{"id":20665,"date":"2019-03-26T14:58:22","date_gmt":"2019-03-26T17:58:22","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/debatedores-cobram-presenca-do-governo-para-discutir-reforma-da-previdencia\/"},"modified":"2019-03-26T14:58:22","modified_gmt":"2019-03-26T17:58:22","slug":"debatedores-cobram-presenca-do-governo-para-discutir-reforma-da-previdencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/debatedores-cobram-presenca-do-governo-para-discutir-reforma-da-previdencia\/","title":{"rendered":"Debatedores cobram presen\u00e7a do governo para discutir reforma da Previd\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos (CDH) e outros colegiados continuam esperando que o governo defenda sua reforma da Previd\u00eancia entre os senadores e fa\u00e7a o contradit\u00f3rio nos debates, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) nesta ter\u00e7a-feira (26). A reclama\u00e7\u00e3o sobre a aus\u00eancia de interlocutores do governo no Senado\u00a0foi feita durante\u00a0audi\u00eancia p\u00fablica da CDH sobre o impacto da reforma da Previd\u00eancia para os servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00f3s temos aqui l\u00edderes do movimento sindical, dos servidores, dos aposentados, dos trabalhadores. Mas onde est\u00e1 o governo para explicar essa reforma? \u00c9 por isso que at\u00e9 este momento ela \u00e9 tida como indefens\u00e1vel, uma vez que at\u00e9 agora ningu\u00e9m aceitou o convite para vir fazer o contradit\u00f3rio \u2014 desabafou.<\/p>\n<p>O senador Styvenson Valentim (Pode-RN) concordou que falta esclarecimento. Quando o tema \u00e9 a reforma da Previd\u00eancia, ele declarou se sentir como o policial diante das duas partes envolvidas na ocorr\u00eancia, mas s\u00f3 uma delas fala \u2014 no caso, pessoas contr\u00e1rias \u00e0 reforma.<\/p>\n<p>\u2014 Estamos ouvindo um lado s\u00f3, mas o Congresso precisa entender todos os lados e saber o que a popula\u00e7\u00e3o quer.<\/p>\n<p>Styvenson sugeriu uma pesquisa de opini\u00e3o conduzida pelo DataSenado. Para ele, as pessoas at\u00e9 desejam fazer um sacrif\u00edcio para sanear os cofres da Previd\u00eancia, mas antes precisam entender qual \u00e9 esse sacrif\u00edcio e o benef\u00edcio resultante dele.<\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores e Fiscais de Tributos Municipais, C\u00e9lio Fernando de Souza Silva, foi al\u00e9m: sugeriu um plebiscito para que a <a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www.camara.leg.br\/proposicoesWeb\/fichadetramitacao?idProposicao=2192459\">PEC 6\/2019<\/a> tenha o aval da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3><strong>Mais di\u00e1logo<\/strong><\/h3>\n<p>O senador Fl\u00e1vio Arns (Rede-PR) concordou que ainda faltam dados concretos para a avalia\u00e7\u00e3o do tema. Como exemplo, citou a informa\u00e7\u00e3o de que desde 2013 \u00a0as pessoas empossadas no servi\u00e7o p\u00fablico s\u00f3 se aposentam com o teto do Regime Geral da Previd\u00eancia Social (RGPS). Para Arns, essa \u00e9 uma informa\u00e7\u00e3o que precisa ser mais difundida.<\/p>\n<p>\u2014 O que falta \u00e9 a gente pegar item por item da proposta do governo e ver o que j\u00e1 tem, o que pode melhorar. N\u00e3o tem que aprovar em dois meses. \u00c9 preciso dialogar. Todo mundo tem vontade de fazer dar certo, mas a gente conhece o que \u00e9 o melhor, mais adequado?<\/p>\n<p>Paim lembrou que \u00e9 no Congresso, e n\u00e3o s\u00f3 na grande m\u00eddia, que se d\u00e1 o debate.<\/p>\n<p>\u2014 Infelizmente at\u00e9 o momento n\u00e3o conseguimos [ouvir o governo]. Ontem [segunda-feira, 25] estava confirmada a presen\u00e7a do secret\u00e1rio da Previd\u00eancia e na \u00faltima hora ele mandou avisar que n\u00e3o viria. O que \u00e9 p\u00e9ssimo, porque o governo s\u00f3 est\u00e1 falando com a grande imprensa, mas \u00e9 no Congresso que se d\u00e1 o debate.<\/p>\n<p>Presidente do F\u00f3rum Nacional Permanente de Carreiras T\u00edpicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques duvidou que o governo v\u00e1 \u201cdiscutir em campo aberto\u201d sua proposta, pois, na opini\u00e3o dele, ela seria pior do que a analisada anteriormente pelo Congresso (PEC 287\/2016).<\/p>\n<p>\u2014 O discurso do governo \u00e9 alarmista e a reforma n\u00e3o se sustenta. O governo diz que o Brasil est\u00e1 quebrado, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. O que o governo est\u00e1 fazendo \u00e9 acabar com a aposentadoria rural, reduzir o valor dos benef\u00edcios, penalizar as professoras e punir as mulheres. Mas os bancos continuam com seus lucros e as grandes fortunas, tamb\u00e9m. \u00c9 por isso que o governo sumiu.<\/p>\n<h3><strong>Cerco a sonegadores<\/strong><\/h3>\n<p>O representante da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Mauro Jos\u00e9 Silva, disse que o governo precisa ter mais R$ 1 trilh\u00e3o em 10 anos \u2014 justificativa usada para propor a reforma. Silva, contudo, julga que esse dinheiro pode ser arrecadado por outras vias, que n\u00e3o \u201cmassacrando os trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o, avaliou, \u00e9 o governo fechar o cerco contra os sonegadores. Ele lembrou que o combate \u00e0s fraudes j\u00e1 est\u00e1 na pr\u00f3pria proposta do governo: seriam R$ 76 bilh\u00f5es em 10 anos.<\/p>\n<p>\u2014 \u00a0Esse trilh\u00e3o que se quer em 10 anos pode ser conseguido se a sonega\u00e7\u00e3o for combatida de maneira firme. N\u00f3s temos uma sonega\u00e7\u00e3o de R$ 230 bilh\u00f5es por ano; se 30% forem cobrados, isso elevaria a arrecada\u00e7\u00e3o em R$ 68 bilh\u00f5es por ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, afirmou, a Receita admite que a concess\u00e3o reiterada de Refis diminui a arrecada\u00e7\u00e3o em R$ 11 bilh\u00f5es por ano, ou R$ 110 bilh\u00f5es em 10 anos. Esse benef\u00edcio poderia ser cortado, na opini\u00e3o de Silva. O auditor continuou o c\u00e1lculo usando como exemplo os R$ 149 bilh\u00f5es por ano de benef\u00edcios fiscais para seguridade. Cortando 20% nesses benef\u00edcios, seriam mais R$ 29 bilh\u00f5es por ano, ou R$ 290 bilh\u00f5es em 10 anos, estimou:<\/p>\n<p>\u2014 Somando isso tudo, eu tenho um R$ 1 trilh\u00e3o com combate \u00e0 sonega\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Silva, a proposta, da forma como veio do governo, ser\u00e1 muito vantajosa para os bancos e para a lucratividade dos fundos de pens\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Em minha simula\u00e7\u00e3o, os bancos acabam ficando com a metade do patrim\u00f4nio do trabalhador. \u00c9 um faturamento de R$ 388 bilh\u00f5es por ano. Esses s\u00e3o os trilh\u00f5es das institui\u00e7\u00f5es financeiras.<\/p>\n<p>O diretor da Unafisco disse ser inadequado falar de al\u00edquotas progressivas (ditas escalonadas pela PEC 6\/2019) para os servidores p\u00fablicos.<\/p>\n<p>\u2014 Esse trecho da proposta n\u00e3o tem fundamento te\u00f3rico, porque no direito n\u00e3o existe escalonamento. Isso \u00e9 progressividade, mas a progressividade n\u00e3o se aplica para Previd\u00eancia, conforme j\u00e1 decidido pelo STF.<\/p>\n<p>De acordo com ele, o desequil\u00edbrio no regime de Previd\u00eancia dos servidores (Regime Pr\u00f3prio de Previd\u00eancia Social, RPPS) \u00e9 causado pelo pr\u00f3prio Estado, que n\u00e3o vem repondo servidores nos postos deixados pelos que se aposentam. Al\u00e9m disso, a atual crise no regime pr\u00f3prio dos servidores seria decorrente de erros legislativos desde a promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 admitiu 250 mil servidores que nunca tinham contribu\u00eddo na integralidade e que se aposentaram com a integralidade dos vencimentos. Isso foi um erro legislativo (ou pelo menos uma op\u00e7\u00e3o, que seja) e agora a conta veio para o atual servidor. At\u00e9 1993, o trabalhador ficava dois anos no servi\u00e7o p\u00fablico e se aposentava com a integralidade. N\u00e3o fossem esses erros, a atual contribui\u00e7\u00e3o dos servidores e a participa\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o, se bem aplicada, seriam o suficiente para a aposentadoria.<\/p>\n<h3><strong>Terrorismo <\/strong><\/h3>\n<p>Mauro Silva criticou a afirma\u00e7\u00e3o do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que os sal\u00e1rios dos servidores ser\u00e3o reduzidos, caso a reforma da Previd\u00eancia n\u00e3o seja aprovada. O senador Paulo Paim acrescentou que isso \u00e9 uma forma de fazer \u201cterrorismo\u201d. Dos cerca de 657 mil servidores ativos do Poder Executivo Federal, 80% estariam recebendo hoje abaixo do teto do INSS, de R$ 5,8 mil. A informa\u00e7\u00e3o foi dada por S\u00e9rgio Ronaldo da Silva, da Confedera\u00e7\u00e3o dos Trabalhadores do Servi\u00e7o P\u00fablico Federal.<\/p>\n<p>O juiz Ant\u00f4nio Jos\u00e9 de Carvalho, coordenador da comiss\u00e3o que acompanha a reforma da Previd\u00eancia na Associa\u00e7\u00e3o dos Ju\u00edzes Federais do Brasil (Ajufe), criticou o que chamou de campanha de demoniza\u00e7\u00e3o dos servidores p\u00fablicos \u2014 para ele, uma tentativa de responsabilizar essa categoria pelo rombo da Previd\u00eancia e de comparar os sal\u00e1rios dos servidores e dos trabalhadores da iniciativa privada para dividi-los.<\/p>\n<p>Carvalho lembrou que as regras de contrata\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o dos servidores s\u00e3o diferentes das regras da iniciativa privada. Para exemplificar, ele citou o impedimento de exercer outras fun\u00e7\u00f5es, de participar de empresas e de exercer alguns direitos garantidos aos da iniciativa privada. O juiz lembrou que, em geral, os servidores da iniciativa privada atingem a idade m\u00ednima antes do tempo de contribui\u00e7\u00e3o, e, no caso dos servidores p\u00fablicos, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 inversa.<\/p>\n<p>\u2014 O servidor acaba contribuindo por mais tempo porque n\u00e3o passa por desemprego e\u00a0 informalidade, por exemplo.<\/p>\n<p>A retirada de garantias previdenci\u00e1rias da Constitui\u00e7\u00e3o, que virariam lei complementar, foi criticada por v\u00e1rios participantes. Jordan Pereira, do Sindicato Nacional dos Funcion\u00e1rios do Banco Central, comentou que a Constitui\u00e7\u00e3o est\u00e1 l\u00e1 para garantir os direitos contra a mudan\u00e7a arbitr\u00e1ria das regras e, mesmo assim, tr\u00eas emendas constitucionais j\u00e1 descaracterizaram a Previd\u00eancia brasileira nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u2014 Isso aumenta a incerteza principalmente para os mais pobres \u2014 explicou Pereira.<\/p>\n<h3><strong>Dignidade do trabalhador<\/strong><\/h3>\n<p>Representante da Confedera\u00e7\u00e3o dos Servidores P\u00fablicos do Brasil, a procuradora Rosana C\u00f3len Moreno afirmou que a PEC 6\/2019 coloca as pessoas \u00e0 margem da dignidade e dentro da linha de pobreza, com um enorme custo social.<\/p>\n<p>\u2014 Se a Previd\u00eancia fosse deficit\u00e1ria, por que o mercado financeiro estaria t\u00e3o voraz pegar os montantes da Previd\u00eancia? O Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia falou em 2017 que os regimes pr\u00f3prios de Previd\u00eancia dos servidores p\u00fablicos estaduais t\u00eam patrim\u00f4nio de R$ 160 bilh\u00f5es. Para onde ele vai? Ningu\u00e9m mais fala sobre isso, porque esse montante vai para o mercado financeiro.<\/p>\n<p>O engenheiro Lu\u00eds Roberto Pires Domingues Junior, que assessorou a CPI da Previd\u00eancia no Senado, acrescentou que, embora a PEC 6\/2019 tenha uma lista de coisas boas, como a impossibilidade da DRU na Previd\u00eancia e impedimento de Refis, a proposta traz \u201ca maldade\u201d contra os servidores p\u00fablicos nos detalhes.<\/p>\n<p>\u2014 Se o texto passar como est\u00e1, ele estaria propondo o fim do servi\u00e7o p\u00fablico. Por exemplo, a mulher, que pode se aposentar cedo, mas ganhando menos. Para n\u00e3o perder no sal\u00e1rio, ela vai ter de trabalhar 40 anos, como o homem. Ent\u00e3o, que direito \u00e9 esse?<\/p>\n<h3><strong><strong>Outros debates<\/strong><\/strong><\/h3>\n<p>A CDH j\u00e1 promoveu debates sobre a reforma da Previd\u00eancia (25\/2), a Previd\u00eancia rural (11\/3), a reforma para aposentados e pensionistas (18\/3), para os profissionais da educa\u00e7\u00e3o (19\/3) e\u00a0 para os servidores p\u00fablicos, nesta ter\u00e7a-feira (26).<\/p>\n<p>As pr\u00f3ximas mesas de debate sobre a quest\u00e3o tratar\u00e3o do impacto para o setor empresarial (8\/4), para profissionais da seguran\u00e7a p\u00fablica e militares (15\/4), para aposentadorias especiais de insalubridade, periculosidade e alto risco (22\/4) e para professores (29\/4). No m\u00eas de maio, os debates j\u00e1 agendados sobre a reforma ser\u00e3o sobre a Desvincula\u00e7\u00e3o das Receitas da Uni\u00e3o (DRU, no dia 6\/5), sobre o impacto para os profissionais de sa\u00fade (7\/5) e a sobre a rela\u00e7\u00e3o da reforma com a auditoria da d\u00edvida p\u00fablica (13\/5).<\/p>\n<p>Todas as audi\u00eancias da CDH s\u00e3o interativas: perguntas podem ser feitas aos participantes em tempo real pelo<a class=\"external-link\" href=\"http:\/\/www12.senado.leg.br\/ecidadania\/\"> Portal E-Cidadania<\/a>, no site do Senado. Elas s\u00e3o transmitidas ao vivo pelo canal da TV Senado no Youtube.<\/p>\n<p>Fonte: Senado Noticias Gerais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Comiss\u00e3o de Direitos Humanos (CDH) e outros colegiados continuam esperando que o governo defenda sua reforma da Previd\u00eancia entre os senadores e fa\u00e7a o contradit\u00f3rio nos debates, afirmou o senador Paulo Paim (PT-RS) nesta ter\u00e7a-feira (26). 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