{"id":14228,"date":"2018-12-13T11:50:10","date_gmt":"2018-12-13T13:50:10","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/multinacional-e-condenada-por-morte-de-trabalhador-contaminado-por-agrotoxicos\/"},"modified":"2018-12-13T11:50:10","modified_gmt":"2018-12-13T13:50:10","slug":"multinacional-e-condenada-por-morte-de-trabalhador-contaminado-por-agrotoxicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/multinacional-e-condenada-por-morte-de-trabalhador-contaminado-por-agrotoxicos\/","title":{"rendered":"Multinacional \u00e9 condenada por morte de trabalhador contaminado por agrot\u00f3xicos"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Gerlene Silva dos Santos escolhe as menores frutas quando vai ao mercado em Limoeiro do Norte, Cear\u00e1. Quanto mais imperfeita, melhor. Os abacaxis agigantados, desses que chamam a aten\u00e7\u00e3o dos outros clientes, lhe trazem a mem\u00f3ria do &#8220;olhar amarelado&#8221; do marido. Foi o primeiro de uma s\u00e9rie de sintomas que tiraram a vida dele um m\u00eas depois de ser internado no hospital universit\u00e1rio de Fortaleza, em novembro de 2008.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo laudo m\u00e9dico, a causa da morte de Vanderlei Matos da Silva foi \u201chepatopatia grave de prov\u00e1vel etiologia induzida por subst\u00e2ncias t\u00f3xicas\u201d. Traduzindo: \u201cdoen\u00e7a do f\u00edgado gerada por subst\u00e2ncias qu\u00edmicas\u201d, explica Ada Pontes Aguiar, m\u00e9dica da Universidade Federal do Cear\u00e1 que participou das investiga\u00e7\u00f5es sobre a morte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vanderlei trabalhava com os agrot\u00f3xicos da multinacional norte-americana Del Monte Fresh Produce. A maior vendedora de abacaxis do mundo. Por mais de tr\u00eas anos, foi o respons\u00e1vel por estocar, pesar e transportar esses produtos dentro da fazenda da empresa, na regi\u00e3o rural de Limoeiro do Norte, no Cear\u00e1.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36859\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36859\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/00017.00_11_33_00.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Gerlene perdeu o marido h\u00e1 dez anos e ainda n\u00e3o recebeu indeniza\u00e7\u00e3o. Ele trabalhava com agrot\u00f3xicos dentro da multinacional Del Monte. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dez anos depois, Gerlene ainda se abala ao narrar os sintomas de fal\u00eancia do corpo do marido. Sua respira\u00e7\u00e3o fica curta, as m\u00e3os tremem. Seu filho, hoje com 11 anos, n\u00e3o esconde a ansiedade. Faz m\u00edmicas para a m\u00e3e encerrar a entrevista, reclama de dor de cabe\u00e7a.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas detalhar o quadro cl\u00ednico de Vanderlei foi o que fez a hist\u00f3ria dele virar um marco. \u201cO caso \u00e9 ic\u00f4nico, foi a primeira vez que se conseguiu mostrar evid\u00eancia cient\u00edfica, dentro de um processo judicial, ligando o agrot\u00f3xico ao desenvolvimento da doen\u00e7a que levou a morte de trabalhador\u201d, afirma Ranielle Carolina de Sousa, pesquisadora da Universidade Federal de Goi\u00e1s, onde faz pesquisa de doutorado sobre a atua\u00e7\u00e3o do judici\u00e1rio em conflitos envolvendo agrot\u00f3xicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao contr\u00e1rio de quando o trabalhador passa mal depois de uma contamina\u00e7\u00e3o intensa, s\u00e3o raros os casos em que a medicina demonstra o efeito do contato prolongado. A falta de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 um dos grandes gargalos nessa \u00e1rea no Brasil, deixando milhares de trabalhadores rurais expostos a um impacto desconhecido.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sousa explica que as pesquisas s\u00e3o produzidas a pedido da empresa interessada em usar a subst\u00e2ncia: um estudo que avalia os riscos da intoxica\u00e7\u00e3o. Mas esse estudo \u00e9 feito em ambiente controlado, com apenas um ingrediente, cen\u00e1rio bem diferente da rotina nas fazendas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como funcion\u00e1rio do almoxarifado, Vanderlei tinha contato di\u00e1rio com diversos qu\u00edmicos. Eram 13 os agrot\u00f3xicos usados nessa fazenda em 2006, um ano antes da sua morte, quando a Del Monte entregou a lista \u00e0 secretaria estadual do meio ambiente. \u201cOu seja, ele estava em contato com uma composi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla de agrot\u00f3xicos, n\u00e3o h\u00e1 estudo que preveja isso\u201d, afirma Sousa. \u201cVanderlei \u00e9 prova que essas pesquisas n\u00e3o d\u00e3o conta da realidade\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Foi justamente esse o ponto explorado pela Del Monte, que entrou com dois recursos na Justi\u00e7a do Trabalho para negar a sua responsabilidade sobre a morte do trabalhador. O principal ponto da defesa era o argumento de que n\u00e3o havia evid\u00eancia cient\u00edfica provando a rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito entre a doen\u00e7a de Vanderlei e sua atividade na empresa. Procurada diversas vezes pela reportagem, por e-mail e telefone, a empresa optou por n\u00e3o responder as perguntas enviadas.<\/span> <\/p>\n<h1>Investiga\u00e7\u00e3o in\u00e9dita<\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para chegar ao laudo que levou \u00e0 condena\u00e7\u00e3o da Del Monte, a equipe m\u00e9dica teve de descartar todas as outras poss\u00edveis causas para a fal\u00eancia do seu f\u00edgado. Foi um diagn\u00f3stico por exclus\u00e3o. \u201cVanderlei era jovem, saud\u00e1vel e n\u00e3o bebia. N\u00e3o havia outra explica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma a m\u00e9dica Aguiar. \u201cTodos os outros diagn\u00f3sticos foram descartados, s\u00f3 sobrou o agrot\u00f3xico\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para chegar \u00e0 in\u00e9dita senten\u00e7a, que reconheceu a \u201cexist\u00eancia do nexo causal entre a atividade exercida pelo obreiro e a patologia que causou sua morte\u201d, foi preciso produzir uma ampla investiga\u00e7\u00e3o m\u00e9dica. A equipe levantou o hist\u00f3rico de Vanderlei, seus h\u00e1bitos pessoais e pr\u00e1ticas no trabalho. Al\u00e9m de recuperar os exames e os diagn\u00f3sticos que ele recebeu durante a interna\u00e7\u00e3o.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36856\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36856\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/secalunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Fruta do conde seca no p\u00e9, regi\u00e3o sofre com a falta de chuvas h\u00e1 sete anos. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dificilmente a fam\u00edlia de um trabalhador rural consegue mobilizar tantos esfor\u00e7os. O levantamento s\u00f3 foi poss\u00edvel porque, al\u00e9m de ser internado em um hospital universit\u00e1rio, Vanderlei passou a ser monitorado pelo n\u00facleo Tramas, um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Cear\u00e1 que se dedica a estudar os impactos dos agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o. O n\u00facleo foi criado dois anos antes da morte de Vanderlei, em 2006.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando ele adoeceu, havia uma equipe pesquisando justamente a contamina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores no cultivo do abacaxi na regi\u00e3o. A pesquisa colheu exames de funcion\u00e1rios das grandes empresas e visitou as instala\u00e7\u00f5es da Del Monte. Do total de pesquisados, 48% apresentaram altera\u00e7\u00f5es hep\u00e1ticas. Ou seja, quase a metade dos exames de sangue dos trabalhadores indicaram alguma anormalidade para as fun\u00e7\u00f5es do f\u00edgado.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36851\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36851\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/agua-4lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Moradores das comunidades rurais esperam caminh\u00e3o pipa com \u00e1gua de po\u00e7os profundos das empresas, \u00e1gua que sai da torneira n\u00e3o \u00e9 segura. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde ent\u00e3o, foram v\u00e1rios os estudos que apontaram para a contamina\u00e7\u00e3o dos trabalhadores do local, assim como do ar e das \u00e1guas que abastecem a regi\u00e3o. Em 2009, o \u00f3rg\u00e3o estadual de gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos encontrou agrot\u00f3xicos em 60% das amostras. No ano seguinte, pesquisa da universidade federal encontrou qu\u00edmicos em 100% das amostras colhidas, cada uma delas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">com <\/span><span style=\"font-weight: 400\">de 3 a 10 ingredientes ativos diferentes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hoje, quem pode, compra \u00e1gua mineral. N\u00e3o s\u00f3 nas comunidades rurais que rodeiam as planta\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m na cidade de Limoeiro do Norte. \u201cN\u00e3o tome \u00e1gua na casa das pessoas\u201d, foi uma das tristes recomenda\u00e7\u00f5es que ouvimos ao visitar o local.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36852\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36852\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/agua-5lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Placas alertam para a contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua que fica na reserva que abastece as comunidades rurais. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como muitos, Gerlene conhece os riscos de beber da torneira \u2013 ela tem apenas um filtro em casa, mas que n\u00e3o d\u00e1 conta dos agrot\u00f3xicos. A vi\u00fava n\u00e3o pode comprar \u00e1gua mineral todos os dias. \u201c\u00c9 colocar na m\u00e3o de Deus e beber a \u00e1gua que tem, que a gente n\u00e3o vai morrer de sede. Nem de fome\u201d, ela diz, lembrando que gostaria de poder comprar alimentos sem agrot\u00f3xicos para o seu filho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Devido aos anos em que conviveu com o marido, Gerlene desenvolveu uma rara consci\u00eancia cr\u00edtica sobre os riscos dos alimentos \u201cmais perfeitos\u201d. Como todos os funcion\u00e1rios da empresa, as vezes Vanderlei ganhava as frutas cultivadas ali. Levava para casa, mas n\u00e3o deixava a esposa comer, muito menos o filho de um ano. Preferia que a fruta fosse jogada fora. &#8220;S\u00f3 eu sei o que tem a\u00ed dentro&#8221;, lembra a vi\u00fava sobre a resposta do marido quando ela questionava porque desperdi\u00e7ar um abacaxi t\u00e3o bonito. \u201cEra grande, bem grande mesmo&#8221;, ela ressalta, bra\u00e7os estendidos para desenhar o tamanho da fruta.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por isso, hoje a vi\u00fava prefere escolher as menores frutas no mercado &#8211; sob protestos do filho. Ela n\u00e3o pode investir na compra de produtos org\u00e2nicos. Embora tenha ganhado o caso na justi\u00e7a, Gerlene ainda n\u00e3o recebeu a indeniza\u00e7\u00e3o da Del Monte.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36850\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36850\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/agua-3lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A \u00e1gua que abastece as comunidades vem por canais que passam dentro das fazendas, onde ocorre a contamina\u00e7\u00e3o por agrot\u00f3xicos. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<h1>Do sert\u00e3o para o mundo<\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cravada no sert\u00e3o do Cear\u00e1, a Chapada do Apodi tem solo generoso em nutrientes. A riqueza local, somada a um farto programa de isen\u00e7\u00f5es fiscais e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de um canal de irriga\u00e7\u00e3o, foram os fatores que atra\u00edram grandes exportadoras ao local, entre elas a norte-americana Del Monte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 muito prov\u00e1vel que as frutas plantadas no local j\u00e1 tenham passado pela sua mesa, pois s\u00e3o enviadas para mercados de diversas cidades do pa\u00eds. As maiores e mais perfeitas v\u00e3o para a Europa e Estados Unidos.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36853\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36853\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/banana-1lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">As frutas cultivadas na Chapada do Apodi s\u00e3o vendidas em cidades de todo o Brasil, provavelmente j\u00e1 passaram pela sua mesa. Foto: Lunae Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seu site, a multinacional apresenta o portf\u00f3lio: s\u00e3o 15 fazendas e sete mil trabalhadores produzindo frutas e legumes para consumo em mais de 100 pa\u00edses. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mas a log\u00edstica n\u00e3o funcionou para amparar a fam\u00edlia do funcion\u00e1rio doente, que teve de ser internado na capital. Com o marido a 5 horas de dist\u00e2ncia, Gerlene tinha que se adaptar \u00e0s caronas da empresa. &#8220;Eles levavam na hora que tinha algu\u00e9m indo fazer servi\u00e7o em Fortaleza&#8221;, ela diz.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36855\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36855\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/cidade-1lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Na comunidade de Tom\u00e9, os trabalhadores t\u00eam medo de falar sobre agrot\u00f3xicos. As empresas est\u00e3o cortando postos. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda amamentando o filho, e sem saber que perderia Vanderlei t\u00e3o r\u00e1pido, foram poucas as vezes que ela conseguiu se encaixar no esquema. Um detalhe na log\u00edstica da multinacional, um arrependimento para a vida da vi\u00fava.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O n\u00famero de empregos criados na regi\u00e3o tamb\u00e9m foi explorado pela defesa da Del Monte no processo movido por Gerlene. \u201c\u00c9 um argumento que n\u00e3o tem nada a ver com a quest\u00e3o\u201d, afirma Francisco Cl\u00e1udio Silva, advogado do caso. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNa minha vis\u00e3o, \u00e9<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> quase uma chantagem com a sociedade. Como se uma coisa justificasse a outra\u201d.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36857\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36857\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/agua-2lunae_parracho.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Em Limoeiro do Norte, s\u00e3o muitas as lojas que vendem e entregam \u00e1gua mineral. Quem pode compra. Foto: Luna\u00e9 Parracho\/ Rep\u00f3rter Brasil<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O argumento parece \u201ctosco\u201d, nas palavras do advogado, mas pode surtir efeito. Embora veneno seja o nome popular para agrot\u00f3xicos na regi\u00e3o, o assunto \u00e9 tabu. Tanto na cidade de Limoeiro do Norte quanto nas comunidades rurais, as portas se fecham quando se introduz o tema. A reportagem conversou com diversos trabalhadores e familiares, que abrem a porta e falam sobre diversos temas, mas fecham o semblante quando o assunto \u00e9 agrot\u00f3xicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Vivendo um per\u00edodo de seca h\u00e1 sete anos, as empresas de fruticultura est\u00e3o cortando postos. Quem j\u00e1 foi demitido teme nunca mais conseguir uma vaga. Quem est\u00e1 empregado n\u00e3o quer estar no lugar do demitido. N\u00e3o \u00e9 um bom momento para reivindica\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Esta reportagem faz parte do projeto Por Tr\u00e1s do Alimento, uma parceria da\u00a0Ag\u00eancia P\u00fablica e Rep\u00f3rter Brasil para investigar o uso de agrot\u00f3xicos. A cobertura completa\u00a0<a href=\"http:\/\/portrasdoalimento.info\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 no site do projeto<\/a>. \u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Leia outras mat\u00e9rias do especial Por Tr\u00e1s do Alimento:<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/12\/agrotoxicos-proibidos-europa-sao-campeoes-de-vendas-no-brasil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Agrot\u00f3xicos proibidos na Europa s\u00e3o campe\u00f5es de vendas no Brasil<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/12\/contaminacao-recorde-por-agrotoxicos-no-parana-atinge-mais-de-50-criancas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Contamina\u00e7\u00e3o recorde por agrot\u00f3xicos no Paran\u00e1 atinge mais de 50 crian\u00e7as<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esta publica\u00e7\u00e3o foi realizada com o apoio da Funda\u00e7\u00e3o Rosa Luxemburgo com fundos do Minist\u00e9rio Federal para a Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e de Desenvolvimento da Alemanha (BMZ).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-26417 aligncenter\" src=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/wp-content\/uploads\/2016\/06\/logorosaluxemburgo-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/12\/multinacional-e-condenada-por-morte-de-trabalhador-contaminado-por-agrotoxicos-em-fazenda-de-abacaxis\/\">Multinacional \u00e9 condenada por morte de trabalhador contaminado por agrot\u00f3xicos<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.<br \/>\nSource: Reporter Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Gerlene Silva dos Santos escolhe as menores frutas quando vai ao mercado em Limoeiro do Norte, Cear\u00e1. 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