{"id":15952,"date":"2019-01-24T13:12:32","date_gmt":"2019-01-24T15:12:32","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/agrotoxico-veneno-defensivo-entenda-a-disputa-pelo-nome-desses-produtos-agricolas\/"},"modified":"2019-01-24T13:12:32","modified_gmt":"2019-01-24T15:12:32","slug":"agrotoxico-veneno-defensivo-entenda-a-disputa-pelo-nome-desses-produtos-agricolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/agrotoxico-veneno-defensivo-entenda-a-disputa-pelo-nome-desses-produtos-agricolas\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xico, veneno, defensivo? Entenda a disputa pelo nome desses produtos agr\u00edcolas"},"content":{"rendered":"<p>O Congresso Nacional deve decidir este ano se o nome \u201cagrot\u00f3xico\u201d ser\u00e1 banido ou n\u00e3o do pa\u00eds. Caso o Projeto de Lei (PL) 6.299\/2002, conhecido pelos opositores como \u201cPacote do Veneno\u201d, seja aprovado, o termo ser\u00e1 substitu\u00eddo nos documentos oficiais e nas embalagens dos produtos mandatoriamente por \u201cpesticida\u201d, \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d ou \u201cdefensivo fitossanit\u00e1rio\u201d. Mas a palavra, de uso quase exclusivo por aqui, tem um pai e criador \u2013 e ele \u00e9 totalmente contra a mudan\u00e7a. <\/p>\n<p>Alterar uma nomenclatura pode parecer apenas um pequeno detalhe entre as diversas altera\u00e7\u00f5es propostas pelo projeto de lei, mas, para Adilson D. Paschoal, do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiza de Queiroz (Esalq) da USP, esse \u00e9 um ponto crucial. \u201c\u00c9 um retrocesso inadmiss\u00edvel e tendencioso, visando ocultar a verdadeira natureza desses produtos, isto \u00e9, sua natureza t\u00f3xica\u201d, resume. <\/p>\n<p>\u201cSabendo o agricultor que o produto \u00e9 t\u00f3xico, ele ou o usa com redobrado cuidado ou procura por outra forma de controlar a praga, o pat\u00f3geno [doen\u00e7a] ou a planta invasora [daninha]. No passado, o agricultor j\u00e1 usava a express\u00e3o \u2018veneno\u2019. Al\u00e9m disso, os termos [defensivo agr\u00edcola e fitossanit\u00e1rio] apresentam v\u00e1rios inconvenientes\u201d, completa. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/2-1-800x554.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37816\" \/><figcaption><strong>A palavra \u201cagrot\u00f3xico\u201d nasceu no Brasil, em 1977, a partir de um livro de Adilson D. Paschoal. Foto: Arquivo pessoal<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A palavra \u201cagrot\u00f3xico\u201d nasceu no Brasil, em 1977, a partir de um livro de Adilson D. Paschoal. Quarenta e dois anos depois, o professor avalia que a mudan\u00e7a de nome \u00e9 um \u201cretrocesso inadmiss\u00edvel e tendencioso\u201d: \u201cEla visa ocultar a verdadeira natureza desses produtos, isto \u00e9, sua natureza t\u00f3xica\u201d, critica. <\/p>\n<p>O termo agrot\u00f3xico tem origem do grego: \u00e1gros (campo) e toxicon (veneno). Segundo Adilson Paschoal, ao contr\u00e1rio do que dizem os cr\u00edticos, n\u00e3o se trata de uma pr\u00e1tica ideol\u00f3gica destacar a origem t\u00f3xica do produto. \u201c\u00c9 o emprego de um voc\u00e1bulo com todo o rigor exigido pela ci\u00eancia e a exatid\u00e3o terminol\u00f3gica exigida pelo nosso idioma\u201d, explica, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong> e <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. Antes do seu famoso trabalho de 1977, termos como pesticida, praguicida, defensivo agr\u00edcola e biocida eram usados nos campos cient\u00edfico e etimol\u00f3gico brasileiro, enquanto nas ruas e no campo \u201cveneno\u201d era a palavra mais comum. <\/p>\n<p>Fora do Brasil, o termo \u201cpesticida\u201d (do latim pestis, a doen\u00e7a, e cida, o que mata) \u00e9 adotado oficialmente por pa\u00edses de l\u00ednguas francesa (pesticides) e inglesa (pesticides). Praguicida (do latim <em>plaga<\/em>, a praga, e <em>cida<\/em>, o que mata), \u00e9 usado nos pa\u00edses espanh\u00f3is (plaguicida). Segundo Adilson, os termos n\u00e3o s\u00e3o adequados para a l\u00edngua portuguesa. \u201cPesticida significando \u2018o que mata a peste\u2019, e \u2018peste\u2019 \u00e9 doen\u00e7a, o voc\u00e1bulo n\u00e3o pode ser usado com sentido geral, englobando pragas, pat\u00f3genos e plantas invasoras. Mesmo para doen\u00e7a o termo \u00e9 inadequado, uma vez que n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a que se mata. O que se mata s\u00e3o os seus agentes causadores: os pat\u00f3genos\u201d, exemplifica. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37817\" \/><figcaption><strong>Em seu livro, Adilson prop\u00f4s a substitui\u00e7\u00e3o dos termos utilizados at\u00e9 ent\u00e3o por agrot\u00f3xico, para incluir todos os produtos de natureza t\u00f3xica usados na agricultura. Cr\u00e9dito &#8211; Reprodu\u00e7\u00e3o<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No livro Pragas, praguicidas e a crise ambiental: problemas e solu\u00e7\u00f5es,<em> <\/em>Adilson prop\u00f4s a substitui\u00e7\u00e3o dos termos utilizados at\u00e9 ent\u00e3o por agrot\u00f3xico, para incluir todos os produtos de natureza t\u00f3xica usados na agricultura. \u201cO termo n\u00e3o \u00e9 apenas etimologicamente correto, como tamb\u00e9m o \u00e9 cientificamente. A ci\u00eancia que estuda os efeitos desses produtos \u00e9 chamada toxicologia\u201d, explica. <\/p>\n<p>A express\u00e3o teve aceita\u00e7\u00e3o nacional e, em 1989, a partir da Lei Federal n\u00ba 7.802 tornou-se a nomenclatura correta para definir os produtos t\u00f3xicos utilizados na agricultura brasileira. <\/p>\n<h1>Resist\u00eancia ao termo<\/h1>\n<p>Quase 30 anos antes de o PL 6.299\/2002 ser apresentado \u00e0 C\u00e2mara, tentativas de desabonar o termo \u201cagrot\u00f3xico\u201d j\u00e1 eram comuns, lembra Adilson. <\/p>\n<p>Nos anos 1960 e 1970, o alerta sobre o futuro ambiental da humanidade soava, e os agrot\u00f3xicos apareciam pela primeira vez no centro do debate. Em 1962, o livro da bi\u00f3loga Rachel Carson Primavera silenciosa, publicado nos Estados Unidos, alertou o mundo sobre os venenos, a partir de quatro anos e meio de estudos sobre os efeitos na sa\u00fade humana do DDT, principal pesticida da \u00e9poca. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/3-1-800x524.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37818\" \/><figcaption><strong>Para o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ), a mudan\u00e7a da nomenclatura induz a popula\u00e7\u00e3o ao erro. Foto: Luis Macedo\/C\u00e2mara dos Deputados<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Quinze anos depois, a publica\u00e7\u00e3o do doutor Adilson teve impacto semelhante no Brasil. Assim como Rachel Carson, ele foi bombardeado de cr\u00edticas. \u201cA ind\u00fastria qu\u00edmica produtora desses t\u00f3xicos reagiu, procurando contradizer o que a ci\u00eancia provava ser verdadeiro. N\u00e3o foi diferente comigo. Meus argumentos cient\u00edficos mostraram de que lado estava a verdade e, com isso, criou-se toda uma estrutura em defesa da vida\u201d, conta. <\/p>\n<p>Aos 77 anos de idade, doutor Adilson v\u00ea agora o debate se repetir no Brasil. Apresentado h\u00e1 quase duas d\u00e9cadas, o PL 6.299\/2002, de autoria do ex-ministro da Agricultura Blairo Maggi, ressurgiu com for\u00e7a nos \u00faltimos dois anos, devido ao crescimento do poder da bancada ruralista. O texto foi aprovado na Comiss\u00e3o Especial na C\u00e2mara dos Deputados no ano passado e agora segue para vota\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio. Ap\u00f3s isso, precisa passar ainda pelo Senado Federal e pela san\u00e7\u00e3o presidencial. <\/p>\n<p>Para Adilson, o termo \u201cdefensivo\u201d \u00e9 \u201co mais incorreto, amb\u00edguo, ut\u00f3pico, vago e tendencioso\u201d. Isso porque, etimologicamente, significa \u201cpr\u00f3prio para a defesa\u201d, mas n\u00e3o indica defesa de quem. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/4-1-800x524.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37819\" \/><figcaption><strong> Luiz Nishimori (PR-PR) \u00e9 o relator da comiss\u00e3o. Foto: Zeca Ribeiro\/C\u00e2mara dos Deputados<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cSe \u00e9 defensivo agr\u00edcola, ent\u00e3o a defesa \u00e9 da agricultura, n\u00e3o especificando tratar-se de subst\u00e2ncia t\u00f3xica para o controle de esp\u00e9cies daninhas. Deduz-se disso ser qualquer t\u00e9cnica usada na defesa da agricultura um defensivo agr\u00edcola.\u201d Nessa acep\u00e7\u00e3o, m\u00e9todos org\u00e2nicos e de controle de eros\u00e3o do solo poderiam tamb\u00e9m ser chamados de defensivos agr\u00edcolas, diz o professor. <\/p>\n<p>\u201cQuando pensamos em termos da natureza, tais produtos n\u00e3o podem ser encarados como instrumentos de defesa, mas de ataque maci\u00e7o contra todo tipo de vida. E de destrui\u00e7\u00e3o e perturba\u00e7\u00e3o do equil\u00edbrio da natureza\u201d, avalia. <\/p>\n<h1>Vi\u00e9s ideol\u00f3gico<\/h1>\n<p>Sem saberem disso, os deputados que defenderam com \u00edmpeto o PL 6.299\/2002 na Comiss\u00e3o Especial destinada \u00e0 regula\u00e7\u00e3o de Defensivos Fitossanit\u00e1rios atacaram a cria\u00e7\u00e3o de Adilson. Um dos maiores defensores da mudan\u00e7a era o deputado federal Valdir Colatto (MDB-SC). Na terminologia da palavra \u201cfitossanit\u00e1rio\u201d, fito<em> <\/em>significa planta e sanit\u00e1rio, sanidade, repetiu durante reuni\u00f5es da Comiss\u00e3o o pol\u00edtico, que \u00e9 engenheiro agr\u00f4nomo. \u201cQuando usamos esses produtos [agrot\u00f3xicos] na agricultura, os chamados venenos s\u00e3o rem\u00e9dios para curar a doen\u00e7a da planta. Veneno para quem? Para um inseto, uma praga, uma doen\u00e7a. N\u00e3o para o humano\u201d, afirmou em reuni\u00e3o deliberativa da Comiss\u00e3o, em 16 de maio de 2018. <\/p>\n<p>Membros da bancada ruralista criticaram diversas vezes o que chamam de \u201cvi\u00e9s ideol\u00f3gico\u201d do debate. <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre em uma nova aba)\" href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/camaranoticias\/noticias\/MEIO-AMBIENTE\/543153-PARLAMENTARES-COBRAM-DEBATE-SEM-IDEOLOGIA-SOBRE-A-PROIBICAO-DE-AGROTOXICOS.html\" target=\"_blank\">Em audi\u00eancia p\u00fablica em setembro de 2017<\/a>, Valdir Colatto e Adilton Sachetti (PSB-MT) criticaram a aus\u00eancia de cientistas com posi\u00e7\u00f5es divergentes sobre os efeitos dos agrot\u00f3xicos. <\/p>\n<p>Por outro lado, os termos defendidos pela bancada ruralista recebem uma enxurrada de cr\u00edticas desde a instaura\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Especial. \u201cEst\u00e1 induzindo a popula\u00e7\u00e3o brasileira ao erro, dizendo-lhe \u2018isto aqui n\u00e3o tem mais veneno, agora tem produto fitossanit\u00e1rio. Pode beber; pode usar! N\u00e3o h\u00e1 mais problema\u201d, argumentou o deputado federal Chico Alencar (Psol-RJ) na Comiss\u00e3o em maio do ano passado. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/5-1-800x524.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37820\" \/><figcaption><strong>Valdir Colatto (MDB-SC) \u00e9 um dos defensores da mudan\u00e7a de terminologia. Foto: Andre Oliveira\/C\u00e2mara dos Deputados<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Depois das cr\u00edticas, o relator da comiss\u00e3o, <a href=\"http:\/\/www.camara.leg.br\/Internet\/deputado\/Dep_Detalhe.asp?id=5310410\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre em uma nova aba)\">Luiz Nishimori<\/a> (PR-PR), adicionou o termo \u201cpesticida\u201d ao texto votado. \u201c\u00c9 o termo usado em todos os pa\u00edses, menos aqui. Queremos modernizar o nosso projeto e todo o setor, e isso passa pela altera\u00e7\u00e3o do nome\u201d, explica o deputado \u00e0 reportagem. Para Nishimori, a terminologia \u201cagrot\u00f3xico\u201d traz uma imagem negativa ao produto. \u201cPensamos esse projeto n\u00e3o s\u00f3 para o agricultor, mas tamb\u00e9m para o consumidor final. Dizer que vai passar agrot\u00f3xico ou veneno no produto dele n\u00e3o fica bem. \u2018Pesticida\u2019 seria bem habituado, e \u00e9 esse o atual modelo usado no mundo\u201d.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio de Nishimori, aprovado pela Comiss\u00e3o em junho do ano passado, indicou o termo \u201cpesticida\u201d para tornar-se a nomenclatura oficial do Brasil. Por\u00e9m, segundo o relator, o texto volta para debate no plen\u00e1rio e depois no Senado. Por isso, ainda h\u00e1 chance dos termos \u201cdefensivo fitossanit\u00e1rio\u201d ou \u201cagr\u00edcola\u201d voltarem ao debate. <\/p>\n<h1>Defensivo agr\u00edcola \u00e9 ideol\u00f3gico, diz estudo<\/h1>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ucs.br\/etc\/conferencias\/index.php\/IIsimposioinovacaoagronegocio\/simposioinovacaoagronegocioucs\/paper\/viewFile\/4653\/1480\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre em uma nova aba)\">Um estudo realizado<\/a> pela equipe do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Administra\u00e7\u00e3o da Universidade de Caxias do Sul descobriu que o uso do termo \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d carrega mais vi\u00e9s ideol\u00f3gico do que a palavra que ele pretende substituir. <\/p>\n<p>O trabalho foi feito por seis professores e investigou a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Disserta\u00e7\u00f5es entre os anos 2005 e 2015 que utilizavam os termos \u201cagrot\u00f3xico\u201d e \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d. A investiga\u00e7\u00e3o constatou a exist\u00eancia de quatro teses e 16 disserta\u00e7\u00f5es com o uso da nomenclatura \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d. <\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/ma\u0301quina-agri\u0301cola-usada-para-pulverizac\u0327a\u0303o-em-lavouras-Henry-Milleo-_-Age\u0302ncia-Pu\u0301blica_Repo\u0301rter-Brasil-1-1-800x534.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37161\" \/><figcaption><strong>O termo agrot\u00f3xico tem origem do grego: \u00e1gros (campo) e toxicon (veneno). Foto: Henry Milleo\/ Ag\u00eancia P\u00fablica\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/strong><br \/> <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u201cNa an\u00e1lise destas 20 publica\u00e7\u00f5es com o termo \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d, 15 publica\u00e7\u00f5es, o que representa 75%, utilizaram o termo com conota\u00e7\u00e3o primordialmente positiva\u201d, apontou o trabalho. <\/p>\n<p>Os pesquisadores conclu\u00edram que o motivo do emprego do termo \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d n\u00e3o s\u00e3o d\u00favidas sobre qual express\u00e3o \u00e9 correta, mas sim \u201cuma tend\u00eancia antiga ligada aos interesses da ind\u00fastria e do com\u00e9rcio de agrot\u00f3xicos em valorizar os aspetos positivos em defesa dos cultivares e da produtividade; deste modo, permanece uma confus\u00e3o para os agricultores, os consumidores e a sociedade em geral\u201d. <\/p>\n<h1>Avalia\u00e7\u00e3o internacional<\/h1>\n<p>Nem mesmo outros pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa usam o termo \u201cagrot\u00f3xico\u201d como terminologia oficial. Em Portugal, \u201cpesticida\u201d \u00e9 o principal nome oficial, mas a palavra \u201cagrot\u00f3xico\u201d tamb\u00e9m \u00e9 constantemente utilizada. <\/p>\n<p>Com o passar dos anos e o impacto do grande uso de venenos no Brasil, a express\u00e3o passou a ser conhecida por estudiosos e especialistas de outras na\u00e7\u00f5es, ganhando at\u00e9 varia\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas (agrotoxicants) e espanhol (agrot\u00f3xico). <\/p>\n<p>Entre os latinos, a express\u00e3o brasileira chega a ser elogiada. \u201cO termo \u2018agrot\u00f3xico\u2019 descreve que s\u00e3o produtos t\u00f3xicos e qu\u00edmicos, e na nossa vis\u00e3o traz um hist\u00f3rico de mudan\u00e7a para a eufem\u00edstica agr\u00edcola. Termos como \u2018defensivo\u2019 invisibilizam o efeito letal sobre organismos vivos que o produto tem\u201d, explica Fernando Bejarano, diretor da Rede de A\u00e7\u00e3o sobre Pesticidas e Alternativas do M\u00e9xico (Rapam). <\/p>\n<p>Fernando Bejarano conta que debate semelhante ao brasileiro est\u00e1 ocorrendo no M\u00e9xico. Por l\u00e1, a associa\u00e7\u00e3o Prote\u00e7\u00e3o de Cultivos, Ci\u00eancia e Tecnologia A.C. (Proccyt), defensora do uso de agrot\u00f3xicos, se apresenta como \u201cind\u00fastria para a prote\u00e7\u00e3o de cultivos\u201d. E tamb\u00e9m luta para substituir o termo \u201cpraguicida\u201d pelo mais suave \u201cagroqu\u00edmico\u201d. <\/p>\n<\/p>\n<p>Esta reportagem faz parte do projeto Por Tr\u00e1s do Alimento, uma parceria da Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil para investigar o uso de agrot\u00f3xicos. A cobertura completa est\u00e1 no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/portrasdoalimento.info\/\" target=\"_blank\">site do projeto.<\/a> <\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/01\/agrotoxico-veneno-defensivo-entenda-a-disputa-pelo-nome-desses-produtos-agricolas\/\">Agrot\u00f3xico, veneno, defensivo? Entenda a disputa pelo nome desses produtos agr\u00edcolas<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Congresso Nacional deve decidir este ano se o nome \u201cagrot\u00f3xico\u201d ser\u00e1 banido ou n\u00e3o do pa\u00eds. Caso o Projeto de Lei (PL) 6.299\/2002, conhecido pelos opositores como \u201cPacote do Veneno\u201d, seja aprovado, o termo ser\u00e1 substitu\u00eddo nos documentos oficiais e nas embalagens dos produtos mandatoriamente por \u201cpesticida\u201d, \u201cdefensivo agr\u00edcola\u201d ou \u201cdefensivo fitossanit\u00e1rio\u201d. 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