{"id":17580,"date":"2019-02-16T07:32:36","date_gmt":"2019-02-16T09:32:36","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/csn-repete-erro-da-vale-e-deixa-trabalhadores-abaixo-de-barragens\/"},"modified":"2019-02-16T07:32:36","modified_gmt":"2019-02-16T09:32:36","slug":"csn-repete-erro-da-vale-e-deixa-trabalhadores-abaixo-de-barragens","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/csn-repete-erro-da-vale-e-deixa-trabalhadores-abaixo-de-barragens\/","title":{"rendered":"CSN repete erro da Vale e deixa trabalhadores abaixo de barragens"},"content":{"rendered":"<p>Passados mais de 20 dias do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, a Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN) mant\u00e9m escrit\u00f3rio, refeit\u00f3rio e sala de treinamento funcionando abaixo das barragens do Vigia e Auxiliar do Vigia, em Ouro Preto.<\/p>\n<p>A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> teve acesso \u00e0 fotografias feitas na \u00faltima quarta-feira (13), que mostram o funcionamento das unidades constru\u00eddas ao p\u00e9 das barragens, em um distrito de Ouro Preto, distante 20 quil\u00f4metros do centro de Congonhas. <\/p>\n<p>\u201cOs trabalhadores est\u00e3o apavorados\u201d, afirma o funcion\u00e1rio da CSN, Al\u00edpio Santos da Silva, que \u00e9 diretor do sindicato dos metal\u00fargicos da regi\u00e3o (Metabase Inconfidentes). O p\u00e2nico dos funcion\u00e1rios, segundo Silva, ficou maior depois do desastre com a barragem da Vale, que que matou 166 pessoas, sendo que outras 145 permanecem desaparecidas. <\/p>\n<p>\u201cDepois do que aconteceu em Brumadinho pedimos uma reuni\u00e3o, mas a CSN n\u00e3o retornou o of\u00edcio que enviamos e nem atende nossas liga\u00e7\u00f5es\u201d, afirma o presidente do Metabase Inconfidentes, Rafael \u00c1vila. &nbsp;<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/CSN-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38139\" \/><figcaption>As unidades em azul, constru\u00eddas abaixo da barragem (\u00e1 direita), s\u00e3o o refeit\u00f3rio, escrit\u00f3rio e o centro de treinamento da CSN (Foto: Rep\u00f3rter Brasil)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A maior parte das v\u00edtimas em Brumadinho foi de trabalhadores que estavam no restaurante e no escrit\u00f3rio da empresa \u2013 constru\u00eddos ao p\u00e9 da barragem de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o \u2013 e n\u00e3o tiveram nenhuma chance de escapar. Os rejeitos de min\u00e9rio, a uma velocidade de quase 100 km\/h, atingiram em menos de um minuto os dois centros administrativos da Vale. &nbsp;<\/p>\n<p>Na divisa entre Ouro Preto e Congonhas, o refeit\u00f3rio da CSN tem capacidade para 200 pessoas, outras 20 trabalham no escrit\u00f3rio localizado abaixo das barragens e h\u00e1 uma sala de treinamento, usada frequentemente, com capacidade para 30 pessoas, segundo informa\u00e7\u00f5es do Metabase.<\/p>\n<p>Procurada pela <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>, a CSN n\u00e3o respondeu aos questionamentos.<\/p>\n<p>A seguran\u00e7a das duas barragens da CSN em Ouro Preto \u201cn\u00e3o traz tranquilidade\u201d, segundo t\u00e9cnicos do Minist\u00e9rio P\u00fablico de Minas Gerais que as fiscalizaram em julho de 2018. A <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong> teve acesso ao relat\u00f3rio de 41 p\u00e1ginas, que destaca o risco das barragens e contesta a an\u00e1lise do auditor independente contratado pela CSN e que garantiu a estabilidade de ambas. <\/p>\n<p>Em 2008, a barragem do Vigia rompeu parcialmente. A \u00e1gua e os rejeitos que vazaram inundaram tr\u00eas bairros de Congonhas, desabrigando 40 fam\u00edlias. Outro problema na barragem aconteceu em dezembro de 2016, quando um vazamento em uma mina vizinha, da Vale, atingiu a barragem do Vigia, da CSN.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/CSN-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38141\" \/><figcaption>Rompimento em duto da barragem do Vigia, em mar\u00e7o de 2008. Rejeitos provocaram cheia em rios e c\u00f3rregos e inundaram tr\u00eas bairros de Congonhas, deixando 40 fam\u00edlias desabrigadas (Foto: Sandoval Souza Pinto Filho)<br \/> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>Constru\u00e7\u00f5es amea\u00e7adas<br \/><\/h2>\n<p>Em caso de ruptura das duas barragens da CSN, seriam atingidas 19 edifica\u00e7\u00f5es e seis pontes rodovi\u00e1rias e a \u00e1rea de opera\u00e7\u00e3o da mina. As informa\u00e7\u00f5es constam no Plano de A\u00e7\u00e3o de Emerg\u00eancia para Barragens de Minera\u00e7\u00e3o (PAEBM), documento obrigat\u00f3rio para toda barragem e que prev\u00ea o impacto que um rompimento pode causar, que a <strong>Rep\u00f3rter Brasil <\/strong>teve acesso. <\/p>\n<p>O plano foi elaborado pela empresa DAM em setembro de 2016 e considera duas hip\u00f3teses de rompimento: a primeira com o galgamento, quando o rejeito passa por cima do dique e a segunda por eros\u00e3o interna, processo chamado de pipping. <\/p>\n<p>As barragens Vigia e Auxiliar do Vigia est\u00e3o fora da \u00e1rea urbana e foram constru\u00eddas a montante, mesmo m\u00e9todo construtivo das duas barragens que romperam em Minas Gerais em pouco mais de tr\u00eas anos: de Fund\u00e3o (Mariana) e de C\u00f3rrego do Feij\u00e3o (Brumadinho). <\/p>\n<p>O m\u00e9todo a montante \u00e9 considerado o mais inst\u00e1vel e, por isso, \u00e9 proibido em outros pa\u00edses, como no Chile. Em Minas Gerais, esse m\u00e9todo \u00e9 proibido desde 2016. <\/p>\n<p>Assim como a mina da Vale, em Brumadinho, a unidade da CSN fica no Quadril\u00e1tero Ferr\u00edfero, na regi\u00e3o Central de Minas Gerais, de onde s\u00e3o extra\u00eddos 258 milh\u00f5es de toneladas de min\u00e9rio de ferro por ano. Somente em Congonhas, s\u00e3o 24 barragens na bacia hidrogr\u00e1fica da cidade. Algumas, como Vigia e Auxiliar do Vigia, est\u00e3o em cidades vizinhas, mas o impacto, em caso de rompimento, afetaria a cidade hist\u00f3rica famosa pelas obras de Aleijadinho.<\/p>\n<p>O foco maior da aten\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico \u00e9 a barragem Casa de Pedra, tamb\u00e9m da CSN, que est\u00e1 na \u00e1rea urbana e tem capacidade para 75.476.000 m\u00b3, maior que a barragem de Fund\u00e3o, da Samarco, em Mariana, que rompeu em 2015 e tinha volume de 50.000.000 m\u00b3. Na sexta-feira (15), a prefeitura de Congonhas remanejou estudantes de uma creche e uma escola municipal que fica localizado no bairro pr\u00f3xima a barragem Casa de Pedra.<\/p>\n<p>J\u00e1 as barragens de Vigia e Auxiliar do Vigia deixaram de receber rejeitos em 2015 e o Minist\u00e9rio P\u00fablico recomenda que a CSN fa\u00e7a descaracteriza\u00e7\u00e3o das barragens rapidamente. Isto \u00e9, que retirem os rejeitos e, posteriormente, plantem vegeta\u00e7\u00e3o no local. A CSN se comprometeu, em of\u00edcio assinado junto ao Minist\u00e9rio P\u00fablico, em agosto do ano passado, a descaracterizar a barragem de Auxiliar do Vigia, mas n\u00e3o definiu um cronograma. Por\u00e9m, afirmou que quer manter a barragem do Vigia ativa para: \u201cconter sedimentos e clarificar \u00e1gua\u201d.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/barragens-vigia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-38143\" \/><figcaption><strong><em> <\/em><\/strong>Imagem do estudo de impacto contratado pela CSN. \u00c0 esquerda do dique da barragem do Vigia est\u00e3o refeit\u00f3rio, escrit\u00f3rio e sala de treinamento<strong><em> <\/em><\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O principal problema apontado na fiscaliza\u00e7\u00e3o do MP \u00e9 que os extravasores que comp\u00f5em o sistema de disposi\u00e7\u00e3o de rejeitos n\u00e3o est\u00e3o adequados \u00e0 passagem de cheias. Outra falha \u00e9 a an\u00e1lise de estabilidade, que n\u00e3o foi desenvolvida seguindo a recomenda\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica oficial.<\/p>\n<h2>Ambientalista e minerador<br \/><\/h2>\n<p>Apesar de ficar em Ouro Preto, um rompimento das barragens do Vigia e Auxiliar do Vigia afetaria a cidade de Congonhas. \u201cO plano subdimensionado n\u00e3o permite nem pensar em salvar as pessoas. N\u00e3o \u00e9 dada a chance da pessoa conhecer o risco que ela corre\u201d, afirma o secret\u00e1rio de Meio Ambiente de Congonhas, Neylor Aar\u00e3o. <\/p>\n<p>O secret\u00e1rio foi candidato a vereador em 2016 e declarou, \u00e0 \u00e9poca, ser propriet\u00e1rio de 99% das cotas da GNX Minera\u00e7\u00e3o e 33% dos direitos de lavra de um requerimento de pesquisa mineral. <\/p>\n<p>Aar\u00e3o declara ser ambientalista e consultor ambiental, com servi\u00e7os prestados para mineradoras. \u201cAlgumas empresas na hora do pagamento n\u00e3o tem dinheiro e pagam com participa\u00e7\u00e3o\u201d, explica. Ele diz que vendeu o patrim\u00f4nio ligado \u00e0s atividades miner\u00e1rias e n\u00e3o v\u00ea conflito de interesse. \u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/02\/csn-repete-erro-da-vale-e-deixa-trabalhadores-abaixo-de-barragens\/\">CSN repete erro da Vale e deixa trabalhadores abaixo de barragens<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passados mais de 20 dias do rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho, a Companhia Sider\u00fargica Nacional (CSN) mant\u00e9m escrit\u00f3rio, refeit\u00f3rio e sala de treinamento funcionando abaixo das barragens do Vigia e Auxiliar do Vigia, em Ouro Preto. 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