{"id":20538,"date":"2019-03-25T14:43:44","date_gmt":"2019-03-25T17:43:44","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/apesar-de-politicas-publicas-e-corporativas-criadas-a-erradicacao-do-trabalho-escravo-ate-2030-sera-dificil\/"},"modified":"2019-03-25T14:43:44","modified_gmt":"2019-03-25T17:43:44","slug":"apesar-de-politicas-publicas-e-corporativas-criadas-a-erradicacao-do-trabalho-escravo-ate-2030-sera-dificil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/apesar-de-politicas-publicas-e-corporativas-criadas-a-erradicacao-do-trabalho-escravo-ate-2030-sera-dificil\/","title":{"rendered":"Apesar de pol\u00edticas p\u00fablicas e corporativas criadas, a erradica\u00e7\u00e3o do trabalho escravo at\u00e9 2030 ser\u00e1 dif\u00edcil"},"content":{"rendered":"<p>O desafio para erradicar o trabalho escravo no mundo at\u00e9 o final da pr\u00f3xima d\u00e9cada, de forma a cumprir uma das metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00e9 dif\u00edcil de ser atingido e exigir\u00e1 maior mapeamento das cadeias produtivas, mais a\u00e7\u00e3o das empresas e governos, al\u00e9m de regula\u00e7\u00f5es e fiscaliza\u00e7\u00f5es que estimulem o setor empresarial a adotar melhores padr\u00f5es. <\/p>\n<p>Essas foram algumas das opini\u00f5es de especialistas presentes tanto na abertura quanto no primeiro painel do semin\u00e1rio \u201cO papel do setor financeiro no combate ao trabalho escravo e o tr\u00e1fico de seres humanos\u201d, primeiro do g\u00eanero realizado no pa\u00eds, com organiza\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> e apoio da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas e da Liechtenstein Initiative &#8211; Comiss\u00e3o Global do Setor Financeiro para a Escravid\u00e3o Moderna e o Tr\u00e1fico de Seres Humanos. O evento foi realizado na sexta-feira, 15 de mar\u00e7o, em S\u00e3o Paulo. O primeiro painel foi mediado por Caio Magri, presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de 40 milh\u00f5es de pessoas em condi\u00e7\u00f5es de trabalho an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho. Zerar esse n\u00famero no planeta at\u00e9 2030 equivale a eliminar cerca de nove mil empregos for\u00e7ados por dia em 11 anos. O tamanho do desafio pode ser visto sob o prisma brasileiro. De 1995 at\u00e9 o in\u00edcio do ano, o Brasil libertou 53.607 pessoas de trabalho escravo, segundo Ronaldo Fleury, procurador geral do Trabalho. \u201cS\u00e3o dados oficiais, os n\u00fameros podem ser maiores e as quest\u00f5es or\u00e7ament\u00e1rias poder\u00e3o ter impacto\u201d, destacou. A crise fiscal tem apertado o or\u00e7amento dos minist\u00e9rios.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil, que tem recordes na \u00e1rea em liberta\u00e7\u00e3o, fez dez dias do que o mundo precisar\u00e1 fazer at\u00e9 2030 para eliminar o trabalho for\u00e7ado, o que mostra o tamanho do desafio que teremos pela frente\u201d, afirmou James Cockayne, diretor do Centro para Pesquisa de Pol\u00edticas da Universidade das Na\u00e7\u00f5es Unidas e secret\u00e1rio da Liechtenstein Initiative para o Setor Financeiro. H\u00e1 desafios e oportunidades no caminho do Brasil.<\/p>\n<p>O ciclo de investimentos previsto no pa\u00eds, com concess\u00f5es e privatiza\u00e7\u00f5es em infraestrutura e venda de participa\u00e7\u00f5es em empresas, pode fazer com que investidores estrangeiros comecem a analisar mais os riscos socioambientais na an\u00e1lise de neg\u00f3cios. Governo federal e Estados discutem conceder estradas, portos, aeroportos, ferrovias, o que poder\u00e1 implicar a atra\u00e7\u00e3o de mais de R$ 50 bilh\u00f5es em investimentos. No leil\u00e3o que licitou 12 aeroportos no in\u00edcio de mar\u00e7o, dois grupos internacionais arremataram posi\u00e7\u00f5es no Brasil. Esse movimento ocorre em meio \u00e0 aprova\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00f5es internacionais em que processos de an\u00e1lise de riscos sociais ganham espa\u00e7o nas agendas corporativas em negocia\u00e7\u00f5es com fornecedores ou clientes. \u201cFran\u00e7a e Alemanha j\u00e1 t\u00eam leis em que se exige an\u00e1lise de riscos humanos\u201d, destacou Cockayne. Canad\u00e1 e Noruega discutem legisla\u00e7\u00e3o similar. <\/p>\n<p>Para Fl\u00e1via Scabin, coordenadora do Grupo de Pesquisa sobre Direitos Humanos e Empresas da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV-SP), esses movimentos regulat\u00f3rios internacionais contrastam com o que se v\u00ea no Brasil. <\/p>\n<p>Em novembro passado, foi publicado o Decreto n\u00ba 9571, que apresenta as diretrizes nacionais sobre empresas e Direitos Humanos. A legisla\u00e7\u00e3o estabelece que as responsabilidades s\u00e3o de implementa\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria das empresas. \u201cNo exterior, as legisla\u00e7\u00f5es v\u00eam impulsionando o tema. No Brasil, um estudo, em parceria com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, ainda em conclus\u00e3o, aponta que o pa\u00eds est\u00e1 na contram\u00e3o. E as mudan\u00e7as no Minist\u00e9rio podem tamb\u00e9m ter impacto\u201d, comentou Flavia. <\/p>\n<p>O atual governo extinguiu o Minist\u00e9rio do Trabalho, que fiscalizava as condi\u00e7\u00f5es trabalhistas e atuava as empresas. Suas fun\u00e7\u00f5es foram incorporadas pelas pastas de Economia, Cidadania e Justi\u00e7a. Flavia tamb\u00e9m destacou que an\u00e1lises em relat\u00f3rios de sustentabilidade de grandes empresas brasileiras apontam que poucas tratam da quest\u00e3o de direitos humanos em suas discuss\u00f5es e neg\u00f3cios dentro da cadeia de valor. \u201cMal se discute o trabalho infantil nas cadeias, por exemplo.\u201d<\/p>\n<p>Um dos desafios ser\u00e1 envolver cada vez mais a cadeia de valor na discuss\u00e3o, al\u00e9m de aumentar a dissemina\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es transparentes sobre o assunto, observou Denise Hills,<strong> <\/strong>superintendente de sustentabilidade e neg\u00f3cios inclusivos do Ita\u00fa Unibanco e presidente da Rede Brasil do Pacto Global. Hoje o banco brasileiro n\u00e3o pode operar com empresas que estejam inclu\u00eddas na &#8220;lista suja&#8221; do trabalho escravo, o cadastro de empregadores flagrados com esse tipo de m\u00e3o de obra, criado pelo Minist\u00e9rio do Trabalho em 2003 e, agora, mantido pelo Minist\u00e9rio da Economia. Nas viagens ao exterior, em contato com clientes, os temas dos direitos humanos e das condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o cada vez mais questionados. &nbsp;<\/p>\n<p>Ter informa\u00e7\u00f5es mais precisas \u00e9 um ponto essencial na equa\u00e7\u00e3o para reduzir o problema. \u201cSe evolu\u00edssemos de lista para sistema, mais a informa\u00e7\u00e3o se disseminaria e ganharia complexidade\u201d, afirmou. Na cadeia de valor, o desafio \u00e9 tamb\u00e9m ampliar a escala da ado\u00e7\u00e3o de mecanismos de avalia\u00e7\u00e3o e checagem das empresas. \u201cEm empresas menores, isso \u00e9 mais dif\u00edcil porque exige avalia\u00e7\u00e3o independente, o que tem custo. As estat\u00edsticas apontam que, entre os 200 maiores PIBs do mundo 154 s\u00e3o empresas, essa press\u00e3o de regula\u00e7\u00e3o e autorregula\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a crescer.\u201d<\/p>\n<p>Os bancos t\u00eam buscado mais informa\u00e7\u00f5es sobre o assunto, mesmo quando elas n\u00e3o s\u00e3o dispon\u00edveis publicamente. Um exemplo est\u00e1 na &#8220;lista suja\u201d, que esteve com sua divulga\u00e7\u00e3o suspensa entre 2014 e 2016 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido de uma associa\u00e7\u00e3o de empresas do setor imobili\u00e1rio. Durante esse per\u00edodo, grandes institui\u00e7\u00f5es financeiras seguiram iniciativa da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, do Instituto Ethos e do Instituto do Pacto Nacional pela Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo e usaram a Lei de Acesso \u00e0 Informa\u00e7\u00e3o para obter o nome dos empregadores flagrados com escravos pelo governo e que tiveram suas autua\u00e7\u00f5es confirmadas em duas inst\u00e2ncias administrativas. <\/p>\n<p>\u201cOs bancos perceberam a utilidade da lista para o gerenciamento de risco e t\u00eam adotado medidas que impactam no cr\u00e9dito\u201d, disse Leonardo Sakamoto, diretor da <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, conselheiro do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Formas Contempor\u00e2neas de Escravid\u00e3o e comiss\u00e1rio da Liechtenstein Initiative. Sakamoto tamb\u00e9m destaca que a inclus\u00e3o de empresas na &#8220;lista suja&#8221; tem acarretado levado a quedas no valor de suas a\u00e7\u00f5es B3, antigamente conhecida como Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo. Ele mostrou dados de como isso ocorreu com empresas do setor sucroalcooleiro e da constru\u00e7\u00e3o civil, por exemplo. <\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/03\/apesar-de-politicas-publicas-e-corporativas-criadas-a-erradicacao-do-trabalho-escravo-ate-2030-sera-dificil\/\">Apesar de pol\u00edticas p\u00fablicas e corporativas criadas, a erradica\u00e7\u00e3o do trabalho escravo at\u00e9 2030 ser\u00e1 dif\u00edcil<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desafio para erradicar o trabalho escravo no mundo at\u00e9 o final da pr\u00f3xima d\u00e9cada, de forma a cumprir uma das metas da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel das Na\u00e7\u00f5es Unidas, \u00e9 dif\u00edcil de ser atingido e exigir\u00e1 maior mapeamento das cadeias produtivas, mais a\u00e7\u00e3o das empresas e governos, al\u00e9m de regula\u00e7\u00f5es e fiscaliza\u00e7\u00f5es que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[43],"class_list":["post-20538","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-central-noticias","tag-infoeconomico-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20538\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}