{"id":20315,"date":"2019-03-21T20:44:52","date_gmt":"2019-03-21T23:44:52","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/audiencia-alerta-para-necessidade-de-evacuar-bairro-de-maceio\/"},"modified":"2019-03-21T20:44:52","modified_gmt":"2019-03-21T23:44:52","slug":"audiencia-alerta-para-necessidade-de-evacuar-bairro-de-maceio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/audiencia-alerta-para-necessidade-de-evacuar-bairro-de-maceio\/","title":{"rendered":"Audi\u00eancia alerta para necessidade de evacuar bairro de Macei\u00f3"},"content":{"rendered":"<p>Em debate sobre os tremores de terra, o afundamento do solo e as rachaduras em v\u00e1rios im\u00f3veis do bairro Pinheiro, em Macei\u00f3, pesquisadores alertaram que h\u00e1 risco de grandes danos humanos e materiais, principalmente com a chegada do per\u00edodo chuvoso, que come\u00e7a em abril em Alagoas. Durante audi\u00eancia p\u00fablica realizada na Comiss\u00e3o de Transpar\u00eancia, Governan\u00e7a, Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Controle e Defesa do Consumidor (CTFC), alguns dos participantes pediram a urgente evacua\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de Pinheiro e das localidades vizinhas, como os bairros Mutange e Bebedouro,\u00a0mesmo antes da conclus\u00e3o dos laudos que investigam as causas dos problemas.<\/p>\n<p>Para o coordenador da Defesa Civil de Alagoas, Tenente Coronel Mois\u00e9s Melo, \u201cest\u00e1 bem claro que \u00e9 poss\u00edvel haver um desastre como nunca foi visto no pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>\u2014 A Defesa Civil trabalha com a pior das hip\u00f3teses. A chuva vai chegar em quest\u00e3o de tempo. Se o gatilho \u00e9 a chuva, temos que retirar toda a popula\u00e7\u00e3o dessa \u00e1rea \u2014 defendeu .<\/p>\n<p>Rachaduras t\u00eam surgido em ruas e im\u00f3veis da regi\u00e3o desde o in\u00edcio de 2018. De acordo com o relat\u00f3rio elaborado pelo Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil (CPRM), a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se estabilizou e, por isso, est\u00e1 sendo monitorada. Segundo o pesquisador e ge\u00f3logo do CPRM Tales Queiroz,\u00a0o afundamento do solo est\u00e1 acelerado desde 2017. Ele explicou que parte do solo se move de forma cont\u00ednua, em movimento de rastejo, mas n\u00e3o descarta que parte do solo se quebre e afunde mais rapidamente.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o sabemos hoje se esse rastejo vai evoluir para um movimento mais brusco ao longo de 10 anos, 20 anos, 50 anos ou no pr\u00f3ximo ano, ou na pr\u00f3xima chuva \u2014 advertiu Queiroz.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de risco do bairro foi dividida pela Defesa Civil em tr\u00eas cores: vermelha, laranja e amarela. Cada uma representa um grau de risco, sendo a vermelha a mais grave. Por\u00e9m, de acordo com a recomenda\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, as \u00e1reas laranja e amarela tamb\u00e9m dever\u00e3o ser evacuadas at\u00e9 a \u00e1rea chuvosa.<\/p>\n<p>O senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), presidente da CTFC, recomenda que os moradores n\u00e3o esperem o in\u00edcio das chuvas.<\/p>\n<p>\u2014 Se n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de antecipar o laudo, n\u00f3s temos responsabilidade. Algo est\u00e1 acontecendo. N\u00e3o se sabe quando pode virar um desastre \u2014 disse.<\/p>\n<p>Participantes tamb\u00e9m pediram decreta\u00e7\u00e3o de estado de calamidade p\u00fablica no munic\u00edpio, refor\u00e7o dos esquemas de seguran\u00e7a e aux\u00edlio-moradia para realoca\u00e7\u00e3o dos moradores.<\/p>\n<p><strong>Laudo<\/strong><\/p>\n<p>Os estudos, que devem ser conclu\u00eddos at\u00e9 o final de abril, avaliam se as atividades de minera\u00e7\u00e3o da companhia petroqu\u00edmica Braskem, que h\u00e1 40 anos atua na extra\u00e7\u00e3o de sal-gema na regi\u00e3o, estariam relacionadas ao surgimento de fissuras no solo e em im\u00f3veis. Tamb\u00e9m analisa se a explora\u00e7\u00e3o de po\u00e7os pela Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal) teria provocado algum impacto no solo.<\/p>\n<p>O representante da Braskem, Alexandre de Castro, afirmou que empresa vem prestando apoio \u00e0s autoridades p\u00fablicas e participado com estudos e a\u00e7\u00f5es adicionais para contribuir com as investiga\u00e7\u00f5es das causas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o assessor t\u00e9cnico da Casal, Jorge Briseno Torres, afirmou que o \u00f3rg\u00e3o nunca explorou po\u00e7os profundos ou galerias subterr\u00e2neas na regi\u00e3o de Pinheiro. Outras hip\u00f3teses que est\u00e3o sendo verificadas s\u00e3o causas naturais, decorrentes da atividade tect\u00f4nica no bairro, que tem uma falha geol\u00f3gica.<\/p>\n<p>De acordo com Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil, s\u00f3 ap\u00f3s a conclus\u00e3o dos estudos ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar se obras de conten\u00e7\u00e3o e drenagem ser\u00e3o suficientes para interromper a movimenta\u00e7\u00e3o acelerada do solo.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 preciso que os organismos municipais, estaduais e federal trabalhem desde j\u00e1 para evitar consequ\u00eancia danosa \u00e0 vida dos seres humanos \u2013 disse o diretor de Hidrologia da CPRM, Antonio Carlos Bacelar Nunes.<\/p>\n<p>O diretor-geral da Ag\u00eancia Nacional de Minera\u00e7\u00e3o (ANM), Victor Bicca, aponta que v\u00e1rias podem ser as causas do problema:<\/p>\n<p>\u2014 O sistema, que estava at\u00e9 ent\u00e3o em equil\u00edbrio, se rompeu. Precisamos saber se uma causa prepondera sobre as demais ou se foi o conjunto que causou o rompimento \u2014 disse.<\/p>\n<p><strong>Comunidade<\/strong><\/p>\n<p>Representantes dos moradores de Pinheiro criticaram a atua\u00e7\u00e3o das autoridades locais desde as primeiras ocorr\u00eancias de afundamento do solo na regi\u00e3o. Eles n\u00e3o rejeitam a possibilidade de uma evacua\u00e7\u00e3o das \u00e1reas de risco, mas questionam os termos da opera\u00e7\u00e3o e pedem mais assist\u00eancia \u00e0 comunidade.<\/p>\n<p>\u2014 Enquanto o poder p\u00fablico e os governantes n\u00e3o decidirem unir for\u00e7as e trabalhar em um proposito s\u00f3, vamos continuar participando de estudos e reuni\u00f5es e a popula\u00e7\u00e3o vai continuar sofrendo \u2014 resumiu Joelinton G\u00f3is, do N\u00facleo Comunit\u00e1rio de Defesa Civil de Macei\u00f3 (Nudec).<\/p>\n<p>Representante do Movimento SOS Pinheiro, Geraldo Vasconcelos de Castro J\u00fanior, relatou que os moradores do bairro vivem sob constante press\u00e3o. Ele considerou que a prefeitura e o governo estadual por se ausentaram da crise, mas ressaltou que o Minist\u00e9rio P\u00fablico tem prestado apoio. Quanto a uma evacua\u00e7\u00e3o, ele demonstra ceticismo.<\/p>\n<p>\u2014 Para tirar as pessoas do bairro seria preciso realizar uma opera\u00e7\u00e3o de guerra. Nossas defesas civis, por mais que tenham boa vontade, n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es. Acho que isso \u00e9 coisa para as For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Para o presidente da Associa\u00e7\u00e3o dos Empreendedores do Bairro Pinheiro, Alexandre Sampaio, a pol\u00edcia n\u00e3o tem estrutura para proteger os estabelecimentos comerciais, que ficariam desguarnecidos no caso de um esvaziamento do bairro. Sampaio destacou que o bairro possui cerca de 2 mil empresas em atividade, que geram mais de 30 mil empregos e movimentam entre R$ 1 bilh\u00e3o e R$ 1,3 bilh\u00e3o por ano.<\/p>\n<p>A hip\u00f3tese de evacua\u00e7\u00e3o deve ser tratada com delicadeza, assegurou o diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Armin Braun. Ele mostrou preocupa\u00e7\u00e3o com a \u201cquest\u00e3o psicossocial\u201d que poderia ser provocada pelo abandono for\u00e7ado das resid\u00eancias.<\/p>\n<p>\u2014 As pessoas s\u00e3o apegadas as suas casas, que passaram a vida construindo. N\u00e3o podemos culp\u00e1-las quando elas n\u00e3o querem sair daquela \u00e1rea. Temos que compreender, mas temos que fazer o necess\u00e1rio para retirar.<\/p>\n<p><strong>Poder p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio P\u00fablico do Estado (MPE), a Defensoria P\u00fablica e o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) explicaram as provid\u00eancias que est\u00e3o tomando diante da situa\u00e7\u00e3o. O promotor Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Marques informou que um grupo do MPE vem monitorando o caso e pressionando para a execu\u00e7\u00e3o de medidas consideradas emergenciais. Entre elas, a desocupa\u00e7\u00e3o da \u00e1rea cr\u00edtica e a interrup\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego nas vias e de servi\u00e7os de g\u00e1s, \u00e1gua e luz.<\/p>\n<p>Representando o MPT, Rosemeire Lobo destacou que o \u00f3rg\u00e3o tem focado sua aten\u00e7\u00e3o nos pequenos empres\u00e1rios do bairro, para os quais uma ajuda importante seria a libera\u00e7\u00e3o da d\u00edvida ativa para que eles possam se beneficiar de linhas de cr\u00e9dito e se estabelecerem em outras localidades. O MPT tamb\u00e9m acompanha a situa\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do bairro, entre eles os funcion\u00e1rios da Braskem.<\/p>\n<p>A Defensoria P\u00fablica trabalha para liberar o aluguel social para os moradores que precisem ou queiram deixar o bairro desde j\u00e1. O defensor Carlos Eduardo de Paula Monteiro apontou que alguns casos t\u00eam sido indeferidos sem motivo claro. Ele explicou que muitos moradores n\u00e3o t\u00eam a situa\u00e7\u00e3o devidamente regularizada, por motivos de usucapi\u00e3o ou heran\u00e7a, por exemplo.<\/p>\n<p>Fonte: Senado Noticias Gerais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em debate sobre os tremores de terra, o afundamento do solo e as rachaduras em v\u00e1rios im\u00f3veis do bairro Pinheiro, em Macei\u00f3, pesquisadores alertaram que h\u00e1 risco de grandes danos humanos e materiais, principalmente com a chegada do per\u00edodo chuvoso, que come\u00e7a em abril em Alagoas. 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