{"id":16736,"date":"2019-02-05T17:45:35","date_gmt":"2019-02-05T19:45:35","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/gravidez-na-adolescencia-tem-riscos-psicologicos-e-sociais\/"},"modified":"2019-02-05T17:45:35","modified_gmt":"2019-02-05T19:45:35","slug":"gravidez-na-adolescencia-tem-riscos-psicologicos-e-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/gravidez-na-adolescencia-tem-riscos-psicologicos-e-sociais\/","title":{"rendered":"Gravidez na adolesc\u00eancia tem riscos psicol\u00f3gicos e sociais"},"content":{"rendered":"<div id=\"parent-fieldname-text\" class=\"\">\n<div>\n<p dir=\"ltr\">A cada ano, mais de 500 mil meninas entre 10 e 19 anos t\u00eam filhos no Brasil. Esse n\u00famero j\u00e1 foi maior: em 2004, eram cerca de 660 mil, de acordo com o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Nascidos Vivos (Sinasc).<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>Essa redu\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada a v\u00e1rios fatores, como expans\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas e mais acesso a m\u00e9todos contraceptivos, e pode ser considerada um avan\u00e7o, pois a gravidez precoce tem impacto diferenciado no corpo e na vida da jovem, assim como das crian\u00e7as.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>Segundo a especialista em hebiatria (ramo da medicina voltado para a sa\u00fade de adolescentes) Denise Ocampos, estudos\u00a0<\/span>mostram que uma gravidez que ocorre nos dois anos seguintes ap\u00f3s a primeira menstrua\u00e7\u00e3o oferecem mais risco para m\u00e3e e beb\u00ea, pois o organismo da menina ainda est\u00e1 se adaptando \u00e0s mudan\u00e7as hormonais e ao crescimento dos \u00f3rg\u00e3os.\u00a0Ap\u00f3s esse per\u00edodo, segundo a especialista, o risco \u00e9 o mesmo enfrentado por qualquer mulher que est\u00e1 em sua primeira gesta\u00e7\u00e3o, independentemente da idade.\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>\u201cOs riscos maiores s\u00e3o psicossociais\u201d, afirma Denise Ocampos. Como, normalmente, a gravidez na adolesc\u00eancia n\u00e3o \u00e9 planejada e intencional, a vida escolar e a atua\u00e7\u00e3o futura no mercado de trabalho da m\u00e3e podem ser afetadas. &#8220;A menina tamb\u00e9m pode ter problemas familiares, pois h\u00e1 fam\u00edlias que n\u00e3o aceitam a gravidez na adolesc\u00eancia&#8221;, alerta a especialista.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>A pausa nos estudos foi um dos principais impactos da gravidez na vida da auxiliar de servi\u00e7os gerais Erica Soares, de 22 anos. Quando engravidou, aos 18, a moradora da Cidade Estrutural (DF) n\u00e3o viu outra sa\u00edda sen\u00e3o interromper a vida escolar. \u201cEu n\u00e3o queria deixar minha filha com qualquer pessoa, achava que ela dependia muito de mim. Na \u00e9poca, eu estava 2\u00ba ano do Ensino M\u00e9dio\u201d, conta a jovem.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>A pequena Ester Santos est\u00e1 prestes a completar 5 anos de idade, mas \u00c9rica n\u00e3o se esquece da dificuldade que teve para cuidar da garota nos primeiros meses de vida. \u201cEu n\u00e3o tinha experi\u00eancia, ent\u00e3o minha m\u00e3e me ajudava com tudo: cuidar, dar banho, alimentar. A presen\u00e7a dela foi muito importante. Talvez eu tivesse conseguido [cuidar da Ester] sem a ajuda dela, mas com certeza seria muito mais dif\u00edcil\u201d, conta \u00c9rica.<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\">A gravidez na adolesc\u00eancia constitui uma situa\u00e7\u00e3o delicada e exige cuidados espec\u00edficos. Denise explica que tudo depende do contexto em que a menina gr\u00e1vida est\u00e1 inserida. A<span>ssim como ocorreu no caso de \u00c9rica, Ester e fam\u00edlia, p<\/span>roblemas como depress\u00e3o p\u00f3s-parto, abandono, neglig\u00eancia e maus tratos, al\u00e9m de serem riscos inerentes a qualquer gesta\u00e7\u00e3o, podem ser minimizados com uma rede de apoio presente.\u00a0\u201cSe essa adolescente tiver apoio familiar, decidir cuidar da crian\u00e7a e tiver amor, cuidado e afeto, esse beb\u00ea vai crescer bem\u201d, pontua a especialista.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Segundo Denise, \u00e9 comum a adolescente ter uma \u201cnega\u00e7\u00e3o\u201d com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a e confiar a terceiros a responsabilidade pelo cuidado e pela cria\u00e7\u00e3o. \u201cEla pode entender que a maternidade vai atrapalhar a vida dela, pode sofrer com quest\u00f5es relacionadas ao pr\u00f3prio desenvolvimento psicol\u00f3gico, questionar por que isso aconteceu com ela, ter depress\u00e3o e baixa autoestima, por exemplo\u201d, explica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>\u201cA fam\u00edlia deve apoiar essa adolescente, ir ao pr\u00e9-natal junto com ela, acompanh\u00e1-la em todos os momentos, n\u00e3o rejeit\u00e1-la, n\u00e3o brigar, n\u00e3o abandonar, n\u00e3o expulsar de casa, como muitas fam\u00edlias fazem, n\u00e3o fazer com que ela saia da escola ou abandone o trabalho\u201d, enfatiza Denise.\u00a0<\/span><span>De acordo com a especialista, se a fam\u00edlia tiver essa conduta, a adolescente vai continuar a estudar, trabalhar e dar prosseguimento ao seu projeto de vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span id=\"docs-internal-guid-5b159a72-7fff-8e42-214e-022f49c87904\"><span>Apesar de n\u00e3o ser casada com o pai de Ester, \u00c9rica conta que o rapaz \u00e9 um pai presente, que sempre \u201cajuda no que precisa\u201d e pelo qual a menina sente um apego muito forte. \u201cSe eu pudesse voltar no tempo, n\u00e3o teria engravidado com aquela idade, mas est\u00e1 dando tudo certo, com o apoio da fam\u00edlia. O pai da Ester sempre foi presente. \u00c9 claro que, sem ele, eu conseguiria cri\u00e1-la da mesma forma, mas, sentimentalmente, \u00e9 muito importante para ela que ele esteja por perto\u201d, afirma.<\/span><\/span><\/p>\n<h2><span><span>Viol\u00eancia sexual<\/span><\/span><\/h2>\n<p dir=\"ltr\">\u201cN\u00f3s [profissionais de sa\u00fade] temos que nos preocupar com a viol\u00eancia sexual, muito inerente \u00e0 quest\u00e3o da gravidez na adolesc\u00eancia. A primeira coisa que temos que perguntar \u00e9 se houve viol\u00eancia, se a atividade sexual foi ou n\u00e3o consentida\u201d, destaca Denise. Ela lembra que manter rela\u00e7\u00f5es sexuais com crian\u00e7as e adolescentes abaixo dos 14 anos \u00e9 uma pr\u00e1tica caracterizada pela lei como estupro de vulner\u00e1vel e afirma que a gravidez decorrente de viol\u00eancia sexual \u00e9 subdiagnosticada.\u00a0<\/p>\n<p dir=\"ltr\"><span>Fonte: Governo do Brasil, com informa\u00e7\u00f5es do <\/span><a href=\"http:\/\/portalms.saude.gov.br\/\">Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/a><\/p>\n<\/div><\/div>\n<p>Fonte: Brasil.Gov Ultima Hora<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cada ano, mais de 500 mil meninas entre 10 e 19 anos t\u00eam filhos no Brasil. Esse n\u00famero j\u00e1 foi maior: em 2004, eram cerca de 660 mil, de acordo com o Sistema de Informa\u00e7\u00e3o sobre Nascidos Vivos (Sinasc). 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