{"id":218718,"date":"2025-11-03T20:04:54","date_gmt":"2025-11-03T23:04:54","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/centro-de-biotecnologia-quer-criar-novo-polo-industrial-no-amazonas\/"},"modified":"2025-11-03T20:04:54","modified_gmt":"2025-11-03T23:04:54","slug":"centro-de-biotecnologia-quer-criar-novo-polo-industrial-no-amazonas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/centro-de-biotecnologia-quer-criar-novo-polo-industrial-no-amazonas\/","title":{"rendered":"Centro de Biotecnologia quer criar novo polo industrial no Amazonas"},"content":{"rendered":"<p>O Centro de Biotecnologia da Amaz\u00f4nia (CBA) quer viabilizar a cria\u00e7\u00e3o de um novo polo industrial no estado do Amazonas. A ideia \u00e9 juntar, em uma estrutura similar \u00e0 da Zona Franca de Manaus, empresas que agreguem valor a produtos que t\u00eam, como mat\u00e9ria-prima, a biodiversidade da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 defendida pelo diretor do Centro de Biotecnologia da Amaz\u00f4nia (CBA), F\u00e1bio Calderaro. Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>, Calderaro defendeu a cria\u00e7\u00e3o de \u201cvetores econ\u00f4micos complementares\u201d, de forma a usar as voca\u00e7\u00f5es naturais da regi\u00e3o, decorrentes de sua biodiversidade.<\/p>\n<p>\u201cO que separa o Amazonas de outros pa\u00edses pan-amaz\u00f4nicos [pa\u00edses vizinhos onde h\u00e1 tamb\u00e9m \u00e1reas de floresta amaz\u00f4nica] \u00e9 o fato de existir, h\u00e1 53 anos em Manaus, um polo industrial consolidado. O problema \u00e9 que n\u00e3o manufaturamos os insumos da nossa biodiversidade por l\u00e1. Produzimos eletroeletr\u00f4nicos e motocicletas, mas n\u00e3o produzimos f\u00e1rmacos nem produtos de higiene pessoal ou cosm\u00e9ticos, obtidos a partir da biodiversidade da floresta\u201d, argumentou Calderaro.<\/p>\n<p>Segundo ele, essa \u00e9 a \u201cmaior vantagem comparativa\u201d da amaz\u00f4nia. \u201cO que temos de fazer agora \u00e9 transformar essa vantagem comparativa da regi\u00e3o em vantagem competitiva; \u00e9 atrelar essa economia a uma pol\u00edtica industrial\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>Lei da Biodiversidade<\/h2>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do diretor da CBA, seguir o exemplo da Zona Franca de Manaus, no sentido de concentrar essas ind\u00fastrias em uma \u00e1rea, facilitar\u00e1 a fiscaliza\u00e7\u00e3o de toda a cadeia produtiva de produtos e insumos obtidos a partir da biodiversidade da floresta amaz\u00f4nica. \u201cAo mesmo tempo, vai gerar atividades econ\u00f4micas que poder\u00e3o beneficiar a popula\u00e7\u00e3o local\u201d, acrescentou.<\/p>\n<p>Calderado ponderou, no entanto, que para essa pol\u00edtica ser bem-sucedida, alguns entraves ter\u00e3o de ser superados, em especial relativos a dificuldades para a obten\u00e7\u00e3o de licen\u00e7as ambientais, bem como para o cumprimento de algumas obriga\u00e7\u00f5es previstas na Lei da Biodiversidade.<\/p>\n<h2>Mapeamento de comunidades<\/h2>\n<p>\u201cEssa lei da Biodiversidade [Lei13.123\/2015, que tem como origem uma medida provis\u00f3ria de 2004] foi criada para proteger o pa\u00eds contra a biopirataria, mas acabou criando entraves \u00e0 explora\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel de nossa biodiversidade\u201d, disse.<\/p>\n<p>Segundo ele, essa lei tem uma \u201cbase argumentativa satisfat\u00f3ria\u201d, no sentido de prever benef\u00edcios para as comunidades tradicionais de onde o conhecimento foi extra\u00eddo, antes de ser aplicado na cadeia produtiva.<\/p>\n<p>\u201cNo entanto, ela obriga o empres\u00e1rio a fazer um levantamento que, na verdade, \u00e9 um trabalho hom\u00e9rico: o de provar que nenhuma outra comunidade det\u00e9m o mesmo conhecimento\u201d, disse. \u201cIsso resulta em inseguran\u00e7a jur\u00eddica, porque \u00e9 muito dif\u00edcil provar ou mesmo saber que nenhuma outra comunidade det\u00e9m esse mesmo conhecimento e, por consequ\u00eancia, direito aos benef\u00edcios previstos na lei\u201d, argumentou.<\/p>\n<h2>Licenciamentos ambientais<\/h2>\n<p>Calderaro critica as dificuldades pelas quais as empresas t\u00eam de passar para obter licenciamentos ambientais na regi\u00e3o. Para ele, essa burocracia gera um \u201cambiente hostil\u201d tanto para empreender quanto para desenvolver neg\u00f3cios na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma letargia dos servi\u00e7os p\u00fablicos. Por exemplo, para obter uma licen\u00e7a ambiental em Minas Gerais s\u00e3o necess\u00e1rios 50 dias. No Esp\u00edrito Santo, 25 dias. J\u00e1 no Amazonas s\u00e3o necess\u00e1rios quase 400 dias, em m\u00e9dia. Isso acaba levando o empreendedor a trabalhar na ilegalidade, o que \u00e9 ruim at\u00e9 para o meio ambiente\u201d, acrescentou.<\/p>\n<h2>Centro de Biotecnologia<\/h2>\n<p>O Centro de Biotecnologia da Amaz\u00f4nia tem, entre seus principais objetivos, o de desenvolver novas tecnologias a partir de pesquisas integradas, que ser\u00e3o realizadas direta e indiretamente por uma rede de laborat\u00f3rios regionais e nacionais.<\/p>\n<p>Para isso, oferece suporte para as empresas de transforma\u00e7\u00e3o e industrializa\u00e7\u00e3o de produtos naturais em suas mais diversas aplica\u00e7\u00f5es, o que abrange desde produtos farmac\u00eauticos, cosm\u00e9ticos e bioinseticidas para a agricultura, at\u00e9 as ind\u00fastrias de alimentos, corantes, aromatizantes e de \u00f3leos essenciais, entre outros.<\/p>\n<p>Atualmente o CBA desenvolve 26 projetos. Entre eles, Calderaro destaca o aproveitamento de res\u00edduos gerados na Esta\u00e7\u00e3o de Tratamento de Esgoto da Industrial para a obten\u00e7\u00e3o de adubos, mat\u00e9ria-prima para a constru\u00e7\u00e3o civil, e para a obten\u00e7\u00e3o de surfactantes (detergentes), glicerol e biodiesel. \u201cPretendemos literalmente transformar lixo em luxo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>\u201cEsse projeto causar\u00e1 impacto direto nas \u00e1reas ambientais, com a diminui\u00e7\u00e3o de rejeitos lan\u00e7ados ao meio ambiente, e com o desenvolvimento de novas atividades econ\u00f4micas a partir de produtos com alto valor agregado\u201d, diz o diretor.<\/p>\n<p>Outro projeto destacado por ele \u00e9 a chamada \u201cprodu\u00e7\u00e3o de anticorpos\u201d, que s\u00e3o usados para a fabrica\u00e7\u00e3o de vacinas e kits de diagn\u00f3sticos que hoje, no Brasil, s\u00e3o 100% importados. \u201cNo CBA temos uma plataforma de produ\u00e7\u00e3o de anticorpos a partir de ovos de galinha, uma tecnologia de baixo custo e com capacidade de suprir a demanda nacional\u201d, acrescentou.<!--nextpage--><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m de grande potencial \u00e9 a iniciativa relacionada \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o de \u00e1reas degradadas, por meio da replica\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas de interesse ambiental, e pela produ\u00e7\u00e3o em larga escala de mudas sadias de interesse econ\u00f4mico, como o a\u00e7a\u00ed, para ind\u00fastrias aliment\u00edcia e farmac\u00eautica; seringueiras, para a ind\u00fastria da borracha; e bromeli\u00e1ceas, para a obten\u00e7\u00e3o de fibras para a ind\u00fastria t\u00eaxtil.<br \/>\nFonte: EBC ECONOMIA<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Centro de Biotecnologia da Amaz\u00f4nia (CBA) quer viabilizar a cria\u00e7\u00e3o de um novo polo industrial no estado do Amazonas. 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