{"id":13236,"date":"2018-10-30T08:30:37","date_gmt":"2018-10-30T10:30:37","guid":{"rendered":"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/demanda-mundial-por-papel-higienico-amplia-desmatamento-no-cerrado-brasileiro\/"},"modified":"2018-10-30T08:30:37","modified_gmt":"2018-10-30T10:30:37","slug":"demanda-mundial-por-papel-higienico-amplia-desmatamento-no-cerrado-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/demanda-mundial-por-papel-higienico-amplia-desmatamento-no-cerrado-brasileiro\/","title":{"rendered":"Demanda mundial por papel higi\u00eanico amplia desmatamento no cerrado brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><html><body><\/p>\n<div class=\"et_pb_section et_pb_section_0 et_section_regular\">\n<div class=\"et_pb_row et_pb_row_0\">\n<div class=\"et_pb_column et_pb_column_4_4 et_pb_column_0 et_pb_css_mix_blend_mode_passthrough et-last-child\">\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_0 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">FORQUILHA, Maranh\u00e3o \u2013 Durante d\u00e9cadas, dezenas de fam\u00edlias viveram pacificamente na pequena comunidade de Forquilha, no interior do Maranh\u00e3o. Ali, no sert\u00e3o brasileiro, os moradores costumavam plantar sua comida e criar seus animais. H\u00e1 cerca de sete anos, por\u00e9m, um empres\u00e1rio abastado instalou-se na regi\u00e3o e come\u00e7ou a converter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa em planta\u00e7\u00f5es de eucalipto. Se tudo corresse como o planejado, ele venderia as \u00e1rvores para a Suzano, multinacional produtora de celulose e papel. \u00c9 a gigante da celulose que alimenta grandes marcas internacionais, como a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Kleenex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, famosa por seus len\u00e7os de papel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2014, por\u00e9m, Forquilha tornou-se uma cidade violenta. Homens armados que patrulhavam a cidade entraram ilegalmente nas casas das pessoas, destru\u00edram m\u00f3veis e amea\u00e7aram matar moradores. Os bandidos vieram com uma mensagem: Renato Miranda, o empres\u00e1rio produtor de eucalipto, sempre fora dono daquelas terras e a comunidade teria invadido ilegalmente sua propriedade. Moradores foram informados de que tinham oito dias para arrumar seus pertences e sair.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cNingu\u00e9m sabia para onde ir, todos estavam apavorados, desesperados\u201d, lembra Ant\u00f4nia Lu\u00eds Ramalho Lima, esposa e m\u00e3e de 54 anos que ainda mora em Forquilha. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A viol\u00eancia aumentou. Homens armados sequestraram pai e filho, levaram-nos para um rio pr\u00f3ximo e amea\u00e7aram assassin\u00e1-los \u2013 a n\u00e3o ser que a fam\u00edlia abandonasse sua casa. Tr\u00eas idosos da comunidade morreram naquele ano; eles haviam sido amea\u00e7ados dias antes da morte. N\u00e3o tendo para onde ir, moradores permaneceram em suas casas. Ainda hoje, muitos deles vivem deprimidos e com medo. \u00a0<\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_0 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/8-eu.jpg\" alt=\"\" title=\"Maria S&#xF4;nia Silva de Carvalho, integrante da comunidade de Forquilha cujo marido e filho foram levados para o rio sob a mira de uma arma e amea&#xE7;ados de morte se n&#xE3;o abandonassem sua casa em 8 dias (Foto de Thomas Bauer para a Mongabay)\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_1 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os cidad\u00e3os de Forquilha procuraram ajuda da pol\u00edcia, mas n\u00e3o conseguiram. As tentativas de registrar reclama\u00e7\u00f5es com autoridades locais foram ignoradas. \u201cN\u00e3o pudemos ir \u00e0 pol\u00edcia porque ela estava do lado dele [Miranda]\u201d, explicou Marcione Martins Ramalho, m\u00e3e de dois filhos. A pol\u00edcia, comentou Ramalho, acompanhou os bandidos armados em uma de suas visitas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Finalmente, em 2015, a comunidade recebeu o apoio de Diego Cabral, um advogado que ficou chocado ao saber que um processo na Justi\u00e7a pedia a expuls\u00e3o das fam\u00edlias de suas casas. Cabral entrou com um recurso. At\u00e9 hoje, o processo n\u00e3o foi julgado. A incerteza reina e moradores temem que as amea\u00e7as f\u00edsicas e psicol\u00f3gicas recomecem.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cSem terra n\u00e3o h\u00e1 para onde correr. A terra \u00e9 vida para n\u00f3s\u201d, disse Marcione. <\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Assoando o nariz com eucalipto\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O terror vivido pelos cidad\u00e3os de Forquilha parece distante e desvinculado de nossas vidas di\u00e1rias. Mas consumidores de len\u00e7os e de papel higi\u00eanico brasileiros, norte-americanos e europeus no final da cadeia de fornecimento de eucalipto podem estar, sem saber, alimentando conflitos de terras, grilagem, deslocamento violento de comunidades tradicionais e o desmatamento ilegal de grandes \u00e1reas de vegeta\u00e7\u00e3o nativa no Brasil.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As planta\u00e7\u00f5es de eucalipto do pa\u00eds s\u00e3o incentivadas pela possibilidade de venda para a Suzano, \u00a0a\u00a0<\/span> <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/03\/uniao-entre-suzano-e-fibria-forma-a-quinta-maior-empresa-do-brasil.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">quinta maior empresa<\/span><\/a>\u00a0\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">do Brasil, que em abril iniciou uma\u00a0<\/span> <a href=\"http:\/\/www.tissueworldmagazine.com\/latest-headlines\/suzano-and-fibria-merge-to-form-global-pulp-giant\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">compra de US$ 12 bilh\u00f5es da Fibria<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, outra grande produtora brasileira de celulose. Uma vez conclu\u00edda, essa fus\u00e3o far\u00e1 da Suzano a maior empresa de papel e celulose do mundo. <\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_1 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2-eu.jpg\" alt=\"\" title=\"Paisagem brasileira em tr&#xEA;s diferentes est&#xE1;gios: floresta protegida, planta&#xE7;&#xE3;o de eucalipto, planta&#xE7;&#xE3;o de eucalipto colhido (Foto cortesia de Fl&#xE1;via Bernardes, FASE)\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_2 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A empresa hoje controla mais de 1,2 milh\u00e3o de hectares no Brasil \u2013 entretanto, assim que obter a propriedade da Fibria, supervisionar\u00e1 uma \u00e1rea quase duas vezes maior. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um dos principais compradores da celulose brasileira \u00e9 a multinacional norte-americana Kimberly-Clark, fabricante de marcas famosas de papel higi\u00eanico e len\u00e7os. A Kimberly-Clark confirmou que obt\u00e9m uma quantidade significativa de celulose de eucalipto no Brasil da Fibria e da Suzano, utilizada para fabricar \u201cprodutos de toalhas e len\u00e7os de papel, como <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Scott, Cottonelle, Kleenex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Andrex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">\u201d. <\/span><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com defensores dos direitos humanos e ONGs, os produtores de eucalipto t\u00eam explorado regularmente as defici\u00eancias nas regulamenta\u00e7\u00f5es sobre os direitos de terra, enquanto os conflitos t\u00eam sido agravados por incentivos e subs\u00eddios do governo para a produ\u00e7\u00e3o de eucalipto.<\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_2 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/gr&#xE1;fico-2.jpg\" alt=\"\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_3 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ativistas no Maranh\u00e3o alegam que a pr\u00f3pria Suzano se comportou de forma semelhante a fazendeiros como Renato Miranda, roubando terras de comunidades tradicionais, deslocando fam\u00edlias e tornando os meios de subsist\u00eancia insustent\u00e1veis. A Suzano contesta essas alega\u00e7\u00f5es. <\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Eucalipto coloniza o norte<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Renato Miranda n\u00e3o foi o \u00fanico empres\u00e1rio que decidiu come\u00e7ar a plantar eucalipto no Maranh\u00e3o. H\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, o cultivo da monocultura tornou-se investimento lucrativo na regi\u00e3o. Antes, a maioria do eucalipto brasileiro era cultivada na Mata Atl\u00e2ntica. No entanto, a empresa inaugurou sua primeira f\u00e1brica de celulose no cerrado em 2015, nos arredores da cidade de Imperatriz, no Maranh\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A expectativa dos empres\u00e1rios do agroneg\u00f3cio eram altas, achando que o eucalipto logo se tornaria a pr\u00f3xima grande safra do cerrado. Os fazendeiros correram para reivindicar amplas extens\u00f5es de terra em lugares como Forquilha, \u00e0s vezes legalmente, outras n\u00e3o. <\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2018Ningu\u00e9m sabia para onde ir, todos estavam apavorados\u2019, lembra Ant\u00f4nia Lima, que ainda mora em Forquilha<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pr\u00f3pria Suzano tamb\u00e9m reivindicou terras na regi\u00e3o \u2013 \u00a0cerca de 300.000 hectares, segundo o Forum Caraj\u00e1s \u2013 embora a empresa tenha se recusado a fornecer um n\u00famero preciso. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No entanto, a expans\u00e3o da empresa gerou pol\u00eamicas. De acordo com ativistas e acad\u00eamicos, a Suzano reivindicou terras que j\u00e1 estavam sendo usadas por comunidades tradicionais para agricultura de pequena escala e colheita de frutas \u2013 seus principais meios de subsist\u00eancia. A empresa fechou acordos com l\u00edderes comunit\u00e1rios\u00a0<\/span> <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S1389934113000312\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">para evitar conflitos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400\">apesar de muitos que ali estavam dizerem que a terra, seu principal meio de subsist\u00eancia, foi prejudicada pela monocultura. <\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_3 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/eucaliptop2.jpg\" alt=\"\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_4 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Francisco das Chagas, que administra o Centro de Direitos Humanos no munic\u00edpio de Santa Quit\u00e9ria, no norte do Maranh\u00e3o, descreveu a chegada da Suzano em 2002 como catastr\u00f3fica para as comunidades locais. Como muitas comunidades e moradores n\u00e3o tinham tinham a escritura da propriedade, \u201ca Suzano agiu de imediato e se autoproclamou propriet\u00e1ria dessas terras, portando documentos que consideramos falsos\u201d, comentou. \u201cDurante todo o tempo, eles tinham guardas de seguran\u00e7a e policiais ao seu lado\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com Chagas, a comunidade Cabeceiro do Rio deixou de existir porque as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto da Suzano usurparam a terra plana e ar\u00e1vel que, antes, era usada para plantio pela comunidade tradicional. Sem ter como produzir na terra, os moradores se viram obrigados a migrarem para cidades e vilarejos vizinhos. <\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2018Sem terra n\u00e3o h\u00e1 para onde correr. A terra \u00e9 vida para n\u00f3s\u2019, disse Marcione Ramalho moradora do cerrado<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em alguns casos, as comunidades tradicionais recorreram com sucesso ao governo local para reafirmar a posse da propriedade que historicamente ocuparam. Em outros casos, ju\u00edzes simpatizantes aos apelos diretos da Suzano determinaram que as comunidades invadiram a propriedade da empresa e, assim, confirmaram o direito da Suzano \u00e0 terra. Segundo Chagas, atualmente, existem 23 comunidades em conflito com a Suzano somente em Santa Quit\u00e9ria. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Suzano respondeu a essas alega\u00e7\u00f5es dizendo: \u201cA Suzano, como outras empresas florestais brasileiras, cumpre rigorosamente todas as leis e regulamentos que envolvem suas atividades comerciais, inclusive no que diz respeito \u00e0 compra de terras para o plantio de novas culturas\u201d. <a href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/10\/integra-da-nota-das-empresas-kimberly-clark-suzano-e-fibria\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia aqui a nota das empresas<\/a>.\u00a0<\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Paralisa\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o no norte<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar da corrida \u00e0s terras do Maranh\u00e3o e dos conflitos causados, os sonhos de eucalipto da Suzano no Norte ainda n\u00e3o se materializaram completamente. Muitas das planta\u00e7\u00f5es que se espalham pelo estado \u2013 plantadas pela empresa e seus empreiteiros \u2013 permanecem sem colheita.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Gorgen, apelidado de Zez\u00e3o, um dos mais conhecidos produtores de soja do Maranh\u00e3o, explicou o porqu\u00ea: se uma planta\u00e7\u00e3o de eucalipto est\u00e1 fora do raio de 300 quil\u00f4metros da f\u00e1brica de processamento da Suzano, o transporte das \u00e1rvores \u00e9 caro demais para ser lucrativo. <\/span><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Renato Miranda, dono de uma dessas planta\u00e7\u00f5es, n\u00e3o vendeu uma \u00fanica \u00e1rvore at\u00e9 hoje.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Suzano n\u00e3o est\u00e1 sozinha nas alega\u00e7\u00f5es de roubo de terras contra ela. Acusa\u00e7\u00f5es semelhantes foram feitas tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00a0principal concorrente da Suzano, a Fibria. A empresa chegou ao estado do Esp\u00edrito Santo na d\u00e9cada de 1960, durante a ditadura militar,<\/span>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/indepth\/features\/2016\/11\/brazil-quilombos-face-eucalyptus-giant-land-war-161123122742103.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">deslocando dezenas de quilombos<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> em uma \u00e9poca em que n\u00e3o havia legisla\u00e7\u00e3o para proteger os direitos \u00e0 terra.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Uma vez deslocados, os membros da comunidade foram for\u00e7ados a se dispersar; alguns se estabeleceram na periferia das cidades onde hoje quase todos vivem na pobreza, enquanto outros se juntaram ao movimento dos sem-terra, vagando entre os assentamentos informais e na luta por um peda\u00e7o de terra. Das 12 mil fam\u00edlias quilombolas que viveram na regi\u00e3o durante a d\u00e9cada de 1960, apenas 1.200 permanecem residindo em pequenas ilhas cercadas por um<\/span>\u00a0\u00a0<a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2011\/sep\/26\/monoculture-forests-africa-south-america\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">deserto verde<\/span><\/a>\u00a0\u00a0<span style=\"font-weight: 400\">de \u00e1rvores de eucalipto em desenvolvimento.<\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_4 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/15-eu.jpg\" alt=\"\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_5 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O ativista Marcelo Calazans, que trabalha para a Fase, uma coaliz\u00e3o ambiental e social do Esp\u00edrito Santo, disse que a empresa tamb\u00e9m desflorestou \u00e1reas ao longo da mata ciliar dos rios. O C\u00f3digo Florestal brasileiro pro\u00edbe a remo\u00e7\u00e3o de vegeta\u00e7\u00e3o nativa ao longo de rios, c\u00f3rregos, lagos e represas, pois serve como habitat para plantas e animais nativos, ao mesmo tempo em que previne enchentes e escoamento do solo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Fibria respondeu que \u201cn\u00e3o adota ou tolera pr\u00e1ticas ilegais em suas opera\u00e7\u00f5es\u201d.<\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Governo impulsiona e lucra com a ind\u00fastria da celulose\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Especialistas dizem que o governo brasileiro fracassou em grande parte em regulamentar a ind\u00fastria de celulose e papel e n\u00e3o zelou pela prote\u00e7\u00e3o das terras de comunidades tradicionais, embora tenha fornecido apoio financeiro substancial \u00e0 ind\u00fastria.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os propriet\u00e1rios de planta\u00e7\u00f5es normalmente recebem subs\u00eddios elevados do governo, recuperando cerca de 75% dos custos de produ\u00e7\u00e3o em tr\u00eas anos. Ao mesmo tempo, o BNDES investiu generosamente em empresas de papel e celulose e tem participa\u00e7\u00f5es significativas na Suzano e na Fibria. A compra da Fibria pela Suzano fornecer\u00e1 ao banco aproximadamente R$ 8,5 bilh\u00f5es, com o BNDES mantendo 11% do controle da companhia combinada.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201c\u00c9 chocante, na verdade, o quanto o governo brasileiro estimula uma concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder corporativo\u201d, expressou Simone Lovera, diretora executiva da Global Forest Coalition (GFC), uma alian\u00e7a internacional de ONGs que defendem os direitos dos povos das florestas. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o h\u00e1 nada pior que voc\u00ea possa fazer a uma terra do que plantar eucalipto. E, no entanto, at\u00e9 hoje, [grandes planta\u00e7\u00f5es brasileiras de eucalipto] s\u00e3o financiadas pelo<\/span>\u00a0<a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2015\/04\/conservation-and-carbon-storage-goals-collide-in-brazils-cerrado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">financiamento clim\u00e1tico\u00a0<\/span><\/a> <span style=\"font-weight: 400\">como \u2018reflorestamento\u2019\u201d, explicou Lovera. <\/span> <\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --><\/p>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_image et_pb_image_5 et_always_center_on_mobile\"> <span class=\"et_pb_image_wrap\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/13-eu-1.jpg\" alt=\"\" title=\"Sapezeiro, como &#xE9; conhecido entre seus amigos e parentes, faz parte de uma das comunidades quilombolas que recuperaram as terras que haviam sido tomadas pela Fibria no Esp&#xED;rito Santo (Foto cortesia de Fl&#xE1;via Bernardes, FASE)\"\/><\/span> <\/div>\n<div class=\"et_pb_module et_pb_text et_pb_text_6 et_pb_bg_layout_light et_pb_text_align_left\">\n<div class=\"et_pb_text_inner\">\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com o Compromisso Clim\u00e1tico do Brasil, estabelecido nos termos do Acordo de Paris de 2015, o governo federal compensar\u00e1 suas emiss\u00f5es de carbono ao reflorestar 12 milh\u00f5es de hectares, <\/span><a href=\"http:\/\/www.mma.gov.br\/estruturas\/208\/_arquivos\/national_plan_208.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><span style=\"font-weight: 400\">dos quais, apenas 2 milh\u00f5es ser\u00e3o de florestas nativas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">, enquanto 10 milh\u00f5es de hectares ser\u00e3o planta\u00e7\u00f5es de monoculturas \u2013 incluindo eucalipto. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os cientistas enfatizam que as planta\u00e7\u00f5es de eucalipto suportam pouca biodiversidade, enquanto tamb\u00e9m sugam grandes quantidades de \u00e1gua, o que pode afetar negativamente o fluxo dos cursos de \u00e1gua e os aqu\u00edferos vitais para os agricultores de subsist\u00eancia.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> A Suzano e a Fibria refutam essa alega\u00e7\u00e3o, afirmando que: \u201cuma pesquisa realizada por especialistas mostra que o consumo de \u00e1gua pelo cultivo de eucalipto n\u00e3o \u00e9 diferente de outras culturas\u201d.\u00a0<\/span> <\/p>\n<h1><span style=\"font-weight: 400\">Mantendo os consumidores globais felizes\u00a0<\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA Suzano n\u00e3o tem medo do governo [brasileiro], tem medo dos consumidores europeus\u201d, disse Calazans. Mais de 70% da receita l\u00edquida da empresa \u00e9 proveniente das exporta\u00e7\u00f5es para mais de 90 pa\u00edses \u2013 apenas para celulose esse percentual sobe para 91%.<\/span><!--nextpage--><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A Kimberly-Clark admite abertamente usar a celulose da Fibria e da Suzano para fabricar len\u00e7os de papel<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\"> Kleenex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> e papel higi\u00eanico <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Andrex<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, mas disse que <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201ccomo um dos maiores compradores de celulose de madeira, sabemos que proteger nossas florestas \u00e9 fundamental para lidar com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade e garantia de uma cadeia de suprimentos saud\u00e1vel e resiliente\u201d. <\/span> <\/p>\n<blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u2018\u00c9 chocante o quanto o governo brasileiro estimula uma concentra\u00e7\u00e3o de riqueza e poder corporativo\u2019, analisa Simone Lovera, da Global Forest Coalition<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Eles relataram que fizeram uma visita com v\u00e1rios acionistas \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de eucalipto da Fibria e da Suzano na Bahia e no Esp\u00edrito Santo em mar\u00e7o, durante a qual constataram que \u201cum progresso significativo est\u00e1 sendo feito pelas empresas, mas [que] h\u00e1 mais trabalho a fazer\u201d. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Claramente, com a popula\u00e7\u00e3o mundial crescendo, a demanda por papel higi\u00eanico e len\u00e7os de papel tamb\u00e9m vai disparar, com empresas de celulose e papel, e investidores como o BNDES, querendo aproveitar essa demanda com cada vez mais planta\u00e7\u00f5es de eucalipto. Mas, com a mesma clareza, as realidades apresentadas pela Kimberly-Clark e pela Suzano divergem extremamente da realidade dos cidad\u00e3os de comunidades tradicionais como Forquilha, onde Maria S\u00f4nia Silva de Carvalho ainda treme de medo quando ouve uma van passando \u00e0 noite. <\/span><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Essa reportagem foi produzida por meio de uma parceria de republica\u00e7\u00e3o entre Rep\u00f3rter Brasil e <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mongabay<\/a> e pode ser lida em ingl\u00eas <a href=\"https:\/\/news.mongabay.com\/2018\/10\/cerrado-towns-terrorized-to-provide-toilet-paper-for-the-world-say-critics\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0 <\/p><\/div>\n<\/p><\/div>\n<p> <!-- .et_pb_text --> <\/div>\n<p> <!-- .et_pb_column --> <\/div>\n<p> <!-- .et_pb_row --> <\/div>\n<p> <!-- .et_pb_section --><\/p>\n<p>O post <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\/2018\/10\/demanda-mundial-papel-higienico-amplia-desmatamento-no-cerrado-brasileiro\/\">Demanda mundial por papel higi\u00eanico amplia desmatamento no cerrado brasileiro<\/a> apareceu primeiro em <a rel=\"nofollow\" href=\"https:\/\/reporterbrasil.org.br\">Rep\u00f3rter Brasil<\/a>.&#13;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/8-eu.jpg\" width=\"722\" height=\"529\">&#13;<br \/>\n&#13;<br \/>\nFonte: Reporter Brasil<\/body><\/html><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FORQUILHA, Maranh\u00e3o \u2013 Durante d\u00e9cadas, dezenas de fam\u00edlias viveram pacificamente na pequena comunidade de Forquilha, no interior do Maranh\u00e3o. Ali, no sert\u00e3o brasileiro, os moradores costumavam plantar sua comida e criar seus animais. H\u00e1 cerca de sete anos, por\u00e9m, um empres\u00e1rio abastado instalou-se na regi\u00e3o e come\u00e7ou a converter a vegeta\u00e7\u00e3o nativa em planta\u00e7\u00f5es de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13237,"comment_status":"false","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[43],"class_list":["post-13236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-infoeconomico-news"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13236"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13236\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/infoeconomico.com.br\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}