{"id":15812,"date":"2019-01-22T15:43:35","date_gmt":"2019-01-22T17:43:35","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/brasil-aposta-em-expansao-dos-mercados-externos\/"},"modified":"2019-01-22T15:43:35","modified_gmt":"2019-01-22T17:43:35","slug":"brasil-aposta-em-expansao-dos-mercados-externos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/brasil-aposta-em-expansao-dos-mercados-externos\/","title":{"rendered":"Brasil aposta em expans\u00e3o dos mercados externos"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><i><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-right\" height=\"333\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/560f4638-1965-4060-b94c-90b29b93ec2c\" width=\"491\" \/><\/i><\/p>\n<p>Crises de refugiados, guerras comerciais, amea\u00e7as militares e falta de confian\u00e7a entre as principais pot\u00eancias mundiais. O novo governo brasileiro que tomou posse em janeiro ter\u00e1 pela frente um cen\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico inst\u00e1vel e delicado nas rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>O panorama favor\u00e1vel que beneficiou outros governos no passado recente j\u00e1 n\u00e3o existe mais. A nova realidade global vai exigir muita aten\u00e7\u00e3o. A pol\u00edtica externa deixou de ser um tema secund\u00e1rio para os presidentes em in\u00edcio de mandato. O momento \u00e9 outro e o mundo de hoje exige bastante profissionalismo.<\/p>\n<p>\u00c9 o que lembra o professor Celso Lafer, ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores no governo Fernando Henrique. Para ele, o momento delicado que vivemos requer lideran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 Ningu\u00e9m pode viver hoje em dia em isolamento. \u00c9 preciso ter um presidente da Rep\u00fablica que saiba o que \u00e9 o mundo e saiba como orientar o Brasil no mundo.<\/p>\n<p>O novo presidente da Rep\u00fablica ter\u00e1 pela frente a tarefa de aproximar polos contr\u00e1rios. Os antagonismos da pol\u00edtica interna alcan\u00e7aram, de forma quase in\u00e9dita, os rumos da pol\u00edtica externa do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Como mostraram os recentes debates na comiss\u00e3o de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores e Defesa Nacional do Senado, de um lado est\u00e3o os que defendem prioridade \u00e0s rela\u00e7\u00f5es com os pa\u00edses do chamado sul global. De outro os que preferem voltar a sua aten\u00e7\u00e3o a pa\u00edses de maior peso econ\u00f4mico.<\/p>\n<h3><strong>Unilateralismo<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-left\" height=\"304\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/5d23327a-4ca4-4209-ad8f-4a7aa795fea8\" width=\"449\" \/>O novo governo brasileiro come\u00e7a no momento em que o mundo se torna um lugar menos est\u00e1vel, especialmente depois da posse do presidente norte-americano Donald Trump, em janeiro de 2017. Trump tem dito que n\u00e3o teme uma guerra comercial com potenciais concorrentes e j\u00e1 retirou seu pa\u00eds de importantes conquistas internacionais, como o Acordo de Paris sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O unilateralismo de Trump vai exigir muita reflex\u00e3o do governo brasileiro, como alerta o professor Alexandre Uehara, doutor em ci\u00eancia pol\u00edtica pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP):<\/p>\n<p>\u2014 Creio que o presidente Trump tem causado v\u00e1rias ondas de instabilidade. As sobretarifas que ele estabeleceu causaram bastante dist\u00farbio e isso tamb\u00e9m vai ser um desafio para o Brasil.<\/p>\n<p>As d\u00favidas que surgem no cen\u00e1rio internacional levam alguns especialistas a se questionar se n\u00e3o estamos vivendo um momento de ruptura pol\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o a modelos que est\u00e3o em funcionamento desde o fim da segunda guerra mundial.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/imagens\/trump\" title=\"trump\" height=\"282\" width=\"415\" alt=\"trump\" class=\"image-right\" \/>Essa preocupa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 no radar do Pal\u00e1cio do Planalto. Para Hussein Kalout, secret\u00e1rio de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica no governo Temer, \u00e9 momento de o pa\u00eds se colocar diante do mundo nesse novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds que dever\u00e1 operar \u00e0 deriva dos principais temas da agenda internacional. O Brasil talvez seja um dos pa\u00edses mais comprometidos com o sistema multilateral. Um dos desafios do novo presidente \u00e9 repensar a nossa moldura de inser\u00e7\u00e3o internacional no mundo e como ela pode trazer resultados efetivos al\u00e9m dos ret\u00f3ricos \u00e0 sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial do Com\u00e9rcio (OMC), as trocas globais devem registrar um aumento de apenas 3,7% em 2019, dando continuidade a uma desacelera\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorrida no ano passado. Este cen\u00e1rio j\u00e1 seria resultado de medidas protecionistas em vigor que afetam o fluxo de importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es em todo o mundo.<\/p>\n<p>Os especialistas ainda se dividem quanto \u00e0s perdas e ganhos dessa situa\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds. Uma coisa, por\u00e9m, \u00e9 certa: o Brasil precisa aumentar a sua participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio global. \u00c9 o que prop\u00f5e a Secretaria de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, em estudo divulgado em 2018. Segundo o documento, o com\u00e9rcio exterior representa apenas 25% do Produto Interno Bruto do Brasil \u2014 o que coloca o pa\u00eds entre os mais fechados do mundo.<img decoding=\"async\" class=\"image-left\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/84e4ef5d-39be-479d-a50c-949d32f6656a\" \/><\/p>\n<p>Segundo o estudo da secretaria, o Brasil tamb\u00e9m deve importar mais. Com isso alcan\u00e7aria dois objetivos: reduzir pre\u00e7os internos e ingressar nas chamadas cadeias globais de valor, em que cada parte de um bem \u00e9 produzida onde h\u00e1 mais efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Uma parte do esfor\u00e7o para garantir nossas exporta\u00e7\u00f5es deve ser feita aqui mesmo no Brasil, segundo o ex-ministro Celso Lafer:<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil na \u00e1rea agr\u00edcola \u00e9 uma grande pot\u00eancia. E n\u00f3s somos uma grande pot\u00eancia, primeiro por conta dos investimentos que fizemos em tecnologia e pesquisa que fizeram que o nosso agroneg\u00f3cio tivesse a qualidade que tem.\u00a0 Agora, porque cresceu e porque \u00e9 importante, enfrenta resist\u00eancias e protecionismo. E precisa lidar com essas resist\u00eancias, em primeiro lugar cuidando dos problemas internos, das normas t\u00e9cnicas, das medidas zoofitossanit\u00e1rias, que s\u00e3o hoje o mecanismo pelo qual o protecionismo se exerce no mundo.<\/p>\n<p>As exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas t\u00eam obtido cada vez mais import\u00e2ncia, como observa o especialista em agroneg\u00f3cio Marcos Jank:<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/imagens\/agricultura\" title=\"agricultura\" height=\"339\" width=\"501\" alt=\"agricultura\" class=\"image-right\" \/><\/p>\n<p>\u2014 As exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas brasileiras tem crescido em torno de 10% ao ano nos \u00faltimos dez anos. A gente passou de US$ 20 bilh\u00f5es exportados em 2000 para US$ 100 bilh\u00f5es atualmente. A gente teve um \u00f3timo desempenho se formos olhar o per\u00edodo todo.<\/p>\n<p>Para Jank, o crescimento das exporta\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas vai ocorrer em toda \u00c1sia \u2014 e n\u00e3o apenas na China. O pr\u00f3ximo governo, segundo ele, deveria olhar com carinho para toda a regi\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje, 30% da exporta\u00e7\u00e3o do agroneg\u00f3cio \u00e9 para a China e \u00e9 basicamente soja. Mas outros 20% da exporta\u00e7\u00e3o do agro s\u00e3o para o resto da \u00c1sia sem China. E esse resto da \u00c1sia sem China j\u00e1 \u00e9 mais importante para a gente do que a pr\u00f3pria Europa, que no passado foi o nosso grande comprador.<\/p>\n<h3><strong>Am\u00e9rica do Sul<\/strong><\/h3>\n<p>Na hora de definir estrat\u00e9gias de pol\u00edtica externa, o novo governo brasileiro dever\u00e1 manter a prioridade para a Am\u00e9rica do Sul. Mas ter\u00e1 de adaptar a sua pol\u00edtica a um novo momento na regi\u00e3o, marcado pela crise econ\u00f4mica na Argentina e pelo colapso pol\u00edtico da Venezuela, entre outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>\u2014 A integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul est\u00e1 inscrita na Constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o artigo 4\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o. \u00c9 por isso que todos os governos depois da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 investiram em apoiar a integra\u00e7\u00e3o latino-americana. O novo governo\u00a0 ter\u00e1 suas prioridades, mas como todo governo respeita a Constitui\u00e7\u00e3o, eu entendo que tamb\u00e9m a integra\u00e7\u00e3o seguir\u00e1 sendo uma prioridade \u2013 lembra o embaixador Ant\u00f4nio Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>Como lembra Sim\u00f5es, que ser\u00e1 embaixador brasileiro em Montevid\u00e9u, as mudan\u00e7as poder\u00e3o atingir a Unasul (Uni\u00e3o de Na\u00e7\u00f5es Sul-Americanas) e a Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), \u00f3rg\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o regional criado em 2010.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/imagens\/mercosul\" title=\"mercosul\" height=\"282\" width=\"415\" alt=\"mercosul\" class=\"image-left\" \/><\/p>\n<p>\u2014 A Celac e a Unasul tiveram um papel muito importante num determinado momento. Hoje a realidade internacional mudou, ent\u00e3o \u00e9 importante que a gente tamb\u00e9m saiba se adaptar a isso.<\/p>\n<p>E o Mercosul? Como deve ficar a rela\u00e7\u00e3o entre o Brasil e seus s\u00f3cios no Mercado Comum do Sul? Na opini\u00e3o do ex-ministro Celso Lafer, o grupo vive um bom momento.<\/p>\n<p>\u2014 Eu acho que h\u00e1 muita converg\u00eancia com a Argentina, o que \u00e9 muito positivo. Eu acho que tanto o Uruguai quanto o Paraguai, por gravita\u00e7\u00e3o natural, se sentir\u00e3o \u00e0 vontade com essa nova fase din\u00e2mica do Mercosul, que eu acho que caminha como deveria caminhar para ser um campo de converg\u00eancia econ\u00f4mica muito mais do que qualquer outra coisa. E eu vejo isso como algo positivo que est\u00e1 no horizonte nosso.<\/p>\n<p>O Mercosul ter\u00e1 pela frente, em breve, um momento decisivo: a assinatura de um acordo de associa\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia, um imenso conglomerado de 28 pa\u00edses e mais de 500 milh\u00f5es de habitantes. O acordo est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o h\u00e1 20 anos.<\/p>\n<p>\u2014 Eu acho que o acordo com a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 um acordo estrat\u00e9gico. Eu sempre tive certa relut\u00e2ncia em abrir [o acordo] sem contrapartidas suficientes, mas nesse momento eu acho que j\u00e1 estamos num n\u00edvel de interesse rec\u00edproco muito elevado e a maturidade para que isso seja conclu\u00eddo est\u00e1 dada e eu espero que isso possa ser conclu\u00eddo proximamente \u2014 explica o diplomata Roberto Jaguaribe.<\/p>\n<p>Para Jaguaribe, que j\u00e1 comandou a Ag\u00eancia Brasileira de Promo\u00e7\u00e3o de Exporta\u00e7\u00f5es e Investimentos (Apex-Brasil), \u00e9 importante para o Brasil uma Europa forte.<\/p>\n<p>\u2014 A Europa tem sido um ator fundamental para dar equil\u00edbrio a esse contexto. Ela se v\u00ea enfraquecida agora em fun\u00e7\u00e3o de algumas quest\u00f5es internas e tamb\u00e9m de algumas quest\u00f5es externas, mas para o Brasil \u00e9 importante que a Europa volte a se fortalecer e volte a atuar de forma s\u00f3bria e racional no contexto internacional, juntando-se a outros atores que est\u00e3o presentes a\u00ed.<\/p>\n<h3><strong>China e \u00c1sia<\/strong><\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-right\" height=\"334\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/ebce09f8-0ac6-42f9-9430-97256ee2a184\" width=\"494\" \/>Na opini\u00e3o de especialistas em rela\u00e7\u00f5es internacionais, o pr\u00f3ximo governo dever\u00e1 ter uma pol\u00edtica externa espec\u00edfica para a \u00c1sia e dever\u00e1 ser cuidadoso ao estabelecer o tipo de rela\u00e7\u00e3o que pretende com a China, maior parceiro comercial do Brasil.<\/p>\n<p>\u2014 O Brasil n\u00e3o pode se desligar dessas pot\u00eancias emergentes em hip\u00f3tese nenhuma, at\u00e9 porque os \u00fanicos recursos que est\u00e3o realmente entrando no pa\u00eds v\u00eam dessas rela\u00e7\u00f5es, mas o Brasil deve sobretudo ter uma atitude tamb\u00e9m de negocia\u00e7\u00e3o mais incisiva. Assim como n\u00e3o devemos nos subordinar a uma demanda norte-americana pura e simplesmente, n\u00f3s n\u00e3o podemos aceitar a primeira oferta chinesa. <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-left\" height=\"330\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/b695bcf0-e484-4f97-8f27-42f79b470988\" width=\"347\" \/>Eu acho que o Brasil tem que negociar \u2013 pondera Paulo Visentini, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da UFRGS.<\/p>\n<p>Para o especialista do N\u00facleo de Pesquisas em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais\u00a0da USP, Alexandre Uehara, a defini\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica externa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 segunda pot\u00eancia global deve levar em conta as opini\u00f5es de empres\u00e1rios e acad\u00eamicos.<\/p>\n<p>\u2014 O setor empresarial, o governo e tamb\u00e9m o setor acad\u00eamico pode contribuir em estabelecer quais s\u00e3o de fato os interesses nacionais do pa\u00eds, estabelecendo metas de m\u00e9dio e longo prazo. Para a\u00ed sim poder definir qual tipo de rela\u00e7\u00e3o que n\u00f3s queremos com a China. Enquanto n\u00e3o tivermos claro quais s\u00e3o nossos interesses, nossos objetivos, fica muito dif\u00edcil para o presidente [da Rep\u00fablica], seja ele quem for, estabelecer qual o padr\u00e3o de relacionamento melhor ou ideal para o Brasil.<\/p>\n<h3><strong>Brics<\/strong><\/h3>\n<p>Completou dez anos, em 2018, a mais bem sucedida experi\u00eancia recente de unir os chamados pa\u00edses emergentes: o Brics. Em uma reuni\u00e3o realizada em Joanesburgo, os l\u00edderes de Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul celebraram o anivers\u00e1rio do bloco com uma forte defesa do multilateralismo, em tempos de guerras comerciais.<\/p>\n<p>O encontro dos pa\u00edses emergentes ocorre anualmente. Como anfitri\u00e3o, em 2019, o Brasil poder\u00e1 ter maior influ\u00eancia na defini\u00e7\u00e3o da agenda. Mas como ser\u00e1 a rela\u00e7\u00e3o do pa\u00eds com o Brics no futuro governo? A import\u00e2ncia desse encontro \u00e9 ressaltada pelo professor Oliver Stuenkel, da FGV, especialista no tema.<\/p>\n<p>\u2014 Isso \u00e9 uma grande oportunidade para enfatizar quais os temas principais a serem discutidos nesse grupo, que tem uma import\u00e2ncia grande para estabilizar a ordem internacional, sobretudo diante fragilidade que se cria hoje no Ocidente em fun\u00e7\u00e3o da atua\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel dos Estados Unidos.<\/p>\n<h3><strong>\u00c1frica<\/strong><\/h3>\n<p>A d\u00e9cima reuni\u00e3o do Brics teve forte presen\u00e7a africana. A \u00c1frica do Sul foi o \u00faltimo pa\u00eds a ingressar no grupo. Mas procurou demonstrar no encontro a pujan\u00e7a do continente. Para diversos especialistas brasileiros, o pr\u00f3ximo governo deveria aprofundar a pol\u00edtica de aproxima\u00e7\u00e3o com a \u00c1frica.<\/p>\n<p>\u2014 A \u00c1frica \u00e9 um continente que tem tido um crescimento econ\u00f4mico muito grande e que teria um interesse em ter rela\u00e7\u00f5es com o Brasil, at\u00e9 porque o Brasil n\u00e3o tem a mesma atitude das grandes pot\u00eancias que buscam mat\u00e9rias primas ou que buscam impor poder sobre a \u00c1frica. N\u00f3s n\u00e3o temos nem condi\u00e7\u00f5es e nem vontade de impor nada aos africanos. E faz parte do nosso entorno. Se n\u00f3s queremos ter seguran\u00e7a, estabilidade, etc, n\u00f3s devemos prestar muita aten\u00e7\u00e3o na \u00c1frica \u2014 afirma Vicentini.<\/p>\n<p>A postura que o Brasil vier a adotar a partir deste ano \u00e9 que dever\u00e1 dar forma a esse modelo de relacionamento.\u00a0 A quest\u00e3o \u00e9 se nosso pa\u00eds poder\u00e1 ser acusado de um novo tipo de colonialismo.<\/p>\n<p>\u2014 A cr\u00edtica que os africanos est\u00e3o fazendo \u00e9 que as empresas do Brasil fazem extra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria prima e n\u00e3o fazem investimento na ind\u00fastria, ent\u00e3o n\u00e3o desenvolvem os pa\u00edses africanos. Mais adequado seria investir naquilo que cria emprego, portanto naquilo que cria renda. \u00c9 dar aumento do n\u00edvel de vida local e maior capacidade de participa\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio internacional. Essa que \u00e9 a estrat\u00e9gia inteligente \u2014 reflete Jos\u00e9 Manuel Gon\u00e7alves, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da UFF.<\/p>\n<p>Anal\u00facia Danilevicz Pereira, professora da UFRGS, ressalta que a \u00c1frica tem uma import\u00e2ncia geopol\u00edtica especial para o Brasil, com quem compartilha o Atl\u00e2ntico Sul.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 importante pensar que a \u00c1frica \u00e9 sim uma fronteira para o Brasil se n\u00f3s considerarmos o espa\u00e7o do Atl\u00e2ntico Sul e tudo o que esse espa\u00e7o representa no sentido de garantias ou recursos de desenvolvimento nas duas margens do oceano.<\/p>\n<h3><strong>Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/h3>\n<p>Outro espa\u00e7o geogr\u00e1fico que tem estado no radar de pesquisadores brasileiros \u00e9 o Oriente M\u00e9dio. Onde muitos veem apenas crises pol\u00edticas, alguns observadores identificam boas oportunidades.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/imagens\/itamaraty\" title=\"itamaraty\" height=\"281\" width=\"415\" alt=\"itamaraty\" class=\"image-left\" \/>\u2014 O Brasil vem atuando nos \u00faltimos dez anos no Oriente M\u00e9dio, principalmente no ponto de vista econ\u00f4mico. A gente j\u00e1 \u00e9 um dos principais exportadores de carne <i>hallal<\/i>, que \u00e9 aquele corte feito atrav\u00e9s de preceitos isl\u00e2micos. Ent\u00e3o, existe um mercado muito grande que o Brasil est\u00e1 entendendo que pode atuar. A partir de 2019, tamb\u00e9m com a economia brasileira dando sinais de recupera\u00e7\u00e3o, a gente pode atuar de maneira mais direta, abrindo esses canais de venda, seja de commodities, seja de carne, com pa\u00edses do Golfo, com pa\u00edses do Oriente M\u00e9dio, e de uma maneira mais direta estabelecer essas rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas tamb\u00e9m no campo pol\u00edtico \u2014 diz Fernando Brancoli, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da UFRJ.<\/p>\n<p>Um tema parece consensual entre os especialistas: o Brasil tem bom tr\u00e2nsito no Oriente M\u00e9dio exatamente por manter rela\u00e7\u00f5es com todos os atores envolvidos.<\/p>\n<p>\u2014 S\u00f3 existe uma meia d\u00fazia de pa\u00edses no mundo que t\u00eam rela\u00e7\u00f5es com todos os demais. O Brasil \u00e9 um desses. O Brasil tem comunidades \u00e1rabes, comunidades judaicas, que convivem aqui pacificamente e eu acho que temos cacife sim para estarmos presente l\u00e1. Por exemplo, se a oferta brasileira causou tanto furor numa \u00e9poca em que se prop\u00f4s alguma coisa sobre o programa nuclear iraniano, \u00e9 porque outras pot\u00eancias queriam ter proposto. Sabotaram a nossa e aprovaram a deles \u2014 frisou Paulo Vicentini.<\/p>\n<h3><strong>Defesa<\/strong><\/h3>\n<p>O novo governo brasileiro ter\u00e1 pela frente um mundo bastante inst\u00e1vel. Os riscos econ\u00f4micos j\u00e1 s\u00e3o conhecidos. Mas s\u00e3o pouco discutidos os riscos militares. Que tipo de amea\u00e7as podemos enfrentar nos pr\u00f3ximos anos? E que tipo de for\u00e7as armadas devemos ter para proteger o pa\u00eds dessas amea\u00e7as?<strong> <\/strong><\/p>\n<p>Muitos desafios na \u00e1rea de defesa parecem distantes, como os conflitos no Oriente M\u00e9dio, a expans\u00e3o da marinha da China e o lan\u00e7amento de m\u00edsseis pela Coreia do Norte. Mas eles contribuem para tornar o cen\u00e1rio global mais imprevis\u00edvel.<\/p>\n<p>Atualmente o Brasil gasta cerca de 1,5% de seu produto interno bruto com defesa. E a maior parte dessa despesa \u00e9 com pessoal ativo e inativo. Entre os parceiros do Brics, a China gasta 1,9% e a \u00cdndia, 2,5%. Por\u00e9m, o Brasil tem a seu favor uma regi\u00e3o mais pac\u00edfica.<\/p>\n<p>\u2014 A melhor coisa que a Am\u00e9rica do Sul pode fazer para o mundo \u00e9 continuar a tradi\u00e7\u00e3o de paz que ela tem e nesse sentido n\u00f3s somos uma regi\u00e3o singular. Aqui h\u00e1 uma tradi\u00e7\u00e3o de negocia\u00e7\u00e3o e de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos por meios diplom\u00e1ticos muito mais difundida \u2014 diz o especialista Ant\u00f4nio Ramalho, da UnB.<\/p>\n<p>Para o Ramalho, o governo Bolsonaro deveria investir em maior aproxima\u00e7\u00e3o entre as pol\u00edticas externa e de defesa, na coopera\u00e7\u00e3o com pa\u00edses vizinhos em forma\u00e7\u00e3o militar e na ind\u00fastria b\u00e9lica e na prepara\u00e7\u00e3o dos militares do futuro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"image-right\" height=\"282\" src=\"..\/..\/..\/..\/resolveuid\/9e28f275-a14e-48e6-ae8c-cf6139e0d608\" width=\"415\" \/>\u2014 Eu preciso ter for\u00e7as armadas profissionais e pessoas muito capazes que v\u00e3o operar sistemas complexos. Essas pessoas custam muito caro para se formar e para se reter, porque elas desenvolvem habilidades que tamb\u00e9m s\u00e3o muito apreciadas pela economia civil, por assim dizer. \u00c9 muito importante que n\u00f3s comecemos a pensar num modelo de militar que n\u00f3s queremos para o futuro e comecemos a j\u00e1 selecionar e formar os militares tendo em vista esse modelo \u2014esclarece.<\/p>\n<p>Em tempos de grandes dificuldades fiscais, que peso deve ter a defesa no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o, que \u00e9 aprovado pelo Congresso Nacional? Se o Brasil pretende se firmar no cen\u00e1rio mundial, o pa\u00eds n\u00e3o pode deixar o setor de lado.<\/p>\n<p>\u2014 Quando a gente fala em defesa, n\u00f3s temos que entender que estamos falando de uma base cient\u00edfica tecnol\u00f3gica industrial de defesa. Isso n\u00e3o s\u00f3 fortalece as nossas for\u00e7as armadas como tamb\u00e9m gera ci\u00eancia e tecnologia e gera emprego. E se n\u00f3s n\u00e3o fortalecermos o poder da defesa e o poder da intelig\u00eancia, n\u00f3s estaremos deixando flancos graves e que fragilizam a nossa seguran\u00e7a nacional \u2014 conclui o ex-secret\u00e1rio de Assuntos Estrat\u00e9gicos da Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, Hussein Kalout.<\/p>\n<p>Fonte: Senado Noticias Gerais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Crises de refugiados, guerras comerciais, amea\u00e7as militares e falta de confian\u00e7a entre as principais pot\u00eancias mundiais. O novo governo brasileiro que tomou posse em janeiro ter\u00e1 pela frente um cen\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico inst\u00e1vel e delicado nas rela\u00e7\u00f5es internacionais. O panorama favor\u00e1vel que beneficiou outros governos no passado recente j\u00e1 n\u00e3o existe mais. 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