{"id":13873,"date":"2018-11-27T12:51:21","date_gmt":"2018-11-27T14:51:21","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/usina-que-deu-calote-trabalhista-tenta-retomar-terra-ocupada-por-ex-funcionarios-ha-20-anos\/"},"modified":"2018-11-27T12:51:21","modified_gmt":"2018-11-27T14:51:21","slug":"usina-que-deu-calote-trabalhista-tenta-retomar-terra-ocupada-por-ex-funcionarios-ha-20-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/usina-que-deu-calote-trabalhista-tenta-retomar-terra-ocupada-por-ex-funcionarios-ha-20-anos\/","title":{"rendered":"Usina que deu calote trabalhista tenta retomar terra ocupada por ex-funcion\u00e1rios h\u00e1 20 anos"},"content":{"rendered":"<p><html><body><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 feriado e dia de reunir a fam\u00edlia em torno do fog\u00e3o \u00e0 lenha, mas o clima \u00e9 de apreens\u00e3o na casa de Dona Fezinha, como \u00e9 conhecida a aposentada Maria da F\u00e9 Silva, 78. \u201cA gente fica com medo\u201d, diz um dos genros, sem conseguir disfar\u00e7ar os olhos marejados. Fezinha e outras 461 fam\u00edlias do acampamento Quilombo Campo Grande, do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), podem ser despejados a qualquer momento por conta de uma decis\u00e3o judicial do \u00faltimo 7 de novembro. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">H\u00e1 duas d\u00e9cadas, eles vivem na antiga \u00e1rea da Usina Ariadn\u00f3polis, em Campo do Meio, sul de Minas Gerais, que faliu em 1996 sem pagar os direitos trabalhistas de seus funcion\u00e1rios. Sem trabalho, sem dinheiro e sem ter para onde ir, ocuparam as terras da usina como forma de receberem as d\u00edvidas trabalhistas \u2013 e de ganharem a vida com o cultivo da terra.<\/span> <\/p>\n<p\/>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O prazo para que Fezinha e as quase 2 mil pessoas que moram na \u00e1rea sa\u00edssem voluntariamente da terra acabou no dia 14, um dia antes do almo\u00e7o familiar da agricultora. Desde o dia 15, representantes das comunidades est\u00e3o sendo multados em R$ 5 mil di\u00e1rios pelo descumprimento da ordem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se para os vizinhos a decis\u00e3o do juiz Walter Zwicker Esbaille Junior, da Vara Agr\u00e1ria de Minas Gerais, parece amarga, para Fezinha \u00e9 uma segunda injusti\u00e7a. Ela trabalhou 30 anos na usina sem carteira assinada e foi demitida sem receber qualquer centavo.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36626\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36626 size-full\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-9-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Fezinha come\u00e7ou a trabalhar na usina quando tinha 9 anos de idade, e, quando a empresa faliu, em 1996, saiu sem receber um centavo. (Foto: Caio Castor)<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNa \u00e9poca, muita gente falou: \u2018eles n\u00e3o v\u00e3o pagar, porque est\u00e3o falidos\u2019. Ent\u00e3o pensamos: \u2018a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 vir pra terra\u2019\u201d, lembra a agricultora. <\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Do apogeu \u00e0 fal\u00eancia\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Criada em 1908 pelo portugu\u00eas Manoel Alves de Azevedo, a usina Ariadn\u00f3polis teve seu auge na d\u00e9cada de 1970, impulsionada pelo Pro\u00e1lcool (Programa Nacional do \u00c1lcool), do governo militar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nessa \u00e9poca, Rubens Batista, 55 anos, come\u00e7ava acompanhar a fam\u00edlia no trabalho pesado da fazenda. Aos oito anos, ele j\u00e1 capinava, cortava e plantava cana nas terras da usina. Como era menor de idade, afirma que recebia metade de um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Segundo Batista, at\u00e9 a d\u00e9cada de 1990 n\u00e3o havia carteira assinada e os trabalhadores n\u00e3o tinham direito a f\u00e9rias nem 13\u00ba sal\u00e1rio. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cVoc\u00ea era obrigado a fazer mais do que a sua capacidade e tinha uma jornada de 10 a 12 horas por dia. Tinha dia que a gente chegava desmaiar no servi\u00e7o de tanta fraqueza. Eu classifico essa situa\u00e7\u00e3o como trabalho escravo\u201d.<\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u2018Tinha gente que chegava a desmaiar de tanta fraqueza. Classifico essa situa\u00e7\u00e3o como trabalho escravo\u2019, diz Rubens Batista sobre as jornadas na Usina Ariadn\u00f3polis<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com a fal\u00eancia, muitos ex-trabalhadores da companhia n\u00e3o chegaram a acionar a Justi\u00e7a, porque n\u00e3o acreditavam que ganhariam os valores devidos ou porque n\u00e3o tinham dinheiro para entrar com o processo. Na \u00e9poca, dizem, era preciso ter R$ 50 para falar com o advogado. \u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O advogado da companhia, Diego Cruvinel, diz que a empresa n\u00e3o tem mais d\u00edvidas com os antigos funcion\u00e1rios. \u201cEssas quest\u00f5es j\u00e1 foram discutidas na Justi\u00e7a do Trabalho, foram analisadas e julgadas. O importante \u00e9 que, o que a empresa foi obrigada, ele j\u00e1 pagou\u201d, diz. A quest\u00e3o \u00e9 que os direitos foram pagos apenas para aqueles que tiveram recursos para entrar na Justi\u00e7a.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36627\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36627 size-full\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-5.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Rubens Batista, 55, diz que trabalhava at\u00e9 12hs por dia na planta\u00e7\u00e3o de cana da usina. \u201cTinha gente que chegava a desmaiar de tanta fraqueza\u201d. (Foto: Caio Castor)<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fal\u00eancia teve um efeito cascata na cidade, levando v\u00e1rias empresas a fecharem em Campo do Meio. \u201cDepois que a usina faliu aqui virou uma cidade-fantasma. Eles [sem-terra] chegaram e trouxeram renda, movimentaram a cidade, ajudaram o com\u00e9rcio\u201d, diz Nilson Puras, 42, dono de um a\u00e7ougue na cidade, que recolheu cerca de 70 assinaturas de lojistas contr\u00e1rios ao despejo das fam\u00edlias do Quilombo Campo Grande.<\/span><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Desde que ocuparam a fazenda, em 1998, os trabalhadores rurais do MST sofreram v\u00e1rios despejos. O primeiro aconteceu, poucos meses depois, na v\u00e9spera do Natal de 1998. As moradias de lona e as pequenas lavouras foram rapidamente destru\u00eddas pela pol\u00edcia. No ano seguinte, por\u00e9m, os agricultores voltaram em maior n\u00famero e ocuparam uma \u00e1rea mais extensa da antiga fazenda.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36631\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-36631\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-3-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Vista a\u00e9rea da falida Usina Ariadn\u00f3polis, cujo dono pede o despejo de 460 fam\u00edlias de trabalhadores rurais. (Foto: Caio Castor)<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cEstamos h\u00e1 20 anos nessa luta, sofremos v\u00e1rios despejos, mas a gente vem resistindo. Ocupamos em 1998 sabendo que o agroneg\u00f3cio n\u00e3o ia dar mais emprego, porque eles mecanizaram as fazendas\u201d, diz Batista.<\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u2018Depois que a usina faliu, aqui virou uma cidade-fantasma. Eles [sem-terra] chegaram e trouxeram renda, movimentaram a cidade, ajudaram o com\u00e9rcio\u2019, diz um comerciante da cidade<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De l\u00e1 para c\u00e1, o grupo cresceu. Hoje cada fam\u00edlia tem em m\u00e9dia oito de hectares terra, boa parte n\u00e3o usa agrot\u00f3xicos nem sementes transg\u00eanicas. Dessa transi\u00e7\u00e3o agroecol\u00f3gica, surgiu o caf\u00e9 org\u00e2nico Guai\u00ed, um dos principais produtos da cooperativa de agricultura familiar. Somando as vers\u00f5es org\u00e2nica e comum, a comunidade produz mais de 8 mil sacas por ano. Al\u00e9m das feiras do MST, que representam 40% das vendas, o caf\u00e9 Guai\u00ed \u00a0\u00e9 comercializado no Sul de Minas, em S\u00e3o Paulo e no Rio Grande do Sul. <\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">A fam\u00edlia Souza Moreira\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quem pede o despejo das fam\u00edlias \u00e9 o empres\u00e1rio Jovane de Souza Moreira, que tenta reativar a usina falida em um acordo comercial com um dos maiores produtores de caf\u00e9 do pa\u00eds. \u201cFa\u00e7a sol e fa\u00e7a chuva, ele est\u00e1 sempre de terno, bem arrumado. Gosta bastante de uma gravata vermelha\u201d, conta um dos acampados sobre o \u201cadvers\u00e1rio\u201d que mora ali ao lado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Volta e meia a presen\u00e7a do empres\u00e1rio \u00e9 notada pelo carro com vidros escuros (\u201ccada dia ele vem com ve\u00edculo diferente\u201d), que corta rapidamente a estrada que liga a cidade \u00e0 antiga usina \u2013 hoje um amontoado de ru\u00ednas que pode ser visto de longe. A estrada \u00e9 palco de conflitos constantes entre a fam\u00edlia Souza Moreira e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. H\u00e1 relatos, por exemplo, de epis\u00f3dios em que Jovane teria jogado o carro sobre assentados ou sobre crian\u00e7as que usavam o transporte escolar. \u00a0<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36629\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36629 size-full\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-4.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">As 460 fam\u00edlias produzem frutas, hortali\u00e7as e caf\u00e9 org\u00e2nico em \u00e1rea da empresa falida (Foto: Caio Castor)<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em outro momento, ele teria descido do carro para amea\u00e7ar um funcion\u00e1rio da Cemig (Companhia Energ\u00e9tica de Minas Gerais) que instalava energia el\u00e9trica nas casas do assentamento, dizendo que as terras eram suas. Apesar da tentativa de intimida\u00e7\u00e3o, cerca de 329 casas receberam a instala\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O advogado do empres\u00e1rio nega as acusa\u00e7\u00f5es e diz que a conviv\u00eancia com os assentados \u00e9 pac\u00edfica. \u201cEu andei na \u00e1rea um dia antes da vistoria do juiz, n\u00e3o senti animosidade, passamos e as pessoas o cumprimentaram\u201d, afirma Cruvinel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Reservado, um dos poucos lugares que o empres\u00e1rio frequenta quando est\u00e1 em Campo do Meio \u00e9 a Igreja Congrega\u00e7\u00e3o Crist\u00e3 no Brasil. \u201cO Jovane \u00e9 um sujeito religioso, d\u00e1 uma cesta-b\u00e1sica para algumas pessoas, faz trabalho volunt\u00e1rio em Alfenas. Ele n\u00e3o tem essa natureza de ir para o embate\u201d, diz o advogado.<\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u2018O Jovane n\u00e3o tem nem arma na casa dele. Ali\u00e1s, se tivesse esse perfil, certamente essas pessoas j\u00e1 teriam sido alvejadas\u2019, disse o advogado da fam\u00edlia<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Menos discreto \u00e9 seu filho, o empres\u00e1rio Jovane de Souza Moreira Junior, conhecido por andar de moto ou de carro na estrada que leva \u00e0 sede da fazenda. Ele foi um dos coordenadores da campanha do deputado federal Marcelo \u00c1lvaro Ant\u00f4nio (PSL), o mais votado nas elei\u00e7\u00f5es deste ano em Minas Gerais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eu seu perfil no Facebook, o empres\u00e1rio tem v\u00e1rias postagens em apoio ao presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e contr\u00e1rias ao PT. \u201cPrecisamos que a PM cumpra a ordem judicial que diz que os invasores do MST tem (sic) at\u00e9 dia 14\/11\/18 para a sa\u00edda pac\u00edfica, e a partir do dia 15\/11\/18 ser\u00e1 usada a for\u00e7a policial para o cumprimento fiel da lei e da ordem\u201d, publicou em sua p\u00e1gina na semana passada.<\/span><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2011, o ent\u00e3o vereador Camilo de Lelis Fernandes (PCdoB) disse ter sido amea\u00e7ado por Jovane Junior e dois de seus comparsas. Armado, ele teria entrado na frente do carro do vereador e dito: \u201cvoc\u00ea vai morrer agora porque o seu povo invadiu a usina do meu pai\u201d. \u00c0 \u00e9poca, um grupo do MST havia ocupado a sede da fazenda para pressionar por uma resolu\u00e7\u00e3o da disputa pela \u00e1rea.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cO Jovane n\u00e3o tem nem arma na casa dele. Ali\u00e1s, se tivesse esse perfil, certamente essas pessoas j\u00e1 teriam sido alvejadas. Ao contr\u00e1rio, ele sempre buscou o caminho certo, da Justi\u00e7a\u201d, contesta o advogado. <\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Avan\u00e7o do agroneg\u00f3cio<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O principal argumento da fam\u00edlia de Jovane para o pedido de urg\u00eancia de despejo das fam\u00edlias da \u00e1rea \u00e9 um contrato firmado h\u00e1 dois anos com a empresa Jodil Agropecu\u00e1ria e Participa\u00e7\u00f5es Ltda., cujo propriet\u00e1rio \u00e9 Jo\u00e3o Faria da Silva, que j\u00e1 foi chamado de \u201cmaior produtor e exportador individual de caf\u00e9 do pa\u00eds\u201d por publica\u00e7\u00f5es especializadas. Entre os principais compradores dos produtos do empres\u00e1rio est\u00e3o a Nestl\u00e9 e a holandesa Jacobs Douwe Egberts, dona das marcas Pil\u00e3o, Caf\u00e9 do Ponto, Cacique, Caf\u00e9 Pel\u00e9 e Damasco.<\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p>\u2018Tenho medo, porque a gente que \u00e9 pobre n\u00e3o pode perder isso daqui\u2019, diz Francisco Luiz Meireles, 67, sobre as terras em que vive h\u00e1 20 anos<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A ofensiva do grupo come\u00e7ou em 2015, um ano antes, quando o Governo de Minas publicou um decreto de desapropria\u00e7\u00e3o da \u00e1rea da antiga usina para que ela fosse destinada \u00e0 reforma agr\u00e1ria. Apesar de o acordo ter sido fechado com o s\u00edndico da massa falida, Jovane Moreira questionou na Justi\u00e7a a validade do documento. O decreto acabou suspenso e aguarda julgamento de recurso pelo Tribunal de Justi\u00e7a.<\/span> <\/p>\n<div id=\"attachment_36630\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-36630 size-full\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-8.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"450\"\/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u201cSe acontecer isso [o despejo], \u00e9 um sonho que morreu\u201d, diz, apreensivo, Sebasti\u00e3o da Silva. (Foto: Caio Castor)<\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jovane come\u00e7ou ent\u00e3o uma corrida para pedir a recupera\u00e7\u00e3o judicial da companhia. O acordo com Jo\u00e3o Faria permitiu que ele quitasse em 2017 as d\u00edvidas com os trabalhadores que haviam entrado na Justi\u00e7a. O empres\u00e1rio tamb\u00e9m quitou os d\u00e9bitos municipais e estaduais. H\u00e1, por\u00e9m, uma d\u00edvida de quase R$ 400 milh\u00f5es com a Uni\u00e3o, referentes \u00e0 contribui\u00e7\u00f5es previdenci\u00e1rias, FGTS e impostos federais, que foi negociada e parcelada por meio do Refis, programa do governo que facilita o refinanciamento de d\u00edvidas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O documento firmado prev\u00ea o arrendamento de parte dos 4 mil hectares da terra para o plantio de caf\u00e9, enquanto outra parcela seria destinada ao cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar. A empresa diz que o acordo vai gerar de 300 a 400 empregos diretos na propriedade. O argumento funcionou e, na decis\u00e3o do \u00faltimo dia 7, o juiz justifica a retirada das fam\u00edlias por conta do \u201crent\u00e1vel contrato de arrendamento rural\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Distantes da sala do magistrado, as fam\u00edlias aguardam com esperan\u00e7a uma suspens\u00e3o da ordem de despejo. \u201cTenho medo, porque a gente que \u00e9 pobre n\u00e3o pode perder isso daqui\u201d, diz Francisco Luiz Meireles, 67, que trabalhou desde os 8 anos de idade em fazendas da regi\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cSe eu for para a cidade eu morro logo, a minha natureza \u00e9 trabalhar na terra. Quem \u00e9 nascido e criado na ro\u00e7a n\u00e3o serve para a cidade n\u00e3o\u201d, diz o agricultor, que n\u00e3o tem filhos e mora com a esposa em um dos lotes prometidos a Jo\u00e3o Faria.<\/span><\/p>\n<p><em>Esta reportagem foi realizada com o apoio da <a href=\"http:\/\/www.dgb.de\/\" target=\"_parent\" rel=\"noopener\">DGB Bildungswerk<\/a><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-26063 size-medium\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/DGB_BW_Logo_RGB-800x280-300x105.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"105\"\/><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/11\/usina-que-deu-calote-trabalhista-tenta-retomar-terra-ocupada-por-ex-funcionarios-ha-20-anos\/\">Usina que deu calote trabalhista tenta retomar terra ocupada por ex-funcion\u00e1rios h\u00e1 20 anos<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.&#13;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/fotos-CM-tratada-9-1-1.jpg\" width=\"800\" height=\"450\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 feriado e dia de reunir a fam\u00edlia em torno do fog\u00e3o \u00e0 lenha, mas o clima \u00e9 de apreens\u00e3o na casa de Dona Fezinha, como \u00e9 conhecida a aposentada Maria da F\u00e9 Silva, 78. \u201cA gente fica com medo\u201d, diz um dos genros, sem conseguir disfar\u00e7ar os olhos marejados. Fezinha e outras 461 fam\u00edlias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13874,"comment_status":"false","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[43],"class_list":["post-13873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-infoeconomico-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13873\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}