{"id":184964,"date":"2024-02-03T10:27:30","date_gmt":"2024-02-03T13:27:30","guid":{"rendered":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/china-espalha-sua-deflacao-pelo-mundo-e-ajuda-a-derrubar-precos-de-bens-no-brasil\/"},"modified":"2024-02-03T10:27:30","modified_gmt":"2024-02-03T13:27:30","slug":"china-espalha-sua-deflacao-pelo-mundo-e-ajuda-a-derrubar-precos-de-bens-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/china-espalha-sua-deflacao-pelo-mundo-e-ajuda-a-derrubar-precos-de-bens-no-brasil\/","title":{"rendered":"China espalha sua defla\u00e7\u00e3o pelo mundo e ajuda a derrubar pre\u00e7os de bens no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/GettyImages-183303963.jpg\" class=\"attachment-medium size-medium wp-post-image\" alt=\"\" style=\"float:right;margin:0 0 10px 10px\" data-attachment-id=\"1922162\" data-permalink=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/colunistas\/roberto-dumas-damas\/estimulos-do-governo-da-china-terao-efeito-limitado-sem-fim-da-politica-de-covid-zero\/attachment\/chinese-flag\/\" data-orig-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GettyImages-183303963.jpg?fit=724%2C483&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-orig-size=\"724,483\" data-comments-opened=\"0\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;5&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;Getty Images&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;Canon EOS 5D Mark II&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;chinese flagShanghai, China&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;1288261515&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;Nikada&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;115&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;100&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0.008&quot;,&quot;title&quot;:&quot;chinese flag&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;1&quot;}\" data-image-title=\"Bandeira da China\" data-image-description=\"\" data-image-caption=\"&lt;p&gt;(Getty Images)&lt;\/p&gt;&#010;\" data-medium-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GettyImages-183303963.jpg?fit=300%2C200&amp;quality=70&amp;strip=all\" data-large-file=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/08\/GettyImages-183303963.jpg?fit=724%2C483&amp;quality=70&amp;strip=all\" \/><\/p>\n<p>Os produtos da China, que j\u00e1 s\u00e3o normalmente competitivos, ficaram ainda mais baratos, dificultando aumentos de pre\u00e7os dos concorrentes mundo afora. No Brasil, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 diferente. A China tornou-se uma for\u00e7a adicional \u00e0 tend\u00eancia de queda da infla\u00e7\u00e3o de bens de consumo, somando-se aos efeitos do cr\u00e9dito caro na demanda, do comportamento mais est\u00e1vel do c\u00e2mbio e da normaliza\u00e7\u00e3o da oferta ap\u00f3s a supera\u00e7\u00e3o de gargalos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Conforme conta da Warren Investimentos, a infla\u00e7\u00e3o de bens industriais \u2013 um grupo que abrange produtos dur\u00e1veis e semidur\u00e1veis, al\u00e9m de materiais de constru\u00e7\u00e3o \u2013 ficou em 1,09% em 2023, a menor taxa em cinco anos, sendo que os pre\u00e7os chegaram a cair, ou seja, marcaram defla\u00e7\u00e3o, em junho (-0,57%), setembro (-0,20%) e novembro (-0,54%).<\/p>\n<p>Ficaram mais barato, ao longo do ano passado, eletrodom\u00e9sticos como geladeira, m\u00e1quina de lavar roupa e tev\u00ea, aparelhos eletr\u00f4nicos como videogame e computador pessoal, e alguns itens de vestu\u00e1rio, como vestido e roupa infantil, al\u00e9m de pneus e bicicletas.<\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9a Angelo, economista da Warren, o comportamento dos pre\u00e7os de bens \u00e9 muito benigno e est\u00e1 relacionado, principalmente a c\u00e2mbio e infla\u00e7\u00e3o externa. \u201cA tend\u00eancia de curto prazo \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o de bens continue desacelerando\u201d, prev\u00ea a economista.<\/p>\n<p>A China influencia o comportamento da infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas pela concorr\u00eancia direta dos produtos finais que est\u00e3o nas prateleiras das lojas, ou que podem ser importados diretamente nas plataformas de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico estrangeiras. O pa\u00eds \u00e9 tamb\u00e9m um grande fornecedor de insumos usados por diversas ind\u00fastrias, como pe\u00e7as de smartphones, componentes eletr\u00f4nicos e a\u00e7o. Pre\u00e7os mais baixos da China ajudam, assim, a aliviar o custo dos produtos nacionais.<\/p>\n<p>Os produtos industriais acabados ou intermedi\u00e1rios respondem por praticamente tudo o que o Brasil importa da China.<\/p>\n<p>No \u00faltimo ano, os pre\u00e7os cobrados pelos produtores (PPI, na sigla em ingl\u00eas) ca\u00edram na China 3%, ap\u00f3s a infla\u00e7\u00e3o de 4,1% de 2022. Por tr\u00e1s desse dado est\u00e3o as dificuldades tanto internas quanto externas da ind\u00fastria chinesa. No mercado dom\u00e9stico, a recupera\u00e7\u00e3o do consumo p\u00f3s-pandemia n\u00e3o acontece como esperado, refletindo a cautela associada \u00e0 queda nos pre\u00e7os dos im\u00f3veis, que faz os chineses preferirem poupar a consumir.<\/p>\n<p>J\u00e1 no exterior, o pa\u00eds perde vendas em seus principais destinos comerciais \u2013 entre eles, Estados Unidos, Jap\u00e3o e Alemanha -, em raz\u00e3o do esfriamento do com\u00e9rcio pelos juros mais altos e pela substitui\u00e7\u00e3o da China por outros parceiros nos movimentos de nearshoring \u2013 isto \u00e9, a busca por fornecedores geograficamente mais pr\u00f3ximos \u2013 e friendshoring \u2013 ou seja, a troca por aliados geopol\u00edticos.<\/p>\n<p>Mesmo com o relaxamento das r\u00edgidas restri\u00e7\u00f5es da pol\u00edtica de covid zero, a China n\u00e3o conseguiu mais repetir o aproveitamento da capacidade industrial de antes. O excesso de capacidade na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o, que tr\u00eas anos antes estava em 21,6%, chegou a 24% na \u00faltima leitura, referente ao quarto trimestre de 2023.<\/p>\n<p>A China passou, assim, a \u201cexportar defla\u00e7\u00e3o\u201d, contribuindo aos bancos centrais do resto do mundo no controle da infla\u00e7\u00e3o. A ajuda chinesa vale ainda mais para as economias emergentes, onde os bens t\u00eam, na compara\u00e7\u00e3o com os pa\u00edses ricos, um peso maior nos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Economistas ouvidos pelo <i>Broadcast<\/i> (sistema de not\u00edcias em tempo real do Grupo Estado), incluindo ex-diretores do Banco Central (BC), entendem, por\u00e9m, que a contribui\u00e7\u00e3o chinesa nos pr\u00f3ximos passos das autoridades monet\u00e1rias ser\u00e1 limitada. Em outras palavras, n\u00e3o deve ser determinante para acelerar cortes de juros, em economias como o Brasil, ou para antecipar o in\u00edcio de ciclo de flexibiliza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria nos EUA e na Europa.<\/p>\n<p>Essa expectativa tem como base o foco dos bancos centrais na infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, mais resiliente e cujo comportamento \u00e9 mais determinado por vari\u00e1veis dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Para Bruno Serra, ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC e atualmente gestor dos fundos Janeiro da Ita\u00fa Asset, a China ter\u00e1 participa\u00e7\u00e3o relevante em manter a infla\u00e7\u00e3o de bens industriais baixa e ajudar na desinfla\u00e7\u00e3o geral ao longo deste e do pr\u00f3ximo ano. N\u00e3o ser\u00e1 raz\u00e3o suficiente, por\u00e9m, para levar a cortes mais agressivos da Selic, j\u00e1 que o consumo das fam\u00edlias continua surpreendendo no Brasil, embalado pelo mercado de trabalho aquecido.<\/p>\n<p>\u201cRequer cuidado o impacto disso [consumo] sobre a infla\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, onde come\u00e7amos a ver alguns primeiros sinais de que a desinfla\u00e7\u00e3o chegou ao fim. Precisamos da desinfla\u00e7\u00e3o de bens vinda da China mais um c\u00e2mbio comportado para poder atingir cuidadosamente a expectativa do mercado para a Selic, entre 9% e 9,5%\u201d, comenta Serra.<\/p>\n<p>Segundo Robert Sockin, economista global do Citi, a queda brusca nos pre\u00e7os dos produtos exportados pela China vem contribuindo para a desinfla\u00e7\u00e3o global de bens, que j\u00e1 vinha acontecendo pela migra\u00e7\u00e3o dos gastos ao consumo, junto com a normaliza\u00e7\u00e3o das cadeias de produ\u00e7\u00e3o. \u201cEnquanto as press\u00f5es inflacion\u00e1rias dentro da China continuarem suaves, a economia chinesa provavelmente continuar\u00e1 contribuindo \u00e0 press\u00e3o baixista dos pre\u00e7os globais de bens.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, emenda Sockin, ainda que seja aliada do resto do mundo na converg\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o \u00e0s metas perseguidas pelos bancos centrais, \u00e9 improv\u00e1vel que a China guie o ciclo monet\u00e1rio global. \u201cOs bancos centrais est\u00e3o menos focados nos pre\u00e7os dos bens porque eles j\u00e1 est\u00e3o amplamente normalizados\u201d, comenta o economista global do Citi.<\/p>\n<p><b>Menor impacto<\/b><\/p>\n<p>O gigante asi\u00e1tico tamb\u00e9m vem se tornando menos influente na din\u00e2mica de pre\u00e7os nas economias desenvolvidas, na medida em que os pa\u00edses ricos descentralizam suas fontes de fornecimento para reduzir a depend\u00eancia da China.<\/p>\n<p>Os economistas n\u00e3o ignoram que movimentos como nearshoring e friendshoring tamb\u00e9m t\u00eam efeitos desinflacion\u00e1rios, por levarem a um aumento de oferta global pela duplica\u00e7\u00e3o de cadeias em setores importantes \u2013 isto \u00e9, a produ\u00e7\u00e3o em novos mercados de produtos que continuar\u00e3o sendo feitos pela China.<\/p>\n<p>O ex-BC Tony Volpon observa, contudo, que nos EUA, por exemplo, a substitui\u00e7\u00e3o se d\u00e1 por fornecedores do M\u00e9xico, da \u00cdndia ou do Vietn\u00e3 que nem sempre s\u00e3o t\u00e3o competitivos quanto a China. \u201cEnt\u00e3o, existe um custo de transi\u00e7\u00e3o [nos rearranjos das cadeias], de forma que, para os EUA, o impacto da desinfla\u00e7\u00e3o em fun\u00e7\u00e3o da China \u00e9 menor do que em emergentes\u201d, comenta Volpon, que hoje \u00e9 professor adjunto da Georgetown University, em Washington.<\/p>\n<p><b>Tens\u00f5es na geopol\u00edtica<\/b><\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma preocupa\u00e7\u00e3o importante dos bancos centrais com os riscos de geopol\u00edtica, sendo o mais recente o conflito no Mar Vermelho, que volta a trazer estresse no transporte de cargas mar\u00edtimo e a elevar os pre\u00e7os de frete. Limita-se, dessa forma, o potencial de redu\u00e7\u00e3o mais expressiva na infla\u00e7\u00e3o de produtos.<\/p>\n<p>\u201cA preocupa\u00e7\u00e3o maior, para mim, s\u00e3o os v\u00e1rios riscos de ruptura no cen\u00e1rio geopol\u00edtico internacional, como o bloqueio no Mar Vermelho, a elei\u00e7\u00e3o presidencial em Taiwan [vencida por partido contr\u00e1rio \u00e0 unifica\u00e7\u00e3o com a China], a guerra na Ucr\u00e2nia e a grande chance de maior instabilidade no Oriente M\u00e9dio\u201d, afirma o economista Lu\u00eds Eduardo Assis, ex-diretor de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria do BC.<\/p>\n<p>The post <a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/economia\/china-espalha-sua-deflacao-pelo-mundo-e-ajuda-a-derrubar-precos-de-bens-no-brasil\/\">China espalha sua defla\u00e7\u00e3o pelo mundo e ajuda a derrubar pre\u00e7os de bens no Brasil<\/a> appeared first on <a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\">InfoMoney<\/a>.<\/p>\n<p>&#013;<br \/>\nInfo Econ\u00f4mico  &#8211; Seu Portal de Not\u00edcias Econ\u00f4micas &#013;<br \/>\nFonte <a href=\"https:\/\/www.infomoney.com.br\/economia\/china-espalha-sua-deflacao-pelo-mundo-e-ajuda-a-derrubar-precos-de-bens-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">China espalha sua defla\u00e7\u00e3o pelo mundo e ajuda a derrubar pre\u00e7os de bens no Brasil<\/a>&#013;<\/p>\n<hr \/>\n<p>&#013;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/itasite.com.br\">Cria\u00e7\u00e3o de Sites <\/a>Modernos e Personalizados &#8211; Empresa do interior de S\u00e3o Paulo, inova na modernidade de seus estilos responsivos, criando sites simples, completos e ganham destaque na rede mundial de sites . 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