{"id":18501,"date":"2019-02-26T15:54:39","date_gmt":"2019-02-26T18:54:39","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cae-aprova-roberto-campos-neto-para-o-banco-central-e-indicacao-segue-para-analise-do-plenario\/"},"modified":"2019-02-26T15:54:39","modified_gmt":"2019-02-26T18:54:39","slug":"cae-aprova-roberto-campos-neto-para-o-banco-central-e-indicacao-segue-para-analise-do-plenario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/cae-aprova-roberto-campos-neto-para-o-banco-central-e-indicacao-segue-para-analise-do-plenario\/","title":{"rendered":"CAE aprova Roberto Campos Neto para o Banco Central, e indica\u00e7\u00e3o segue para an\u00e1lise do Plen\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\"><span>Ap\u00f3s quase cinco horas de sabatina, a Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) aprovou nesta ter\u00e7a-feira (26) a indica\u00e7\u00e3o de Roberto de Oliveira Campos Neto para a presid\u00eancia do Banco Central (BC). Junto com ele, foram aprovados tamb\u00e9m dois indicados para a diretoria da institui\u00e7\u00e3o: Bruno Serra Fernandes e Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello. Todos receberam 26 votos favor\u00e1veis e nenhum contr\u00e1rio. Os nomes dos tr\u00eas ser\u00e3o analisados agora pelo Plen\u00e1rio do Senado em regime de urg\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>A possibilidade de autonomia do BC foi um dos temas mais abordados pelos 19 senadores que apresentaram questionamentos ao indicado. Campos Neto defendeu um arranjo da pol\u00edtica monet\u00e1ria que dependa menos das pessoas e mais de regras, e o Brasil, segundo ele, j\u00e1 est\u00e1 maduro para que isso ocorra.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>\u2014 Em 1999, quando se come\u00e7ou a ado\u00e7\u00e3o de um sistema de metas no mundo, a ideia era da independ\u00eancia. Basicamente, hoje o Brasil virou uma jabuticaba, pois tem um sistema de metas compar\u00e1vel aos outros pa\u00edses, mas n\u00e3o tem uma independ\u00eancia. A independ\u00eancia vai nos colocar ao lado de nosso pares no sentido de melhores pr\u00e1ticas. Isso vai baratear o custo do cr\u00e9dito e facilitar a entrada do Brasil em organismos internacionais. Al\u00e9m disso, \u00e9 uma pr\u00e1tica de mercado bastante elaborada em todo o mundo \u2014 opinou. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>Campos Neto lembrou ainda que a autonomia operacional a ser dada ao BC \u00e9 para seguir as metas dadas e n\u00e3o para elabor\u00e1-las, tarefa que cabe ao <a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/acessoinformacao\/cmn\">Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN)<\/a>: <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>\u2014 A autonomia \u00e9 importante porque, toda vez que existe um risco em qualquer atividade, a pessoa coloca no pre\u00e7o aquele risco. Portanto, se existir um risco de o Banco Central n\u00e3o seguir sua miss\u00e3o, que \u00e9 controlar pre\u00e7os e dar estabilidade ao sistema financeiro, quem est\u00e1 olhando de fora vai colocar no pre\u00e7o a probabilidade de haver uma ruptura. Numa linguagem popular, a autonomia vai permitir que, com a mesma infla\u00e7\u00e3o, o juro seja mais baixo, pois o componente de risco vai ser removido \u2014 explicou. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><b><span>Juros<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>Os altos <i>spreads<\/i> banc\u00e1rios e as elevadas taxas de juros praticadas no cheque especial, no cart\u00e3o de cr\u00e9dito e nos empr\u00e9stimos tamb\u00e9m foram alvo de muitas reclama\u00e7\u00f5es dos senadores. <i>Spread<\/i> \u00e9 a diferen\u00e7a entre a remunera\u00e7\u00e3o que o banco paga ao cliente para captar um recurso e o quanto esse banco cobra para emprestar o mesmo dinheiro. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>Campos Neto reconheceu que o <i>spread<\/i> no Brasil \u00e9 alto, mas lembrou que isso n\u00e3o \u00e9 causado somente pelos lucros dos bancos. Segundo ele, 35% do <i>spread<\/i> v\u00eam da inadimpl\u00eancia; 25% s\u00e3o originados de custos operacionais; 25% de tributos e 15% do lucro. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>\u2014 Portanto o primeiro grande componente \u00e9 a inadimpl\u00eancia. Nesse contexto, surge a import\u00e2ncia da informa\u00e7\u00e3o, e algo tem sido feito: teremos o cadastro positivo. A informa\u00e7\u00e3o do cliente \u00e9 dele. N\u00e3o \u00e9 do banco. Ele tem a prerrogativa de usar em benef\u00edcio pr\u00f3prio. No Brasil, de cada um real emprestado, recupera-se 13 centavos e ainda assim num per\u00edodo de quatro anos. Em outros pa\u00edses, recupera-se 60% em um ano e meio \u2014 afirmou o indicado que ainda prometeu trabalhar pelo cadastro positivo, para diminuir os custos burocr\u00e1ticos e operacionais e incentivar o uso do dinheiro digital. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span><span><b>Liberalismo<\/b><\/span><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>Ao deixar clara sua op\u00e7\u00e3o pelo liberalismo, Roberto de Oliveira Campos Neto afirmou que o Estado tornou-se grande demais, ineficiente, custoso e incapaz de atender as necessidades b\u00e1sicas da popula\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>\u2014 A na\u00e7\u00e3o j\u00e1 percebe a necessidade de reformas e temos que aproveitar a oportunidade na cria\u00e7\u00e3o de uma cultura em que haja mais empreendedores e menos atravessadores [&#8230;] O Estado deve abrir espa\u00e7o para atividade privada, saindo de cena ou reduzindo drasticamente sua atua\u00e7\u00e3o em diversas \u00e1reas. O Brasil precisa se reinventar para seu futuro, e os atores dessa reinven\u00e7\u00e3o est\u00e3o no setor privado \u2014 afirmou.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><b><span>Tecnologia<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>Assim como Campos Neto, o indicados para a diretoria do BC, Bruno Serra Fernandes e Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello defenderam a import\u00e2ncia da tecnologia para o sistema financeiro. Segundo eles, novos modelos de neg\u00f3cios e solu\u00e7\u00f5es est\u00e3o transformando o setor, e o Banco Central tem que estar preparado para esse novo cen\u00e1rio. Todos acreditam que a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica vai aumentar a efici\u00eancia do sistema, gerar mais competi\u00e7\u00e3o e mais oferta de servi\u00e7os a um maior n\u00famero de pessoas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><b><span>Autoridade monet\u00e1ria<\/span><\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.bcb.gov.br\/\">Banco Central<\/a> \u00e9 uma autarquia cuja tarefa \u00e9 formular e executar a pol\u00edtica monet\u00e1ria, manter a infla\u00e7\u00e3o dentro da meta, servir como deposit\u00e1rio das reservas internacionais do pa\u00eds e garantir, para a popula\u00e7\u00e3o, o fornecimento adequado de dinheiro em esp\u00e9cie. A institui\u00e7\u00e3o tem uma diretoria colegiada, que \u00e9 indicada pelo presidente da Rep\u00fablica e precisa ser aprovada pelo Senado.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: left\"><span>No fim da sabatina, o presidente da CAE, senador Omar Aziz (PSD-AM) lembrou que a cada seis meses o presidente do BC vai \u00e0 comiss\u00e3o para prestar contas do trabalho da institui\u00e7\u00e3o. E o mesmo ocorrer\u00e1 com Roberto de Oliveira Campos Neto, caso tenha o nome confirmado pelo Plen\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<table class=\"tablemateria\" style=\"text-align: left\">\n<tbody>\n<tr>\n<th>Indicado<\/th>\n<th>Relator<\/th>\n<th>Perfil <\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/135087\">Roberto de Oliveira Campos Neto<\/a><\/td>\n<td>Eduardo Braga (MDB-AM)<\/td>\n<td>Nasceu em 1969 e formou-se em Economia em 1993 na Universidade da Calif\u00f3rnia, em Los Angeles. Dois anos depois, concluiu o mestrado na mesma institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 neto do economista, ex-senador e ex-ministro Roberto Campos, que morreu em 2001. Tem trajet\u00f3ria no sistema financeiro, especialmente no banco Santander. Entre 2010 e 2018, foi membro do Conselho Executivo do Santander Investment. Se tiver o nome aprovado, vai substituir o atual comandante do BC, Ilan Goldfajn.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/135250\">Bruno Serra Fernandes<\/a><\/td>\n<td>Rodrigo Pacheco (DEM-MG)<\/td>\n<td>Nasceu em 1978, graduou-se em Economia no Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), em 1999, e concluiu o mestrado, tamb\u00e9m em Economia, na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Ocupou diversos cargos em institui\u00e7\u00f5es financeiras privadas e, desde 2014 at\u00e9 2019, era superintendente executivo de Renda Fixa do Ita\u00fa Unibanco.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><a class=\"external-link\" href=\"https:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/135252\">Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello<\/a><\/td>\n<td>Wellington Fagundes (PR-MT)<\/td>\n<td>\n<p>Nasceu em 1973, tem gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o P\u00fablica pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (1997), al\u00e9m de mestrado em Economia pela PUC\/RJ e doutorado em Economia pela Stanford University (EUA). Tem atua\u00e7\u00e3o nos setores acad\u00eamico e financeiro. No setor p\u00fablico, atuou no Minist\u00e9rio da Fazenda como assessor especial para Reformas Microecon\u00f4micas, secret\u00e1rio de Produtividade e Advocacia da Concorr\u00eancia, e como secret\u00e1rio de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica.<\/p>\n<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Fonte: Senado Noticias Gerais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s quase cinco horas de sabatina, a Comiss\u00e3o de Assuntos Econ\u00f4micos (CAE) aprovou nesta ter\u00e7a-feira (26) a indica\u00e7\u00e3o de Roberto de Oliveira Campos Neto para a presid\u00eancia do Banco Central (BC). Junto com ele, foram aprovados tamb\u00e9m dois indicados para a diretoria da institui\u00e7\u00e3o: Bruno Serra Fernandes e Jo\u00e3o Manoel Pinho de Mello. 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