9. Com o giro, conseguia um pr\u00f3-labore de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, suficientes para as contas da casa. \u201cDepois do corona, estou parada. N\u00e3o entra nada [de dinheiro], e eu ainda tenho o aluguel.\u201d&nbsp;<\/p>\n<p>Mulher, negra, perif\u00e9rica, m\u00e3e, arrimo da casa, empreendedora com pouco capital de giro \u00e9 o perfil mais comum do nano e pequeno empreendedor em todos os cantos do pa\u00eds. Quem seguiu e segue sozinha \u2013 a depender da boa vontade do governo. \u201cSendo muito otimista, uma micro ou pequena empresa, liderada por jovens, que tiveram mais acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o financeira, tem capital de giro de 27 dias. O restante n\u00e3o tem reserva e n\u00e3o sabe o que fazer\u201d, diz Fernanda Ribeiro, presidente Afrobusiness Brasil, que capacita profissionais negros. E continua: \u201cAl\u00e9m dos desafios normais, essa mulher ainda enfrenta o machismo e o racismo. Isso afeta muito a sa\u00fade mental dos empreendedores.\u201d<\/p>\n<p>As fam\u00edlias que vivem com menos de dois sal\u00e1rios m\u00ednimos representam 23,9% do total de 60 milh\u00f5es de fam\u00edlias. E mais de 70% vivem com at\u00e9 R$ 5.724. Al\u00e9m da desigualdade de renda, pesa sobre estes grupos a maior parte do trabalho informal. \u201cO que a gente v\u00ea s\u00e3o bancos aumentando limite, para o pobre se endividar mais. Voc\u00ea precisa ter uma leitura cr\u00edtica disso\u201d, diz Jo\u00e3o Souza, da aceleradora Fa.vela e morador do Conjunto Santa Maria, em Belo Horizonte.&nbsp;<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\">\n<p>\u201cN\u00e3o tem home office para quem vende produto na rua&#8221;, diz Paulo Rogerio, da aceleradora Vale do Dend\u00ea, em Salvador (BA)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Uma pesquisa do Instituto Datafolha mostrou que <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2020\/03\/incertos-sobre-duracao-da-crise-do-coronavirus-brasileiros-temem-perder-renda-aponta-datafolha.shtml\">79% da popula\u00e7\u00e3o prev\u00ea que ser\u00e1 ser\u00e1 muito afetada<\/a> pelo coronav\u00edrus A estratifica\u00e7\u00e3o de renda feita na pesquisa, diz o advogado Jefferson Nascimento, coordenador de Justi\u00e7a Social e Econ\u00f4mica da Oxfam Brasil, mostra que quanto maior a renda, maior a capacidade de mant\u00ea-la e maior a chance de seguir trabalhando de casa. Enquanto 60% das pessoas com rendimento de at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos afirmam que n\u00e3o v\u00e3o conseguir trabalhar de casa, a expectativa de seguir de forma remota por quem ganha mais de dez \u00e9 de 25%.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem home office para quem vende produto na rua\u201d, diz Paulo Rogerio, da aceleradora Vale do Dend\u00ea, em Salvador (BA). O cen\u00e1rio do impacto provocado pela pandemia em Salvador, diz ele, \u00e9 particularmente dram\u00e1tico porque afetou os tr\u00eas setores base da economia local: turismo, servi\u00e7os e entretenimento. E, esse empreendedor, afirma Rogerio, vai ter dificuldade para acessar cr\u00e9dito \u201clonge do eixo Faria Lima\u201d, em alus\u00e3o \u00e0 avenida paulista de neg\u00f3cios milion\u00e1rios.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>A empreendedora do setor alimenticio Aline Ara\u00fajo, conhecida como Aline Chermoula, de 36 anos, precisou retomar um servi\u00e7o de marmitas saud\u00e1veis delivery, que j\u00e1 n\u00e3o oferecia mais, para lidar com a crise. Todos os servi\u00e7os de buffet contratados ou em vias de assinatura de contrato foram cancelados. \u201cA crise mudou todos os planos para empresa e para a vida pessoal, porque est\u00e1 tudo ligado. Fazer marmita d\u00e1 mais trabalho e a renda \u00e9 menor, mas n\u00e3o tive outra op\u00e7\u00e3o\u201d, diz a m\u00e3e de duas crian\u00e7as pequenas. \u201cN\u00e3o posso permitir que meu neg\u00f3cio n\u00e3o d\u00ea certo\u201d.&nbsp; <\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/03\/nao-posso-permitir-que-meu-negocio-nao-de-certo-o-drama-dos-microempresarios-no-limbo-dos-pacotes-do-governo\/\">\u2018N\u00e3o posso permitir que meu neg\u00f3cio n\u00e3o d\u00ea certo\u2019: o drama dos microempres\u00e1rios no limbo dos pacotes do governo<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Source: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pedagoga Ana Claudia Silva, de 35 anos, est\u00e1 confinada em casa, em Aruj\u00e1, no interior de S\u00e3o Paulo, com os tr\u00eas filhos. 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