{"id":217449,"date":"2025-11-03T20:04:15","date_gmt":"2025-11-03T23:04:15","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cdhu-e-responsabilizada-por-trabalho-escravo-no-interior-de-sao-paulo\/"},"modified":"2025-11-03T20:04:15","modified_gmt":"2025-11-03T23:04:15","slug":"cdhu-e-responsabilizada-por-trabalho-escravo-no-interior-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cdhu-e-responsabilizada-por-trabalho-escravo-no-interior-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"CDHU \u00e9 responsabilizada por trabalho escravo no interior de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhadores de um conjunto habitacional do governo de S\u00e3o Paulo foram encontrados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o por auditores-fiscais do trabalho na cidade de Jaguari\u00fana, regi\u00e3o metropolitana de Campinas. Neste m\u00eas, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de S\u00e3o Paulo (CDHU) foi responsabilizada pelos casos de trabalho escravo junto com a construtora contratada para a execu\u00e7\u00e3o das obras, a Viasol.&nbsp;<\/p>\n<p>A fiscaliza\u00e7\u00e3o encontrou cinco pedreiros e quatro ajudantes que estavam h\u00e1 tr\u00eas meses sem receber sal\u00e1rio \u2013 e permaneciam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o das empresas. Eles foram resgatados em setembro do ano passado, quando a CDHU teve que pagar R$ 90,7 mil de verbas rescis\u00f3rias e sal\u00e1rios, mas foi apenas neste m\u00eas que os auditores oficialmente responsabilizaram a empresa pelo crime.<\/p>\n<p>Os trabalhadores estavam em um alojamento improvisado em meio a um dep\u00f3sito de material de constru\u00e7\u00e3o, onde havia sacos de cimentos, t\u00e1buas de madeira e caixas d\u2019\u00e1gua. Quando os auditores chegaram ao local, sequer havia energia el\u00e9trica. A maioria dos c\u00f4modos n\u00e3o possu\u00eda janelas e o ambiente n\u00e3o recebia qualquer tipo de limpeza.<\/p>\n<p style=\"text-align:left\">\u201cO im\u00f3vel era absolutamente inadequado para a moradia de pessoas. Al\u00e9m de se tratar de uma obra comercial inacabada e abandonada, havia muitas irregularidades que atentavam contra a sa\u00fade e a seguran\u00e7a dos que ali viviam\u201d, diz o relat\u00f3rio dos auditores-fiscais do trabalho do Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>Antes de chegarem ao alojamento improvisado, os trabalhadores constru\u00edam um conjunto habitacional da CDHU em Itatiba, tamb\u00e9m na regi\u00e3o metropolitana de Campinas. Os sal\u00e1rios come\u00e7aram a atrasar em maio de 2018 e, segundo os auditores, a situa\u00e7\u00e3o foi agravada conforme a CDHU tamb\u00e9m atrasava os pagamentos feitos \u00e0 construtora Viasol.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/preso_cadeado-800x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-44062\" \/><figcaption>Quando os auditores-fiscais do trabalho chegaram ao alojamento improvisado, as portas estavam trancadas com um cadeado (Foto: SRTE\/SP)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Pouco a pouco, o sal\u00e1rio fixo foi trocado por uma remunera\u00e7\u00e3o por produtividade, que ficava abaixo do que havia sido prometido aos trabalhadores. A partir de junho de 2019, a Viasol parou de pagar os sal\u00e1rios e paralisou completamente a obra na cidade de Itatiba.<\/p>\n<p>Com a interrup\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o, os trabalhadores foram levados ao alojamento improvisado ao lado da sede da Viasol em Jaguari\u00fana. Dos nove trabalhadores encontrados no alojamento, cinco deles vieram do Maranh\u00e3o. Sem dinheiro e \u00e0 espera de um pagamento que nunca vinha, eles permaneceram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da empresa, sem a possibilidade de voltar para casa. A situa\u00e7\u00e3o fez com que ao menos tr\u00eas deles buscassem, por conta pr\u00f3pria, a Pol\u00edcia Civil, onde fizeram um boletim de ocorr\u00eancia relatando a situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Quando os auditores-fiscais chegaram ao alojamento, as portas estavam trancadas com cadeado. As paredes improvisadas n\u00e3o possu\u00edam reboco ou pintura, e o local estava sujo e empoeirado.&nbsp; As camas eram feitas com restos de materiais de outras obras, como ferro e madeira, e as roupas dos trabalhadores ficavam penduradas em pregos.<\/p>\n<p>As janelas eram, na verdade, buracos na parede, onde os trabalhadores usavam len\u00e7\u00f3is improvisados como cortinas. Havia somente um banheiro para todos eles, onde n\u00e3o havia lixeira e um balde era utilizado como descarga. Os trabalhadores reclamavam da comida no local, cuja \u201cmistura\u201d era composta por salsicha ou mi\u00fados de galinha \u2013 preparados no pr\u00f3prio alojamento<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o degradante foi um dos motivos para que fosse constatado o trabalho escravo no local, j\u00e1 que o alojamento \u201catentava contra a dignidade da pessoa humana\u201d, de acordo com a fiscaliza\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m contribuiu para a caracteriza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o o fato de o empregador ter enganado os trabalhadores sobre a remunera\u00e7\u00e3o, o fornecimento de alimenta\u00e7\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, foi considerado que houve tr\u00e1fico de pessoas. Segundo os auditores, \u201co recrutamento, o transporte, a transfer\u00eancia, o alojamento ou o acolhimento de pessoas, recorrendo \u00e0 fraude, ao engano, ou \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, para fins de explora\u00e7\u00e3o do trabalho em pr\u00e1ticas similares \u00e0 escravid\u00e3o configura tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n<p>Dos nove trabalhadores, cinco voltaram ao Maranh\u00e3o com passagens e alimenta\u00e7\u00e3o pagas pela CDHU, que tamb\u00e9m pagou R$ 90,7 mil pelos sal\u00e1rios atrasados e pela rescis\u00e3o. Al\u00e9m disso, cinco dos trabalhadores receberam o seguro desemprego destinado \u00e0 trabalhadores resgatados de situa\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<h1>CDHU j\u00e1 teve trabalho escravo em seus canteiros<\/h1>\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o primeiro caso de trabalho an\u00e1logo ao escravo constatado em obras da CDHU. <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/cotidiano\/ultimas-noticias\/2012\/04\/20\/procuradoria-flagra-trabalho-escravo-em-obras-da-cdhu-no-interior-de-sp.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre numa nova aba)\">Em 2012, 50 trabalhadores foram encontrados nesta situa\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o de um conjunto habitacional na cidade de Bofete<\/a> (a 159 km de S\u00e3o Paulo), mas somente a construtora contratada pelo \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, \u00e0 \u00e9poca, foi responsabilizada pela situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desta vez, por\u00e9m, os auditores entenderam que a CDHU tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo problema. A companhia estatal mantinha fiscaliza\u00e7\u00e3o das obras, mas ela se resumia a quest\u00f5es relacionadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, sem levar em conta as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas. \u201cO fato de a CDHU ter retido os pagamentos [para a Viasol] significa que ela acompanhava as obras, mas as acompanhava somente com olhos voltados para o financeiro, para o patrim\u00f4nio da CDHU. \u00c9 uma fiscaliza\u00e7\u00e3o que deveria olhar para os trabalhadores tamb\u00e9m\u201d, diz o auditor Rafael Augusto Vido da Silva<\/p>\n<p>A CDHU informou que \u201crealiza fiscaliza\u00e7\u00e3o com inspe\u00e7\u00f5es nos canteiros de obras em todos os seus empreendimentos\u201d, mas que n\u00e3o teria a obriga\u00e7\u00e3o de fiscalizar o alojamento dos trabalhadores.&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cO alojamento de funcion\u00e1rios da Viasol ficava na cidade de Jaguari\u00fana, fora do canteiro do empreendimento da Companhia em Itatiba e fora da sua esfera de compet\u00eancia. Por isso, considera que apenas a empreiteira deve ser responsabilizada pelo ocorrido\u201d disse a empresa estatal em nota enviada \u00e0 <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>.&nbsp;<\/p>\n<p>A CDHU&nbsp; afirmou ainda que \u201crescindiu todos os contratos que mantinha com essa empresa [Viasol], tendo em vista a poss\u00edvel atua\u00e7\u00e3o temer\u00e1ria&nbsp;que a mesma poderia estar realizando\u201d e que \u201cn\u00e3o compactua com nenhum tipo de conduta irregular e as empreiteiras contratadas devem seguir rigorosamente o que determina a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d. Leia<a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" aqui (abre numa nova aba)\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/02\/integra-da-resposta-sobre-trabalho-escravo-em-construcao-de-habitacao-social-de-sp\/\" target=\"_blank\"> aqui<\/a> a nota completa<\/p>\n<p>Em e-mail enviado \u00e0 reportagem, a Viasol criticou a fiscaliza\u00e7\u00e3o do trabalho e pediu que a reportagem n\u00e3o mencionasse o nome da empresa. A Viasol n\u00e3o respondeu a nenhuma das perguntas feitas sobre pontos espec\u00edficos da fiscaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este n\u00e3o foi o primeiro caso em que obras da Viasol para a CDHU geraram problemas. No ano passado, trabalhadores da empresa ficaram sem sal\u00e1rio ap\u00f3s a interrup\u00e7\u00e3o de outra obra no munic\u00edpio de Rafard, fruto de um conv\u00eanio entre a prefeitura da cidade e a CDHU.<\/p>\n<\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi republicada no UOL.<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/02\/cdhu-e-responsabilizada-por-trabalho-escravo-no-interior-de-sao-paulo\/\">CDHU \u00e9 responsabilizada por trabalho escravo no interior de S\u00e3o Paulo<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores de um conjunto habitacional do governo de S\u00e3o Paulo foram encontrados em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga \u00e0 escravid\u00e3o por auditores-fiscais do trabalho na cidade de Jaguari\u00fana, regi\u00e3o metropolitana de Campinas. 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