{"id":21365,"date":"2019-04-21T17:29:18","date_gmt":"2019-04-21T20:29:18","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/a-lama-que-queima-compradora-de-minerio-da-vale-faz-vitimas-no-interior-do-maranhao\/"},"modified":"2019-04-21T17:29:18","modified_gmt":"2019-04-21T20:29:18","slug":"a-lama-que-queima-compradora-de-minerio-da-vale-faz-vitimas-no-interior-do-maranhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/a-lama-que-queima-compradora-de-minerio-da-vale-faz-vitimas-no-interior-do-maranhao\/","title":{"rendered":"A lama que queima: compradora de min\u00e9rio da Vale faz v\u00edtimas no interior do Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<figure class=\"wp-block-embed-youtube aligncenter wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<\/div>\n<\/figure>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 dor mais insuport\u00e1vel do que aquela que fere um filho. Enquanto ouvia os gritos do Alan, internado durante 13 dias e precisando de seda\u00e7\u00e3o para aguentar os curativos das queimaduras nas pernas, Marlene dos Santos n\u00e3o sentia fome, sono ou cansa\u00e7o. \u201cS\u00f3 queria estar no lugar dele\u201d, diz ela, referindo-se \u00e0 maior trag\u00e9dia que a fam\u00edlia j\u00e1 enfrentou e que deixou cicatrizes profundas no corpo do filho, \u00e0 \u00e9poca com 9 anos. \u201cEra a munha.\u201d &nbsp;<\/p>\n<p>Em A\u00e7ail\u00e2ndia, p\u00f3lo sider\u00fargico brasileiro no Maranh\u00e3o, \u201cmunha\u201d \u00e9 o apelido que os moradores deram para uma esc\u00f3ria inflam\u00e1vel, resultado da produ\u00e7\u00e3o de ferro gusa, depositadas a c\u00e9u aberto \u2013 em um local sem cercas ou muros \u2013, atr\u00e1s da casa de moradores. S\u00e3o montanhas negras de \u201cmunha\u201d a perder de vista, algumas com mais de dois metros de altura. <\/p>\n<p>A respons\u00e1vel por essas montanhas de munhas que amea\u00e7am os moradores \u00e9 empresa Gusa Nordeste S.A, bra\u00e7o do Grupo Ferroeste. A liga, feita a partir de min\u00e9rio de ferro, \u00e9 essencial para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7o, como o usado na fabrica\u00e7\u00e3o de bicicletas. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia_foto-fernando-martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39616\" \/><figcaption>Ant\u00f4nio Ara\u00fajo, morador de A\u00e7ail\u00e2ndia, caminha ao lado das montanhas de res\u00edduos inflam\u00e1veis: n\u00e3o h\u00e1 cercas ou muros que impe\u00e7am o acesso dos moradores ao local (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Sob sol, a \u201cmunha\u201d alcan\u00e7a temperaturas capazes de provocar queimaduras de terceiro grau. Sob chuva e vento, esse p\u00f3 fino inflam\u00e1vel \u00e9 levado para regi\u00f5es distantes. Ao decantar sob a terra, fica camuflado, impercept\u00edvel a olho nu, \u00e0 espera da pr\u00f3xima v\u00edtima. &nbsp;<\/p>\n<p>Alan sofreu queimaduras severas em uma \u00e1rea de plantio de eucalipto da Gusa, a quil\u00f4metros das montanhas de \u201cmunha\u201d. Ele ia a cavalo com um vizinho pela estrada, aberta h\u00e1 d\u00e9cadas pela comunidade, quando o animal esperneou. Alan caiu e viu a lama comer-lhe os p\u00e9s \u2013 de um deles viam-se os ossos. \u201cSe tivesse ca\u00eddo sentado, os \u00f3rg\u00e3os teriam cozinhado e o menino teria morrido\u201d, diz o vizinho que o salvou, Jos\u00e9 Carlos Monteiro Neves. A Secretaria Municipal de Sa\u00fade e a Gusa visitaram o local dias depois. Os focos de inc\u00eandio permaneciam. <\/p>\n<p>Alan n\u00e3o foi a primeira nem a \u00faltima v\u00edtima da esc\u00f3ria incandescente da Gusa Nordeste. A primeira condena\u00e7\u00e3o judicial da empresa \u00e9 de 1999. \u00c0 \u00e9poca, outra crian\u00e7a, de sete anos, afundou na \u201cmunha\u201d e n\u00e3o sobreviveu. Na senten\u00e7a, publicada em 2002, o juiz Jos\u00e9 Edilson Ribeiro afirma n\u00e3o haver d\u00favidas de que &nbsp;a empresa \u201cassumiu o risco, mesmo que eventual, de provocar um acidente.\u201d <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia3_Foto-Fernando-Martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39622\" \/><figcaption>O filho de Marlene dos Santos, Alan, tinha 9 anos quando queimou os p\u00e9s na &#8220;munha&#8221; (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quase vinte anos depois, o cen\u00e1rio piorou: tanto o n\u00famero de v\u00edtimas conhecidas quanto o volume de \u201cmunha\u201d aumentaram. A <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>encontrou quatro fam\u00edlias com casos de queimaduras severas provocadas pela esc\u00f3ria, mas h\u00e1 outros em A\u00e7ail\u00e2ndia, cidade cont\u00edgua \u00e0 Estrada de Ferro Caraj\u00e1s. <\/p>\n<p>A principal empresa que fornece min\u00e9rio de ferro para a Gusa \u00e9 a Vale, respons\u00e1vel pelo rompimento da pela barragem em Brumadinho (MG), em janeiro deste ano, que deixou cerca de 350 mortos. Em A\u00e7ail\u00e2ndia, a lama queima. <\/p>\n<p>A Gusa Nordeste chegou ao Maranh\u00e3o em 1984 apoiada pela ditadura para \u201clevar progresso\u201d \u00e0 Amaz\u00f4nia. Em 2017, a fam\u00edlia Silvia Carvalho Nascimento e Silva e Ricardo Carvalho do Nascimento, \u00e0 frente da diretoria e do quadro de acionistas da Gusa, viu a receita l\u00edquida da empresa saltar 29%, alcan\u00e7ando R$ 300 milh\u00f5es, segundo dados publicados no Di\u00e1rio Oficial. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>Procuradas, a Gusa e a Secretaria Estadual do Meio Ambiente n\u00e3o responderam aos questionamentos da <strong>Rep\u00f3rter Brasil.<\/strong> Em nota, a Vale n\u00e3o comentou as viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos em sua cadeia produtiva. Informou apenas que \u201ca Gusa Nordeste n\u00e3o pertence \u00e0 Vale, bem como n\u00e3o h\u00e1 qualquer participa\u00e7\u00e3o na empresa.\u201d<\/p>\n<h1>O descarte da esc\u00f3ria inflam\u00e1vel<\/h1>\n<p>Pela BR 222, que corta A\u00e7ail\u00e2ndia, chegam caminh\u00f5es lotados de esc\u00f3ria incandescente e de outros res\u00edduos, usados na fabrica\u00e7\u00e3o do Cimento A\u00e7a\u00ed, pela subsidi\u00e1ria Cimento Verde do Brasil. O descarte \u00e9 feito direto em um p\u00e1tio \u2013 sem cercas, muros ou vig\u00edlia. <\/p>\n<p>\u201cV\u00e1rios ind\u00edcios sugerem que [a empresa] n\u00e3o atende a legisla\u00e7\u00e3o e as normas t\u00e9cnicas de destina\u00e7\u00e3o de res\u00edduos perigosos\u201d, diz o engenheiro ambiental Alberto de Freitas, que j\u00e1 atuou como auditor. As evid\u00eancias apontam que a esc\u00f3ria da Gusa Nordeste seria um res\u00edduo perigoso, segundo as normas brasileiras, por apresentar grau de toxicidade e alta inflamabilidade. \u201cVivemos em uma cultura da ilegalidade ambiental no Brasil. Uma empresa que desrespeita as leis gasta R$ 10 mil para o transporte e descarte dessa esc\u00f3ria. Dependendo da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, adequar o p\u00e1tio pode custar milh\u00f5es de reais\u201d, diz Freitas. &nbsp;<\/p>\n<p>Para seguir em funcionamento mesmo diante das den\u00fancias e da condena\u00e7\u00e3o judicial, a Gusa contou com a coniv\u00eancia do &nbsp;Estado do Maranh\u00e3o, mostra o relat\u00f3rio de vistoria ao qual a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>teve acesso. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia4_Foto-Fernando-Martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39623\" \/><figcaption>O casal ficou endividado durante a recupera\u00e7\u00e3o do filho. O tratamento de Alan exigia rem\u00e9dios que a fam\u00edlia, sozinha, n\u00e3o tinha como comprar (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O documento, de dezembro de 2017, afirma que \u201ctoda a extens\u00e3o das vias internas apresentava um abundante p\u00f3 fino [da munha] facilmente carregado por ventos e passagem de ve\u00edculos\u201d e que \u201co risco de queimaduras era muito alto, face \u00e0 deposi\u00e7\u00e3o de esc\u00f3ria incandescente no local.\u201d <\/p>\n<p>A equipe respons\u00e1vel pela vistoria era composta por funcion\u00e1rios da Secretaria do Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais (Sema), da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Direitos Humanos (FIDH, em ingl\u00eas) e de um morador da comunidade mais afetada, Piqui\u00e1 de Baixo. Houve registros em v\u00eddeos e fotos. \u00c9 poss\u00edvel perceber o assombro de um deles ao presenciar um punhado de gravetos secos enfiados na \u201cmunha\u201d pegar fogo sem ningu\u00e9m acender um s\u00f3 f\u00f3sforo. \u201cImagina no corpo de uma crian\u00e7a?\u201d, ele questiona.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m uma brecha legal que favoreceu a Gusa. A lei complementar federal n\u00ba 140\/2011 estabelece que se uma secretaria estadual n\u00e3o responder ao pedido de licenciamento ambiental \u2013 como os feitos pela Gusa \u2013, a licen\u00e7a \u00e9 automaticamente prorrogada at\u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o definitiva do \u00f3rg\u00e3o ambiental. Desde 2012, a Gusa se beneficia dessa prorroga\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 como se fosse um voto de protesto da secretaria em raz\u00e3o das den\u00fancias, mas o risco n\u00e3o muda para moradores\u201d, diz uma fonte envolvida na investiga\u00e7\u00e3o que pediu anonimato. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia7_Foto-Fernando-Martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39631\" \/><figcaption>A Gusa Nordeste, produtora de ferro gusa, est\u00e1 localizada a poucos metros das casas dos moradores. Al\u00e9m das queimaduras, eles sofrem com impactos sonoros e polui\u00e7\u00e3o (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cSe [o p\u00f3] est\u00e1 sendo levado para outras regi\u00f5es e segue inflam\u00e1vel \u00e9 porque a empresa n\u00e3o seguiu as regras do Conselho Nacional do Meio Ambiente. Para cada tipo de res\u00edduo, h\u00e1 uma regra de descarte. Isso n\u00e3o deveria acontecer em lugar nenhum do pa\u00eds\u201d, afirmou, em condi\u00e7\u00e3o de anonimato, um acad\u00eamico do departamento de engenharia e metalurgia de uma das mais importantes universidades do pa\u00eds. <\/p>\n<p>As den\u00fancias envolvendo a Gusa Nordeste alcan\u00e7aram a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u201cH\u00e1 uma omiss\u00e3o do estado e de institui\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas que j\u00e1 foram provocadas e aparentemente n\u00e3o t\u00eam tomado provid\u00eancia\u201d, afirma Danilo Chammas, advogado da organiza\u00e7\u00e3o Justi\u00e7a nos Trilhos, que denuncia viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos. <\/p>\n<h1>Lenta recupera\u00e7\u00e3o<\/h1>\n<p>Sem poder andar por tr\u00eas meses, a vida de Alan foi no colo dos familiares. Depois, locomovia-se de joelhos. Levou seis meses at\u00e9 se apoiar nos p\u00e9s e quase um ano para todas as queimaduras cicatrizarem. <\/p>\n<p>Como o Sistema \u00danico de Sa\u00fade n\u00e3o fornecia as pomadas cicatrizantes, a fam\u00edlia adquiriu uma d\u00edvida de R$ 3 mil \u2013 em A\u00e7ail\u00e2ndia, 35% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 pobre ou extremamente pobre. Ainda assim, os p\u00e9s viviam \u201catrocidados\u201d. \u201cQuando tem produto qu\u00edmico, o p\u00f3 de ferro, fica mais dif\u00edcil [a cicatriza\u00e7\u00e3o]. A queimadura \u00e9 t\u00e3o horr\u00edvel que chega no osso\u201d, diz a t\u00e9cnica de enfermagem Josevan Silva que atendeu Alan e outras v\u00edtimas. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>O grau de toxidade pode explicar a lenta e penosa recupera\u00e7\u00e3o de Alan. Mesmo embalando os p\u00e9s em algod\u00e3o e meias grossas para proteger a \u00e1rea queimada depois de 1 ano do acidente, as bolhas continuavam surgindo. Foram anos com dorm\u00eancia, coceira, bolhas e muito choro. Por isso, em 2017, o menino foi morar com amigos dos pais de Alan em outro estado. L\u00e1, os sintomas melhoraram. \u201cPor isso acredito que o ar daqui, por conta dessa usina, fazia mal para a pele dos p\u00e9s do meu filho.\u201d<\/p>\n<h1>Polui\u00e7\u00e3o onipresente<\/h1>\n<p>Qualquer pessoa entenderia a magnitude das viola\u00e7\u00f5es que as fam\u00edlias sofrem se entrasse na casa de uma delas. O teto de todas as casas \u00e9 coberto com lonas para reduzir a entrada do p\u00f3 de ferro fino lan\u00e7ado na atmosfera diariamente pela usina. Ainda assim, a professora e agricultora Angelita Alves de Oliveira, 66 anos, coloca uma capa de pl\u00e1stico em cima do celular para o p\u00f3 n\u00e3o grudar e troca, diariamente, os len\u00e7\u00f3is. Do contr\u00e1rio, ela diz, \u00e9 como dormir com areia no corpo. <\/p>\n<p>\u201c\u00c9 coceira de pele, irrita\u00e7\u00e3o nos olhos, muita dor de cabe\u00e7a, n\u00e1usea. Tem dia que o cheiro [que vem da usina] \u00e9 t\u00e3o forte que lembra iodo. Fora a polui\u00e7\u00e3o sonora, um barulho ensurdecedor que acaba com a gente.\u201d Os impactos da \u201catividade altamente poluente\u201d j\u00e1 foram descritos em estudo conduzido pela Fiocruz.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia6_Foto-Fernando-Martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39621\" \/><figcaption>Al\u00e9m das montanhas incandescentes, moradores de A\u00e7ail\u00e2ndia enfrentam a polui\u00e7\u00e3o gerada pela usina <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Um parecer de 2011, feito a pedido da defensoria p\u00fablica, encontrou problemas respirat\u00f3rios graves entre os moradores O res\u00edduo lembra graxa de t\u00e3o pegajoso e, quando chove, vira pedregulho. <\/p>\n<p>A tal graxa est\u00e1 por todo o quintal. Os p\u00e9s de buriti n\u00e3o brilham, parecem ter sobrevivido a um desmoronamento tamanha a quantidade de fuligem. Para consumir a fruta, Angelita coloca de molho no sab\u00e3o, lava com duas escovas, enxagua duas vezes e seca. Um por um. \u201cA gente carrega essa sensa\u00e7\u00e3o de perda [suspiro]. N\u00e3o \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o, \u00e9 certeza.\u201d <\/p>\n<p>No quintal dela h\u00e1 mais de uma dezena de \u00e1rvores mortas. Isso porque a tubula\u00e7\u00e3o que traz \u00e1gua \u00e1gua quente, resultado do resfriamento dos fornos das guseiras, des\u00e1gua no seu quintal.<\/p>\n<h1>O panel\u00e3o<\/h1>\n<p>Apesar da s\u00e9rie de viola\u00e7\u00f5es, h\u00e1 apenas um caso da empresa sendo investigado pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico Estadual \u2013 e n\u00e3o \u00e9 sobre a \u201cmunha\u201d. O alvo \u00e9 o \u201cpanel\u00e3o\u201d, caminh\u00f5es da A\u00e7o Verde Brasil, nome fantasia da Gusa Nordeste, que transportam at\u00e9 50 toneladas de gusa ou a\u00e7o l\u00edquido a cerca de 1300\u00b0C pela BR 222. <\/p>\n<p>A primeira investiga\u00e7\u00e3o criminal \u00e9 de 2016. A segunda, do ano passado, quando um \u201cpanel\u00e3o\u201d pegou fogo na BR. Segundo a promotora de Justi\u00e7a Let\u00edcia Teresa Sales Freire, titular da 2\u00aa Promotoria de Justi\u00e7a de A\u00e7ail\u00e2ndia, a empresa n\u00e3o tem licen\u00e7a para fazer o transporte do material perigoso. \u201cSolicitamos que eles fizessem uma rota paralela, de modo que n\u00e3o usassem a rodovia, mas disseram que n\u00e3o era poss\u00edvel\u201d, diz. &nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/acailandia5_Foto-Fernando-martinho-800x450.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-39619\" \/><figcaption>Viviane, que aos 9 anos brincava com sua prima pr\u00f3ximo \u00e0 &#8220;munha&#8221; quando se queimou, diz que n\u00e3o havia nenhuma placa no local alertando seu perigo (Foto: Fernando Martinho\/Rep\u00f3rter Brasil) <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Enquanto os panel\u00f5es cruzam a rodovia, os moradores tentam se organizar. N\u00e3o fosse a uni\u00e3o dos moradores impactados, que culminou com a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria dos Moradores de Piqui\u00e1 de Baixo, as hist\u00f3rias das v\u00edtimas seguiria desconhecida. Como a Viviane, que tinha 9 anos na \u00e9poca do acidente. Ela brincava com uma prima pr\u00f3ximo a um rio quando afundou na \u201cmunha\u201d at\u00e9 a canela. \u201cN\u00e3o tinha aviso, n\u00e3o tinha seguran\u00e7a nem cerca. Imagina: um adulto n\u00e3o sabe diferenciar [\u201cmunha\u201d e terra], voc\u00ea acha que uma crian\u00e7a consegue?\u201d, pergunta a m\u00e3e, Vera Ara\u00fajo, de 40 anos. <\/p>\n<p>Viviane agarrou-se a uma folhagem espinhosa para tirar os p\u00e9 dali &nbsp;e gritar por ajuda. \u201cNunca vou esquecer dos pezinhos dela naquele dia. E esse sofrimento nunca vai acabar, porque as marcas continuam.\u201d A uni\u00e3o dos moradores resultou, ainda, na recente conquista do terreno onde os impactados ser\u00e3o reassentados em 312 casas. Um bairro novo longe da usina.<\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/04\/a-lama-que-queima-compradora-de-minerio-da-vale-faz-vitimas-no-interior-do-maranhao\/\">A lama que queima: compradora de min\u00e9rio da Vale faz v\u00edtimas no interior do Maranh\u00e3o<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 dor mais insuport\u00e1vel do que aquela que fere um filho. 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