{"id":15666,"date":"2019-01-18T16:30:52","date_gmt":"2019-01-18T18:30:52","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/governo-liberou-registros-de-agrotoxicos-altamente-toxicos\/"},"modified":"2019-01-18T16:30:52","modified_gmt":"2019-01-18T18:30:52","slug":"governo-liberou-registros-de-agrotoxicos-altamente-toxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/governo-liberou-registros-de-agrotoxicos-altamente-toxicos\/","title":{"rendered":"Governo liberou registros de agrot\u00f3xicos altamente t\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p>Quarenta novos produtos comerciais com agrot\u00f3xicos receberam permiss\u00e3o para chegar ao mercado nos pr\u00f3ximos dias. O Minist\u00e9rio da Agricultura publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o &nbsp;de 10 de janeiro o registro de 28 agrot\u00f3xicos e princ\u00edpios ativos. Entre eles um aditivo in\u00e9dito, o Sulfoxaflor, que j\u00e1 causa pol\u00eamica nos Estados Unidos. Os outros s\u00e3o velhos conhecidos do agricultor brasileiro, mas que agora passam a ser produzidos por mais empresas e at\u00e9 utilizados em novas culturas, entre elas a de alimentos. <\/p>\n<p>Na edi\u00e7\u00e3o desta sexta-feira (18\/1) do Di\u00e1rio Oficial, a Coordena\u00e7\u00e3o-Geral de Agrot\u00f3xicos e Afins do Minist\u00e9rio Agricultura publicou lista com mais 131 pedidos de registro de agrot\u00f3xicos solicitados nos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2018. Eles ainda passar\u00e3o por avalia\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas de tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os do governo. <\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pela reportagem apontam uma acelera\u00e7\u00e3o na permiss\u00e3o de novos registros, que estaria em &#8220;n\u00edvel desenfreado&#8221;.<\/p>\n<p>As autoriza\u00e7\u00f5es publicadas em 10 de janeiro foram aprovadas no ano passado, ainda durante o governo de Michel Temer (MDB). Nas duas primeiras semanas do governo Bolsonaro, mais 12 produtos receberam registro para serem comercializados, segundo apuraram a <strong>Ag\u00eancia P\u00fablica<\/strong> e a <strong>Rep\u00f3rter Brasil<\/strong>. A aprova\u00e7\u00e3o sair\u00e1 no Di\u00e1rio Oficial nos pr\u00f3ximos dias, diz o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento.<\/p>\n<p>Dos 28 produtos j\u00e1 publicados, um \u00e9 considerado extremamente t\u00f3xico, o Metomil, ingrediente ativo usado em agrot\u00f3xicos indicados para culturas como algod\u00e3o, batata, soja, couve e milho. Al\u00e9m dele, quatro foram classificados como altamente t\u00f3xicos. Quase todos s\u00e3o perigosos para o meio ambiente, segundo a classifica\u00e7\u00e3o oficial. Quatorze s\u00e3o \u201cmuito perigosos\u201d ao meio ambiente, e 12, considerados \u201cperigosos\u201d.<\/p>\n<p>Os mais t\u00f3xicos s\u00e3o o Metomil e o Imazetapir, o qual foi emitido registro para quatro empresas. Eles s\u00e3o princ\u00edpios ativos, ou seja, ingredientes para a produ\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos que ser\u00e3o vendidos aos produtores rurais.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/2-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37672\" \/><figcaption>A nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, recebeu o apelido de \u201cmusa do veneno\u201d. Foto: Antonio Cruz\/ Ag\u00eancia Brasil <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Apenas tr\u00eas fazem parte do grupo de baixa toxicidade, o menor n\u00edvel da classifica\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica: o Bio-Imune, Paclobutrazol 250 e o Excellence Mig-66, indicados para culturas de manga e at\u00e9 mesmo para a agricultura org\u00e2nica.<\/p>\n<p>Segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura, os produtos n\u00e3o trazem riscos se usados corretamente. \u201cDesde que utilizado de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es da bula, dentro das boas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas e com o equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual, a utiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 completamente segura\u201d, afirmou a assessoria de imprensa do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Dos 28 produtos com o registro publicado na \u00faltima semana, 18 s\u00e3o princ\u00edpios ativos e ser\u00e3o usados na produ\u00e7\u00e3o de outros defensivos agr\u00edcolas. Vinte e um deles s\u00e3o fabricados na China, pa\u00eds que vem se consolidando como um dos maiores produtores, exportadores e usu\u00e1rios de agrot\u00f3xicos do mundo.<\/p>\n<p>No ano passado, 450 agrot\u00f3xicos foram registrados no Brasil, um recorde hist\u00f3rico. Destes, apenas 52 s\u00e3o de baixa toxicidade.<\/p>\n<div class=\"infogram-embed\" data-id=\"897d4091-28ec-4c13-b32a-0dc7bf2096f2\" data-type=\"interactive\" data-title=\"Total de Agrot\u00f3xicos registrados por Ano\"><\/div>\n<p>!function(e,t,s,i){var n=&#8221;InfogramEmbeds&#8221;,o=e.getElementsByTagName(&#8220;script&#8221;)[0],d=\/^http:\/.test(e.location)?&#8221;http:&#8221;:&#8221;https:&#8221;;if(\/^\/{2}\/.test(i)&amp;&amp;(i=d+i),window[n]&amp;&amp;window[n].initialized)window[n].process&amp;&amp;window[n].process();else if(!e.getElementById(s)){var r=e.createElement(&#8220;script&#8221;);r.async=1,r.id=s,r.src=i,o.parentNode.insertBefore(r,o)}}(document,0,&#8221;infogram-async&#8221;,&#8221;https:\/\/e.infogram.com\/js\/dist\/embed-loader-min.js&#8221;);<\/p>\n<div style=\"padding:8px 0;font-family:Arial!important;font-size:13px!important;line-height:15px!important;text-align:center;border-top:1px solid #dadada;margin:0 30px\"><a href=\"https:\/\/infogram.com\/897d4091-28ec-4c13-b32a-0dc7bf2096f2\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important\" target=\"_blank\">Total de Agrot\u00f3xicos registrados por Ano<\/a><br \/><a href=\"https:\/\/infogram.com\" style=\"color:#989898!important;text-decoration:none!important\" target=\"_blank\" rel=\"nofollow\">Infogram<\/a><\/div>\n<h1>Sulfoxaflor ligado ao exterm\u00ednio de abelhas<\/h1>\n<p>Um produto pol\u00eamico fora do pa\u00eds \u00e9 o Sulfoxaflor, aprovado nos \u00faltimos dias do governo Temer, em 28 de dezembro, o \u00fanico novo qu\u00edmico entre os 40 que tiveram o registro publicado.<\/p>\n<p>O respons\u00e1vel pelo registro \u00e9 a Dow AgroSciences, que faz parte da gigante americana Dow Chemical Company. O produto entrou em circula\u00e7\u00e3o nos EUA em 2013. Dois anos depois, organiza\u00e7\u00f5es defensoras de polinizadores levaram ao Tribunal de Apela\u00e7\u00f5es de S\u00e3o Francisco a den\u00fancia de que o uso do pesticida estaria ligado ao exterm\u00ednio de abelhas. Eles solicitaram revis\u00e3o da permiss\u00e3o de comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO tribunal considerou que o registro n\u00e3o era apoiado por evid\u00eancias que demonstrassem que o produto n\u00e3o era prejudicial \u00e0s abelhas, e por isso retiraram o registro\u201d, relata a decis\u00e3o da Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental Americana (EPA). Em setembro daquele ano, o registro de todos os produtos \u00e0 base de Sulfoxaflor nos Estados Unidos foram cancelados devido ao potencial exterm\u00ednio de abelhas.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/1-800x533.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37671\" \/><figcaption>Nos \u00faltimos dias do governo Temer, foram aprovados 28 agrot\u00f3xicos e princ\u00edpios ativos. Foto: Antonio Cruz\/Ag\u00eancia Brasil <\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No ano seguinte, a ag\u00eancia americana deferiu uma nova licen\u00e7a para o produto, mas com ressalvas. \u201cO Sulfoxaflor ter\u00e1 agora menos usos e requisitos adicionais que proteger\u00e3o as abelhas. A EPA tomou essa decis\u00e3o ap\u00f3s uma an\u00e1lise cuidadosa dos coment\u00e1rios do p\u00fablico e do apoio cient\u00edfico\u201d, informou a ag\u00eancia. A partir da\u00ed, o produto passou a ser proibido para culturas de sementes e s\u00f3 pode ser utilizado em planta\u00e7\u00f5es que atraem abelhas ap\u00f3s a \u00e9poca do florescimento. Entre elas est\u00e3o uva, tomate, pimenta, batata, feij\u00e3o e cranberry.<\/p>\n<p>As avalia\u00e7\u00f5es da Anvisa e do Ibama classificaram o Sulfoxaflor como medianamente t\u00f3xico e perigoso ao Meio Ambiente. \u00c9 usado como ativo para agrot\u00f3xicos eficazes contra pragas de insetos que se alimentam de seiva da planta. Foi indicado para culturas de algod\u00e3o, soja, citros, nozes, uvas, batatas, legumes e morangos. <\/p>\n<p>A Dow AgroSciences abriu a solicita\u00e7\u00e3o de registro em 28 de junho de 2013, mas a aprova\u00e7\u00e3o do projeto s\u00f3 se apressou no fim de 2018. \u201cA Anvisa convocou consulta p\u00fablica para o produto no fim de novembro, que durou curt\u00edssimo tempo. Com isso, debateu-se pouco um ativo que nos Estados Unidos chegou a ser proibido por um tempo\u201d, explica Karen Friedrich, membro do grupo tem\u00e1tico de sa\u00fade e meio ambiente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco).<\/p>\n<p>A Anvisa abriu a<a href=\"http:\/\/portal.anvisa.gov.br\/documents\/10181\/5127900\/CONSULTA+P%C3%9ABLICA+N%C2%BA+571+GGTOX.pdf\/35bcdc3d-0911-406a-824d-95bf47deb44d\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\" (abre em uma nova aba)\"> consulta p\u00fablica<\/a> durante 30 dias em 23 de novembro de 2018. O deferimento do registro pelos tr\u00eas \u00f3rg\u00e3os ocorreu 35 dias depois.<\/p>\n<h1>Proibidos fora do pa\u00eds<\/h1>\n<p>Dos 40 registros aprovados no Brasil, 11 n\u00e3o s\u00e3o permitidos na Uni\u00e3o Europeia. Um deles \u00e9 o Fipronil, inseticida que age nas c\u00e9lulas nervosas dos insetos e, al\u00e9m de utilizado contra pragas em culturas de ma\u00e7\u00e3 e girassol, \u00e9 usado at\u00e9 mesmo em coleiras antipulgas de animais dom\u00e9sticos. O produto \u00e9 proibido em pa\u00edses europeus como a Fran\u00e7a, desde 2004, tamb\u00e9m acusado de dizimar enxames de abelhas. \u00c9 permitido no Brasil e, segundo o registro publicado no Di\u00e1rio Oficial, classificado como medianamente t\u00f3xico e muito perigoso ao meio ambiente. Ele \u00e9 legalizado e indicado para culturas de algod\u00e3o, arroz, cevada, feij\u00e3o, milho, pastagens, soja e trigo.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o das abelhas \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o direta entre a vida dos insetos e da humanidade. Na busca por p\u00f3len, elas polinizam planta\u00e7\u00f5es de frutas, legumes e gr\u00e3os. \u201cNa Fran\u00e7a, os api\u00e1rios registravam morte de cerca de 40% das abelhas, a partir da\u00ed pa\u00edses da Europa come\u00e7aram a proibir o Fipronil, que continua permitido no Brasil mesmo ap\u00f3s sofrermos impactos semelhantes\u201d, explica Murilo Souza, professor de recursos naturais do Cerrado na Universidade Estadual de Goi\u00e1s.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/5-800x600.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37675\" \/><figcaption>A subst\u00e2ncia Sulfoxaflor causou pol\u00eamicas e chegou a ser proibido nos Estados Unidos. Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Produtos \u00e0 base de Imazetapir, herbicida aplicado por pulveriza\u00e7\u00e3o em culturas como a da soja, tamb\u00e9m s\u00e3o proibidos na Uni\u00e3o Europeia desde 2004. Quatro deles tiveram registro deferido por aqui. O Diquate, que est\u00e1 entre os ativos aprovados no Brasil na \u00faltima semana, teve registro cassado na Uni\u00e3o Europeia no fim de 2018 ap\u00f3s comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o ter identificado alto risco para trabalhadores e residentes de \u00e1reas pr\u00f3ximas \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o do produto, al\u00e9m de risco para aves. [AA2] <\/p>\n<p>O Sulfentrazona foi banido em toda a Uni\u00e3o Europeia em 2009 e nunca chegou \u00e0s mesas do continente. &nbsp;J\u00e1 no Brasil, o registro foi deferido no fim do ano para as empresas brasileiras Tradecorp, Rotam e da Nortox \u2013 todas t\u00eam ind\u00fastrias na China como endere\u00e7o de fabricante. E neste ano, mais tr\u00eas permiss\u00f5es, agora para as empresas brasileiras Ihara, Allierbrasil e Helm.<\/p>\n<h1>Press\u00e3o para aprovar r\u00e1pido<\/h1>\n<p>Antes de chegar ao mercado, a subst\u00e2ncia precisa passar por avalia\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Agricultura, Ibama e da Anvisa. Os \u00f3rg\u00e3os fazem diversos testes para medir, por exemplo, o grau toxicol\u00f3gico e o potencial de periculosidade ambiental.<\/p>\n<p>O prazo de avalia\u00e7\u00e3o de registro pode chegar a cinco anos, mas vem se tornando mais r\u00e1pido. De acordo com o Ibama, a diminui\u00e7\u00e3o dos per\u00edodos de avalia\u00e7\u00e3o ocorre \u201cdevido ao aperfei\u00e7oamento de procedimentos e incorpora\u00e7\u00e3o de novos recursos de tecnologia de informa\u00e7\u00e3o\u201d, segundo a assessoria do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 no Minist\u00e9rio da Agricultura, a aprova\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida se deve a uma nova pol\u00edtica que prioriza os produtos de baixa toxicidade, que cont\u00eam organismos biol\u00f3gicos, microbiol\u00f3gicos, bioqu\u00edmicos, semioqu\u00edmicos ou extratos vegetais. Para estes, o tempo m\u00e9dio total entre o pedido de registro e a conclus\u00e3o do processo varia de tr\u00eas a seis meses. O que explica a r\u00e1pida aprova\u00e7\u00e3o do Bio-Imune e do Excellence Mig-66.<\/p>\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/4-800x531.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-37674\" \/><figcaption>Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O longo prazo de avalia\u00e7\u00e3o do registro \u00e9 uma das principais cr\u00edticas dos ruralistas, que apostam no Projeto de Lei 6.299\/2002 para acelerar a libera\u00e7\u00e3o das subst\u00e2ncias. Conhecido pelos opositores como \u201cPL do Veneno\u201d, uma das medidas previstas pelo texto \u00e9 que, caso o per\u00edodo de an\u00e1lise do qu\u00edmico passe de dois anos, o produto ganha o registro automaticamente.<\/p>\n<p>No momento, o Minist\u00e9rio da Agricultura, a Anvisa e o Ibama est\u00e3o avaliando o pedido de registro de mais 1.345 agrot\u00f3xicos e ingredientes ativos. Grande parte das empresas que querem vender esses produtos no Brasil \u00e9 do exterior, como Estados Unidos, Alemanha e, principalmente, a China.<\/p>\n<h1>Como &#8220;farm\u00e1cias em cada quadra&#8221;<\/h1>\n<p>Dos 40 produtos autorizados, 39 s\u00e3o ingredientes ativos ou pesticidas j\u00e1 permitidos no pa\u00eds. O pedido de registro de um produto anteriormente liberado \u00e9 comum, segundo quatro especialistas consultados pela reportagem. \u201cA partir do momento que as empresas produtoras iniciais pedem a patente, as demais come\u00e7am a solicitar registro para usar esses ingredientes ativos e produzir novos produtos agr\u00edcolas\u201d, explica Murilo Souza, da Universidade Estadual de Goi\u00e1s.<\/p>\n<p>Para Leonardo Melgarejo, vice-presidente da regional sul da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Agroecologia, a aprova\u00e7\u00e3o dos registros est\u00e1 em ritmo \u201cdesenfreado\u201d. \u201cTemos aprovadas varia\u00e7\u00f5es sobre o mesmo item. N\u00e3o precisamos de todos os produtos comerciais para uma mesma finalidade. Estamos chegando perto do lance da \u2018automedica\u00e7\u00e3o\u2019, com duas farm\u00e1cias em cada quadra, todas vendendo variantes das mesmas drogas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para o professor Murilo Souza, \u00e9 surpreendente a rapidez com que as aprova\u00e7\u00f5es v\u00eam ocorrendo. Ele critica tamb\u00e9m o fato de que produtos originalmente aprovados para determinada cultura sejam liberados para outras. \u201cA maioria dos produtos s\u00e3o testados apenas em planta\u00e7\u00f5es de grande escala, como soja, algod\u00e3o e cana de a\u00e7\u00facar. Poucas pesquisas s\u00e3o feitas para entender os impactos nas culturas menores\u201d, explica.<\/p>\n<p><em>Nota da reda\u00e7\u00e3o: a mat\u00e9ria foi atualizada \u00e0s 18 horas para corre\u00e7\u00e3o dos nomes dos princ\u00edpio ativos mais t\u00f3xicos, que s\u00e3o o o Metomil e o Imazetapir. O Imazetapir Sapec, Imazetapir N e Imazetapir Proventis s\u00e3o as marcas comerciais, desses mesmos ingredientes, que foram aprovadas na \u00faltima semana<\/em><\/p>\n<\/p>\n<p>Esta reportagem faz parte do projeto Por Tr\u00e1s do Alimento, uma parceria da Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil para investigar o uso de agrot\u00f3xicos. A cobertura completa est\u00e1 no <a rel=\"noreferrer noopener\" aria-label=\"site do projeto. (abre em uma nova aba)\" href=\"https:\/\/portrasdoalimento.info\/\" target=\"_blank\">site do projeto.<\/a><\/p>\n<\/p>\n<p><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2019\/01\/governo-liberou-registros-de-agrotoxicos-altamente-toxicos\/\">Governo liberou registros de agrot\u00f3xicos altamente t\u00f3xicos<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<\/p>\n<p>Fonte: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarenta novos produtos comerciais com agrot\u00f3xicos receberam permiss\u00e3o para chegar ao mercado nos pr\u00f3ximos dias. O Minist\u00e9rio da Agricultura publicou no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o &nbsp;de 10 de janeiro o registro de 28 agrot\u00f3xicos e princ\u00edpios ativos. Entre eles um aditivo in\u00e9dito, o Sulfoxaflor, que j\u00e1 causa pol\u00eamica nos Estados Unidos. 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