{"id":214367,"date":"2025-11-03T20:02:42","date_gmt":"2025-11-03T23:02:42","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/setor-de-frutas-gera-riqueza-no-nordeste-mas-pouco-fica-com-o-trabalhador\/"},"modified":"2025-11-03T20:02:42","modified_gmt":"2025-11-03T23:02:42","slug":"setor-de-frutas-gera-riqueza-no-nordeste-mas-pouco-fica-com-o-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/setor-de-frutas-gera-riqueza-no-nordeste-mas-pouco-fica-com-o-trabalhador\/","title":{"rendered":"Setor de frutas gera riqueza no Nordeste, mas pouco fica com o trabalhador"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/frutas-800x347.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-43482\" width=\"629\" height=\"272\" \/><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cOs trabalhadores est\u00e3o com muita depress\u00e3o, e as empresas acham isso normal\u201d. O alerta \u00e9 de Rita de C\u00e1ssia, uma sindicalista que atua em fazendas de frutas no munic\u00edpio baiano de Casa Nova, localizado no polo agroindustrial do vale do rio S\u00e3o Francisco.<\/p>\n<p>Entre carregamentos de manga, mel\u00e3o, uva e vinho, enviados para supermercados aqui e no exterior, lideran\u00e7as de trabalhadores rurais relatam que o mercado de trabalho local, da maneira como est\u00e1 organizado, tem sido incapaz de oferecer sal\u00e1rios dignos e boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Em parceria com entidades sindicais, organiza\u00e7\u00f5es como Oxfam e Rep\u00f3rter Brasil tem se esfor\u00e7ado para pressionar empresas envolvidas com o setor, como supermercados e certificadoras, a promoverem melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>Pernambuco e Bahia, que dividem o polo do vale do S\u00e3o Francisco, s\u00e3o respons\u00e1veis por 62% das mangas e por 53% das uvas produzidas no Brasil. O Cear\u00e1 e o Rio Grande do Norte, onde polos de frutas tamb\u00e9m se desenvolveram, colhem 75% dos mel\u00f5es.<\/p>\n<p>Empresas que atuam no ramo empregaram cerca de 90 mil pessoas. Por\u00e9m, metade desses trabalhadores s\u00f3 obt\u00e9m ocupa\u00e7\u00e3o durante seis meses no ano e, depois, \u00e9 demitida.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de trabalhadores safristas \u00e9 a mais grave, em uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho que se estende por semanas ou poucos meses. A renda mensal m\u00e9dia em um ano para quem trabalhou no mel\u00e3o, manga e uva como safrista por seis meses seria de apenas R$ 687,88, R$ 593,50 e R$ 590,96 respectivamente. De acordo com a Pnad (IBGE), esses n\u00fameros os colocam entre os 20% mais pobres do Brasil.<\/p>\n<p>Os dados foram apurados pela equipe da Oxfam Brasil, que lan\u00e7ou a campanha <a href=\"https:\/\/oxfam.org.br\/setor-privado-e-direitos-humanos\/por-tras-do-preco\/frutas-doces-vidas-amargas\">\u201cFrutas doces, vidas amargas\u201d<\/a> no fim do ano passado. Como pode o Brasil ser o terceiro maior produtor de frutas do mundo, gerando uma renda de R$ 40 bilh\u00f5es por ano, e n\u00e3o conseguir garantir sequer o sal\u00e1rio m\u00ednimo para os empregados do setor?<\/p>\n<p>\u201cVerificamos que o sal\u00e1rio dos trabalhadores da fruticultura est\u00e1 44% abaixo do recomendado pela OIT (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho). Nas frutas, a gente viu que a produ\u00e7\u00e3o dos safristas \u00e9 muito grande. Mais da metade da m\u00e3o de obra \u00e9 safrista e esta metade trabalha seis meses\u201d, destaca Gustavo Ferroni, da Oxfam Brasil.<\/p>\n<h1>Debate aberto<\/h1>\n<p>O tema foi tratado no semin\u00e1rio \u201cDesafios para a Sustentabilidade na Cadeia de Frutas\u201d, realizado em dezembro em S\u00e3o Paulo, e que recebeu representantes do setor empresarial. Um dos objetivos centrais do encontro foi promover um maior conhecimento aos sindicatos quanto \u00e0s certifica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O sucateamento das rela\u00e7\u00f5es trabalhistas a partir das mudan\u00e7as nos governos Temer e Bolsonaro, por exemplo, poderia ser melhor enfrentado no caso de haver maior envolvimento das empresas e dos atores respons\u00e1veis pelas auditorias e certifica\u00e7\u00f5es. Uma mudan\u00e7a de perspectiva que pode se refletir, por exemplo, nas negocia\u00e7\u00f5es coletivas entre empresas e trabalhadores. Em janeiro, algumas dessas negocia\u00e7\u00f5es j\u00e1 registram importantes rodadas.<\/p>\n<p>No semin\u00e1rio, representantes das empresas Unilever e Tesco apresentaram suas principais a\u00e7\u00f5es para trazer sustentabilidade e respeito aos direitos em suas cadeias produtivas. Por outro lado, representantes de organiza\u00e7\u00f5es sindicais e da sociedade civil, como Contar, Dieese, Fetarn, Fetraern e sindicatos de Juazeiro e Petrolina relataram as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>Gyslainne Alline Alves Lima, do sindicato de Casa Nova, detalhou os problemas. \u201cNo Vale do S\u00e3o Francisco, muita coisa ali n\u00e3o acontece. \u00d4nibus coletivo \u00e9 um avan\u00e7o, mas ele est\u00e1 lotado, com 20, 30 pessoas em p\u00e9, quebra no caminho e as pessoas voltam a p\u00e9&#8230; Quando o sindicato sabe, j\u00e1 foi. S\u00f3 tem um bebedouro, \u00e1gua gelada n\u00e3o tem. Se a certificadora chega l\u00e1 e v\u00ea o bebedouro, n\u00e3o imagina que no dia a dia, meio-dia, j\u00e1 n\u00e3o tem mais, est\u00e1 seco. Essa ideia da certificadora, da experi\u00eancia por si s\u00f3, sem estar com o sindicato, n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida, pois precisa ter um canal\u201d, comentou.<\/p>\n<p>No debate, v\u00e1rios apontamentos mostraram que a vida dos coletores das doces frutas brasileiras anda para l\u00e1 de amarga. H\u00e1 falta de EPI (equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual) e contato direto com agrot\u00f3xico; banheiros s\u00e3o escassos ou h\u00e1 restri\u00e7\u00e3o de uso. Sem contar as reclama\u00e7\u00f5es constantes de falta de \u00e1gua e de lugar adequado para alimenta\u00e7\u00e3o. Ferroni tamb\u00e9m o relatou o ambiente estrutural de medo e de vulnerabilidade, pois os safristas n\u00e3o sabem quando ter\u00e3o emprego novamente.<!--nextpage--><\/p>\n<h1>Distin\u00e7\u00e3o de g\u00eanero<\/h1>\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o dos representantes da Tesco, Edgar Monge, e da Unilever, Rodolpho Simas, permitiu maior compreens\u00e3o quanto \u00e0s pol\u00edticas internas das empresas. As duas companhias s\u00e3o gigantes mundiais, e registraram no encontro parte de suas metodologias de auditoria e checagem de certifica\u00e7\u00f5es dentro da cadeia de abastecimento, levantando novos debates.<\/p>\n<p>Monge falou sobre as pr\u00e1ticas da rede voltadas \u00e0 melhora das condi\u00e7\u00f5es laborais, como a n\u00e3o-permiss\u00e3o de horas excessivas de trabalho e banimento do trabalho infantil. Em pa\u00edses como o M\u00e9xico, disse que um ponto sens\u00edvel \u00e9 a discrimina\u00e7\u00e3o por g\u00eanero \u2013 identificada pela rede em importantes fornecedores no Brasil tamb\u00e9m. Ao ressaltar a premissa de que a lei local precisa ser cumprida, Monge fez a ressalva de que, em muitos casos, \u201cinfelizmente a lei local n\u00e3o protege, por isso o c\u00f3digo \u00e9tica tem de ser respeitado\u201d.<\/p>\n<p>Um dos pontos de maior discuss\u00e3o do dia foi a explana\u00e7\u00e3o de Edgar Monge sobre a n\u00e3o obrigatoriedade de di\u00e1logo, durante as auditorias, com delegados sindicais. Segundo ele, a Tesco incentiva a forma\u00e7\u00e3o de comit\u00eas de trabalhadores para acompanhar as dilig\u00eancias sem que haja, necessariamente, afilia\u00e7\u00e3o sindical.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante ver como avaliar de forma bem r\u00edgida os auditores. Tem auditores com 15, 20 anos que trabalham bem, e outros com esse tempo todo trabalhando mal. \u00c9 importante que a gente entenda a necessidade de uma avalia\u00e7\u00e3o interna. Lamento muito que tive de visitar lugares depois de auditorias e me deparei com situa\u00e7\u00f5es de n\u00e3o-conformidade, coisa que n\u00e3o foi detectada pela auditoria. Muitas das empresas aceitam a desculpa da legisla\u00e7\u00e3o local\u201d, comentou Monge.<\/p>\n<p>O semin\u00e1rio apontou alguns encaminhamentos nesse campo, como o refor\u00e7o \u00e0 empregabilidade das mulheres (que est\u00e3o mais suscet\u00edveis a contratos de safristas), al\u00e9m de uma maior proximidade e participa\u00e7\u00e3o dos sindicatos nas auditorias.<\/p>\n<p>O representante do STTR Petrolina, Daniel Saldanha, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia de o sindicato ser considerado como o espa\u00e7o central de representa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo. \u201cEm Petrolina, j\u00e1 tinha repercutido esse relat\u00f3rio (da Oxfam). Acreditamos que vai ser favor\u00e1vel para negocia\u00e7\u00e3o neste momento\u201d.<\/p>\n<h1>Guinada pol\u00edtica<\/h1>\n<p>Os presentes no semin\u00e1rio destacaram, ainda, que a guinada pol\u00edtica vivenciada pelo Brasil nos \u00faltimos anos \u201carrebentou\u201d os trabalhadores \u2013 e n\u00e3o resolveu situa\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios. Jos\u00e9 Manoel, o Zezinho do STTR Juazeiro, tra\u00e7ou o registro hist\u00f3rico recente nesse sentido.<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro, o impeachment da Dilma, isso refletindo na sociedade, e achava que depois disso o processo de desmonte do Temer se reverteria nas elei\u00e7\u00f5es, mas o que se configurou foi pior, com o Bolsonaro. Vimos na nossa regi\u00e3o os empres\u00e1rios apoiando o Bolsonaro, foi uma loucura. Como agora vamos resolver nossos problemas e nos unir com esses caras que pressionaram os trabalhadores para votar no Bolsonaro? Todas as falas do Bolsonaro eram de acabar com os direitos dos trabalhadores. Para a gente, era uma situa\u00e7\u00e3o bastante temerosa, por isso esse relat\u00f3rio abriu uma porta muito larga de empoderamento e encorajamento\u201d.<\/p>\n<p>Zezinho celebrou o fato de o encontro promover o \u201ccontato com atores como Unilever e Tesco, que est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o bastante estrat\u00e9gica, no meio do processo da compra do produto\u201d. Disse ele: \u201cSe confirmou pra gente que existem realmente as exig\u00eancias. O consumidor na ponta exige que tenha responsabilidade social e ambiental\u201d.<\/p>\n<p>Para o sindicalista, os trabalhadores devem explorar melhor os canais de den\u00fancias e certifica\u00e7\u00f5es, o que pode resultar em avan\u00e7os por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. \u201cVimos a rigidez do comprador e do consumidor final. Temos que selecionar algumas empresas mais problem\u00e1ticas e usar os canais de den\u00fancia. Sei que vamos sofrer retalia\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<h1>Certifica\u00e7\u00e3o em foco<\/h1>\n<p>A import\u00e2ncia de se compreender e acompanhar melhor o trabalho das certificadoras tamb\u00e9m esteve em pauta. \u201cDiscutir a certifica\u00e7\u00e3o \u00e9 muito importante. A gente sai com a expectativa do que vai fazer em nossas regi\u00f5es. Cheguei aqui sem perspectiva, sem len\u00e7o, sem documento, e sa\u00ed daqui com tudo, com RG\u201d, celebrou Daniel Saldanha, de Petrolina.<\/p>\n<p>Francisco Joseraldo Medeiros do Vale, da Fetarn, a federa\u00e7\u00e3o sindical do Rio Grande do Norte, trouxe avalia\u00e7\u00e3o semelhante. Para Joseraldo, essa aproxima\u00e7\u00e3o passa por capacita\u00e7\u00e3o \u2013 inclusive contratada, junto \u00e0s certificadoras. \u201cPrecisamos cham\u00e1-los para fazer essa capacita\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o \u00e9 um favor\u201d. O sindicalista ressaltou que a realidade do campo hoje \u00e9 de trabalhadores que t\u00eam entre dois e quatro filhos, casados, e que tiram apenas um sal\u00e1rio m\u00ednimo em seus empregos. Para Joseraldo, isso permite apenas sobreviver \u2013 e o movimento sindical precisa ir al\u00e9m.<!--nextpage--><\/p>\n<h1>Caminho longo<\/h1>\n<p>Embora algumas empresas \u2013 como as redes j\u00e1 citadas \u2013 tenham se disponibilizado a ouvir e buscar sa\u00eddas para os problemas, ainda h\u00e1 muito pelo que lutar.<\/p>\n<p>\u201cEm Mossor\u00f3, na Chapada do Apodi, tem uma quest\u00e3o de resist\u00eancia das empresas chegarem l\u00e1 por ser regi\u00e3o de agricultura familiar. A gente tenta trabalhar a defesa do territ\u00f3rio, reforma agr\u00e1ria, mais do que a quest\u00e3o de ser assalariado. Mas, agora, vejo como \u00e9 importante o sindicato se apropriar das certifica\u00e7\u00f5es. Vejo por essa rela\u00e7\u00e3o com a Agr\u00edcola Famosa: a Tesco \u00e9 uma grande compradora de mel\u00e3o e chegar \u00e0 base e falar \u2018olha, essa empresa disse que s\u00f3 compra se a empresa seguir essa s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es\u2019, \u00e9 muito bom.\u201d, sugeriu Ant\u00f4nio Nilton Bezerra Jr., da CPT RN Oeste.<\/p>\n<p>As conquistas, mesmo com a tentativa de desmanche sindical com as mudan\u00e7as nas leis trabalhistas, t\u00eam partido do coletivo dos trabalhadores em negocia\u00e7\u00e3o com o patronato.<\/p>\n<p>\u201cNo caso da (certifica\u00e7\u00e3o com o selo<em>)<\/em> Rainforest Alliance<em>,<\/em> foi estabelecido na norma que as empresas t\u00eam de estabelecer um patamar de sal\u00e1rio digno em 10 anos. Me parece uma novidade interessante, pois n\u00e3o \u00e9 uma conta simples. Para fazer essa discuss\u00e3o n\u00e3o basta somente cobrar do produtor para ele pagar o sal\u00e1rio digno. \u00c9 preciso entender essa cadeia\u201d, observou Marcel Gomes, representante da Rep\u00f3rter Brasil no semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Organizadora do evento, a Oxfam Brasil marcou posi\u00e7\u00e3o no combate por melhorias globais no trato humano com os trabalhadores.<\/p>\n<p>\u201cQuando a Rita falou da sa\u00fade mental, me veio \u00e0 tona a fala da procuradora Ileana Mousinho, do Rio Grande do Norte, que falou muito da rela\u00e7\u00e3o dos estudos do impacto dos agrot\u00f3xicos com doen\u00e7as mentais. Devagar, vamos nos apropriando das discuss\u00f5es. Esse di\u00e1logo com as certificadoras \u00e9 muito t\u00e9cnico, mas \u00e9 preciso popularizar para chegar aos trabalhadores\u201d, disse Marina Mar\u00e7al, da Oxfam.<\/p>\n<p>Gustavo Ferroni refor\u00e7ou: \u201cSeria importante que os sindicatos fizessem uma carta para Rainforest, e dizer que tem interesse em participar das auditorias. Dizer \u2018sim, queremos ser consultados\u2019. \u00c9 importante marcar essa posi\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2020\/01\/setor-de-frutas-gera-riqueza-no-nordeste-mas-pouco-fica-com-o-trabalhador\/\">Setor de frutas gera riqueza no Nordeste, mas pouco fica com o trabalhador<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Infoeconomico.com.br &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cOs trabalhadores est\u00e3o com muita depress\u00e3o, e as empresas acham isso normal\u201d. O alerta \u00e9 de Rita de C\u00e1ssia, uma sindicalista que atua em fazendas de frutas no munic\u00edpio baiano de Casa Nova, localizado no polo agroindustrial do vale do rio S\u00e3o Francisco. 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